Sobre o ranking de universidades da Folha

Qual a utilidade de um ranking?

A Folha de São Paulo lançou seu ranking universitário com inspiração nos líderes internacionais do setor. Por sua abrangência, qualquer um desses rankings termina sendo basicamente um indicador de reputação. Mesmo o ranking da Folha, que é apenas nacional, é uma confirmação daquilo que já sabemos: as universidades públicas estão no topo.

Refletindo sobre a utilidade do ranking da Folha, me questiono: será que o processo de escolha de uma universidade é igual para o estrangeiro e para o brasileiro? Possivelmente não, por uma série de razões. Para começar, as universidades públicas brasileiras são gratuitas, de modo que não competem com as particulares. Além disso, por uma razão cultural, o brasileiro está pouco disposto a mudar de cidade para entrar na faculdade. Daí que os rankings de ensino tendem a ter pouca importância no Brasil.

O ranking da Folha termina sendo uma lista de reputação das universidades públicas (especialmente das federais). Isso é compreensível porque quase metade da pontuação vem de entrevistas (com pesquisadores e pessoas do mercado). Respectivamente, essas entrevistas formam os indicadores de qualidade de pesquisa e de ensino. Há também um indicador de inovação, baseado nos pedidos de patente, mas ele tem relevância muito pequena na formação do ranking.

De toda forma, é preciso reconhecer que o indicador mais importante na formação do ranking - e também o mais objetivo de todos - confirma a opinião dos entrevistados. Trata-se do indicador de qualidade da pesquisa desenvolvida por cada instituição, que leva em conta a formação e a produção intelectual dos professores. Segundo esse critério, apenas seis universidades estão na faixa dos 52 a 55 pontos: USP, UFMG, UFRJ, UFRGS, Unicamp e Unesp. Somente essas mesmas instituições alcançam o total de 80 a 100 pontos no ranking.

O aspecto mais fraco do ranking da Folha está em que a comparação entre cursos (e não entre universidades) é muito precária. Por exemplo, para o curso de direito, 26 faculdades estão divididas em 4 categorias de composição muito heterogênea, se considerada a própria metodologia na formação do ranking das universidade (que leva em conta pesquisa, ensino, mercado e inovação). Essa disparidade se deve a que, para o ranking das faculdades, o único indicador disponível é o de mercado, derivado de entrevistas com profissionais de recursos humanos.

Se o ranking das universidades, com seus quatro indicadores, confirma a reputação das instituições, o ranking das faculdades oferecido pela Folha é apenas um reflexo da opinião do mercado. Na prática, o candidato não verá no ranking informações muito relevantes para o processo de escolha da sua vida profissional. Afinal, no Brasil, as instituições públicas de ensino não competem diretamente com as particulares.

Seria mais útil, por exemplo, comparar quais as melhores universidades privadas. Esse tipo de comparação, que considera dificuldades práticas, estaria realmente a serviço das escolhas difíceis que temos que fazer durante a vida. O ranking da Folha parece então atendender mais à necessidade do reitor do que do leitor.

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