Filosofia no Século XX: A Questão da Legitimidade

3. Psicologia social (o homem no plano coletivo):

Hugo Martins dos Reis

"O homem coletivo é um ser sonâmbulo". Essa é a máxima da psicologia social que estuda as dinâmicas de grupo e os seus efeitos na formação cognitiva do indivíduo. Mais uma vez, num vai dar pra falar de toda a psicologia social aqui nessa prévia. Assim, seleciono os, na minha opinião, melhores momentos. Só irei como já estou na 3ª página, só irei expor as teorias. Na reunião, aprofundo essas concepções com relação ao Direito e sua percepção cognitiva e sócio-cognitiva no indivíduo.

 

 

3.1. Pressões e padrões do grupo (teoria do comportamento de grupo):

Logo que uma criança chega à idade de brincar com grupos de outras crianças, encontra influências semelhantes. Um menino não deve, por exemplo, agir de maneira muito diferente de seus amigos, se quiser ser aceito como membro da turma. Uma menina, principalmente na adolescência, precisa enfrentar conflitos, quando tenta vestir-se de acordo com a última moda do grupo de sua escola e encontra objeções de pais estarrecidos. O desafio é se sentir corretamente às expectativas dos outros. O operário que produz mais é coagido a manter o padrão do grupo, etc. Isso tem no testículo (texto pequeno) do Berger (apostila 1 de PJ). Todos reconhecem que tem o direito de exercer pressões para a uniformização de comportamento e atitudes dos participantes de seu grupo.

Segundo Sherif, "numa situação em que o indivíduo é incapaz de dizer se sua resposta está certa ou errada, depende, para a escolha da resposta, quase que exclusivamente do grupo". Rommetveit define uma norma transmitida como uma expectativa estável, no transmissor da norma, de que o recebedor da norma se comporte de uma determinada maneira, e pela presteza do transmissor da norma para recompensar o conformismo e punir a discordância. Os especialistas em psicodiagnóstico freqüentemente consideram o não-conformismo como um sintoma de doença mental potencial.

O efeito dessas pressões e a formação dos padrões variam dependendo da importância, necessidade e coesão do grupo. De toda forma, tal fenômeno explica como temos indivíduos com personalidades completamente diferentes (pois foram adestradas por eventos distintos em suas vidas) e com valores e crenças iguais, relativos ao seu meio social.

 

3.2. O aparecimento e a redução da dissonância em contextos sociais:

A teoria da dissonância é uma teoria a respeito de processos psicológicos que ocorrem, de alguma forma, no interior do organismo do indivíduo. As noções fundamentais da teoria são extremamente simples: a existência de cognições que, de alguma forma, não se ajustam uma à outra (dissonância), faz com que a pessoa se esforce por obter melhor ajustamento entre elas (redução da dissonância).

A dissonância pode ser conseqüência das decisões. Quando um indivíduo escolhe um, dentre vários caminhos possíveis de ação, tem quase certeza de sentir a dissonância, pq raramente a alternativa escolhida é totalmente positiva e as rejeitadas inteiramente negativas. Suas cognições de aspectos negativos da alternativa escolhida são dissonantes com a cognição de tê-las rejeitado. Conseqüentemente, quanto maior a atração da alternativa rejeitada com relação à escolhida, tanto maior será a dissonância.

· Ex.1, "dissonância proveniente da tentação": Se, para obter uma recompensa, um indivíduo realiza um ato que considera imoral, sua cogitação de que o ato é imoral é dissonante com a cogitação de o ter cometido. Uma maneira de reduzir essa dissonância seria mudar suas atitudes referentes à moralidade do ato, ou seja, convencer-se de que o ato não é muito imoral. Dessa maneira, a teoria da dissonância prevê que, depois de a pessoa realizar um ato imoral, suas atitudes referentes a este serão mais tolerantes que anteriormente. De outro lado, se uma pessoa resiste à tentação e não realiza o ato, suas cognições sobre as recompensas a que renunciou são dissonantes com sua cognição referente ao comportamento. Ainda aqui poderia reduzir a dissonância, mudando as atitudes referentes à moralidade do ato. Neste caso, a teoria prevê que, depois de uma pessoa resistir à tentação de cometer um ato imoral, suas atitudes referentes à moralidade deste serão mais severas do que anteriormente.

· Ex. 2, "dissonância proveniente do esforço": Se um indivíduo está numa situação em que continua a esforçar-se para atingir algum objetivo e não o consegue, sentirá dissonância. Sua cognição de que está fazendo esforço será dissonante com a cognição de não receber recompensa. Uma maneira pela qual poderia reduzir a dissonância seria encontrar alguma coisa, na situação, a que pudesse atribuir valor. Um pescador fracassado poderia atribuir valor às marcas de adquiriu, ou à habilidade que desenvolver ao arremessar a rede e navegar, etc.

· Ex. 3, "dissonância criada por um fato consumado": Frequentemente as pessoas se encontram numa posição em que precisa suportar alguma situação desagradável. A cognição da pessoa de que uma situação é ou será desagradável é dissonante com a cognição de que deve suportá-la. Assim, a redução da dissonância ocorre por esta se convencer de que a situação nem é tão desagradável assim.

 

Também as dissonâncias podem ser conseqüências das interações de grupo:

 

· Ex. 4, "dissonância proveniente de uma predição incorreta do ambiente social": Um indivíduo não tem um bom controle sobre seu ambiente social. Uma forma em que isso se manifesta é em sua parcial inabilidade para predizer a natureza dos grupos aos quais se expõe. Por exemplo, uma pessoa pode ir a um encontro, entrar num clube ou associação, etc, e depois perceber que não era tudo aquilo que ele pensara. A dissonância criada será tanto maior quanto foi o esforço para entrar nesse grupo. Assim, para reduzir essa dissonância, podemos: a) subestimar a proporção do investimento, ou b) superestimar o grupo.

· Ex. 5, "dissonância provocada pelo desacordo com outros": Quando uma pessoa enfrenta uma opinião contrária à sua, sustentada pó pessoa semelhante, sente dissonância. Aqui, a extensão da dissonância dependerá de fatores como importância da pessoa ou grupo que exprime o desacordo, b) importância e adequação, para o indivíduo, da questão que provoca o desacordo, etc. As maneiras de reduzir essa dissonância são várias. Se vc escolher ficar com sua teoria, vc ficará mais convicto dela, pois ela sobreviveu e ficou mais forte em vc. Vc também pode trocar de teoria, aliar as duas, etc.

· Ex. 6, "dissonância resultante da submissão pública forçada": Quando vc é obrigado a se portar em dissonância com seus costumes e crenças.

 

3.3. Teoria do status social do dissidente:

 

Segundo essa teoria, 3 são os fatores principais para a ocorrência de dissidentes dos grupos sociais:

· O grupo pode não ser suficientemente atraente para o participante. Nesse caso, a influência relativamente fraca do grupo não consegue superar considerações pessoais, talvez contrárias ao padrão do grupo. Ex.: um dissidente do grupo o é porque não necessita do grupo.

· Pode não haver suficiente comunicação entre um participante e os outros. Nesse caso as pressões do grupo não atingem o participante, embora pudessem ser muito eficiente se o atingissem. Em tais casos, o dissidente pode não perceber o fato de ser diferente da maioria dos outros do grupo.

· As influências de algum outro grupo a que pertencem as pessoas pode ser mais forte que a influência exercida pelo grupo em que se é dissidente.

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