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Educação a distância en Anápolis: o esnsino a distância e suas possibilidades.

Jhonatans da Silva FErnandes

EDUCAÇÃO à distância EM ANÁPOLIS: O ENSINO A DISTÂNCIA E SUAS POSSIBILIDADES.

Jhonatans da Silva Fernandes*

INTRODUÇÃO

Este artigo tem como objetivo discutir e analisar sobre educação à distância e suas características, bem a criação da Universidade Aberta do Brasil na cidade de Anápolis e o uso da modalidade à distância, juntamente com a criação da do Polo UAB Anápolis-GO através da Lei municipal n°. 3.343/09, cujo seu objetivo principal é expandir à oferta dos cursos de graduação e Pós-graduação na modalidade de ensino à distância, tendo prioridade à formação continua dos professores da Educação Básica. Pois, a sociedade está em constante alteração, em seu modo de vida ou atitudes, pois de acordo com Giusta (2003) A sociedade sofre alterações em seus hábitos, costumes, culturas e valores, sendo estas mudanças provocadas pela expansão do capitalismo e a introdução de novas tecnologias.

A Lei de Diretrizes de Bases LBD n° 9394/96, no caput do art. 80 normatiza a oferta da educação à distância, e atribui ao Poder Público a responsabilidade de incentivar seu desenvolvimento, tendo como importante ato o Plano Nacional de Educação (Lei n° 10.172/01), que traça como meta a expansão do ensino à distância.

Neste artigo, encontram-se aspectos sobre a legislação do ensino à distância, conceito sobre a Universidade Aberta do Brasil – UAB e levantamento de dados e analise sobre a evolução do Polo UAB Anápolis-GO. Embora haja ainda algumas limitações sobre a modalidade à distância, neste trabalho o leitor terá maior conhecimento do ensino à distância sua evolução e suas possibilidades.

2 O QUÉ E EDUCAÇÃO à distância

Inicialmente, antes de discutir sobre a educação à distancia – EAD, no ensino superior é na sociedade goiana te conceituar o que é educação a distancia. Sobre esse assunto não há um único conceito, como afirma Giusta (2003, p.22), “A educação à distância é, ainda, assunto polêmico. Sem ignorar os seus problemas e as suas controvérsias [...]”. A mesma autora ainda define a educação à distância como:

[...] professores e alunos se envolvem em situações de ensino/aprendizagem, em espaços e tempos que não compartilham fisicamente, utilizando-se da mediação propiciada por diferentes tecnologias, principalmente pelas tecnologias digitais.] GIUSTA (2003, p.26).

Desta forma, entende-se pela definição da autora que a EAD se caracteriza pela utilização de didáticas de diferentes tecnologias para promover o processo de ensino/aprendizagem. O professor e o aluno não estão no mesmo ambiente físico. Moore 1990 apud Belloni (2003, p.26) faz a seguinte definição sobre este assunto “Educação à distância é um subconjunto de todos os programas educacionais caracterizados por: grande estrutura, baixo diálogo e grande distância transacional. Ela inclui também a aprendizagem”.

Para tanto, este autor caracteriza a Educação à distância - EAD por ter pouco diálogo e separação entre professor e aluno, incluindo também neste processo o elemento aprendizagem. Contudo, o Decreto n° 5.622/05, em seu artigo 1º define a Educação à distância:

[...] caracteriza-se a educação à distância como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos.

Em relação aos conceitos apresentados percebe-se algumas caraterísticas comuns em todas as definições, como a não presença do professor e aluno no mesmo espaço físico, a presença do processo de ensino/aprendizagem, a utilização de tecnologias como elemento didático, diante disto nos permite inferir que sem estas características fica inviável a realização do ensino à distância.

3 Regulamentação

A normatização dos cursos superiores à distância ocorreu através da Lei de Diretrizes e Bases n° 9394/96, especificamente no art 80 que diz, “O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino à distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada”.

Portanto, a regulamentação dos cursos de graduação é de responsabilidade da União, conforme reza Lei de Diretrizes e Bases em seu art. 9º paragrafo 7°, que deverá decretar as normas gerais para esse fim. No que se refere ao processo de credenciamento e recredenciamento, cabe a Secretaria de Educação à Distância instruir e exarar parecer, segundo Decreto n° 6.303, de 2007, bem como em consonância com o Decreto n° 5.622, de 2005 em seu art. 10° ao estabelecer que “Compete ao Ministério da Educação promover os atos de credenciamento de instituições para oferta de cursos e programas à distância para educação superior”, características observadas aos critérios estabelecidos no mesmo Decreto em seu art. 12°.

Portanto, devido a esta série de atos normativos, a Educação à distância torna-se modalidade de ensino no Brasil, assegurada por lei, sendo atribuído ao Poder Público à responsabilidade para seu incentivo e desenvolvimento, tendo a Secretaria de Educação à distância o papel de credenciamento e recredenciamento das instituições.

No que tange os pedidos de autorização rege-se pela Portaria nº 10, de 02 de Julho de 2009, no Art. 2°:

Nos pedidos de autorização de cursos superiores, na modalidade à distância, os objetivos da avaliação in loco poderão ser considerados supridos, dispensando-se a visita pelo INEP por decisão da Secretaria de Educação à distância - SEED, após análise documental, mediante despacho fundamentado, se a instituição de educação superior tiver obtido avaliação satisfatória, expressa no conceito da avaliação institucional externa - CI e no Índice Geral de Cursos - IGC mais recentes, iguais ou superiores a 4 (quatro), cumulativamente (BRASIL, 2009).

No que diz respeito ao credenciamento dos pólos presenciais, observa-se a Portaria nº 10, de 02 de Julho de 2009, no Art. 3°:

Nos pedidos de credenciamento de pólos de apoio presencial poderá ser adotada a visita de avaliação in loco por amostragem, após análise documental, mediante despacho fundamentado, se a instituição de educação superior tiver obtido avaliação satisfatória, expressa no conceito da avaliação institucional externa - CI e no Índice Geral de Cursos - IGC, mais recentes, iguais ou superiores a 4 (quatro) (BRASIL, 2009).

Mas o que é o pólo de apoio presencial? Segundo informações contidas no site da Universidade Federal de Goiás, o pólo de apoio presencial é composto de uma estrutura física, tendo sala de aula, laboratórios, secretarias e bibliotecas. Neste local, o estudante do ensino na modalidade à distância poderá solicitar os documentos de natureza acadêmica, como também realizar atividades individuais ou coletivas.

Para os processos de autorização e credenciamento são necessários a analise documental, caso a instituição obtenha avaliação satisfatória no Índice Geral de Cursos – IGC, dessa forma:

Índice Geral de Cursos da Instituição (IGC) é um indicador de qualidade de instituições de educação superior, que considera, em sua composição, a qualidade dos cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado e doutorado). No que se refere à graduação, é utilizado o CPC (conceito preliminar de curso) […]

Podemos definir o Conceito Preliminar de Curso, como:

O CPC é uma média de diferentes medidas da qualidade de um curso. As medidas utilizadas são: o Conceito Enade (que mede o desempenho dos concluintes), o desempenho dos ingressantes no Enade, o Conceito IDD e as variáveis de insumo. O dado variáveis de insumo – que considera corpo docente, infra estrutura e programa pedagógico – é formado com informações do Censo da Educação Superior e de respostas ao questionário socioeconômico do Enade.

A instituição obtendo notas iguais a 4 ou superiores, fica a critério do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira - INEP, a dispensa da visita.

A estrutura da Educação à distância se organiza de acordo com a metodologia de gestão e avaliação de forma peculiar, sendo obrigatório contemplar os momentos presenciais de avaliações, estágios obrigatórios e defesa de trabalhos de conclusão de curso ou trabalho de conclusão de Curso - TCC pode haver momentos de atividades em laboratórios de ensino, conforme prever o Decreto n° 5.622, de 2005, art. 1° § 1º.

Conforme determina esse decreto no art. 4°, a avaliação com finalidade de promoção, conclusão de estudos e adquirir diplomas e certificados ocorrerá mediante ao cumprimento das atividades nos prazos previstos e a realização de provas presenciais. Referente à validade dos diplomas, o artigo dessa mesma lei afirma que “Os diplomas e certificados de cursos e programas à distância, expedidos por instituições credenciadas e registrados na forma da lei, terão validade nacional.”, além disto deverá ser em conformidade com a legislação educacional pertinente.

No ensino à distância, os projetos pedagógicos deverão cumprir as diretrizes curriculares nacionais, determinadas pelo Ministério da Educação. Sendo que identificada qualquer irregularidade, divergência no processo educacional obedecerá aos critérios constantes no art. 17, do Decreto n° 5.622/05, fica sujeito aos incisos I ao V do mesmo artigo, que diz:

I - instalação de diligência, sindicância ou processo administrativo; II - suspensão do reconhecimento de cursos superiores ou da renovação de autorização de cursos da educação básica ou profissional; III - intervenção; IV - desativação de cursos; ou V - descredenciamento da instituição para educação à distância. (BRASIL, 2005)

Portanto, as instituições que oferecem o ensino superior à distância, em seus projetos pedagógicos deverão cumprir a legislação educacional pertinente, sendo que o não cumprimento acarretará, nos atos administrativos que se refere o artigo 17 do decreto n° 5.622/05.

4 HISTÓRIA DA EAD

Como afirma Guista (2003, p. 28), no século XIX tem se notícia do início de experiências em educação à distância, direcionados para a formação profissional, materiais auto instrucional e os cursos eram por correspondência, na cidade de Boston, no ano de 1892. A Universidade de Chicago iniciou na modalidade à distância, a mesma autora afirma que “No decorrer do século XX, a EAD foi consolidando-se”. A educação à distância ganha destaque na América Latina com a criação da Universidade Autônoma do México, no Brasil com a criação dos sistemas de Educação à distância da Universidade de Brasília.

Percebe-se a rápida difusão do ensino à distância, tendo com fator de impulso os esforços para a oferta desta modalidade de ensino, por parte de grandes instituições de ensino, embora não fosse o modelo de ensino que idealizado atualmente.

Moore e Kearsley (2007, p.26) apontam cinco gerações da Educação à Distância no Brasil, que são as frases, primeira geração por correspondência, segunda geração caracterizada pela utilização transmissão por radio e televisão, terceira geração são as universidades abertas, quarta geração teleconferência e a quinta geração caracterizada pela internet.

Pode-se destacar que, a educação à distância sempre se utilizou das tecnologias disponíveis durante sua trajetória, lembrando que esta é uma das suas características como destaca “[...] utilizando-se da mediação propiciada por diferentes tecnologias, principalmente pelas tecnologias digitais [...]” Giusta (2003, p.26).

Segundo destaca Paula (2000, p. 93), no ano de 1993 foi criada a Revista Brasileira de Educação à Distância, já no ano de 1994 foi lançado o Telecurso 2000, já em 1995, fundou-se a Associação Brasileira de Educação à distância – ABED.

A mesma autora (2000, p.96) destaca que a partir de 1996 houve uma sequencia de atos normativos em relação a educação à distância, afirmando que “[...] a educação à distância foi ganhando cada vez mais destaque, alcançando visibilidade crescente no cenário da educação nacional [...]” (Paula 2000, p.93).

A educação à distância no Brasil vem crescendo, ganhando destaque em nossa sociedade, devido às suas características próprias e adequadas às necessidades dos indivíduos, pois é “[...] considerada com os mesmos critérios que se usa para o trato da educação presencial, diferindo a EAD apenas na modalidade em que é oferecida e não em qualidade ou eficácia educacional.”

Diante disto, está cada vez mais presente a oferta da Educação à distância em nosso país, em todos os níveis de ensino, principalmente no ensino superior.

5 A educação à distância NO BRASIL

A partir do ano de 2000 inicia-se a coleta de dados dos cursos à distância, através do Censo da Educação Superior é possível realizar uma breve análise da Educação Superior no Brasil. Segundo Censo da Educação Superior 2010, o mesmo destaca o crescimento da modalidade de ensino à distância, “O Censo 2010 confirma a tendência de crescimento dos cursos na modalidade de ensino à distância, que atingem 14,6% do total do número de matrículas.” O site Nova escola apresenta os números da educação à distância no Brasil:

O Brasil tem 2,2 milhões de alunos matriculados em turmas de aprendizado à distância em diferentes níveis, e a procura por elas cresce em ritmo acelerado. De 2005 para 2006, houve o aumento de 54% no número de pessoas que optaram por dar continuidade aos estudos fora de uma sala presencial.

No Brasil, a procura pela modalidade de ensino à distância vem crescendo em um ritmo bastante acelerado. O Censo da Educação Superior 2009 destaca a preferência dos cursos de licenciatura para os alunos na modalidade à distância, pois, enquanto a maioria dos alunos de graduação presencial cursa o grau de bacharelado, os da graduação à distância concentram-se nos cursos de licenciatura.

O Censo da Educação Superior 2010 apresenta o número de matriculados nos cursos na modalidade à distância, “A educação à distância, por sua vez, soma 426.241 matrículas de licenciatura, 268.173 de bacharelado e 235.765 matrículas em cursos tecnológicos. Os percentuais representativos desses dados são apresentados no gráfico a seguir.” Percebe-se que na modalidade à distância grande parte dos matriculados é dos cursos de licenciatura.

6 A EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA EM ANAPÓLIS.

No ensino à distância na cidade de Anápolis vamos destacar a criação da Universidade Aberta do Brasil que vem como uma das ferramentas para a democratização da oferta de graduação e pós-graduação no cenário brasileiro e regional na cidade de Anápolis, permitindo aos profissionais da Educação e pessoas ligadas a ela uma formação continuada. Desta forma a Universidade Aberta do Brasil (UAB) é um sistema constituído por diversas universidades públicas a qual realiza oferta de cursos de nível superiores destinados à população que tem dificuldade de acesso à formação universitária, onde a oferta dos cursos ocorre através do ensino na modalidade à distância, sendo que a prioridade das vagas são os professores de Educação Básica, seguido dos gestores escolares, trabalhadores em educação básica e também o publico em geral.

O sistema UAB foi criado pelo Ministério da Educação no ano de 2005 tendo parcerias com a ANDIFES (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) e Empresas Estatais, através de uma política de articulações entre a SEED/MEC (Secretaria de Educação a Distância) e DED/CAPES (Diretoria de Educação a Distância) com a finalidade da expansão do ensino superior no País.

O Sistema UAB está apoiado em cinco eixos fundamentais que são a expansão pública da educação superior à vista no aperfeiçoamento dos processos de gestão das instituições de ensino superior, a avaliação da educação superior a distância incentiva a investigação da educação superior no País e apoio financeiro aos processos de implantação, execução e formação de recursos humanos em educação superior a distância.

Há duas possibilidades de ingresso nos cursos ofertados pelo sistema UAB, podendo ser pelo Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica ou pela inscrição nas vagas ofertadas às demandas sociais, desta forma o Sistema UAB oferece oportunidades para à qualificação de professores, gestores e membros da sociedade.

Assim, a educação à distância torna-se modalidade de ensino no Brasil, assegurada por lei, sendo atribuído ao Poder Público à responsabilidade para seu incentivo e desenvolvimento, tendo a Secretaria de Educação à distância o papel de credenciamento e recredenciamento das instituições. Neste sentido cria-se Através da Lei municipal n°. 3.343/09, criou-se o polo Universitário de Apoio Presencial da Universidade Aberta do Brasil – Polo UAB Anápolis-GO, localizado Bairro Jundiaí, cujo tem o objetivo de expandir e interiorizar a oferta de cursos de graduação e pós-graduação no âmbito local mantido pelo poder Executivo Municipal conforme a Lei Orçamentária Anual.

O polo conta com uma equipe composta por: Coordenadora, Secretária, Auxiliar de Biblioteca, Técnicos em Informática, Tutores Presenciais que foram 6 em 2009, 11 em 2010, 14 em 2011 e 13 neste ano.

No ano de 2012 foi realizada a obra de reforma e ampliação das dependências do polo Universitário de Apoio Presencial da Universidade Aberta do Brasil exigida pelo Governo Federal, que requer padrões mínimos de qualidade para a Educação a Distância. Desta forma foi realizada a construção de duas salas de aula e espaço administrativo como sala de coordenação e secretaria e um ambiente pedagógico onde foi implantada a biblioteca, houve também a reforma dos banheiros masculinos e femininos. Atualmente há um espaço privilegiado com 02 salas de aula, um laboratório de informática onde possui 23 computadores, uma sala para coordenação, uma sala para secretaria, uma sala para biblioteca, uma sala para o atelier de artes visuais, uma sala de tutoria com 04 computadores e ainda um auditório com capacidade para 100 pessoas.

Desta forma percebe-se que o Polo UAB Anápolis-GO tem sido um importante instrumento para o desenvolvimento da educação, é um forte aliado para a formação continuada de nossos professores e membros de nossa sociedade, onde através do ensino a distância tem proporcionado o avanço da Educação Superior, assim o Polo UAB Anápolis-GO cumpre sua finalidade que é de expandir e interiorizar a oferta de cursos de graduação e pós-graduação no âmbito local.

7 O Perfil do Aluno da Educação à distância

O ensino na modalidade presencial ou à distância é necessário que seja idealizado para um grupo de alunos, tendo em mente algumas características conforme aponta Moreira (2003, p.186):

As características sociocognitivas desse grupo. Seu contexto social, financeiro, educacional e cultural deve orientar decisões importantes no tocante à definição de conteúdos, linguagem, estratégias de ensino/aprendizagem e tecnologias mediadoras.

Definir o perfil do aluno da Educação à distância é algo complexo com afirma Belloni (2003, p.41), pois ao se tratar de processo educacional deve-se conhecer e considerar algumas características comuns como, condições de estudo e a necessidades dos estudantes, sendo de fundamental importância conceber uma filosofia da educação que defina as finalidades da educação e seus conteúdos.

Marsden responde esta questão como “O estudante em EaD é o indivíduo abstrato da educação tradicional imaginado em locais distantes.” Belloni (2003, p.39) define o aluno de educação à distância “[...] como um ser autônomo, gestor de seu processo de aprendizagem, capaz de autodirigir e autorregular este processo. Este modelo de aprendizagem é apropriado a adultos com maturidade e motivação.”

É necessário que o alunado do ensino à distância seja autônomo e tenha um perfil investigador, pois os momentos presenciais são raros e com tempo limitado, para que todos os conteúdos sejam vistos. Segundo aponta Moreira (2003, p.186), a clientela dos cursos à distância são direcionados à um público heterogêneo, distribuídos em vários pontos geográficos, sendo em sua grande parte profissionais em busca de aperfeiçoamento, mesmo tendo responsabilidades familiares.

Através do censo da Educação Superior de 2009 apresenta o perfil do aluno ingresso na modalidade à distância.

O aluno da graduação EaD ingressa na educação superior mais tardiamente do que o da graduação presencial e, por conseguinte, a conclusão do curso para o aluno de EaD ocorre, em média , aos 36 anos, enquanto na presencial os alunos concluem aos 28 ano (BRASIL, 2009).

O Censo da Educação Superior de 2010 também apresenta o perfil dos alunos na modalidade à distância:

[...] em 2010, nos cursos à distância, metade dos alunos tem até 32 anos, os 25% mais jovens têm até 26 anos e os 25% mais velhos têm mais de 40 anos. Os alunos dos cursos à distância, possuem, em média 33 anos. Esses dados indicam que os cursos à distância atendem a um público com idade mais avançada. (BRASIL, 2010)

O polo Universitário de Apoio Presencial da Universidade Aberta do Brasil apresenta um perfil jovem dos alunos, sendo 285 alunos que tem entre 23 a 32 anos, embora esta realidade contrarie a média nacional os demais alunos do Polo UAB Anápolis-GO são 213 entre 33 a 42 anos e 153 acima de 53 anos.

Através dos dados apresentados nos permite entender quem geralmente escolhe um curso na modalidade à distância, atualmente é quem tem uma idade mais avançada, embora este cenário venha se modificando, não que os cursos na modalidade à distância sejam indicados para somente para estas pessoas, mas devido alguns fatores como a falta de acesso na idade correta, à opção de uma segunda graduação ou o benefício da flexibilidade podem justificar este perfil, como aponta o Censo da Educação Superior de 2010.

[...] modalidade à distância proporciona o acesso à educação superior àqueles que não tiveram a oportunidade de ingressar na idade adequada nesse nível de ensino, ou ainda, que representa uma alternativa àqueles que já se encontram no mercado de trabalho e precisam de um curso de nível superior com maior flexibilidade de horários, ou, mesmo que se trata da opção por uma segunda graduação (BRASIL, 2010).

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Outra característica apontada pelo Censo da Educação Superior de 2009 é a presença predominante do sexo feminino na graduação à distância, “Já na modalidade EaD, 69,2% das matriculas e 76,2% dos concluintes são do sexo feminino.” De acordo com informações contidas no site da Universidade Federal de Goiás o aluno de ensino à distância deve conter as seguintes características:

Capacidade de autodisciplina para o estudo; Ter disponibilidade de 20 horas semanais para realização dos estudos e atividades à distância e presenciais; Ter iniciativa para pesquisa; Ser usuário de ferramentas de informação e comunicação, tais como: chats, emails, fóruns, etc.(BRASIL, UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS).

Partindo do pressuposto de que todo aluno de educação à distância tem acesso às tecnologias educacionais, acesso ao material com uma linguagem clara e objetiva e conteúdos relevantes, o aluno de educação à distância deve possuir sua autonomia para gerir seu tempo e o processo de ensino/aprendizagem, sendo ele co-responsável, durante sua caminhada, tendo como principal fator para seu sucesso a motivação seja ela por fatores intrínsecos (satisfação pessoal) ou fatores extrínsecos (satisfação profissional).

8 Educação à distAncia e os desafios de ensinar

Ensinar surge uma relação dialética entre aluno e professor, nesta relação em que o docente se dispõe a ensinar, tendo como uma das qualidades presentes a segurança em si mesmo, como destaca Freire (1996, p.91), “É a segurança que se expressa na firmeza com que atua com que decide com que respeita as liberdades, com que discute suas próprias posições, com que aceita rever-se.”, cujo docente se apresenta como um formador e o aluno se apresenta como um ser a ser formado. Portanto, todo processo de educação escolar, por ser intencional e sistemático, implica a elaboração e realização (incluindo ai a avaliação) de um programa de experiências pedagógicas a serem vivenciadas em sala de aula e na escola.

Tendo o professor a responsabilidade de conduzir os alunos neste processo de ensino/aprendizagem, mas no ensino à distância esta presente o sentimento de co-responsabilidade dos alunos, pois o mesmo são gestores de seu próprio processo de aprendizagem, portanto é necessário ter o cuidado para ensinar e não transferir o conhecimento, neste momento é indispensável intervenção de tutores qualificados para conduzir este processo, pois como destaca Freire (1996, p.47):

Quando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, a suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho ­– a de ensinar e não a de transferir conhecimento.

Considerando o ato de ensinar uma característica essencialmente humana, deve-se respeitar o conhecimento dos discentes, como afirma Freire “[...] o dever de não só respeitar os saberes com que os educandos, sobretudo os da classes populares, [...]”( 1996, p.30).

Seja na modalidade de ensino presencial ou à distância, ensinar torna-se um desafio, devido a sua natureza pedagógica, tanto por sua relação dialética entre professor e aluno, pela necessidade de profissionais qualificados para assumir os riscos de ensinar de forma consciente e responsável ou seja pelo desafio de transformar informações transferidas em conhecimento. Desta forma, destacando que, “No fundo, o essencial nas relações entre educador e educando, entre autoridade e liberdades, entre pais, mães, filhos e filhas é a reinvenção do ser humano no aprendizado de sua autonomia.” (Paulo Freire 1996, p.94).

Portanto, reinvenção do ser humano na aprendizagem de sua autonomia, está interligada à reinvenção das formas de aprender, dentre elas neste novo cenário, se destaca a educação à distância e suas novas possibilidades de ensino.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste artigo destaca-se sobre a definição do ensino à distância através da Lei de Diretrizes de Bases LBD n° 9394/96, onde diante disto uma serie de atos normativos sustentam o ensino à distância em nosso país, bem como o Decreto n° 5.622/05, que define a Educação à distância. Posteriormente destaca-se o Decreto n° 5.800/06 a qual se trata da instituição do Sistema Universidade Aberta do Brasil, finalidade e objetivos sócios educacionais são a expansão do expansão da oferta de cursos e programas de educação superior.

Destacam-se neste artigo, a criação do Polo UAB Anápolis-GO, através da Lei municipal n°. 3.343/09, bem como os cursos oferecidos. Em cumprimento aos objetivos do Sistema UAB destina-se aos professores de educação básica e gestores escolares a prioridade nas vagas dos cursos ofertados. Apresenta-se também uma analise do crescimento das matriculas dos cursos à distância em todo país e no Polo UAB Anápolis-GO, há também uma diferença entre o perfil do aluno de educação à distância no cenário nacional e o aluno do Polo UAB Anápolis-GO.

Portanto, conclui-se que o Sistema Universidade Aberta do Brasil vem como uma das ferramentas para a democratização da oferta de graduação e pós-graduação no cenário brasileiro e regional na cidade de Anápolis, permitindo aos profissionais da Educação e pessoas ligadas a ela uma formação continuada. Diante disto, se faz necessário caminhar para superar as limitações ainda existentes da modalidade de ensino à distância, para que a mesma cumpra-se seu papel, respeitando o perfil do aluno, sendo assim a Universidade Aberta do Brasil através do Polo UAB Anápolis-GO vem para ampliar o universo do conhecimento e contribui para a formação do ser humano e de sua sociedade.

REFERÊNCIAS

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BELLONI, Maria Luiza. Educação à distância. Ed. Autores Associados. Campinas, SP: 2003.

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