Apresentação

As cartografias aqui desenvolvidas não têm a intenção de esgotar tudo o que há para se cartografar ou criar o supermetamapa do conhecimento. Não se espera que sejam sempre coerentes, precisas, únicas e formem um sistema perfeito. São representações de parcelas do conhecimento, de parcelas de informações, dentro de uma vastidão interminável e mutável.

Mapas tendem a facilitar nossas buscas. Alguns nos levam ao X do tesouro, outros a nos perdermos no meio de uma cidade. Cartografar é uma criação humana, tanto como utilizar os mapas. E isso depende, portanto, de quem o faz e de quem o interpreta. É nesse sentido que buscamos realizar as cartografias aqui presentes.

A metáfora cartográfica é uma possível forma de organizar o conhecer. Segundo esse modelo de compreensão, conhecer é (ou é como se fosse) traçar mapas. Mapas são esquematizações do mundo e, portanto, não se confundem com o próprio mundo. Assim sendo, traçar os mapas de informações e conhecimentos não se confunde com as informações e os conhecimentos, mas apenas sistematiza e nos permite um entendimento em diferentes níveis daquilo que se busca conhecer. Mapas não têm a pretensão de ser a própria coisa, o que impede justamente que resumamos a coisa em seu modelo, sua cartografia. São, para servirem ao intuito pelo qual foram traçados, também limitados, não podendo representar mais que alguns aspectos de um determinado terreno ao mesmo tempo.

E por isso mesmo existem diversos mapas de um mesmo terreno, cada qual tentando explorar uma característica diferente. Esses mapas podem ser sobrepostos, para haver mais informações, mas nem sempre são coerentes entre si. A ausência de coerência, no entanto, não precisa ser um problema. Aceitar os paradoxos como possibilidade de conhecimento é uma maturidade essencial para o próprio conhecimento.

Mapas podem ter escalas diversas, desde aqueles próximos ao 1:1, explicitando, por exemplo, a topografia de uma área, trazendo detalhes e particularidades sobre as mudanças de altura que ocorrem continuamente, até mesmo os mapas mundi, que perdem todas as possibilidades de representação particular para trazer uma visão global generalizada. Quanto mais espaços um mapa tenta representar, menos detalhes terá, ou então perderá seu sentido, sua praticidade. A tentativa de criar um mapa em escala 1:1 com todas as características que existem não só é impossível como, se ainda assim pudesse ser realizada, inútil. Esse grande mapa, que possuiria todas as informações, seria como a própria coisa, agora cartografada, e a cobriria, de forma que ninguém conseguiria enxergá-lo como um todo.

Portanto, é possível e necessário fazer mapas diferentes de um mesmo terreno, cada um trazendo aspectos diferentes, como também é possível pensar em um que especifique mais detalhadamente uma parte de outro mapa.

Mapas podem se encaixar, se sobreporem e se contradizerem. São múltiplos, cada um destinado a uma finalidade e uma representação. E talvez, para representar as junções de todos esses mapas, seja preciso criar um mapa desses mapas. Esse metamapa já não mais traria a representação de conhecimentos ou informações, mas a representação dos mapas que representam os conhecimentos e informações. Essa cadeia pode se estender para a criação de um mapa dos metamapas, e então um mapa dos meta-metamapas e assim por diante. Cada vez, no entanto, tais metamapas se tornarão menos particulares e perderão sua capacidade de representação.

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