Artigos

O espaço público e o idoso. Um olhar sobre o apoio do profissional de psicologia nas instituições públicas para idosos

Alberto Machado Borges

 


 

 

 

 

Introdução

Discutir a velhice tem-se se tornado uma atividade corriqueira para a maioria das pessoas e muitas dessas discussões tem como pano de fundo dados demográficos acerca do envelhecimento populacional mundial e da mudança na expectativa de vida, apontando para o aumento do número de idosos e um maior tempo de vida dessas pessoas.

Segundo Veras (1994), no início do século XX, um Brasileiro vivia em média 33 anos , ao passo que hoje a expectativa de vida ao nascer constitui-se por volta dos 68 anos . Muitas são as razões atribuídas a tal aumento, tais como a redução na taxa de mortalidade entre os idosos em decorrência dos avanços da medicina e na melhora nas condições de vida e queda nas taxas de fecundidade devido a introdução de métodos anticoncepcionais e mudanças na estrutura familiar . Enfim todas essas vantagens baseiam-se na busca do bem –estar do homem.

Alguns estudiosos, principalmente na área da gerontologia, têm se preocupado em ressaltar os valores que se fazem importantes para a busca da longevidade. Apesar disso, muitas pessoas relatam que está cada vez mais difícil viver e envelhecer neste final do século XX porque o mundo está se transformando muito depressa e diante disso, estamos vivendo em uma época de grandes inovações científicas e intensas mudanças sociais e econômicas. Tais mudanças afetam profundamente nosso modo de vida e principalmente a visão do envelhecer dentro de nossa sociedade. Assim, o aumento da expectativa de vida passa por um período de contradição, pois, ao mesmo tempo em que esses idosos possuem todas essas atribuições da medicina, em contra partida enfrentam preconceitos a respeito de suas habilidades, onde em uma sociedade consumista como a nossa o idoso tornou-se um ser descartável .

É possível observar que com a chegada da tecnologia o humano e o artesanal foi substituído pelo mecânico e descartável . Dessa maneira o idoso tem vivenciado cada vez mais a diminuição de seu status social , assim como: a perda do reconhecimento de suas habilidades até mesmo de seus conhecimentos e experiências. Assim suas contribuições sociais imediatas foram se tornando cada vez menos relevantes.

Mais uma vez, pode-se dizer que a ideologia do saber atual é gerada pelo conhecimento técnico e científico que se encontra dominado pelos jovens , no entanto, poucos idosos conseguem ser melhores nessa idade do que quando jovens , pois ao se pensar em uma sociedade capitalista que valoriza o trabalho produtivo dos jovens, a mesma acaba por desvalorizar o idoso taxando-o como um ser improdutivo.

Como afirma Faliros (2009), o envelhecimento e a velhice não se resumem a um estereótipo e nem podem ser reduzidos a um estigma mesmo num contexto constituído socialmente para um lugar improdutivo, ou seja, esses estereótipos já existentes acerca dos indivíduos mais velhos possuem, quase que invariavelmente, relação semântica com fragilidade e ineficácia física, perda de habilidades cognitivas, rigidez comportamental, incompetência econômica e isolamento social, entre outros.

Segundo Sadigursky & Oliveira (1993), existem evidências de que os idosos com vida ativa, física e intelectual ou artística, apresentam um retardo significativo em sua deterioração orgânica, o que não é sentido pelas pessoas inativas. Por sua vez, tais evidências das atividades sociais, não se generalizam apenas em estar ativo, produzindo e trabalhando , mas se define também como todas as atividades em que os idosos participam ativamente, tais como as físicas, lazer, religião, serviços voluntários, sendo de fundamental importância para contribuição na melhoria do conjunto das funções dos idosos, ou seja, esses idosos precisam ser vistos não somente como seres produtivos mas como indivíduos que vivem dentro de uma sociedade em transformação.

Portando, é possível perceber que a exclusão social do idoso não se baseia somente na perda de sua inserção no mercado de trabalho, mas principalmente pelo primeiro fator que contribui para essa exclusão, a família. É nela que começam os primeiros indícios de exclusão e abandono ao idoso. Esse abandono pode ser caracterizado de duas formas, tanto indireto ou direto. Indireto, quando esse idoso se sente sozinho inútil e improdutivo, em convivência própria com a família, ou direto quando esse idoso é abandonado pela família e colocado dentro de um Asilo. Assim quando a decisão de internação é tomada a sociedade e a família, mais especificamente, tentam justificar tal internação dos idosos pela falta de tempo que demanda necessidade de cuidá-los adequadamente. Mas quando se fala do Poder Público, o discurso aparente é o da intenção de protegê-los para evitar que sofram maus tratos. No entanto, é possível observar que , por melhores que sejam as condições da instituição não é possível evitar que esses idosos sejam submetidos a sofrimentos, pois sua condição de interno já se configura por si só motivo para profundas angústias. Uma vez que estejam fora da esfera produtiva tornam-se inúteis e socialmente inoportunos; para a família ao demandarem maior quantidade de atenção e cuidados, tornam-se estorvo e fonte de despesas adicionais; se não têm família e vivem nas ruas, a estética da miséria estampada, incomoda, muito mais que comove, aos transeuntes. Segundo Haddad (1993), o fim da vida é um fenômeno que evidencia a reprodução e ampliação das desigualdades sociais.

Dentro deste contexto é valido dizer que os asilos representam um mal necessário, pois funcionam como uma instância encarregada de acolher o rejeitado que, neste caso, representa o idoso, para reestruturá-lo dentro do possível, oferecendo pelo menos em parte, aquilo que a sociedade e a família lhe negaram.

OBJETIVOS

Nessa perspectiva, o estudo tem como objetivo geral, verificar como se dá o apoio do profissional de Psicologia na instituição pública a ser analisada.

Como objetivos específicos, destacar como o processo de envelhecimento é visto pela sociedade; buscar também investigar se o idoso é excluído ou não da sociedade; analisar a atuação do psicólogo na inserção do idoso na sociedade; investigar o que leva os idosos a procurarem as instituições de serviço ao idoso; e conhecer os serviços oferecidos nas instituições de serviço ao idoso.

A pesquisa justifica-se pois contribuirá para integrar as gerações no desenvolvimento de práticas sociais voltadas para a melhoria da qualidade de vida do idoso, incentivando a prática de pesquisa no curso de Psicologia e mobilizar o corpo docente e discente desta Instituição de Ensino, ILES-ULBRA Instituto Luterano de Ensino Superior de Itumbiara, em ações voltadas para pessoas idosas. O material servirá como referencial teórico para novas pesquisas na área e construção do conhecimento

A viabilidade do estudo caracteriza-se em decorrência do baixo custo, disponibilidade dos sujeitos participantes da pesquisa, pois os entrevistados são internos do asilo e funcionários do mesmo e a acessibilidade a bibliografia, dentro da Instituição de Ensino.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

“Envelhecer não é permanecer jovem, é extrair de sua idade as particularidades, as velocidades e lentidões, os fluxos que constituem a juventude desta idade. (Deleuze & Guattari, 1997, p.70).

Até o século XIX era denominado velho (vieux) ou velhote (veillard) aquele indivíduo que não desfrutava de status social – muito embora, o termo velhote também fosse utilizado para denominar o velho que tinha sua imagem definida como bom cidadão. Para demonstrar uma visão menos estereotipada da velhice, o termo idoso foi adotado para caracterizar, tanto a população envelhecida, em geral, como aquela mais favorecida. Segundo Peixoto (1998), a partir de então, os "problemas dos velhos" passaram a ser vistos como "necessidades dos idosos"

Existem algumas metáforas usadas para a definição do envelhecimento, como, por exemplo, amadurecer e maturidade que acabam por promover um significado , ou seja, a sucessão de mudanças ocorridas no organismo e a obtenção de papéis sociais, respectivamente (Neri & Freire, 2000). Portanto ao levar em consideração tais mudanças ocorridas no organismo, alguns fatores que fazem parte das mudanças ocorridas no desenvolvimento físico do idoso, dividindo-o em três etapas, Papalia (2000).

· Funcionamento sensório motor:

Diminuição nas capacidades visuais, perca auditiva gradual , diminuição das sensibilidades gustativas e olfativas, diminuição da forca resistência e coordenação, perda da massa muscular, substituída por gordura, diminuição nas tarefas que envolvam uma escolha de respostas e habilidades motoras mais complexas.

· Mudanças estruturais sistêmicas:

A pele torna-se menos tesa e lisa envolvendo a perca de gordura e colágeno , os cabelos tornam-se mais ralos e grisalhos , a transpiração diminui, os ossos tornam-se mais finos e mais quebradiços, as articulações tornam-se mais rígidas ( tendões e ligamentos menos eficientes), o coração pode perder sua forca aeróbica e lombar tornando-se mais lento, O volume de ar que o pulmão é capaz de absorver e expelir pode diminuir , A regulação de temperatura e a resposta imune começam a enfraquecer, O sono pode ser menos profundo.

· Sexualidade e funcionamento reprodutivo:

Mudanças do aparelho reprodutivo feminino como: secura vaginal, disfunção urinaria, excitação menos intensa, orgasmos menos freqüentes e mais rápidos e termino da capacidade reprodutiva. Mudanças no aparelho reprodutivo masculino como: diminuição da testosterona resultando em perda de excitação , ereções menos freqüentes, mais lentas menos firmes, orgasmos mais lentos , recuperação mais lenta entre ejaculações , maior risco de disfunções eréteis , sendo que a capacidade reprodutiva é continua , mais pode ocorrer certo decréscimo na fertilidade.

Essas e outras características anteriormente citadas compõem uma visão preconceituosa na sociedade, pois a noção de velho remete à incapacidade de produzir e de trabalhar, devido as mudanças físicas. Portanto, essa exclusão não se resume somente em improdutividade, mas sim priva o idoso do principal conteúdo que se faz inerente á uma boa saúde física e mental, a privação do seu papel social , fator que contribui bastante para que esses idosos se sintam sozinhos, inúteis e abandonados.

Muitas vezes, na velhice, os problemas de saúde causados por patologias múltiplas são agravados pela solidão, abandono, interrupção do seu papel social e pobreza . A falta de companhia do velho, nos dias atuais, está diretamente ligada às transformações que se operam no interior das famílias menores, assim, pode-se dizer que a família desempenha o papel central na vida não somente das crianças jovens e adultos mas também dos idosos. Vários são os fatores que concorrem para a diminuição do suporte familiar para com o velho, entre eles a maior mobilidade das famílias (facilitadas pelo seu menor tamanho) e o aumento do número de separações e divórcios entre os casais em décadas mais recentes. Ambas as situações trazem como conseqüência uma vida mais insular e uma redução do apoio familiar ao idoso.

Por outro lado, há também muitas pessoas, em todas as idades, que escolhem viver assim. No entanto, viver por longo período sem companhia predispõe ao isolamento. Segundo estudiosos , na Inglaterra, entre o censo de 1961 e 1971, a proporção do grupo etário acima dos 65 anos que morava só aumentou de 17% para 34% (Acheson, 1982), e na população acima dos 75 anos foi observado que quase a metade estava morando sozinha (Abrams, 1980). Outro dado significativo é que 47% desses ingleses nunca recebem visita de amigos (Donaldson e Donaldson, 1983) e, como já foi descrito, este é um dos fatores que predispõe à eclosão de problemas físicos e mentais em particular. Um em cada três velhos sofre de algum quadro mental, e a prevalência da depressão neste grupo é de 10% (Murphy, 1983). Na Bélgica, as taxas de suicídio entre os homens acima de 75 anos é 5 vezes maior do que na população em geral e, entre as mulheres, 3 vezes maior (Baro, 1985). No estudo de Foster e col, (1984) foi observada maior longevidade entre os velhos que vivem com mulheres jovens. Este resultado, para os autores, sugere que a vida emocional e social ativa confere benefícios em termos de aumento de anos de vida.

Mais uma vez podemos destacar que um importante suporte social é obtido através dos sistemas mais informais que é o apoio de parentes, vizinhos ou amigos. Essa estrutura social foi por muito tempo o referencial maior de apoio na comunidade, nos dias atuais, tende a diminuir, do mesmo modo e pelos mesmos motivos que estão levando ao desaparecimento da família extensa.

Outro aspecto que contribui grandemente para a diminuição do status social do velho é, sem dúvida, o rápido desenvolvimento tecnológico dos anos recentes. Uma das conseqüências é o despojamento das habilidades dos mais idosos tornando suas contribuições imediatas para a sociedade em que vivem menos relevantes .O que antigamente era tido como sua maior riqueza e o colocava numa posição de destaque na sociedade como o seu saber e seu conhecimento acumulado, frutos da longa experiência de vida agora, nos dias atuais não é mais valorizado .

Como já foi descrito hoje em dia, o idoso escolhe ou é escolhido a ter uma vida mais solitária, e , na maioria das vezes, tem que arcar com os custos de manutenção de sua casa ou contribuir para sua mera sobrevivência, quando não são levados para Asilos Públicos.

Aquele que não pode acumular uma poupança durante a vida produtiva tem, em geral, um final de vida em situação financeira pior do que quando trabalhava. Além disso, a possibilidade de gerar novos recursos a fim de complementar a renda com outro trabalho remunerado é quase nenhuma, porque o fato é que praticamente não existem oportunidades de trabalho. No Brasil, os indivíduos com mais de 65 anos que provarem ter trabalhado pelo menos cinco anos estão habilitados a uma pensão vitalícia de meio salário mínimo. Apesar do exíguo valor deste auxílio, este é o benefício social que hoje contempla grande parcela desta população, e muitos idosos vivem apenas com esta pensão como única fonte de renda. A aposentadoria é, portanto, uma forma de produzir a rotatividade no trabalho pela troca de gerações, permitindo aos jovens o acesso a uma atividade remunerada (Salgado, 1980). A sistemática da aposentadoria acabou por criar uma nova norma social que considera que os indivíduos, após determinada idade, devem abandonar as atividades que exercem, garantindo o direito de serem mantidos financeiramente pelo sistema. Esta situação que, "grosso modo" pode parecer natural e desejável, cria, por outro lado, muita polêmica. Para alguns, a aposentadoria evita o excesso de trabalho e a redução da mortalidade. Para outros a aposentadoria é vista como a redução da auto-estima e status social.

Existem algumas teorias que postulam que o trabalho não desempenha papel central e que para muitos indivíduos a aposentadoria é a sonhada oportunidade para o desenvolvimento de atividades que, por muito tempo, estiveram adormecidas, ou simplesmente a liberdade há muito desejada. Para outros, a aposentadoria traz a interrupção do trabalho com nefastas conseqüências para o indivíduo, pois o retira da participação social e isto o leva ao isolamento, infelicidade e insatisfação pela vida , já que para a maioria das pessoas o trabalho representa um papel na sociedade. No entanto, em ambas as postulações, a conseqüência para a pessoa é uma mudança no modo de utilizar seu tempo e na quantidade de recursos disponíveis (Palmore e col., 1982).

O que se pode observar é que para a grande maioria dos idosos, aposentadoria significa uma condição socioeconômica inadequada. A situação mais comum é a do velho que não pode concretizar seus potenciais por absoluta falta de recursos econômicos para fazê-lo. Por outro lado, aposentadoria do trabalho pode ser uma situação irrelevante para muitas sociedades, em particular a rural, onde geralmente é o aparecimento de doenças ou incapacidades físicas que faz com que o indivíduo deixe de trabalhar.

Outro aspecto que contribui para que o idoso se sinta ainda mais excluído do social são as denominadas representações sociais que Moscovici (1981) define como sendo:

"... um conjunto de conceitos, afirmações e explicações originadas no quotidiano, no curso de comunicações interindividuais. Elas são equivalentes, em nossa sociedade, aos mitos e sistemas de crenças das sociedades tradicionais; elas podem até mesmo ser vistas como uma versão contemporânea do senso comum." (Moscovici,1981).

Nas três últimas décadas, essa noção possibilitou um avanço importante para a Psicossociologia. Esse conceito contribuiu para o desenvolvimento dessa área do conhecimento na medida em que se constituiu em algo novo em relação à noção de atitude. A teoria das representações sociais passa a abordar os posicionamentos dos indivíduos, frente a objetos cotidianos, não mais como reações singulares, e sim como reatualização de saberes compartilhados nos grupos (Doise, 1989; Farr, 1992; Palmonari & Doise, 1986; Sá, 1996).

As representações sociais são produzidas pelas interações e comunicações no interior dos grupos sociais, refletindo a situação dos indivíduos no que diz respeito aos assuntos que são objeto do seu cotidiano. A literatura científica denomina essas teorias, criadas pelos grupos, de teorias do senso comum (Moscovici & Hewstone, 1985). São justamente elas, o principal objeto de estudo das representações. A função essencial da representação social, para aqueles que representam, é tornar aquilo que não é familiar em algo familiar, próximo e prático. Essa função relaciona-se com a tentativa de representar uma realidade pouco conhecida a partir do que se sabe dela.

No Brasil existem pesquisas que mostram como os próprios idosos simplificam o envelhecimento humano, exclusivamente a partir das perdas, representando o processo com predisposições desfavoráveis, estereótipos negativos e preconceitos. Medrado (1994), na cidade de Carnaíba (Bahia), encontrou representações sobre o idoso caracterizadas por conteúdos tais como: "não serve para nada, inutilidade, não vai para a frente, não tem saúde, só doença, não tem destino, não volta", etc. Em outro trabalho desenvolvido por Santos (1990), acerca da influência da aposentadoria sobre a identidade do sujeito, a pesquisadora refere que nas sociedades modernas a ênfase continua sendo dada à juventude e à capacidade de produção. Nas mesmas, "ser velho representa um afastamento do mundo social"(p.22).

Outros autores brasileiros, como é o caso de Debert (1996), destacam que, além dos estudos feitos mostrando a atual representação da velhice em termos de processo contínuo de perdas, estão-se abrindo outros espaços para que diversas experiências de envelhecimento bem sucedidas possam ser vividas coletivamente. Por exemplo, os grupos de convivência de idosos e as universidades da terceira idade, entre outras.

Nas sociedades desenvolvidas como Alemanha, pesquisadores da gerontologia fornecem resultados interessantes no que diz respeito às percepções sobre a velhice de diferentes grupos de indivíduos jovens e idosos. Heckhausen, Dixon e Baltes (1989) e Heckhausen e Baltes (1991), constataram que os idosos estudados desenvolveram uma concepção de velhice duplamente determinada pelos ganhos e pelas perdas, e referiam-se ao envelhecimento como um processo de desenvolvimento que se mantém ao longo de todo o curso de vida de uma pessoa. Já os grupos de indivíduos jovens (idades entre 20 e 36 anos), apresentaram concepções mais fatalistas, centradas sobretudo no fato do declínio. É possível observar que tais representações á cerca do envelhecimento conduz a serias formações de crenças e comparações , trazendo para esses idoso conseqüências de percepções errôneas de si mesmo.

Apesar de todas as características citadas acima como : as mudanças ocorridas no organismo, o abandono de seus familiares , a sistemática da aposentadoria, e os termos utilizados como representações sociais , não podemos deixar de destacar que parte das literaturas estudadas , apresenta um idoso fragilizado e debilitado fato que torna comuns as formas de perceber, pensar, sentir e agir sobre essas pessoas como se fossem necessariamente associadas a uma série de doenças, incapacidades múltiplas, dependência e perda da autonomia. Deleuze (1989), afirma que o que é horrível na velhice é a dor e a tristeza, e que essas coisas não são propriamente "a" velhice, mas uma velhice possível, pois, "a" velhice de fato não existe. Para o autor, o que torna a velhice triste é a pobreza e a falta de um mínimo de saúde.

Neste sentido, a velhice não existe como tal. Portanto, na lógica da carência, a velhice é pensada enquanto enfraquecimento dos corpos, ou, seja um corpo impotente que necessita de cuidados, tornando-a dependente daquilo que lhe falta (Deleuze 1989).

Esse modelo reflete um modo de vida desejável e que serve a todos, conferindo uma incompletude àquele que tenta ser conforme este modelo, uma impotência que não é posta sob suspeita, sendo entendida como algo natural.

Não só no sentido da literatura mas também das estatísticas, pode-se observar que nunca antes na história da humanidade, os idosos foram afastados de maneira tão asséptica para os bastidores da vida social; seus corpos são tirados de circulação com extrema presteza e seu caminho em direção à sepultura é acompanhado por um número cada vez mais restrito de testemunhas. O traço marcante desse processo é a contradição de uma consciência que proíbe maltratá-los, ao mesmo tempo em que permite sua segregação e confinamento em asilo público, (ELIAS,2001).

O que nos chama a atenção é o fato de que ao contrariamente do passado, hoje existem várias situações que acabam resultando na internação de um idoso numa instituição permanente. A família moderna tem uma estrutura diferente da antiga família patriarcal, quando várias gerações habitavam a mesma casa e apenas o chefe respondia pelo sustento, ao passo que as mulheres ocupavam-se apenas da administração doméstica, cuidando das crianças e dos mais velhos. O convívio de várias gerações sob o mesmo teto era saudável e norma habitual.

A maioria das mulheres de hoje tem empregos que fazem com que elas permaneçam por um grande número de horas fora dos seus lares. Os jovens partem para a escola e os idosos permanecem isolados em suas casas, sujeitos a acidentes e vítimas também de depressão, ansiedade e outros males. Quem tem tempo para levá-los ao médico, caminhar ou outras atividades externas?

Não só nessas ocasiões, mas também por abandono, os asilos surgem como uma solução, não uma solução para o idoso mas para a família que acha mais fácil essa alternativa. A aposentadoria nesse caso é empregada para garantir a permanência do idoso na instituição ainda que pública.

O que acontece que quase sempre os asilos são um caminho sem volta pois na maioria das vezes, as famílias esquecem seus velhos internados e estes acabam perdendo a sua identidade e o direito sagrado de tomar decisões que lhe dizem diretamente respeito.

Os horários, as condutas e os comportamentos são ditados pela instituição, trazendo para os internados um quadro de amargura, tristeza e depressão, abandonados que são por aqueles que foram por eles cuidados e agora se recusam a cuidar deles. No novo ambiente o idoso perde a sua identidade, a sua auto estima e não sabe como ocupar seu tempo. Torna-se apenas mais um ser humano depositado no local. Muitos falecem por desgosto.

O ambiente de grande parte dos asilos públicos , não é adequado para ser uma residência fixa de dezenas de idosos. São casas que ou não sofrem nenhum tipo de adaptações, ou apesar delas não tem condições mínimas para prestar uma assistência adequada. São cubículos apertados, corredores mal iluminados, ventilação precária, pisos, escadas e banheiros locais de fáceis quedas e acidentes.

Não há espaços para atividades físicas ou banhos de sol, recreação ou jardinagem e esses elementos são essenciais para uma boa qualidade de vida e melhorar a auto estima e criar um saudável ambiente social entre os asilados. A maior parte do tempo eles passam sentados, encolhidos, sem movimentação e vários adotando posições fetais, com os membros encolhidos e já atrofiados.

A institucionalização para a maioria dos idosos é fonte de isolamento, dor e tristeza, o ambiente se torna silencioso e vazio, as horas demoram a passar e muitos acham que o fim do seu sofrimento só vai acabar com a sua morte e aguardam o seu triste fim resignados. Há casos de falecimentos em que a família não é avisada ou não é localizada e o asilo continua a receber pelo cartão magnético por mais algum tempo.

Os caminhos para o asilo são apenas de ida, sem volta, pois os asilados são esquecidos não só pela família como pela sociedade. O asilado perde a sua individualidade, pois todo o seu tempo, todas as suas atividades são determinadas pelas normas e regulamentos da instituição. Os dias se sucedem e a rotina determinada é sempre a mesma, com horários e ambientes determinados, sem liberdade de opção. Muitos morrem de desgosto e depressão

Falar em equipe multidisciplinar para visitas diárias e avaliações ou correções das possíveis incapacidades é realmente sonhar alto. É comum um médico se responsabilizar por muitos asilos e só aparecendo em casos de complicações ou para fornecer o atestado de óbito. Os jornais mostram essa penosa realidade com bastante freqüência.

Todo o quadro revelado nessas linhas refere-se exclusivamente às centenas de entidades clandestinas existentes em São Paulo (apenas 10% são oficialmente registradas e fiscalizadas) e no Brasil. Quando denunciadas, elas mudam de um local para outro no mesmo dia. Muitas vezes o mesmo dono possui várias casas configurando quase uma indústria de lucros fáceis à custa da desgraça de muitos seres humanos.

É preciso reconhecer que existem instituições beneficentes sérias e competentes que se esforçam diuturnamente, vencendo dificuldades de toda ordem, para poder dar um atendimento digno e humano aos seus abrigados. O que é lamentável é que elas constituem uma exceção e não a regra e são em número reduzido face às necessidades de nossos idosos excluídos, abandonados e discriminados pelos seus “entes queridos”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

METODOLOGIA

O estudo fundamenta-se na revisão de literatura baseada em livros, artigos e revistas impressas e de Internet que serão associados à uma pesquisa de campo de cunho qualitativo, onde utilizaremos o universo de 10 idosos de ambos os sexos, com idades entre 60 e 84 anos que residem no Lar dos Idosos - asilo de administração pública - localizado na cidade de Itumbiara-GO. Será aplicado o questionário semi-estruturado, contendo 12 questões onde se analisará a qualidade de vida de cada um, bem como a saúde e outras áreas de sua vida referente ás últimas duas semanas vividas pelo avaliado.

Nos preocupando em saber como os fenômenos ocorrem naturalmente e como são as relações estabelecidas entre esses fenômenos, iremos observar, analisar e interpretar os resultados obtidos através dos questionários.

"A curiosidade e o empenho do pesquisador estão voltados para o processo, definido como ato de proceder do objeto, quais são seus estados e mudanças e, sobretudo, qual é a maneira pelo qual o objeto opera" (Turato, 2003, p.262).

A abordagem qualitativa refere-se a estudos de significados, significações, ressignificações, representações psíquicas, representações sociais, simbolizações, simbolismos, percepções, pontos de vista, perspectivas, vivências, experiências de vida, analogias. Tem abordado, entre outros temas: mecanismos de adaptação; adesão e não adesão a tratamentos; estigma; cuidados; reações e papéis de cuidadores profissionais e familiares; fatores facilitadores e dificuldades frente à profissão / frente ao tratamento / frente às condições de trabalho (Turato, 2003).

A definição do objeto de pesquisa assim como a opção metodológica constituem um processo tão importante para o pesquisador quanto o texto que ele elabora ao final.

“Entrevista é trabalho e como tal reclama uma atenção permanente do pesquisador aos seus objetivos, obrigando-o a colocar-se intensamente à escuta do que é dito, a refletir sobre a forma e conteúdo da fala do entrevistado”( Zaia Brandão, 2000, p.8)

Além dos ritmos e expressões gestuais que acompanham ou mesmo substituem essa fala e isso exige tempo e esforço.

Os questionários aplicados serão anexados no final do nosso projeto, para uma mostra de análises. Os pacientes não serão identificados. Serão tomados os cuidados éticos previstos na resolução 0196/96 do Conselho Nacional de Saúde, que determina os esclarecimentos dos sujeitos quanto aos objetivos de estudo e o caráter espontâneo de suas participações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CRONOGRAMA

Fevereiro de 2010:

 

o Escolha do tema;

o Definição de objetivos gerais e específicos;

o Escolha do local a ser empregada a pesquisa.

 

Março de 2010:

 

o Pesquisas bibliográficas;

o Montagem do questionário;

o Elaboração do projeto;

o Entrega do relatório (parte teórica).

 

Setembro de 2010:

 

o Aplicar o questionário na instituição.

 

Outubro de 2010:

 

o Coleta e análise dos dados.

 

Novembro de 2010:

 

o Elaboração do relatório final;

o Apresentação.

BIBLIOGRAFIA

 

 

AZEVEDO, Roberta lima de, OLIVEIRA, Inayara de Santana. Depressão no idoso : aspectos psicossociais de um fenômeno multifacetado. Rio Grande do Sul, 2005.

 

BRANDÃO, Z. Entre questionários e entrevistas. In: Nogueira,M.A; ROMANELLI, G; ZAGO,N. Família e escola.Rio de Janeiro:Vozes, 2000. 

 

CASTRO, Odair Perugine de. Velhice que idade e essa? 1° Ed.  uma construção psicossocial do envelhecimento/ Porto Alegre, 1998.

 

CONSELHO FEDERAL de PSICOLOGIA. Envelhecimento e subjetividade : desafios para uma cultura de compromisso social, 1°ed. Brasília 2009.

 

DAVIDOLFF, Linda. PERES, Lenke. Introdução á Psicologia 3° Ed. / tradução São Paulo, 2006.

 

DEBERT, G.G. (1996). As representações sociais (estereótipos) do papel do idoso na sociedade atual. Em Ministério da Previdência e Assistência Social (Org.), Anais do I Seminário Internacional. Envelhecimento populacional: uma agenda para final de século. Brasília, DF.       

 

DOISE, W. (1989). Attitudes et représentations sociales. Em D. Jodelet (Org.), Les représentations sociales (pp.220-238). Paris: P.U.F.

FALCÃO, Deusivânia Vieira Silva, DIAS, Cristina Maria de Sousa Bito, organizadoras. Maturidade e velhice , v. I e v.II  : pesquisas e instrumentos psicológicos São Paulo : Casa do Psicólogo, 2006.

 

FARR, R. (1992). Les représentations sociales: la théorie et ses critiques. Bulletin de Psychologie, XLV (405), 183-188.

 

MARTINS, Josiane de Jesus. Avaliação da Qualidade de vida de idosos 2008, Santa Catarina , 2009.

 

MOSCOVICI, S. (1981). On social representations. Em J.P. Forgas (Org.), Social cognition. Perspectives on everyday understanding (pp.181-209). New York: Academic Press.    

MOSCOVIC, S. & HEWSTONE, A. (1985). De la ciência al sentido comum. Em S. Moscovici (Org.), Psicologia Social (Vol. I, pp.679-710). Barcelona, Espanha: Paidós.   

 

MYERS, David. Introdução a Psicologia  Geral / tradução de A.B. Pinheiro de Lemes . 5° Ed. Rio de Janeiro : LTC, 1999.

 NERI, A. L. & FREIRE, S. A. (Org.) (2000). E por falar em boa velhice. Campinas: Papirus.   

 

PALMONARI, A. & DOISE, W. (1986). Caractéristiques des représentations sociales. Em W. Doise & A. Palmonari (Orgs.), L’étude des représentations sociales (pp.12-33). Neuchâtel / Paris: Delachaux & Niestlé.

 PAPALIA, D. E., & Olds, S. W. (2000). Desenvolvimento físico e cognitiva na terceira idade. Em: D. E. Papalia & S. W. Olds. Desenvolvimento humano (pp.491-521), Artes Médicas, Porto Alegre.

 

PEIXOTO, C. (1998). Entre o estigma e a compaixão e os termos classificatórios: velho velhote, idoso terceira idade. Em M. L. de Barros (org.), Velhice ou Terceira Idade?(p.15-17). Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas.      

SÁ, C.P. (1996). Núcleo central das representações sociais. Petrópolis: Vozes.      

 

SADIGURSKY, D., & Oliveira, M. R. (1993). Estudo de caso controle da associação entre prática religiosa e depressão em mulheres idosas. Revista Baiana de Enfermagem, 6(3), 89-100.

 

TURATO, E.R. Tratando da Metodologia da pesquisa clínico-qualitativa. Petrópolis R.J  Editora Vozes, 2003.

 

VERAS, R.P. País Jovem com cabelos Brancos: a saúde do idoso no Brasil: Rio de Janeiro: Relume Dumará/UERJ, 1994.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

APÊNDICE 1

Questionário que será aplicado.

Todas as perguntas terão uma escala de 0 a 5, como grau de concordância para as respostas. O avaliador irá interpretar onde se encaixa melhor, cada resposta do entrevistado.

Questões:

1- Como o Sr. (a) avaliaria sua qualidade de vida?

2- O Sr(a) está satisfeito(a) com sua saúde?

3- O Sr(a) está satisfeito com as condições do local onde mora?

4- O Sr(a) está satisfeito com o seu acesso aos serviços de saúde?

5- O Sr(a) está satisfeito com suas relações pessoais(amigos, parentes,conhecidos)?

6- Em que medida o Sr(a) acha que o psicólogo poderá ajudá-lo?

7- Como o Sr(a) avalia o atendimento do psicólogo?

8- Com que freqüência o Sr(a) tem sentimentos negativos tais como mau humor, desespero, ansiedade, depressão?

Licença Creative Commons | Atribuição | Uso Não-Comercial | Vedada a Criação de Obras Derivadas
Alguns direitos reservados
Exceto quando assinalado, todo o conteúdo deste site é distribuído com uma licença de uso Creative Commons
Creative Commons: Atribuição | Uso Não-Comercial | Vedada a Criação de Obras Derivadas

Como seria o Vade Mecum dos seus sonhos?

Estamos trabalhando em um Vade Mecum digital, inteligente, acessível e gratuito.
Cadastre-se e tenha acesso antecipado e gratuito à nossa versão beta.