Filosofia no Século XX: A Questão da Legitimidade

2. Psicologia clínica (o homem no plano individual):

Hugo Martins dos Reis

Gosto muito do behaviorismo, mas não esqueço do inconsciente. Alio os dois. As teorias que afirmam nessa divisão tripartite do ser (id, ego, superego), como as analíticas, dizem que temos uma parte que é determinada por eventos da nossa vida (o ID), temos o nosso "ser consciente" (o EGO), e o nosso "dever ser", o vigia do id (o SUPEREGO). O Id é o cara! Gigantesco! Só quem compra briga com ele é o superego. De vez em quando este perde e aí nós "mostramos quem somos". O ego é o resultado dessa briga.

Já o behaviorismo nega essa viadagem toda. Acontece que nosso sistema nervoso capta os chamados "reforços positivos e negativos" e sendo condicionado. Velho clássico exemplo é o do cachorro do Pavlov - este treinou seu cachorro: toda vez que ele tocava um sino, servia também a comida. Depois de um tempo, bastava tocar o sino pro cachorro salivar. Assim, temos esse nível de adestramento (quando nos protegemos ao ouvir um barulho) e até mesmo o nível de adotarmos uma "camisa da sorte" (condicionamento) pois com ela conseguimos um emprego (esforço positivo), ou deixarmos de ir a um jogo de futebol (condicionamento) pois quando fomos o time perdeu (esforço negativo).

Eu faço uma salada e falo que nossos condicionamentos formam o nosso inconsciente (substituí as "fases" das teorias analíticas pelo condicionamento behaviorista). Temos tb um superego formado tb por condicionamentos (ao "escolher" uma moral/religião/... de um professor ou de um ente familiar que vc tanto admira, ao invés de outra de uma pessoa que vc despreza. Escolhe a moral não por seu conteúdo em si, mas por quem a apresentou, pela condição que foi apresentada, etc...).

Tal modelo, aliado com as perspectivas interacionistas e sócio-cognitivas explicar parte do nosso "comportamento de grupo", o pq não é comum haver famílias em que o pai é judeu, a filha muçulmana, a mãe budista... As crenças (valores, religiões, filosofias, etc...) surgem do contato que temos com os outros. Em um primeiro momento, não sabemos da existência de religiões. Depois nos apresentam os modelos. Mas o que menos importa então é o conteúdo dos modelos apresentados. Mas sim, a quantidade em que são ofertados (quase ninguém é xintoísta no Brasil, pois aqui há pouca "oferta" de xintoísmo), a pessoa que o oferta (se alguém que vc gosta, é reforço positivo. Se alguém que vc odeia, é negativo), o momento, etc...

Isso é como eu explico a formação do inconsciente. Agora vamos ao plano das escolhas e dos eventos sociais.

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