Filosofia no Século XX: A Questão da Legitimidade

1. Introdução

Hugo Martins dos Reis

Basicamente, para essa prévia, eu fiz um estudo na psicologia. Gostaria de expor o que esta ciência tem a falar sobre o fenômeno da incorporação de valores, do comportamento frente a expectativas (positivadas ou não), e da aceitação da heteronomia.

Não custa lembrar: vou fazer uso de uma ciência, com seus modelos refutáveis, baseados em crenças, postulados, e observações duvidosas. Mais especificamente, a psicologia é basicamente a observação de eventos reiterados e a invenção de modelos que os expliquem.[1] De toda forma, se não há como achar o projeto de Deus pra descobrir, enfim, como é que funcionamos, podemos pelo menos obter um poder de previsão do funcionamento por meio dos modelos da ciência.

Na psicologia ainda é pior. Existem vários modelos, um negando o outro. E todos funcionam em parte, tanto em capacidade de fazer previsões, como para "sanar os defeitos". Por isso, podemos ir a um psicólogo sem muita necessidade de saber se ele é Freudiano, behaviorista, humanista, etc.... Assim, quem estuda psicologia geralmente escolhe[2] o modelo que mais lhe soa bem.

Antes, então, de entrar na minha explicação, que é baseada nos modelos que adotei, farei uma exposição dos modelos possíveis. Didaticamente, a psicologia é analisada sob duas vertentes: a psicologia clínica (das teorias da personalidade) e a psicologia social (do comportamento desta personalidade frente às outras). Na psicologia clínica, temos as perspectivas mais conhecidas:

1. Psicanálítica (Freud): Fala que suas atitudes como adulto são pré-determinadas na infância, em cada fase. Explica os "mecanismos de defesa" (repressão, formação reativa, negação, projeção, deslocamento, sublimação, regressão, racionalização), memória, "ser, dever ser e instinto", etc.

2. Neoanalítica (Jung, Adler, Horney, Erikson...): Expande o periodo de pré-determinação por fases durante toda a vida (sendo mais forte na infância).

3. Biológicas (Francis Galton!, Darwin): O homem não é uma tabula-rasa! Sua genética, seus hormônios interferem em suas decisões.

4. Behavioristas (Watson, Skinner!, Dollard e Miller, Hull…) Vc é um macaco treinado.

5. Cognitivas e Sociocognitivas (Kurt Lewin, Rotter, Bandura, George Kelly…) A maneira pela qual as pessoas interpretam seu meio é vista como central à sua humanidade, e o modo como elas diferem entre si ao interpretá-lo é considerado central à sua individualidade. Explica a aprendizagem observacional.

6. Traço e habilidade (Allport, Cattell…) Explica a personalidade por meio de traços (extroversão, amabilidade, conscienciosidade, neuroticismo, abertura) somado às habilidades adquiridas.

7. Humanista e existencialista (Erich Fromm, Carl Rogers, Maslow...) Lembra do Heidegger, Sartre, Camus? É mais ou menos por aí. Enfoca o "ser no mundo": self + tempo/lugar.

8. Interacionista (Murray, Sullivan, Mischel...) Desenvolvimento da personalidade por meio da interação com outras.

Na psicologia social o troço se mistura com a sociologia, e as demais ciências sociais, é bagunçado. Mas tem o estudo próprio das "dinâmicas de grupo" (Asch, Cartwright, Zander, Festiger).

Em geral, num é que nem time de futebol, que vc escolhe um e pronto. As abordagens se completam e devem ser usadas nesse sentido. Afinal, são ferramentas, tem horas pra usar a chave de fenda, outras pra furadeira.

Lembrem-se que daí surgiram práticas hoje não tão politicamente corretas: lobotomia, lavagem cerebral, eugenia, Walden Two (Utopia de Skinner em um mundo igual ao "admirável mundo novo"), etc...

Então vamos lá....



[1] Vc sempre vai achar mais um "PQ?" a se fazer à psicologia. Pergunte a Freud: P. pq ele esqueceu tal tragédia? R. Pq ele passou por um estresse pós-traumático. P. mas pq ele esqueceu? R. Pq por meio da repressão o ego repele os pensamentos ameaçadores de volta ao inconsciente. P. Pq? R. Pq os seres humanos possuem mecanismos de defesa, entre eles a "repressão" P. Pq? R. Pq nós funcionamos assim. P. PQ? R. pq é assim e pronto!

[2] Essa palavra é problema!

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