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Políticas direcionadas a iniciação científica: um estudo do IFMT

Silvana de Alencar Silva

A criação e a expansão de políticas públicas direcionadas a iniciação científica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso- IFMT estão atreladas ao conjunto de políticas para a educação profissional e tecnológica- EPT em curso, que por sua vez alia-se ao Plano de desenvolvimento da Educação PDE (2007). Essa política busca a expansão da educação brasileira, com vistas ao desenvolvimento socioeconômico do país, se fundamentando no tripé: ensino, pesquisa e extensão.

Nesse cenário, cabem aos Institutos Federais criados mediante a lei 11.892/2008, a oferta da educação técnica de nível médio, prioritariamente na forma de cursos integrados, cursos superiores de tecnologia, bacharelados, engenharias, licenciaturas, além de cursos de pós-graduação lato sensu e stricto sensu.

Considerando tais pressupostos, o IFMT apresenta dentre as suas finalidades a de: “realizar e estimular a pesquisa aplicada, a produção cultural, o empreendedorismo, o associativismo e o desenvolvimento científico e tecnológico”. (Regimento Geral do IFMT 2012). Tal finalidade é ratificada no seu atual Plano de Desenvolvimento Institucional PDI: A Pesquisa deverá ser uma prática acadêmica e social. Como prática acadêmica deve priorizar o envolvimento do corpo discente, pois além da busca de uma solução científica terá como objetivo o exercício desta busca, em plena sintonia com o Ensino. “Como prática social deverá ser realizada em constante relação com as necessidades e demandas da sociedade, em plena sintonia com a Extensão”. (PDI/IFMT 2009-2013)

Diante do desafio de ampliar e consolidar sua política interna voltada a pesquisa e especificadamente a iniciação científica- IC é criado em 2009 por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação - PROPES o Regulamento do Programa Institucional de Iniciação Científica o PROIC. Isso se traduziu em 2010 na divulgação do primeiro edital voltado a selecionar projetos de IC. Inicialmente o PROIC teve como publico alvo os estudantes da graduação, sendo um ano depois ampliado para o atendimento aos estudantes do ensino médio técnico.

Nesse viés, e com o fortalecimento do PROIC amplia-se número de bolsas de IC por meio de concessão de cotas ofertadas pelas agências de fomento externa: do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico- CNPq e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso- FAPEMAT. Por meio do CNPq temos: o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI) e o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica no Ensino Médio (PIBIC-EM). Com a FAPEMAT temos as Bolsas de IC. Todos esses programas já disponibilizaram no período de 2010 a junho de 2013, oitocentos e quarenta e três bolsas com recursos que ultrapassam três milhões e trezentos mil reais, valores esses destinados ao financiamento dos projetos e ao pagamento das bolsas de IC aos bolsistas.

De maneira simplificada, os programas de IC visam fortalecer o processo de disseminação das informações e conhecimentos científicos e tecnológicos básicos, bem como desenvolver as atitudes, habilidades e valores necessários à educação científica e tecnológica dos estudantes do ensino médio ou da graduação, e ainda reduzir o tempo médio de titulação na pós-graduação, articulando a graduação com a pós-graduação.

Diante do exposto, é possível constatar grandes avanços em relação ao atendimento da demanda de solicitações de bolsas de IC, partimos de vinte e cinco bolsas em 2009 [1]para oitocentos e quarenta e três bolsas até junho de 2013. Contudo, sabemos que o desafio é imenso, pois, ainda temos um grande número de estudantes excluídos da IC por falta de investimento financeiro. Nesses pressupostos, e visando melhorar o atendimento aos atuais e futuros bolsistas de IC é que surge à necessidade de avaliar os programas de IC. Nessa perspectiva, optamos por delimitar nosso objeto de estudo na avaliação de impacto dos programas de IC para a vida acadêmica e profissional dos atuais e ex- bolsistas.

Deste modo, inquirimos: Qual o impacto dos programas de IC para a vida acadêmica e profissional dos atuais e ex- bolsistas?. Ademais, questionamos: quais as suas concepções de IC, quais os motivos do elevado número de desistência dos programas de IC, quais as dificuldades encontradas durante a IC e, quais são as suas propostas de melhorias.

Partimos da hipótese de que a participação dos estudantes em Programas de IC eleva o desempenho destes. Isto nos leva a considerar, que os atuais e ex - bolsistas da IC apresentam melhor rendimento escolar, defendem seu Trabalho de Conclusão de Curso- TCC em menor tempo se comparado aos não participantes da IC, prosseguem sua formação acadêmica após a graduação com realização do mestrado e ou doutorado, publicam mais em revistas de maior impacto, requerem mais registro de propriedade intelectual, geram mais inovações por meio de suas pesquisas, encontram colocação profissional mais rapidamente e tem uma evolução de renda ao longo do tempo mais favorável do que a aqueles que não participaram da IC.

A escolha da temática surgiu a partir da minha atuação profissional junto PROPES, pois, ao vivenciar a fase de seleção de projetos de IC acabei por tomar conhecimento de algumas questões próprias dos programas: relacionadas ao professor orientador, ao valor da bolsa, a coordenação local de pesquisa, as perspectivas não atendidas pelos bolsistas, dentre outras inerentes ao processo. Além disso, é constatado um levado número de solicitações de cancelamento de bolsas e de troca de bolsistas durante a execução dos projetos.

Diante disso, e tendo em vista o grande número de estudantes já atendidos pelos programas de IC, se intensifica a necessidade aperfeiçoá-los. E nesse sentido, nada mais adequado do que avaliar o impacto dos programas para a vida acadêmica e profissional dos atuais e ex- bolsistas.

Paralelo a isso, a relevância dessa temática se justifica porque ainda são incipientes pesquisa voltada a investigação do impacto dos programas de IC para estudantes no Brasil. Em relação a isso, (Marcuschi, 1996) já chamava a atenção para esse quadro e afirmava que “pouquíssimas foram às instituições que já fizeram algum tipo de sondagem entre os bolsistas para saber o que eles pensam do programa”. Desde então, o quadro permanece praticamente inalterado. Nesse entendimento, ao avaliar o impacto dos programas de IC para a vida acadêmica e profissional dos atuais ex- bolsistas do ensino médio e da graduação, possibilitaremos a promoção de medidas de ajustes indispensáveis nos programas de IC. Havendo assim, a superação de equívocos e insuficiências por parte da instituição. Para (Ala-Harja e Helgason, 2000), a avaliação de programas é um mecanismo de melhoria do processo de tomada de decisões.

Dessa forma, avaliação oferecerá condições para a melhoria da formação do estudante em processo de IC. Além disso, no momento em que os outros atores envolvidos no processo (professores orientadores, coordenação de pesquisa dos campi, dentre outros envolvidos), tomarem conhecimento dos resultados da pesquisa, eles poderão melhorar sua atuação junto aos programas.

Portanto, os resultados dessa investigação poderão fornecer subsídios para um pontapé inicial de correção e aperfeiçoamento dos programas de IC, promovendo assim uma maior eficácia e eficiência nas políticas de pesquisa e na busca da excelência na aplicação dos recursos públicos financeiros. Igualmente, a avaliação de um programa inserido dentro de uma política pública, é uma prática que agrega transparência à administração pública, que torna mais eficiente o gasto governamental e que, em última instância, honra o cidadão pagador de tributos. Sabendo da existência de uma forte restrição orçamentária, é essencial avaliar para saber como e onde aplicar os escassos recursos públicos.

Para tanto, almejamos que os resultados dessa pesquisa possam contribuir com informação qualificada para o planejamento institucional no IFMT, e ainda que se torne um instrumento de consulta de dados e de prestação de contas à sociedade.

[1] Antes da primeira divulgação do edital do PROIC em 2010, o Campus Cuiabá na época CEFET Cuiabá já contava com um pequeno número de bolsas de IC do CNPq.

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