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O desenvolvimento industrial e as diferenças sociais

Rosalena Barbosa Mota

    O desenvolvimento industrial e as diferenças sociais


  O processo de industrialização iniciou no Reino Unido durante o século XVIII foi um marco para a história da humanidade, uma vez que foi o responsável não só pela geração de uma enorme quantidade de empregos, mas também por mudanças estruturais nas sociedades humanas: a indústria, justamente com o crescimento das cidades, alterou o modo de vida das pessoas, bem como o modo de produzir os bens. A robótica hoje avançou o suficiente para substituir em larga escala a mão-de-obra humana, dessa for podemos observa que o setor industrial não é o que mais emprega; por isso mesmo o seu avanço tanto em países desenvolvidos quanto os subdesenvolvidos mudou, mais uma vez, a economia das nações, e se reflete no dia-a-dia da maior parte da população mundial.

  Pois se formos analisar desde o início da primeira Revolução Industrial, as indústrias eram muito dependentes de fatores como a disponibilidade de matérias-primas e fontes de energia, sobretudo o carvão. Ao passar do tempo foi criando-se alternativas para a utilização de novas fontes de energia, como o petróleo, eletricidade, e a evolução tecnológica liberal, a indústria da dependência de fatores locacionais foi-se desenvolvendo e tomando outras direções como, por exemplo: as indústrias automobilísticas, a indústria petroquímica. São muitas as características que marcam o processo de desenvolvimento da produção industrial, porem, uma deve ser sempre lembrada: a história do crescimento industrial está fortemente relacionada com a expansão das cidades. O fato de a maioria das fábricas funcionarem dia e noite, todos os dias do ano, faz com que a mão-de-obra operária tenha que viver muito próxima das indústrias, de forma que quanto mais crescem as indústrias, maior ficam as cidades.

  Pois, pensar a indústria e mais concretamente espaço da indústria nos remete a uma paisagem urbana onde predominam as chaminés expelindo fumaça de tons e odores diferenciados, de redes de transporte. Ao contrario da atividade agrícola, que se estende por imensas porções do planeta, a atividade industrial é altamente concentrada do ponto de vista espacial e exigem a inter-relação entre parcelas do espaço já que está longe de ser uma atividade que se auto sustenta.

  Nesse sentido, quanto suas instalações se acham concentradas espacialmente, suas relações e articulações ocorrem a nível mundial, graças ao desenvolvimento necessário das trocas, comandando o processo de divisão social e espacial do trabalho. Se por um lado a indústria é um fenômeno concentrado que gera grandes aglomerações urbanas, de outro, suas articulações extrapolam os limites do “espaço próximo” para se inter-relacionarem com espaços mais amplos, cujos limites são aqueles do globo terrestre.

  Portanto, vivemos a contradição da modernidade científica e tecnológica com a violência: ao mesmo tempo em que o ser humano se liberta e domina as forças da natureza, vive sob a ameaça da catástrofe atômica. A submissão e a passividade de populações inteiras nos levam à produção pacífica dos meios de destruição. A sociedade produz artefatos de guerra cada vez mais poderosos sem dar importância a esse fato.

  Ao mesmo tempo em que a sociedade industrial se torna mais rica, mais produtiva, capaz de gerar bem-estar social, introduz o medo, a falta de diálogo, o impedimento à participação política e a miséria de milhões. Como explicar? No momento em que a civilização encontra o potencial capaz de produzir a autonomia dos indivíduos é, contraditoriamente, a civilização que procura negar essa autonomia e reduz o indivíduo à posição de mero agente consumidor.

  Submetendo-nos apenas a ser bons compradores. Pacificamente adquirimos jeans, coca-cola e chiclete. Sonhamos com jet-ski, vídeos e filmadoras. Nossas mentes se reduzem à busca do destaque frente a outros consumidores no momento em que podemos comprar mais. O resultado não poderia ser outro: ajudamos a produzir uma sociedade altamente sofisticada para uns poucos. Não obstante, adverte Marcuse, “essa sociedade é irracional, sua produtividade é destruidora do livre desenvolvimento das necessidades e faculdades humanas”. A paz, por exemplo, é mantida pela constante ameaça de guerra. Uma falta de liberdade “confortável” prevalece na civilização industrial desenvolvida.

  Portanto, o capitalismo, ao reduzir a questão democrática, a liberdade e a autonomia do indivíduo a uma questão de mercado, acabam sendo totalitário. O cidadão não é livre para ser o que deseja junto com seus semelhantes, é livre apenas para comprar. Segundo Marcuse, é totalitário não no sentido de desenvolver uma política terrorista do estado para a sociedade, mas, sobretudo, por desenvolver um conjunto de ação técnico-econômico não terrorista, que opera por meio da manipulação das necessidades individuais. Assim sendo podemos visualizar a grande discrepância dos países desenvolvidos em relação aos países em desenvolvimento.

  Em suma, desenvolvimento tecnológico e o acesso à informação, num mundo cada vez mais globalizado, vêm fazendo uma transformação radical nos sistemas de desigualdade. E o conhecimento torna-se significativo para a estratificação social e a formação do processo de desigualdade.

  A passagem da Sociedade Industrial para a Sociedade da Informação muda o foco das teorias sobre estrutura e estratificação social.  Mudando todo o processo de desigualdade e de mobilidade social.  Onde o conhecimento torna-se peça chave para o entendimento das diferenças sociais.  O capital intelectual torna-se moeda corrente para a troca.  Nesse foco a educação entra como peça fundamental para a mudança na estratificação social.

  Na Sociedade Industrial o conhecimento técnico-prático era a principal porta de entrada e ascensão social.  Na Sociedade da Informação o conhecimento teórico e geral substitui o conhecimento técnico-prático. O indivíduo deve ter a capacidade de decodificar e filtrar as informações que chegam continuamente.

  A educação como geradora e portadora da transmissão do conhecimento, se transforma na principal chave de mudança.  Aumentando o tempo de escolaridade dos indivíduos. Tendo que mudar o seu foco de formação técnica e prática, para uma formação teórica, capaz de desenvolver no indivíduo o aprender a aprender.

  Os estudos teóricos sobre desigualdade social são reflexos das formas de desigualdade social existentes nas sociedades indústrias, conforme a sociedade moderna começa a sofrer uma profunda transformação, as teorias da desigualdade também sofreram mudanças e começaram a perder significação.  Ou melhor, o estudo teórico segue o caminho da substituição da sociedade industrial para a sociedade da informação.

  Outro ponto é que o conhecimento entendido como força de ação torna-se cada vez mais responsável pelo processo de formação das desigualdades.  Para alguns Cientistas Sociais as classes sociais não constituem mais a formação das hierarquias, mas sim outros tipos de clivagens sociais.  Uma ilustração disso é que na Sociedade da Informação, os indivíduos ativos no processo de trabalho industrial representam uma minoria no conjunto da população.

  Há algumas décadas atrás se tinha como certo que a sociedade industrial e o processo de modernização originariam um sistema de desigualdade social menos hierárquico, refletindo mais de perto as aptidões individuais e as fronteiras entre as classes bastante pequenas.  Como se pode perceber, o nível de desigualdade aumentou, por outro lado houve um relativo aumento na perspectiva de vida e bem estar social, com acesso a saúde e os dispositivos de previdência, principalmente durante a década de 50 e 60.  No entanto a estrutura de poder e relações de autoridade torna-se difícil discernir mudanças significativas de ordens estruturais. Essa mudança social ocorridas pode ser levada em contas mais pelas mudanças estruturais da sociedade, do que como resultado de sucesso alcançado pelas pessoas ou por mobilidade individual.  Ou seja, a transformação da sociedade industrial na sociedade da informação trouxe novos alentos estruturais e provocou certa mudança na pirâmide social.  A educação pode ser encaixada como fator determinante para alcançar a Sociedade da Informação.

  A Educação tem um papel cada vez mais importante na formação da natureza e da estrutura da desigualdade social na sociedade moderna, mas isso não significa afirmar que seja um fenômeno novo para o estudo da natureza da desigualdade.  Ela é uma variedade de competência cultural e aptidões.  A educação sempre teve um papel importante na determinação da desigualdade.  Por exemplo, a capacidade de ler e escrever na língua dominante de uma nação.  O conhecimento das leis e dos procedimentos que regem as transações, como saber se o religioso influi na posição social de uma pessoa.  Agora conhecer a tecnologia e saber analisar as informações cria um novo aspecto de determinação da desigualdade.

  Um aspecto importante da transformação da base da desigualdade social é o estabelecimento e garantia da cidadania, especialmente de um pacote de bem-estar social, do qual abaixo não se aceita que a pessoa venha cair.

  As sociedades avançadas estão se tornando cada vez mais "'sociedades da informação"', as perspectivas multidimensionais da desigualdade social, não captam apropriadamente as novas realidades sociais e econômicas.  A maior parte das teorias sobre a desigualdade social é estreitamente relacionadas com o método de produção industrial, onde hoje se situa uma minoria de pessoas economicamente ativas.  Cabe também ressaltar o papel primordial que a educação ocupa nessa sociedade moderna. Nesse sentido passamos a buscar novos valores: vimos a possibilidade de nascer um novo valor movimento estudantil, grupos de mulheres que podem discutir a condição feminina, negros que se propõem trabalhar novas questões ligadas à raça, grupos de moradores das periferias urbanas podem reunir-se para discussão das novas questões sociais mais urgente. Novas formas de contestação e movimentos de oposição, a luta por uma nova qualidade de vida pode estar começando quando as pessoas tornar-se consciente de que o desenvolvimento social é mais do que ser meros compradores de mercadorias.


    Bibliografia


  GARCIA, Helio Carlo. Geografia: de olho no mundo do trabalho: volume único para o ensino médio. São Paulo: Scipione, 2005.

  MEKSENAS, Paulo. Sociedade Filosofia e Educação. Ed. Loyola, São Paulo: Brasil, 1994.

  MARCUSE, Herbert, Razão e revolução: o pensamento filosófico de Hegel, 4ª ed. São Paulo, Paz e Terra, 1988.

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