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Docência no ensino superior: o uso das novas tecnologias na formação de professores na licenciatura

Leudemila Parcianello e Paulo Cezar Konzen

  A cada dia novas ferramentas tecnológicas são criadas para benefício da sociedade. Na educação ela ganha força na intenção de facilitar o processo de ensino e aprendizagem, mas também pode tornar-se um vilão entre os docentes, quando não estimulados a conhecerem, entenderem e usufruírem dos seus benefícios. Professores dalicenciatura são os principais alvos do uso dessas novas ferramentas. Contudo, quantosdeles as conhecem? A instituição de ensino dispõe desses recursos? Incentiva seu uso? A pesquisa de campo aplicada para este artigo responde estas e outras questões que envolvem o uso das novas tecnologias para a formação de professores na licenciatura.

   Resumo


  A cada dia novas ferramentas tecnológicas são criadas para benefício da sociedade. Na educação ela ganha força na intenção de facilitar o processo de ensino e aprendizagem, mas também pode tornar-se um vilão entre os docentes, quando não estimulados a conhecerem, entenderem e usufruírem dos seus benefícios. Professores da licenciatura são os principais alvos do uso dessas novas ferramentas. Contudo, quantos deles as conhecem? A instituição de ensino dispõe desses recursos? Incentiva seu uso? A pesquisa de campo aplicada para este artigo responde estas e outras questões que envolvem o uso das novas tecnologias para a formação de professores na licenciatura.

Palavras-chave: Novas tecnologias; Educação; Formação de Professores Licenciados.

  Abstract: Every day new technological tools are designed to benefit society. In education, it gains strength in the intention to facilitate the process of teaching and learning but also can become a villain among the teachers, if not encouraged to know, understand and enjoy its benefits. Teachers of licensure are the main targets of using these new tools.

  But how many know them? The university provides these resources? Encourages its use? The applied research for this article answers these and other issues involving the use of new technologies for teacher education in licensure.

Keywords: New Technologies; Education; Graduate Teacher Training.


    1. Introdução


  No final da década de 1960, a educadora L.G. Kelly proferiu uma frase muito famosa no meio educacional e tecnológico justamente por predizer o futuro, mesmo estando ela num passado relativamente distante:
“As máquinas dominam as comunicações no mundo moderno. O ambiente linguístico tem sido recriado artificialmente e o professor e o livro têm sido forçados a se integrarem a esses novos meios de transmissão.”

Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela UNIPAR – Universidade Paranaense. Especialista em Marketing e Comunicação Empresarial pela UNIVEL – União Educacional de Cascavel. E-mail: leudimila@gmail.com

Doutor em Literatura pela UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre em Letras pela UEL – Universidade Estadual de Londrina. Docente do Curso de Especialização em Docência do Ensino Superior da UNIPAN e orientador do presente artigo de conclusão de curso Lato Sensu. Email: pckonzen@gmail.com

  A essência dessa citação mostra que o cordão umbilical entre o homem e amáquina nunca se rompe, apenas se recicla. A educação, por sua vez, vem, a passos lentos, usufruindo da tecnologia e ganhando novos patamares na aproximação de alunos e professores. Entretanto, a tecnologia sozinha não garante a formação da educação. É preciso haver intercâmbio.

  A cada dia novas ferramentas tecnológicas são criadas para benefício da sociedade. Existem as tecnologias físicas e virtuais. As físicas são entendidas como os equipamentos tangíveis, manualmente utilizados para o aprendizado em sala de aula, como televisão, DVD, datashow, quadros digitais; já os virtuais podem ser conhecidos através da própria Internet, redes sociais, sites de geração de conteúdo (blogs/fóruns de discussão) e outros softwares de diversos tipos e finalidades.

  O benefício de cada uma dessas ferramentas se cumpre na assertividade em converter seus objetivos na correta utilização pelos docentes em sala de aula. O cerne dessa discussão está em saber se os professores licenciados entendem a importância de aplicar essas novas tecnologias de comunicação, ensinando e incentivando seus alunos, para que estes, a posteriori, também as utilizem no exercício da profissão.


     2. Tecnologia no processo educativo


  É inevitável pensar o quanto a tecnologia favorece o processo educacional em todos os seus níveis de aprendizagem, desde a educação básica até a formação acadêmica. O acesso a ela permite que educador e educando ampliem seus conceitos e estreitem sua relação física e virtual. O que se aprende em sala de aula, com especificidades de determinado assunto, pode facilmente ser estudado num âmbito maior, nas quais se fazem notar outros aspectos ou variáveis desse mesmo assunto. Isso quer dizer que a tecnologia passa a ser uma extensão da sala de aula na busca por mais conhecimento, já que podem ser propostos novos modos de aprender e ensinar.

  Podemos tentar a síntese dos dois modos de comunicação: o presencial e o virtual, valorizando o melhor de cada um deles. Estar junto fisicamente é importante em determinados momentos fortes: conhecer-nos, criar elos de confiança, afeto. Conectados, podemos realizar trocas mais rápidas, cômodas e práticas. (...) A comunicação virtual permite interações espaçotemporais mais livres, a adaptação a ritmos diferentes dos alunos, novos contatos com pessoas semelhantes, fisicamente distantes, maior liberdade de expressão a distância. (Moran, 2010, p.57-58).

  Tajra (2002, p. 43), entende isso como um imperativo tecnológico e o define como “um estado no qual a sociedade se submete humildemente a cada nova exigência da tecnologia e utiliza sem questionar todo novo produto, seja portador ou não de uma melhora real”. A tecnologia educacional está ligada a teoria e evolução da comunicação e nos avanços tecnológicos da informática, dos audiovisuais, dos impressos e das mídias digitais.

  O livro também é considerado uma tecnologia. No entanto pode ser descrita como uma tecnologia ultrapassada. O método de ensino-aprendizagem quando aplicado com base apenas em livros faz da aula uma mera transposição didática na qual o professor, na utilização do movimento reflexivo, transmite o conteúdo e ele é simplesmente absorvido pelo aluno, sem haver muita interatividade. É praticamente a metodologia da escola bancária de Paulo Freire, cujo professor deposita seu conhecimento diariamente no aluno como uma poupança e depois o recolhe através de uma avaliação. O sucessor do livro (jamais substituto) é a Internet. Através dela mudam-se alguns hábitos e posturas na maneira de ensinar. Behrens (2010, p.71) alerta: O aluno precisa ultrapassar o papel passivo, de escutar, ler, decorar e de repetidor fiel dos ensinamentos do professor e tornar-se criativo, crítico, pesquisador e atuante, para produzir conhecimento. Em parceria, professores e alunos precisam buscar um processo de auto-organização para acessar a informação, analisar, refletir e elaborar com autonomia o conhecimento. O volume de informações não permite abranger todos os conteúdos que caracterizam uma área do conhecimento. Portanto, professores e alunos precisam aprender a aprender como acessar a informação, onde buscá-la e o que fazer com ela.

  Cria-se então uma nova abordagem pedagógica: a digital. Nela é possível criar canais de interatividade nos âmbitos: professor para professor, professor para aluno, entre os próprios alunos e dos alunos e professores com os demais usuários da rede. A via deixa de ser mão única, para tornar-se mão dupla.

  Para Don Tapscott a internet não muda o que aprendemos, mas o modo como aprendemos – e o impacto disso será tão intenso quanto a invenção dos tipos móveis da imprensa por Gutenberg. “Não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência conectada” (Tapscott, 2011).


    2.1 Tecnologia – Absorção de Conhecimento


  Os sentidos do corpo humano captam mensagens de seus interlocutores através de três canais sensoriais: audição, visão e tato. Através deles também se absorve conhecimento. Cada indivíduo apresenta uma propensão a um deles que facilita a recepção da mensagem. No processo educativo, isso é chamado de canal de aprendizagem e podem ser classificados como visual, auditivo e cinestésico.

  Na área dos estudos de Programação Neuro Linguística fala-se muito sobre tipos de pessoas com características visuais, auditivas ou cinestésicas, também identificadas pela sigla VAC. Maykell Martins, estudioso da área, explica que se trata de uma forma de identificar o modo como cada pessoa capta e repassa informações, ou seja, umas preferem trabalhar com imagens, outras optam pelos sons e outras pelas sensações.

  Numa sala de aula, no entanto, é um tanto quanto dispendioso observar cada um dos alunos para saber qual o canal sensorial predominante. Mas, é possível trabalhar com as três formas de maneira a atingir toda a classe através da utilização de vocabulários específicos associados às novas tecnologias de comunicação. Martins os chama de predicados verbais.

  Todos nós usamos as três formas para se comunicar, mas temos um sistema dominante. A linguagem reflete o pensamento. Às palavras que indicam qual o sistema utilizado chamamos de Predicado Verbais. Os predicados são palavras que indicam de maneira indubitável à base sensorial utilizada. O autor enumera os predicados mais usados: Visual (V): Ver, olhar, mostrar, perspectiva, imagem, claro, esclarecer, luminoso, sombrio, brilhante, colorido, visualizar, iluminar, vago, impreciso, nítido, brumoso, uma cena, horizonte, clarão, fotográfico.

  As tecnologias utilizadas para esse canal podem ser aqueles que dependem especificamente de imagem. Exemplos: E-mail, Forum, Blogs, Datashow, Redes Sociais. Auditivo (A): Ouvir, falar, dizer, escutar, perguntar, dialogar, acordo, desacordo, soar, ruído, ritmo, melodioso, musical, harmonioso, tonalidade, discortante, sinfonia, cacofonia, gritar, urrar.

  Tecnologias que evocam sons e despertam a sensibilidade auditiva serão melhores absorvidas por alunos predominantes a este canal. Exemplos: TV/DVD, Datashow, Redes Sociais. Cinestésico (C): Sentir, tocar, em contato com, conectado, relaxado, concreto, pressão, sensível, insensível, sensitivo, delicado, sólido, firme, imobilizado, mole, ferido, ligado, caloroso, frio, tensão, duro, excitado, carregado, descarregado.

  O manuseio de tecnologias que dependem da interatividade com o aluno ajuda muito no processo de absorção através do canal cinestésico. Exemplos: Quadro Digital, Moodle, Google Docs, Blogs, Redes Sociais, Forum, E-mail. Inespecíficos: Percebe, tenta, entende, pensa, aprende, processa, decide, motiva, considera, muda, tem em mente. Os últimos predicados citados (inespecíficos) estão na lista dos que não indicam uma base sensorial definida. Eles não são precisos no esquema apresentado. A pessoa está agindo de maneira como chamamos “digital”, fria, usando palavras gerais.

  O autor enfatiza que: Ao saber como uma pessoa monta sua comunicação, com base no sistema que ela constrói suas experiências, podemos saber como ‘acompanhar o seu mundo’, entender a sua realidade e se comunicar melhor. Numa situação de tomada de decisão, por exemplo, para o visual, ver é crer; já o auditivo precisa de algo que lhe fale; o cinestésico terá a necessidade de senti-lo.

  A maximização desses canais pode auxiliar na aprendizagem do aluno, pois o professor passa a preocupar-se com as formas de transmitir o conteúdo. E as novas tecnologias da comunicação contribuem muito para a obtenção desse objetivo.


    2.2 Os recursos tecnológicos na educação


  Marcos Masetto define novas tecnologias em educação como o uso da informática, do computador, da Internet, do CD-Rom, da hipermídia, de ferramentas para educação à distância – como
chats, grupos ou lista de discussão, correio eletrônico, etc – e de outros recursos e linguagens digitais de que atualmente dispomos e que podem colaborar significativamente para tornar o processo de educação mais eficiente e mais eficaz.

  No tocante à educação, toda e qualquer forma de comunicação que complementa a atividade do professor pode ser considerada como ferramenta tecnológica na busca pela excelência no processo ensino-aprendizagem. “Tecnologia é um conjunto de discursos, práticas, valores e efeitos sociais ligados a uma técnica particular num campo particular” (Belloni, 1997. p.53). Os novos recursos tecnológicos são para ajudar o professor no processo de ensinoaprendizagem e cabe ao professor perceber qual recurso deve, quando e como usar.

  As novas tecnologias exploram o uso de imagem, som e movimento simultaneamente, a máxima velocidade no atendimento às nossas demandas e o trabalho com as informações dos acontecimentos em tempo real. Colocam professores e alunos trabalhando e aprendendo a distância, dialogando, discutindo, pesquisando, perguntando, respondendo, comunicando informações por meio de recursos que permitem a esses interlocutores, vivendo nos mais longínquos lugares, encontrarem-se e enriquecerem-se com contatos mútuos. (Masetto, 2010, p. 137).

  Diversos autores conceituam algumas ferramentas tecnológicas utilizadas em sala de aula. É possível dividi-las entre recursos físicos e virtuais. Os recursos físicos são equipamentos palpáveis, fisicamente inseridos nas salas de aula, como por exemplo, datashow, TV/DVD e quadro digital. Já os recursos virtuais, são canais de comunicação online intermediados por um recurso físico – o computador – mas, que conecta alunos e professores digitalmente para promover aprendizagem e interatividade. Abaixo, as principais tecnologias e suas definições:

- Recursos físicos

a) Datashow

  É um recurso facilitador e mediador de aprendizagem. É uma técnica multimidiática e hipermidiática que integra imagem, luz, som, texto, movimento, pesquisa, busca, links já organizados neles próprios ou com possibilidade de tornálos presentes através de acesso à Internet. Com ele, o aluno aprende através de todos os sentidos e com inúmeros incentivos para a reflexão e a compreensão do assunto abordado durante as aulas que pretende ser aprendido. (Masetto, 2010)

b) TV/DVD

  São ferramentas didáticas que exercem influência na vida do aluno. Sendo assim, a utilização destes recursos no ambiente escolar promove a leitura da realidade. Ao educador é necessário interpretação e entendimento da tecnologia escolhida. Podem fornecer informações importantes de um conteúdo, motivando e até mesmo ilustrando. A TV e o DVD potencializam o processo de ensinoaprendizagem quando utilizados com finalidades didáticas. (Fonseca, 2011)

c) Quadro digital3

  Trata-se de uma tela sensível ao toque, em que são projetadas imagens enviadas por um projetor multimídia, conectado a um computador. Essas imagens podem ser páginas da internet, filmes ou atividades elaboradas pelo professor. Seu benefício em relação a outras tecnologias é que ela incorpora as funções desses recursos e, por isso, aproxima a linguagem audiovisual dos processos desenvolvidos. Este recurso pode ser considerado tanto físico quanto virtual, uma vez que reúne as características das duas formas aqui definidas em sala de aula, sobretudo na interatividade ocorrida por meio das práticas pedagógicas e dos processos comunicativos que professores e alunos estabelecem usando essa ferramenta, (Nakashima, 2007).

- Recursos virtuais

a) Internet

  Com a Internet dispomos de um recurso dinâmico, atraente, atualizadíssimo, de fácil acesso, que possibilita o ingresso a um número ilimitado de informações e dá a oportunidade de contatar todas as grandes bibliotecas do mundo inteiro, os mais diversos centros de pesquisa, os próprios pesquisadores e especialistas nacionais e internacionais. É um grande recurso de aprendizagem múltipla: aprendese a ler, a buscar informações, a pesquisar, a comparar dados, analisá-los, criticálos e organizá-los. Assim como há um sem-número de informações absolutamente dignas de uma lata de lixo. Alunos e professores vão aprendendo, assim, a desenvolver sua criticidade. (Masetto, 2010). Esta rede incorpora todos os demais recursos virtuais, pois são dependentes da Internet para serem utilizados.

b) Fórum - Chats

  Esta técnica possibilita conhecer as manifestações espontâneas dos participantes sobre determinado assunto ou tema; possibilita também preparar uma discussão mais consistente, motivar um grupo para um assunto, incentivar o grupo quando o sente apático, criar ambiente de grande liberdade de expressão. Normalmente esta técnica envolve muito os participantes e a velocidade com que acontecem as contribuições é surpreendente, exigindo um acompanhamento muito atento por parte do professor. (Masetto, 2010)

c) Blogs - Listas de Discussão

  Seu objetivo é fazer uma discussão que avance os conhecimentos, as informações ou as experiências, para além da somatória de opiniões, de tal forma que o produto desse trabalho seja quantitativamente superior às ideias originais. Não se trata de uma situação de perguntas e respostas entre os participantes e o professor, mas sim de uma reflexão contínua, de um debate fundamentado de ideias com intervenções do professor a fim de incentivar o progresso dessa reflexão e, como membro do grupo, também trazer contribuições, sem nunca fechar o assunto. (Masetto, 2010)

d) E-mail

  Pensando no processo de aprendizagem e na interação entre aluno e professor para o encaminhamento desse processo, o recurso do correio eletrônico apresenta-se muito forte, em virtude de alguns fatores como: a facilitação de encontros entre aluno e professor, a multiplicação desses encontros entre uma aula e outra, a sustentação mais concreta da continuidade do processo de aprendizagem e o atendimento a um pedido de orientação. Torna-se importante para a aprendizagem dos alunos porque os coloca em contato imediato, favorecendo a interaprendizagem, a troca de materiais e a produção de textos em conjunto. (Masetto, 2010)

e) Ambiente Virtual de Ensino e Aprendizagem: Moodle

  A plataforma Moodle é um "Ambiente Colaborativo de Aprendizagem" cujo conceito evoca o lugar no qual ocorre a aprendizagem. Envolve um contexto mais amplo que puramente a utilização de tecnologia, já que possibilita que se compartilhem ações com as quais todos os participantes atuam simultaneamente como professores-alunos (Santana apud Franciosi, 2003). O Moodle, além de ser uma das melhores e mais usadas plataformas virtuais de aprendizagem, tem como destaque suas ferramentas de comunicação, criação e administração de componentes de aprendizagem, podendo ser baixado, utilizado e/ou modificado por qualquer indivíduo em todo o mundo e de amplos conceitos didáticos, contribuindo não somente para a EAD como também ao ensino presencial. (Santana, 2008)

f) Google Docs – documentos online

  É uma boa ferramenta para produção de texto e apresentações temáticas, elaborados de forma individual ou colaborativa. É um pacote de aplicativos do Google que funciona totalmente on-line e atualmente compõem-se de editores de texto, apresentações, planilhas, formulários e desenhos. Em uma turma universitária, o professor pode compartilhar um documento e os alunos podem editá-lo e publicálo novamente na web. É um ambiente social e acessível a todos, um espaço de interação e de aprendizado colaborativo. (Machado, 2009)

g) Redes Sociais

  A utilização das redes sociais na educação está cada vez mais apropriada para a melhoria no desenvolvimento da escrita e envolvimento entre educadores e alunos. Sendo assim, educadores e alunos usam algumas redes para trocar experiências, avaliações e conteúdos com informações de aprendizagem em todos os níveis de estudos. As redes sociais podem ser usadas de inúmeras maneiras, tais como: criar comunidades de aprendizagem para a escola, classe ou disciplina; compartilhar informações e ideias com outros educadores; gerar um relacionamento didático e dinâmico entre profissionais da área etc.

  Com essas novas tecnologias também se desenvolvem processos de aprendizagem a distância. São as listas e os grupos de discussão, é a elaboração de relatórios de pesquisa, é a construção em conjunto de conhecimentos e são os textos espelhando o conhecimento produzido, são os emails colocando professores e alunos em contato dos horários de aula, é a facilidade de troca de informações e trabalhos a distância e num tempo de grande velocidade, é a possibilidade de buscar dados nos mais diversos centros de pesquisa através da Internet. (Masetto, 2010, p. 137). É preciso deparar-se com uma para saber o que são as novas tecnologias na educação. No entanto, problematizar o conceito, aparentemente intuitivo, é importante para nortear as atividades que são desenvolvidas e propostas para os alunos, já que é sobre eles que o fascínio dessas tecnologias mais se avança. (Blondin, 2011)


    3. Professores licenciados e a tecnologia


  Alguns cuidados, principalmente, com o uso da Internet como ferramenta pedagógica devem ser observados para que não haja mudança nas habilidades do saber-fazer, favorecendo o acesso às informações que podem ser “copiadas e coladas” sem qualquer triagem ou pré-leitura dos textos. Essa prática mostra-se cada vez mais comum, uma vez que as páginas de relacionamento e demais tecnologias são geradores de conteúdo e não há como controlar as autorias de todos. Por isso, as novas tecnologias utilizadas na educação exigem que os docentes sejam capazes de conhecê-las, entendê-las e de utilizá-las em benefício do aprendizado do aluno. Todavia, o que se nota é uma reação desfavorável de muitos professores a essas inovações tecnológicas. Eles preferem usufruir dos métodos tradicionais por não saberem lidar com esses novos recursos. “[...] o homem está irremediavelmente preso às ferramentas tecnológicas em uma relação dialética entre a adesão e a crítica ao novo”. (Paiva, 2008. p.1).

  Para verificar efetivamente como se comportam os professores do ensino superior no que tange à relação com as novas tecnologias é que uma pesquisa sobre o tema foi realizada na União Pan-Americana de Ensino – Unipan em Cascavel/PR. O objetivo foi identificar os motivos do uso (ou não) das novas ferramentas de comunicação tecnológica na formação de professores licenciados. A pesquisa também se propunha a investigar os motivos que fazem os professores utilizarem essas ferramentas e verificar se incentivam e ensinam os alunos sobre seu uso.

  A amostra é delimitada para docentes dos cursos de licenciatura da Unipan, independente de sua formação. O questionário, com 12 perguntas fechadas, foi montado utilizando um recurso tecnológico – Google Docs – na intenção, também, de quantificar a adesão através dessa ferramenta e aplicado durante os dias 04 a 12 de dezembro de 2010. O arquivo foi enviado para o e-mail de 50 (cinquenta) professores. Destes, 14 (catorze) responderam.

  Com a aplicação da pesquisa foi possível obter as seguintes informações:


     4. Discussão dos resultados


   O resultado da pesquisa mostrou uma grande presença das ferramentas tecnológicas na atuação dos professores em sala de aula. A predisposição em conhecer cada um deles e aplicá-los em sala reforça a citação de Moran (2010) ao dizer que a tecnologia nos atingiu como uma avalanche que envolve a todos. Começa a haver um investimento significativo em tecnologias telemáticas de alta velocidade para conectar alunos e professores no ensino presencial e a distância.

  Além da compilação básica da pesquisa, ilustrada através dos gráficos supracitados, é importante analisar o resultado fazendo o cruzamento de dados, pois surgem novas informações que fortalecem o uso das novas tecnologias em sala de aula por parte dos professores: Os recursos mais utilizados em sala de aula são o Datashow e TV/DVD.

  Os professores com formação há mais de 10 anos utilizam as ferramentas tecnológicas em pelo menos uma aula por semana. Professores com formação em bacharelado justificam o uso das ferramentas tecnológicas apenas porque dão mais dinamismo às aulas. Já os professores licenciados, além desse motivo, também justificam seu uso por sair da rotina e ser uma forma diferenciada de dar aulas. A maioria dos professores licenciados tem formação há mais de dez anos e 100% deles conhecem a maioria das ferramentas tecnológicas.

  Além de afirmar o propósito da construção desse artigo, essa pesquisa também sugere que a instituição pesquisada oportunize cursos de capacitação para seu corpo docente, uma vez que, 97% dos entrevistados se predispuseram a participar de cursos dessa natureza.

  Estreitar esse canal de comunicação entre tecnologia e docência é, certamente, uma forma inteligente de estar à frente na geração do conhecimento, transformando a maneira de educar e evoluindo no processo pedagógico de ensino e aprendizagem.


    5. Considerações finais


  Num ritmo cada vez mais acelerado e com uma expressiva ascendência na participação de usuários, a Internet, com sua infinidade de recursos, invade irremediavelmente a vida de crianças, jovens, adultos e terceira idade. Categorias estas, que já receberam nomenclaturas próprias, e são, agora identificados como Geração Z, Geração Y, Geração X e Baby Boomers, respectivamente.

  A comunicação está ficando cada vez mais veloz. A informação perde validade muito rapidamente. Na educação, especialmente, estar antenado a essas mudanças é premissa básica de um relacionamento construtivo e interativo entre docentes e discentes. Entretanto, estabelecer esta relação requer acesso e domínio das novas tecnologias, que vão auxiliar nessa necessidade latente de estar atualizado.

  Como profissional da área de comunicação e docente da área de tecnologia, vivenciei a importância de um professor estreitar seu relacionamento com as ferramentas tecnológicas. Além de obter informações mais rápidas, atualizadas e próximas à realidade, a utilização dessas tecnologias proporcionou maior retenção da atenção do aluno, participação e interesse em compartilhar mais informações.

  É hora de reciclar o método de ensino em sala de aula. A evolução da comunicação colocou à disposição da sociedade formas dinâmica de trocar e absorver conhecimento. E na ponta desse processo estão nas instituições de ensino, que devem não só disponibilizar esses recursos, mas instruir seu corpo docente a extrair ao máximo seus benefícios.

  O resultado da pesquisa aplicada neste artigo deixa evidente que existe uma pré-disposição dos professores em conhecer e utilizar as novas tecnologias em sala de aula. Esta migração da educação tradicional para a digital ainda se posiciona no seu estágio inicial. Todavia, trata-se um processo reconhecidamente irreversível.

  Estimular essa comunicação instantânea, mantendo essa sinergia física entre alunos e professores de um modo atrativo, colaborativo, criativo e dinâmico é o que transforma a inteligência competitiva de uma instituição de ensino numa incubadora de profissionais aptos a criarem mais ferramentas tecnológicas para seu próprio usufruto no futuro.


     6. Referências


  BELLONI, Maria Luiza.
Educação a Distância. 2ª ed. São Paulo: Editora Autores Associados, 1999.

  BLONDIN, Fernanda. A importância das redes sociais na educação. Disponível em <http://redes.moderna.com.br/?p=1448menezes.com/techist.pdf> Acesso em: 06 mai. 2011.

  DAMASCENO, Rogério J. A. A Resistência do professor diante das Novas Tecnologias. (artigo). Disponível em: diante-das-novas-tecnologias.htm>. Acesso em: 29 out. 2010.

  FERRETTI, Celso João et. al: (org). Novas Tecnologias, trabalho e Educação: um debate multidisciplinar. 9ª ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2003.

  FONSECA, Jerusa Cristiane da. O uso da televisão em sala de aula. Disponível em <http://www.artigonal.com/educacao-artigos/o-uso-da-televisao-em-sala-de-aula-  4136243.html> Acesso em: 06 mai. 2011.

  FRANCIOSI, B.R.T.I.; MEDEIROS, M. F.; COLLA, A. L. Caos, Criatividade e Ambientes de Aprendizagem. In: MEDEIROS, Marilú F.; FARIA Elaine T. (Orgs.).

  Educação a Distância – Cartografias Pulsantes em Movimento. EDIPUCRS, 2003.

  GARÇÃO, José Aldon Santos. ANDRADE, Angela Christina Santana. 

  As Tecnologias: auxílio ao processo de ensino/aprendizagem. In Anais do II Seminário Educação, Comunicação, Inclusão e Interculturalidade, agosto de 2009.

  JANNUZZI, Celeste Aída. Informação Tecnológica e para Negócios no Brasil. Conceitos e Terminologias. São Paulo, Editora Alínea, 2002.

  MACHADO, Ana Claudia Teixeira. Google Docs & Spreadsheets: Autoria colaborativa na web 2.0. (artigo)

  MARTINS, Maykeel. O Comportamento Humano. Disponível em <http://nossocomportamento.blogspot.com/2010/12/voce-e-visual-cinestesico-ouauditivo.  html> Acesso em: 27 abr. 2011.

  MORAN, José Manuel., MASETTO, Marcos T., BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas Tecnologias e mediação pedagógica. 17ª. Ed. São Paulo: Editora Papirus, 2010.

  NAKASHIMA, Rosária Helena Ruiz. Práticas pedagógicas mediatizadas pela lousa digital. (artigo)

  TAJRA, Sanmya Feitosa. Informática na Educação. Novas Ferramentas Pedagógicas para o Professor da Atualidade. 4ª. Ed. São Paulo, Érica Ltda, 2002.
  TASPCOTT, Don. “A Inteligência está na rede”.
Revista Veja Impressa, Ed. 2212, 13 de abril de 2011. São Paulo, p. 20.

  PAIVA, Vera Lúcia Menezes de Oliveira. O Uso da Tecnologia no Ensino de Línguas Estrangeira: breve retrospectiva histórica. Disponível em <http://www.veramenezes.com/techist.pdf> Acesso em: 14 abr. 2011.

  SANTANA, Deusimar Angelica. O uso da plataforma Moodle na educação à distância como forma de democratizar o ensino. Disponível em <http://www.artigonal.com/educacao-artigos/o-uso-da-televisao-em-sala-de-aula-  4136243.html> Acesso em: 06 mai. 2011.

  VALENTE, Nelson. As diversas habilidades que o professor dispõe. Disponível em http://www.webartigos.com/articles/20991/1/O-Uso-da-Plataforma-Moodle-na - Educacao-a-Distancia-como-Forma-de-Democratizar-o-Ensino/pagina1.html Acesso em: 29 abr. 2011.

  QUESTIONÁRIO ONLINE – GOOGLE DOCS Link do questionário online utilizado na realização pesquisa: https://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dDF6U3F3dmEwTWd0bG81TFFfeVRCanc6MQ

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