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Desafios da Educação Pós-Moderna

Francisco Humberto de Araújo

*Francisco Humberto de Araújo (U.A.) – point_caico@hotmail.com

**Rinaldo Venâncio de Barros (U.A.) – rinaldo.venancio@gmail.com

   

Resumo

Este artigo tem como objetivo apresentar uma análise sobre os desafios com os quais tem se deparado a Educação, nesta fase conhecida como Pós-modernismo, cujas características têm expressado intensas transformações nas relações humanas, socioculturais, econômicas, políticas e tecnológicas.

Palavras-chave: Educação; Pós-modernismo; Transformações.

 

ResumenEste artículo tiene como objetivo presentar un análisis de los retos a los que se ha enfrentado la educación en esta etapa se conoce como posmodernidad, cuyas características han expresado profundas transformaciones en las relaciones humanas, socioculturales, económicos, políticos y tecnológicos.Palabras clave: Educación, el postmodernismo, Transformaciones.

 

 

1.  Contexto histórico da Pós-modernidade

Segundo o dicionário virtual Wikipédia, Pós-modernidade ou Pós-modernismo é a condição sociocultural e estética que prevalece no capitalismo contemporâneo após a queda do Muro de Berlim e a consequente crise das ideologias que dominaram o século XX. O uso do termo se tornou corrente embora haja controvérsias quanto ao seu significado e a sua pertinência.

Falar sobre o pós-modernismo enquanto momento histórico nos incita a refletir sobre algumas das suas principais características.

Compreende a atual fase que estamos vivendo, e tem sua data de estabelecimento a partir do final da Revolução Francesa, em 14 de julho de 1789.

Após o final da 2ª Guerra Mundial e o colapso da Guerra Fria, simbolizado pela queda do Muro de Berlim, o surgimento de blocos econômicos, dá início a uma nova forma de domínio voltada ao expansionismo e predomínio empresarial das multinacionais, que na busca por novos mercados consumidores e mão-de-obra barata, transferiram as suas atividades, para os países subdesenvolvidos e em processo de industrialização, ignorando a importância dada às antigas fronteiras geográficas.

A Pós-Modernidade pode ser definida dentre outras formas, como um período histórico que expressa, através da cultura da globalização e da sua ideologia neoliberal, uma estrutura econômica global que mascara as relações de desigualdade entre os povos das grandes potências econômicas e dos países periféricos.

Paralelo ao seu surgimento ocorre também o aparecimento de uma sociedade pós-industrial, marcada pela perca dos seus valores mais legítimos, e alicerçada no domínio do conhecimento, o qual representa neste momento histórico, a principal força econômica de produção.

Podemos afirmar que a partir da década de 1980, as relações se tornam mais econômicas, flexíveis e criativas, se comparadas àquelas vivenciadas durante a modernidade. A sociedade humana passa a caminhar por um período de intensas transformações e inovações, não somente no âmbito das tecnologias, mas também, morais, socioculturais e econômicas, cujos efeitos e reflexos abalaram os tradicionais modelos de convivência até então conhecidos.

Assim sendo, tais transformações têm alterado as formas de interação do homem com os seus semelhantes, com o meio ambiente, enfim, com todos os aspectos essenciais à vida, induzindo-nos a uma existência temporária, imediatista, mas sem grandes perspectivas para o futuro.

Fatores determinantes como o crescimento alarmante da violência, do terrorismo e a aceleração das inovações tecnológicas, entre outras, comprovam tais indícios, tendo esta última, tornado-se a principal fonte de lucros dos capitalistas.

Com relação ao Brasil, a partir da década de 1970, devido às consideráveis dívidas que foram contraídas sob a forma de empréstimos, o país torna-se subordinado às grandes potências econômicas, permitindo a entrada de capital estrangeiro, mediante investimentos por parte de grandes multinacionais.

Portanto, a partir desses acontecimentos é possível compreender a necessidade urgente que existe em capacitarmos a nossa sociedade para um mercado de trabalho extremamente competitivo e excludente, e certamente, a educação é o único meio capaz de construir uma sociedade de indivíduos conscientes e competentes, que valorizam e respeitam o seu semelhante e a vida de uma forma geral, como também, que estejam aptos a exercerem neste mercado de trabalho, um papel atuante e relevante, possibilitando assim, tornarem-se indivíduos que possuem, não apenas valores técnico-profissionais, mais acima de tudo, que sejam humanizados.

 

2.  Desafios da Educação Pós-modernista

 

Paralelamente à presença dessas multinacionais, têm ocorrido também consideráveis investimentos na educação desses países subdesenvolvidos, assim como a intervenção das grandes agências mundiais na construção dos modelos e dos sistemas de ensino a serem adotados.

No entanto, disfarçadamente, perspectivas neoliberais apontam para o favorecimento à privatização da educação, por ser considerado, formadora das elites, tornando o conhecimento um privilégio que não pode ser adquirido por meio de uma educação pública comum.

Inserida nesse universo, a Educação, enquanto ciência capaz de formar cidadãos conscientes e atuantes, tem se deparado com uma infinidade de questionamentos e desafios quanto ao seu papel no momento atual.

Portanto, a educação torna-se um produto destinado especificamente àqueles que demonstrarem interesse e competência para adquiri-la, principalmente, a ofertada nos níveis médio e superior.

A partir da década de 1970, como forma de garantir a oferta da educação básica aos níveis sociais periféricos, o Banco Mundial passa a recomendar que se transfira para os governos municipais, parte da responsabilidade quanto à oferta do Ensino Fundamental, promovendo assim, a municipalização da educação básica para as regiões menos desenvolvidas, como é o caso de algumas áreas das regiões Norte e Nordeste. Assim, normatizações vêm sendo impostas, visando legislar sobre a profissionalização do ensino, como consequência do desenvolvimento industrial de cada região.

Desta forma, percebemos que a Educação não está livre das influências transformadoras da globalização, tampouco, da pós-modernidade cultural, uma vez que, é perceptível a profunda ligação existente entre Pós-modernidade, globalização e educação, já que ambas, relacionam-se mutuamente pela lógica de mercado, tão essencial a manutenção da atual economia global.

Assim, os projetos educacionais são o resultado dos jogos de poder existentes nas sociedades humanas. Por exemplo, a partir do final do século XX, é possível constatar o expansionismo do tecnicismo educativo atrelado aos interesses do capitalismo global que exige investimentos em recursos de informática e de multimeios para formar indivíduos mais eficientes e úteis no atendimento às necessidades capitalistas.

No entanto, apesar de reconhecermos que é necessária a criação de um sistema educacional capaz de formar recursos humanos adequados e simultaneamente, mão-de-obra tecnificada, abundante e barata, tal condição nos faz compreender que, o que nos está sendo imposto como papel do sistema educacional é ter que produzir uma mercadoria chamada capital humano, conhecida como homo faber. Portanto, a questão não é ética, mas política e dialética.

Entretanto, compreendemos que a educação deve ir além, articulando as dimensões do intelecto, da consciência e da vontade, uma vez que por não ser um ato neutro, possui um conjunto de regras e de valores culturais próprios de cada sociedade.

Apenas para comparar, pensemos como a didática proposta por Comenius busca a formação do homem integral por intermédio de ações capazes de integrá-lo ao universo da educação, cultura e política. Assim, Comenius pensa no homem enquanto cidadão do mundo, superior ao homo faber.

A diferença básica entre Homo sapiens e o Homo faber, é que o primeiro conhece a realidade e é consciente do mundo e de si mesmo, enquanto que o outro possui apenas a capacidade de fabricar instrumentos que modificam a natureza.

Assim, diante deste complexo sistema de condições conflitantes, nós educadores, precisamos nos dar conta da necessidade urgente em adotarmos novas posturas, visando nos adequarmos e estarmos aptos a conduzir o processo de ensino-aprendizagem de outros indivíduos. Para isso, é necessário que compreendamos que tudo o que sabíamos sobre práticas e metodologias docentes tradicionais, não serve mais ao propósito educacional.

3.  Conclusão

 

Com base no que discutimos neste artigo, concluímos que a Educação no cenário pós-modernista, deve estar igualmente preocupada com a formação técnica do indivíduo, assim como com a sua humanização.

Dessa forma, compete à escola conduzir os seus educandos à reflexão sobre a importância de ser um sujeito ativo do processo produtivo e, ao mesmo tempo, um cidadão do mundo, preocupado em promover o bem-estar social, sendo capaz de transformar, por intermédio do conhecimento, a desumanização atual em uma sociedade mais ética, justa e fraterna.

 

 

4.     Referências

 

 

Diferença entre homo sapiens e homo faber. Disponível em: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20100223093722AATWumZ. Acesso em 25/07/2012.

 

 

Globalização, pós-modernidade e educação: história, filosofia, e temas transversais /José Claudinei Lombardi (organizador). – 2. ed. revista e ampliada – Campinas, SP: Autores Associados: HISTEDBR: Caçador-SC: UNC, 2003 – (Coleção Educação Contemporânea).

 

 

O que é Pós-modernidade. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%B3s-modernidade. Acesso em 26/07.2012.

 

 

Pós-modernidade: Uma luz que para uns brilha e para outros ofusca no fim do túnel. Jussara Malafaia Moraes. Artigo publicado na Revista Veiga Mais – Edição: Otimismo - Ano 3 - Número 5 – 2004.1. Disponível em: http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/otimismopos-moderno2.html. Acesso em19/07/2012.

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