A Literatura Gótica: uma breve apreciação.

A Literatura Gótica: uma breve apreciação.

Danielle de Fátima Gomes da Costa Albuquerque

LITERATURA GÓTICA: UMA BREVE APRECIAÇÂO

Danielle de Fátima Gomes da Costa Albuquerque

Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Rio grande do Norte – UERN Danie.vladi@hotmail.com

Jucileide Maria de Santana

Licenciada em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN

Especialista em Psicologia Escolar e da Aprendizagem pela FIP - PB

Especialista em Eventos e Estudos da Linguagem pela UFRN

Professora da Universidade Estadual Vale do Acaraú – RN

Professora da Rede Estadual de Ensino do Rio Grande do Norte

jucisantana69@hotmail.com

RESUMO

Este trabalho, fruto de uma pesquisa bibliográfica, apresenta a literatura gótica, o seu conceito, sua origem, e traça o perfil do ser gótico, suas características peculiares, sua forma de ver e viver a vida. Ademais, discute a influência do universo gótico na literatura e no cinema, na tentativa de compreender o porquê dela fascinar tanto o leitor. Considerando que a literatura surge em decorrência de uma necessidade de resposta da sociedade e/ou à sociedade, sentimos motivados a investigar qual a relação da literatura gótica com o contexto sociopolítico e econômico em que vivemos, estabelecendo um paralelo entre aquela e este, identificando as suas formas de expressão e de manifestação e a sua relação com o mundo interno e externo do ser gótico. Para tanto, buscamos nos embasar nas ideias defendidas por Fonseca (2009), Cândido (2006), Eco (1994) e Poe (2010). Esperamos que esse trabalho contribua para a desmistificação do mito de que a literatura gótica e o ser gótico representam o feio no universo literário.

PALAVRAS-CHAVE: Ser gótico, literatura gótica, cinema, desmistificação.

GOTHIC LITERATURE: A BRIEF APPRAISAL

ABSTRACT

This work, the result of a literature search, presents gothic literature, its concept, its origin, and traces the profile of being Gothic, its peculiar characteristics, their way of seeing and living life. Moreover, it discusses the influence of the Gothic universe in literature and film, trying to understand why she fascinate both the reader. Whereas the literature arises because of a need for societal response and / or society, which we feel motivated to investigate the relationship of Gothic literature with the socio-political and economic we live in, establishing a parallel between that and this, identifying forms of expression and manifestation and its relation to the internal and external world of being Gothic. To this end, we seek to base the ideas defended by Fonseca (2009), Candido (2006), Eco (1994) and Poe (2006). We hope this work will contribute to the demystification of the myth that Gothic literature and Gothic represent the ugly be the literary universe.

KEYWORDS: Being Gothic, Gothic literature, cinema, demystification.

LITERATURA GÓTICA: UMA BREVE APRECIAÇÃO

INTRODUÇÃO

Ao longo dos séculos, as estéticas literárias surgem em resposta às indagações mediante o contexto sociocultural da época. Atualmente, por exemplo, muito se ouve falar em literatura gótica. Mas o que significa ser gótico? Qual a origem desse termo? O que caracteriza a literatura gótica? Qual a relação desta com o contexto social vigente? O que a literatura gótica revela acerca dos seus leitores? Essas são algumas das indagações que o presente trabalho visa responder, na tentativa de proporcionar um melhor entendimento e compreensão do universo gótico, que, a cada dia, conquista mais adeptos e simpatizantes.

Sendo assim, não há como se pensar na literatura gótica ignorando a necessidade de se fazer uma reflexão sobre a mesma, delimitando os campos que esta abrange e observando a sua forma de recepção e de disseminação. Nesse sentido, este artigo, fruto de uma pesquisa qualitativa, busca apresentar o gótico desde a sua origem, mostrando como este se configura na literatura e na vida dos seus adeptos e analisando a sua forma de manifestação e de recepção por parte da sociedade, em geral. O mesmo se encontra dividido em quatro tópicos: o termo gótico, onde abordamos a origem e o processo de socialização deste gênero no mundo literário; o ser gótico, no qual apresentamos a filosofia de vida gótica e os sentimentos e emoções que os envolve; o Gótico na literatura e no cinema, onde tratamos a expansão dos escritos góticos na literatura e no cinema que vem cada dia mais e mais ganhando espaço e admiração pelo público leitor e espectador/telespectador; e a literatura gótica na sala de aula, onde retrata a contribuição desta para um fazer pedagógico alicerçado no real dando ênfase ao ficcional e sobrenatural, bem como a construção e/ou formação do pensamento critico e participativo do educando.

Percebemos que, com o advento da saga Crepúsculo, brotou na sociedade mundial um desejo, uma volúpia de mostrar-se com todas as suas formas, cores e conteúdo, contrastando com o “belo” antes pintado, cantado, poetizado. Uma nova forma de ver e interpretar o mundo que surge dos recônditos da alma humana, fugindo aos moldes socioculturais apregoados pela sociedade passada.

Apesar dos espaços destinados a essa maneira de representação e interpretação do mundo, ou seja, à literatura gótica pela mídia contemporânea, sabemos, contudo, que esta não é tão recente como se imagina. Portanto, resta-nos saber onde e quando ela se originou, qual o período que datou o seu surgimento no Brasil e quais as repercussões causadas por esta no meio sociocultural.

O TERMO GÓTICO

Entender o termo gótico se constitui tarefa essencial para a compreensão dessa estética literária que se apresenta como forma de interpretação do mundo exterior e de expressão do mundo interior. De acordo com o dicionário compacto da língua portuguesa[1], o termo gótico é relativo aos godos; estilo arquitetônico caracterizado pelo formato ogival das abobadas e arcos; estilo de literatura fantástica e sobrenatural, principalmente inglesa do século XVIII. Na concepção de Fonseca (2009), o termo “gótico” deriva dos godos, uma tribo germânica que buscava criar um reino por sobre os escombros do Império Romano, os quais eram sinônimos de barbarismo e estranhamento.

Oriundos das regiões meridionais da Escandinávia, os godos se instalaram nas margens do Báltico, por volta do século II a.C., período em que entraram para o vocabulário germânico, associando-se, posteriormente, ao Renascimento e ao Iluminismo medieval, representando, portanto, tudo que dizia respeito à Idade Média, considerada como a idade das trevas, da brutalidade, das superstições e do feudalismo. Como os godos eram os bárbaros mais conhecidos, o estilo passou a se chamar gótico, ou seja, bárbaro por excelência, alcançando um sentido pejorativo e de profundo desprezo.

Faz-se imprescindível saber, no entanto, que apesar de serem apontados como bárbaros e obscuros, os godos foram os primeiros germânicos a se converterem ao cristianismo e os italianos, por sua vez, achavam que a arte clássica que tanto admiravam e procuravam reviver, fora corrompida na Idade Media, pelos cristãos e assim, fizeram dos godos um marco histórico e taxaram pejorativamente toda a arte medieval (cristã) de gótica, ampliando o sentido da palavra. A partir de então a arte gótica tornou-se conhecida e admirada pela arquitetura arrojada, o que permitia aos seus construtores erigirem castelos e fortalezas mais fortes e resistentes que os de outra civilização da época. Estes castelos, mansões e edificações eram palco de historias e lendas muito ligadas ao místico e sobrenatural, o que deu origem a literatura gótica, hoje tão conhecida e apreciada pelo publico leitor. Para Fonseca (2009)[2]:

O nome gótico significou arquitetura antes de significar literatura (...). A arquitetura gótica objetivava um efeito emocional sobre as pessoas, evocando a sensação de estar a mercê de um poder superior, diante do qual o homem se sente vulnerável e insignificante. Em suma, um espaço do oculto e do não-explicável.

Ao final do século XVIII, tais construções foram visitadas por uma nova estirpe de habitantes, entre eles estavam poetas, escritores, ocultistas e sonhadores. Tal visita conduziu-os em meio às sombras para que pudessem produzir obras imortais como Frankenstein, o Corvo, As flores do mal, Drácula e tantas outras. Apesar dos godos terem sido extintos no começo do século VIII, seus feitos e conquistas deixaram marcas permanentes nos povos italianos. Principalmente a Queda do Império, com tantas construções greco-romanas destruídas, o que trouxe um trauma que foi passado de geração em geração. Assim, analogicamente, esse estilo arquitetônico predominante nesses séculos, cheio de ogivas, vitrais e gárgulas, passou a ser considerado pelos italianos, o "povo bárbaro" que "invade" o "povo clássico-cristão", tornando impura a arquitetura cristã da época.

Como podemos perceber, o termo gótico conforme apresentado estava mais voltado para a arte, para a arquitetura. Porém, tal conceito não se restringia apenas a essas esferas artísticas. No que tange à literatura, o gótico vincula-se a uma nova modalidade de poesia e prosa de ficção que surge em meados do século XVIII, no contexto do romantismo europeu, quando a cultura romântica vive profundas transformações políticas, econômicas e intelectuais, gerando certo desconforto e inquietação naqueles que buscavam resgatar o patriotismo primitivo, o culto à sensibilidade, à imaginação, à criatividade, ao fantasioso, difundidos pelo ideário alemão, o que gerou uma forte consciência revolucionária, que resultou na abordagem dessa nova estética literária, caracterizada pela inovação, espontaneidade, liberdade de pensamento e de expressão. Uma mistura de racional e emocional, de natural e artificial, de perfeição e imperfeição: a literatura gótica.

O SER GÓTICO

O que é ser gótico? Quais as características dos góticos? Qual a sua filosofia de vida? O que os aproxima e os distancia dos adeptos de outras estéticas literárias? Haveria algum ponto de semelhança entre ambos?

Considerando os questionamentos acima, é fundamental começar pela definição do que é ser gótico. Mas há alguma definição certa para este termo?

Para muitos, os seres góticos são pessoas que usam roupas pretas, gostam de melancolia, solidão, curtem fazer saraus em cemitérios, cultuam a noite. Porém, restringir o conceito de ser gótico a isso seria um pouco impreciso. Os góticos são pessoas que amam, que odeiam, que dançam, que cantam, que choram, que gostam de arte, que apreciam leitura, que vivem intensamente conforme os seus princípios e ideais. São amantes da liberdade de expressão e que curtem cada momento da vida, seja de dor ou de alegria. São pessoas normais que sofrem ou sofreram algo marcante que os impulsionou a adotar um novo estilo de vida e a partir desta transformação/ adaptação de estilo descobriram novos caminhos, adquirindo sabedoria, força e inteligência. O mundo deles é marcado pela melancolia geralmente expressa em seus atos, mas há aqueles que preferem se fechar por se considerar incapaz de deixar transparecer para outrem seu sofrer.

Entre eles podemos observar seres do tipo sensíveis, que demonstram os sentimentos extremamente elevados e aqueles, cuja raiva e/ou rancor os devora perturbando a mente, tornando-os seres frios e insensíveis, afastando-se dos demais para analisar e refletir sobre seus feitos; valem-se da individualidade para situar-se no mundo e assim fazer um elo entre o real e o mundo almejado. A maioria dos seres góticos vivem uma busca constante de uma lenda sentimental que lhes forneça uma razão para viver; outros seguem a procura de algo que preencha o vazio de suas vidas e aquiete o coração atormentado, sendo que alguns se deixem levar pelo desespero e embarcam num caminho sem volta – a morte.

Fábio Góis nos esclarece que as vestimentas pretas tornaram-se um “clássico visual” gótico, porém não pertencem ao góticismo em si, na verdade é uma influência dos Darks dos anos 80, que usavam roupas pretas para confrontar as demais cores que expressavam felicidade, ou melhor, escondiam a tristeza contida no coração de muitos. Tais vestimentas instigavam as pessoas a pensar melhor sobre suas vidas e parar de mentir para si mesmo, buscar uma vida melhor, sem máscaras, sem ocultismo. Foi esse pensamento que levou os seres góticos a adotarem tal estilo que para eles representa luto contra a sociedade medíocre que somos e/ou fazemos parte.

Além da roupa preta, o vento, a sombra, à noite e os mistérios que ela traz também os fascina e os inspira, levando-os a produzir sua própria história, a dar asas à imaginação; uma fantasia os envolve e dá prazer, prazer em descobrir e trilhar novos horizontes. Segundo Fonseca (2009):

O gótico é o reino da imaginação e das descobertas. São fronteiras que se abrem através do inexplicável de labirintos, catacumbas e masmorras. É o império do buscar, do querer, e mais do que do saber, do experimentar.

Assim como todos, os góticos tem sua filosofia de vida e esta é alicerçada na verdade, sem mentiras e lágrimas. Apesar de nos transmitir uma profunda tristeza, seja na literatura, arquitetura ou modo de ser e viver, eles expressam um desabafo desmedido, procurando imortalizar as lágrimas na arte como forma de superar a dor, eis que cobram do mundo alguém que os faça feliz, que faça do passado uma triste lembrança, mas que ficou para trás aliviando todo e qualquer tipo de angústia ou depressão. Idealizam um mundo de sonhos sem falsidade e frieza, ou seja, visam um viver de sonhos e encantamentos deixando o medo, o obscuro e depressivo no passado bem distante mesmo sabendo que o medo é tipicamente humano, assim como a dor e o sofrer. Como assegura o mesmo autor (2009):

O medo é humano, inerente à condição humana, na qual convivem a certeza da finitude da existência e a incerteza da finalidade da vida. O gótico reconhece que o estranho e o angustiante não são externos, mas sim, internos ao homem.

Acredita-se que é esta consciência que os impulsiona a cobrar do mundo um viver ancorado na realidade, onde sofremos, nos desesperamos, choramos, mas que somos capazes de encarar os problemas e a partir dele crescer e amadurecer, este sim, é o verdadeiro sentido da vida humana. Para muitos, os seres góticos são pessoas estranhas e que tem pacto com Satanás e os questionam. Contudo, eles são apenas pessoas com estilos e gostos diferentes da maioria. É importante saber que eles não seguem nenhuma religião, como também não duvidam das forças divinas. A esperança é muito importante para nós, mas para os góticos é apenas cultivada através da vontade que se tem de alcançar algo tão almejado.

As pessoas tomam a liberdade de brincar com os seres góticos, abordando o cemitério, construções abandonadas, mal sabem elas que tais lugares os inspiram e os asseguram de uma imensa tranquilidade que possibilita novos olhares e reflexões movendo o pensamento para criar e reinventar. Os artistas góticos são pouco conhecidos, mas é fato que sua capacidade de expressão nos faz ver o mundo com novos olhos, pois desenham, pintam, constroem o que sentem e ao nos depararmos com seus feitos – arte. Ao visualizá-la sentimos um vazio dentro de nós, uma explosão de sentimentos que nos arrebata fazendo-nos rir e chorar ao mesmo tempo e este são o verdadeiro objetivo dos góticos, causar impacto, nos fazer pensar e assim como eles analisar e avaliar o EU tornando-se um novo ser.

O GÓTICO NA LITERATURA E NO CINEMA

Ser gótico parece está na moda, atualmente não se ouve falar em outra cultura senão a gótica. Todos querem saber, conhecer o que é gótico, sua filosofia de vida e o mistério que os envolve, pois são pessoas autênticas, amantes da vida e despreocupadas com o que pensam a seu respeito. Pessoas que vivem um momento por vez sem jamais se esquecer do que os satisfaz. Só trilham caminhos que podem seguir. Sua autenticidade os faz perpetuar na arquitetura, no cinema e na literatura, eis que abordam histórias reais com um toque de mistério, ação, medo e horror e é justamente isso que nos fascina e, enquanto mais sabemos sobre a cultura gótica, mas nos propomos a conhecê-la.

A expressão “literatura gótica” nos faz voltar no tempo para melhor compreender o elo existente entre a literatura propriamente dita e a cultura gótica. Tal viagem nos permite descobrir que a literatura gótica teve inicio no século XVIII, tendo como fundador o escritor Horace Walpole com a obra The Castle Otranto e nos permite saber também que ela aprecia as sombras, o macabro, o obscuro e o sobrenatural de modo a envolver o público leitor em uma enorme atmosfera de mistério, tensão e satisfação, pois os incentiva a conhecer a outra face da vida vencendo seus próprios limites. Fábio Gois[3], justifica que a literatura gótica é extremamente profunda e que trata de abordar não apenas lindas histórias de amor, fantasia e conto, mas também de tristezas e desilusões. Torna conhecida a face oculta, negra e sombria que nos perturba e atemoriza. Ele acrescenta que “o melhor texto é aquele que entra como uma faca no coração”. Realmente, não existe nada mais profundo. Uma boa leitura é sempre bem vinda e nos proporciona novas descobertas e nos dá prazer. Prazer em conhecer o novo, o belo.

O que denominamos literatura gótica surgiu a partir de elementos característicos das baladas e romances medievais, estes instigavam a meditação sobre o proceder da alma e procurava descobrir se esta seria mortal ou imortal. Os autores da época escreviam poemas enfatizando os cemitérios, as ruínas a morte e as almas; com isso, pretendiam despertar o fascínio do leitor pelo horrível e repulsivo, levando-os a tomar gosto por esse novo estilo literário. Isso nos leva a crer que os escritores apoiavam-se em perguntas que desejam responder a si mesmo e buscam na literatura gótica expressar seu próprio subconsciente, composto por incertezas, mistérios e enigmas a ser desvendado; como exemplo disso podemos citar a escritora Anne Radcliffe, autora da obra “Entrevista com o Vampiro”; marcada pela dor e o sofrimento de ser órfã e mais tarde perder sua única filha, buscou na literatura gótica perpetuar sua dor e seu sofrer. Ela afirma que: os escritores escrevem sobre o que lhes obceca (...)[4]. Pesquisas mostram que os escritos de caráter gótico se constituem a partir de signos presentes em nossas mentes, assim como ocorrem nos sonhos. Neste sentido, as trevas não são trevas, mas sim fruto de nossa própria escuridão da mesma forma que o medo, a solidão e tudo que nos apavora são fruto do que criamos no mais profundo de nosso ser.

É provável que os escritores góticos tenham tomado para si a missão de transparecer para o leitor a existência de outro mundo que até então não era dominado nem conhecido pelo homem, mas sim desfrutável da mais profunda e plena alegria, paz e tranquilidade, o que nos prova que mesmo optando por revelar o macabro, sobrenatural e atemorizante existe em si a certeza de um mundo melhor, e que lugar seria este senão a eternidade prometida pelo criador? Eles reconhecem que Deus é infinito de bondade e misericórdia e que, a pesar da ardente batalha sobre os medos e anseios que a vida nos propõe haverá um lugar onde poderemos descansar e regozijar da plenitude Celestial. Tanto é que, por mais terrível que seja a história contada sempre há um final feliz onde se descobre os mistérios e a verdade vem à tona.

A arquitetura gótica marcou o século XII e prosperou até o século XVI, com o intuito de expressar a essência da fé católica fazendo com que os cristãos apreciassem as imagens sentindo a presença de Deus, isso tem causado uma enorme repercussão até os dias atuais e alimentado desavenças entre católicos e protestantes. Tais imagens têm por objetivo incorporar o simbolismo e criar um efeito sobrenatural e magnífico nos que seguem e apreciam essa arte. Para Cândido (2006, p.31): A arte é um sistema simbólico de comunicação inter-humana, (...) comunicação expressiva, expressão de realidades profundamente radicadas no artista, mais que transmissão de noções e conceito. Ele afirma ainda que a arte e a sociedade dialogam entre si com a finalidade de modificar os recursos de comunicação expressiva na medida em que movimenta um vasto sistema de influências recíprocas. A partir de então se cria um elo entre a arte gótica e a literatura gótica, cuja ênfase se dá através da emoção que despertam no público leitor e observador.

A observação e apreciação da arquitetura arrojada gótica existente na Idade Média influenciou a criação de inúmeras histórias sombrias e macabras que fascinaram o leitor da época, que por sua vez, movimentou o mundo literário e perpetuou a cultura gótica levando-a as salas de cinema. Foi justamente a releitura dos romances medievais impregnados de mistério, pavor e tensão que impulsionou a criação de uma forma literária de ficção, a qual retratava eventos sinistros e sobrenaturais ocorridos em castelos, ruínas e cemitérios. Logo a literatura passou a fornecer um manancial de narrativas e enredos para a arte cinematográfica. Adaptar essas narrativas tornou-se para os cineastas uma questão de honra e satisfação, pois trazia consigo a certeza de sucesso garantido aja vista que atrairia os espectadores para as salas do cinema com bastante facilidade, uma vez que o fantástico, o horror e o policial gozavam de grande prestígio no final do século XIX e inicio do século XX. Neste sentido, faço uso das palavras de Antônio Cândido para deixar claro que arte é vida ancorada na capacidade de expressão de ideias e pensamentos, como também é a maneira mais sublime e sofisticada de representar os fatos vividos.

A arte, e portanto a literatura, é uma transposição do real para o ilusório por meio de uma estilização formal, que propõe um tipo arbitrário de ordem para as coisas, os seres, os sentimentos. Nela se combinam um elemento de vinculação à realidade natural ou social, e um elemento de manipulação técnica, indispensável à sua configuração, e implicando uma atitude de gratuidade. Gratuidade tanto do criador, no momento de conceber e executar, quanto do receptor, no momento de sentir e apreciar. (CÂNDIDO, 2006, p.63).

No Brasil, a arte literária gótica se manifestou durante o ultra - romantismo por Álvares de Azevedo e o seu livro Noite na Taverna, mas não fincou raízes devido a inúmeros fatores. Acredita-se que dentre eles tomava destaque um projeto alencariano de ficção onde recobriria as realidades urbana e rural dando ênfase ao romantismo hegemônico a cerca da identidade nacional. Somente no início do século XX a literatura gótica veio ressurgir no Brasil, no período da Republica Velha, mais especificamente na Belle Époque, quando a ciência e o progresso mudaram a face do Rio de Janeiro.

A literatura Gótica contou com o auxilio de um forte aliado, o escritor maranhense Coelho Neto, eis que sua obra apresentou um dialogo pertinente junto às temáticas e convenções literárias da literatura gótica Britânica e Norte-Americana as quais movimentaram o publico leitor devido ao interesse em conhecer a literatura popular desenvolvida nas metrópoles europeias e as afinidades linguísticas e culturais entre a América do norte e o Velho Mundo. Isso deu destaque aos escritores Edgar Allan Poe, Nathaniel Hawtorne e Herman Melville.

Segundo Antônio Cândido, a criação literária corresponde a certas necessidades de representação do mundo (2006, p.65), e foi justamente o que ocorreu com o Brasil no final do século XIX e início do século XX. O país passou por um processo de mutação na cidade do Rio de Janeiro para que ficasse limpo, urbanizado e organizado como os grandes centros europeus; finalmente, a elite brasileira pôde sonhar com um futuro promissor sendo assim extintos os cortiços e os ratos da antiga cidade, isso, graças à ciência e ao progresso que causaram um grande e considerável impacto na vida individual e social tanto nos ricos como nos pobres. Foi este fato que atraiu a atenção dos escritores brasileiros e promoveu o surgimento da literatura gótica, tomando como cenário a nova cidade – o Rio de Janeiro. Como exemplo disso, podemos citar a novela “Lado a lado”, atualmente no ar mais precisamente às 18 horas, a qual retrata muito bem as desavenças entre os nobres e os moradores de cortiços que lutam com unhas e dentes para defender seu direito de moradia.

A literatura gótica brasileira utilizou-se dos “romances de sensação” para se ampliar e ganhar o público leitor que se alfabetizava de forma lenta, porém crescente. Os romances de sensação eram subgêneros literários capazes de provocar no leitor emoções pouco experimentadas na previsível rotina cotidiana carioca. Sua temática variava de crimes hediondos a experiências sexuais ou ainda pela fascinação causada pela ciência e pelo progresso.

Na atualidade, os filmes e livros de caráter gótico mais populares e fascinantes tem sido as Sagas Crepúsculo e Harry Potter. Estes não só conquistaram o público leitor como também o telespectador, haja vista que quem lê o livro também fica curioso para apreciar os efeitos visuais existentes nos filmes. A saga crepúsculo é uma trama vampiresca muito envolvente que relata uma história de amor entre um vampiro e uma humana. A princípio, ele tenta resistir ao charme e encanto da garota, mas se sente atraído por não conseguir decifrar o que se passa em sua mente, daí tornam-se amigos até ela descobrir o segredo que ele luta para preservar. Ambos se envolvem perdidamente e buscam concretizar o sonho de ficarem juntos para sempre; ela busca ser imortalizada; ele resiste o quanto pode para não quebrar o tratado feito com os lobos. A história é sensacional. Já Harry Potter é uma série de aventuras fantástica composta por sete livros. A trama se dá na escola de magia e bruxaria e focaliza os conflitos de um garoto mágico e um bruxo maldoso. Além disso, no desenrolar da narrativa são abordados temas como amizade, ambição, preconceito, coragem, responsabilidade moral e as complexidades da vida e da morte. A pesar de ser considerada uma história de caráter satânico, ela é muito rica em termos de educação sociocultural, transmite ensinamentos sobre o respeito às diferenças sociais e sobre mistério entre a vida e a morte, desmistificando-o.

O Senhor dos Anéis, da saga Harry Potter, é um romance de fantasia, que segundo pesquisas tornou-se um dos trabalhos literários mais populares do século XX. Tal história ocorre em tempo e espaço imaginários, inspirados na terra real e tem por finalidade proteger o anel do poder para que ele não volte para as mãos do seu criador Sauron, o senhor do escuro. Sua história engloba elementos como filologia, mitologia, industrialização e religião. Inspirou a cultura pop e continua inspirando trabalhos como arte, música, cinema e televisão, videogame e uma literatura paralela inspirando inúmeros autores e cineastas.

A LITERATURA GÓTICA NA SALA DE AULA

Agora que compreendemos melhor a origem do gótico, o ser gótico, sua filosofia de vida e o seu espaço na literatura e no cinema, vemos a necessidade de ampliar este conhecimento – saber ministrando tal temática na sala de aula de modo a analisar a receptividade por parte dos alunos que se sentem motivados a descobrir o novo como também tem o privilegio de expor seu conhecimento a respeito do que se é trabalhado em sala de aula. Neste sentido, não só os incentivamos a expor ideias e saberes como também oportunizamos o desenvolvimento sócio-cognitivo, onde desenvolverão técnicas de leitura e escrita e se sentirão seres ativos e participativos tanto no processo de ensino e aprendizagem como no meio sócio - cultural. Para tanto, ampliar a noção de leitura, é para nós educadores um passo mais que significativo, é extraordinário por que propõe aprendizado, cultura e lazer. MARTINS (1984: p.29), nos assegura que:

Vista num sentido amplo, independente do contexto escolar, e para além do texto escrito, permite compreender e valorizar melhor cada passo do aprendizado das coisas, cada experiência. Incorpora-se, assim, ao cotidiano de muitos o que geralmente fica limitado a uma parcela mínima da sociedade: ao âmbito dos gabinetes ou salas de aula e bibliotecas, a momentos de lazer ou busca de informação especializada. Enfim (...), o ato de ler permite a descoberta de características comuns e diferenças entre os indivíduos, grupos sociais, as varias culturas; incentiva tanto a fantasia como a consciência da realidade objetiva, proporcionando elementos para uma postura critica, apontando alternativas.

É a partir desta perspectiva que pretendemos trabalhar a literatura gótica, adequando os seguidores, adeptos e simpatizantes desta cultura e despertando o interesse e satisfação de outros em descobrir que cultura é esta que é tão apedrejada pela sociedade atual, que nem ao menos se permite conhecer e/ou conviver com o novo, o diferente. É preciso quebrar os tabus que se fizeram a respeito do gótico, assim, partiremos do real com Álvares de Azevedo, analisando seu livro noite na taverna, onde retrata os recônditos de uma sociedade medíocre que se esconde das criticas, porem não deixam de desfrutar dos prazeres da vida em uma noite repleta de bebedeiras e prostituição. Realidade lastimável, mas que acontece até os dias atuais. Trabalharemos também Poe e suas historias extraordinárias, que relata o comportamento humano de forma selvagem, sem escrúpulos e sem “amor ao próximo”, que segundo a bíblia sagrada é um dos critérios para se herdar o reino dos céus.

Para deixar fruir a imaginação poderemos utilizar a “saga crepúsculo”, que tem se tornado um marco para a ascensão do gótico tanto na literatura quanto no cinema. Eis que nos permite instigar os alunos para desvendar os mistérios da vida humana e vampiresca, alem de desfrutar de uma linda historia de amor que destrói os paradigmas humano e social dando lugar a uma nova vida, a qual reuni humano e vampiro em um só corpo, em um só espírito, fruto de um amor incondicional que travou uma luta constante entre real e sobrenatural. A partir de então se pode trabalhar a reconstrução dos fatos ou aprimoramento da obra de acordo com o gosto e a capacidade de produção do educando, que deixarão de ser meros espectadores para se tornar críticos e produtores. Isso trará uma atmosfera de conhecimento – saber e oportunizará o crescimento intelectual e uma nova visão a cerca do góticismo. Segundo Paulo Freire (1996), ensinar exige respeito ao saberes dos educandos, exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação. E é neste sentido que buscamos situa-los no contexto literário sem desconsiderar o contexto social vigente. É na associação do real com o imaginário ou ficcional que acreditamos formar um conhecimento concreto, possibilitando ao educando reformar e/ou formar o conhecimento já existente, desconsidera-lo jamais, sabemos que é a partir deste que se faz o novo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Analisar a literatura gótica, o que ela representa para a sociedade e seus leitores, remete-nos a inúmeras indagações, que nos estimula e desperta infinitas curiosidades, que buscamos respondê-las durante o corpo desse trabalho, onde apresentamos a literatura gótica em si, seu conceito, origem, seus adeptos e filosofia de vida, bem como sua forma de manifestação e recepção por parte do leitor/espectador.

Como vimos, a literatura gótica é uma forma de ver, de interpretar e viver a vida. Portanto, para aceitá-la é preciso conhecê-la e tentar compreender os vieses que a regem, que a faz emergir com tanta força, libertando um público de amarras outrora impostas pela sociedade. As amarras decorrentes da influência do “belo”, da “perfeição”, do “colorido”, do harmonioso. Contudo, ressaltamos que a harmonia para ser vivida e propagada ela precisa, antes de mais nada, brotar das “entranhas” das pessoas, pois ela surge de dentro para fora. Isso significa que não há como a literatura gótica ser retratada de outra forma, uma vez que a sociedade atual vive um período de desequilíbrios sociais, culturais, econômicos e, consequentemente, emocionais.

Os vários “vampiros”, tão bem representados na Saga Crepúsculo, por exemplo, fazem parte do nosso mundo, do nosso contexto social. Não como seres fictícios, mas reais, representando os segmentos de maiores castas sociais. Quantos deles já sugaram e/ou continuam sugando o nosso “sangue”? Como agimos diante disso? Que sensações despertamos perante essa situação? A realidade está aí, sendo mostrada sob a lente ficcional. A literatura gótica é o espelho disso. Ela retrata o atual contexto social e suas mazelas político-econômicas de forma metafórica, mostrando como essa conjuntura desordenada está comprometendo o equilíbrio das pessoas e de toda a sociedade. Não há como ter cor, não há como predominar a harmonia. Tudo se encontra em desajuste. Eis o belo “feio”. A literatura gótica. Uma forma bela de representar o mundo de feiuras interiores e exteriores que enfrentamos hodiernamente.

É essa literatura gótica que nos proporciona uma visão inovadora do homem e da sociedade, como também nos permite apreciar o novo que até então era visto como horrível, desprezível, grotesco, perverso e macabro, quando na verdade não passava de uma explosão de ideias e saberes encontrados e enclausurados no mais profundo abismo de nosso ser – a mente humana.

É por meio dessa literatura, da arte e do cinema que os seres góticos descortinam seu mundo, suas experiências e expectativas de vida. Por este motivo, cabe-nos compreender e respeitar a liberdade de expressão, de ser e de viver do outro, sem preconceitos, sem julgamentos infundados. Os góticos tem o direito de expressar suas ideias e pensamentos da forma que consideram mais adequada. Somos uma sociedade pluralista e democrática, portanto, as diferenças vão sempre existir; são elas que dão o tom, a cor ao nosso mundo. A literatura gótica, por sua vez, precisa ser conhecida e, assim, respeitada como forma de expressão e manifestação de um povo que clama por uma vida de justiça, de paz, onde a igualdade social se constitui o alicerce principal. Augusto Cury (2007, p.11), nos afirma que “a democracia das ideias é uma necessidade inevitável. Não é possível viver em liberdade sem respeitar os que pensam diferente de nós”.

Concordando com esta linha de pensamento é que devemos ver os seres góticos como pessoas normais, que amam, que odeiam, que dançam, que cantam, que choram, que riem, que apreciam arte e literatura, que vivem intensamente conforme seus princípios e ideias. Talvez seja isso que nos incomoda e nos difere deles, pois nos privamos de fazer o que desejamos por que tememos a opinião dos outros e isso é um grande problema. Os jovens de hoje são taxados de rebeldes e insanos apenas porque vivem um dia de cada vez e não se limitam aos comentários preconceituosos que a eles são lançados, talvez seja esta semelhança, o ponto de atração que eles encontram na literatura gótica e os torna fascinados por este mundo ainda em transição.

REFERÊNCIAS

1. CANDIDO, Antonio. Literatura e Sociedade. 9ª Ed. Ouro sobre Azul; Rio de Janeiro, 2006.

2. CURY, Augusto. Filhos brilhantes, alunos fascinantes. 2ª Ed. – Ed. Academia de inteligência, São Paulo, 2007.

3. ECO, Umberto. Seis passos pelos bosques da ficção. Tradução Hildegard Feist, Companhia das Latras, São Paulo, 1994.

4. FONSECA, Deize Mara Ferreira. Sentir com a imaginação: Edgar Allan Poe, Augusto dos Anjos e um gótico moderno. Letras de Hoje, Porto Alegre, 2009. (artigo aprovado em 30.05.2009; contato: deizzemara@gmail.com).

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. Paz e Terra, São Paulo, 1996.

5. MARTONI, Alex. A Estética Gótica na Literatura e no Cinema. XII Congresso Internacional da ABRALIC. Curitiba, 2011. (artigo produzido em: 18 a 22 de julho de 2011; contato: alekzmartony@hotmail.com).

6. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. Brasiliense, São Paulo, 1984.

7. POE, Edgar Allan. Historias extraordinárias. Ilustrações Poly Bernatene [tradução Antonio Carlos Vilela]. Ed.Melhoramentos, São Paulo, 2010.

7. SILVA, Alexander Meireles da. O Gótico de Coelho Neto: um dialogo entre as literaturas brasileiras e Anglo-Americana. Anais do V Congresso de Letras da UERJ – São Gonçalo. (artigo Cientifico).

8. HTTP://WWW.brasilescola.com/literatura/a-literatura-de-tradição-gotica.htm - A literatura de tradição gótica. Acessado em 2 de abril de 2012 as 8:47 hs.

9. HTTP://WWW.spectrumgothic.com.br/literatura/literatura_gotica.htm - Literatura gótica e sobrenatural. Acessado em 2 de abril de 2012, as 9:00 hs.

10.HTTP://WWW.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=926&itemid=2 - Objetivo da literatura gótica. Acessado em 2 de abril de 2012, as 9:40 hs

11.Flog.clickgratis.com.br/zyb855/foto/sobre-a-cultura-gotica-o-que-e-gotico/20874.htm. Acessado em 7 de abril de 2012, as 14:50 hs.

ANEXO

PROJETO DE PESQUISA

Assunto: Literatura Gótica.

Tema: A literatura gótica: uma breve apreciação

Situação problema: O que caracteriza a literatura gótica, que desperta tanto interesse nos jovens a ponto dos mesmos se sentirem encantados pelo mundo literário?

Introdução: compreender a literatura gótica, o que ela representa para a sociedade e qual a sua contribuição para o ensino hoje é uma questão significativa e pertinente para um fazer pedagógico de qualidade e que respeite as diferenças ao mesmo tempo deve situar os alunos no contexto sócio – cultural como seres críticos e participativos que devem ser. Para tanto, é preciso saber o que caracteriza tal literatura a ponto de despertar tanto interesse nos educandos levando-os a se sentirem encantados pelo mundo literário.

Neste intuito, faz-se necessário conhecer a origem do gótico, as características e a filosofia de vida destes, que ate então eram vistos como desordeiros, satânicos, rebeldes e tantos outros adjetivos que lhes foram atribuídos. Só assim, será possível julga-los disto ou daquilo.

HIPÓTESES OU QUESTIONAMENTOS:

· O fascínio pela literatura gótica deve-se à polêmica dicotomia existente entre real e sobrenatural.

· Os jovens sentem-se entusiasmados pela literatura gótica, por esta envolver mistérios, enigmas e fatos sobrenaturais.

· A literatura gótica atrai leitores por abordar temas místicos, que se aproximam do universo intrínseco do eu, contribuindo para a revelação de identidades.

OBJETIVO GERAL:

Apresentar o gótico desde a sua origem, mostrando como este se configura na literatura e na vida dos seus adeptos e analisando a sua forma de manifestação e de recepção por parte da sociedade, em geral.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

· Analisar o auxilio da literatura gótica na compreensão do real e sobrenatural;

· Descobrir por que a literatura gótica fascina leitores, adeptos e simpatizantes;

· Compreender os temas abordados pela literatura gótica e no que estes pode nos auxiliar no que diz respeito à aquisição do conhecimento – saber.

JUSTIFICATIVA

É intrigante o desprazer literário dos jovens; portanto desvendar e compreender essa intriga é para nós uma tarefa árdua. Eis que durante muito tempo os jovens apontaram o ensino literário como um fazer desnecessário e insatisfatório, o que conduziu os professores ter a concepção de que os jovens não gostam de lê e por isso ignoram o saber literário e encaram as aulas de literatura como uma prática careta, desinteressante e enfadonha.

No intuito de solucionar essa questão, somos impulsionados a descobrir quais métodos de trabalho são adequados para se fazer compreender o que é literatura e levá-los a perceber que ela esta em tudo e em todos, que ultrapassa signos e frases formatadas, sendo sublime a todos os conceitos a ela atribuídos, uma vez que, os jovens, mesmo inconscientes, já foram introduzidos no mundo literário expressando seu prazer em desvendar mistérios, conhecer o sobrenatural e compreender os enigmas emocionais que nos cerca e nos envolve. Prova disso é o fascínio que estes nos apresentam pela literatura gótica, a qual tem por finalidade nos situar no contexto real, sem mentiras ou mascaras, fazendo-nos perceber a dupla personalidade que temos e nem sempre deixamos transparecer como é o caso no livro historias extraordinárias de Poe, além de retratar lindas historias de amor envolvendo tensão, medo, mas que se conclui com um final feliz, retratado pela saga Crepúsculo.

Contudo, é possível compreender que mesmo sem saber os educandos foram envolvidos e arrebatados pelo prazer e deleite de uma boa leitura, resta-nos aprimorar esta pratica e mistificar o prazer literário a partir de outras obras que possa situá-los no contexto sócio – cultural vigente de forma critica e consciente.

PROCEDIMENTO METODOLÓGICO OU METODOLOGIA:

Trabalharemos por meio de pesquisas bibliográfica e em internet analisando artigos e documentos disponibilizados por este meio, para melhor compreender a origem do termo gótico, as características e filosofia de vida do ser gótico, o gótico na literatura e no cinema e ainda o fazer pedagógico a cerca da literatura gótica, analisaremos a contribuição desta para compreender melhor o fascínio do leitor para com ela e o que ela representa para a sociedade vigente.

REFERENCIAL TEORICO:

Como fonte inspiradora ou norteadora para este projeto, utilizaremos os escritos de Fábio Góis, um gótico nato que relato tudo o que precisamos saber a cerca da cultura de tradição gótica; Poe e suas historias extraordinárias que retrata o lado sombrio e macabro do homem; Candido que explica o processo existencial do homem, da literatura e da sociedade como um todo; Fonseca que mostra a literatura gótica e os processos por ela enfrentados para se chegar ao auge que se encontra hoje, além de Silva que relata o processo histórico da literatura gótica no Brasil.

CRONOGRAMA:

Especificação/ano

2013

Meses

Mai.

Jun.

Jul.

Ago.

Set.

Out.

Nov.

Dez.

Jan.

Fev.

Mar.

Levantamento bibliográfico

X

Leitura e fichamento de obras

X

Coleta e seleção de dados

X

Revisão bibliográfica

X

Analise critica do material

X

Elaboração preliminar do texto

X

Entrega a orientadora

X

Revisão e redação final

X

Entrega para aprovação

X

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS:

1. CANDIDO, Antonio. Literatura e Sociedade. 9ª Ed. Ouro sobre Azul; Rio de Janeiro, 2006.

2. CURY, Augusto. Filhos brilhantes, alunos fascinantes. 2ª Ed. – Ed. Academia de inteligência, São Paulo, 2007.

3. ECO, Umberto. Seis passos pelos bosques da ficção. Tradução Hildegard Feist, Companhia das Latras, São Paulo, 1994.

4. FONSECA, Deize Mara Ferreira. Sentir com a imaginação: Edgar Allan Poe, Augusto dos Anjos e um gótico moderno. Letras de Hoje, Porto Alegre, 2009. (artigo aprovado em 30.05.2009; contato: deizzemara@gmail.com).

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. Paz e Terra, São Paulo, 1996.

5. MARTONI, Alex. A Estética Gótica na Literatura e no Cinema. XII Congresso Internacional da ABRALIC. Curitiba, 2011. (artigo produzido em: 18 a 22 de julho de 2011; contato: alekzmartony@hotmail.com).

6. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. Brasiliense, São Paulo, 1984.

7. POE, Edgar Allan. Historias extraordinárias. Ilustrações Poly Bernatene [tradução Antonio Carlos Vilela]. Ed.Melhoramentos, São Paulo, 2010.

7. SILVA, Alexander Meireles da. O Gótico de Coelho Neto: um dialogo entre as literaturas brasileiras e Anglo-Americana. Anais do V Congresso de Letras da UERJ – São Gonçalo. (artigo Cientifico).

8. HTTP://WWW.brasilescola.com/literatura/a-literatura-de-tradição-gotica.htm - A literatura de tradição gótica. Acessado em 2 de abril de 2012 as 8:47 hs.

9. HTTP://WWW.spectrumgothic.com.br/literatura/literatura_gotica.htm - Literatura gótica e sobrenatural. Acessado em 2 de abril de 2012, as 9:00 hs.

10.HTTP://WWW.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=926&itemid=2 - Objetivo da literatura gótica. Acessado em 2 de abril de 2012, as 9:40 hs

11.Flog.clickgratis.com.br/zyb855/foto/sobre-a-cultura-gotica-o-que-e-gotico/20874.htm. Acessado em 7 de abril de 2012, as 14:50 hs.

[1] Dicionário dicionário Compacto da Língua portuguesa/coordenação Ubiratan Rosa; equipe de atualização e revisão Ana Tereza Pinto de Oliveira, Irene Catarina Nígro, 3ª Ed. Rideel, São Paulo, 1993: p.242

[2] FONSECA, Deize Mara Ferreira. Sentir com a imaginação: Edgar Allan Poe, Augusto dos Anjos e um gótico moderno. Letras de Hoje, Porto Alegre, 2009. (artigo aprovado em 30.05.2009; contato: deizzemara@gmail.com).

[3] Fábio Gois, Flog: http://www.fotolog.net/poeta_gotico

[4] www.spectrumgothic.com.br/literatura/literatura_gotica.htm

Página anterior
Capítulo 1 de 1
Licença Creative Commons | Atribuição | Uso Não-Comercial | Vedada a Criação de Obras Derivadas
Alguns direitos reservados
Exceto quando assinalado, todo o conteúdo deste site é distribuído com uma licença de uso Creative Commons
Creative Commons: Atribuição | Uso Não-Comercial | Vedada a Criação de Obras Derivadas

Como seria o Vade Mecum dos seus sonhos?

Estamos trabalhando em um Vade Mecum digital, inteligente, acessível e gratuito.
Cadastre-se e tenha acesso antecipado e gratuito à nossa versão beta.