Aula 3 - Política, Direito e Biologia

Diálogos

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Rafael de Oliveira Taveira 04/09/09 às 11h09

Política e Direito nas comunidades de golfinhos

Antes de uma análise sobre o tema, creio que seja imperativo definir Política e Direito a partir de certos parâmetros. Política entendo como o exercício e as relações de poder, sendo poder a faculdade de influenciar determinado comportamento, conduta ou realidade. Já Direito vejo como um discurso composto por normas e instituições que visam à uma ordem social organizada. Também é necessário dizer que Política e Direito são entidades criadas pelo homem no âmbito social, dotadas de uma certa racionalidade e objetividade.

No caso dos golfinhos, creio que não há Política e Direito. Os comportamentos ditos sociais desses animais são apenas comportamentos inatos a esses indivíduos irracionais (irracional como um ser sem consciência de sua própria existência) e engendrados em um padrão herdado geneticamente. O fato de se organizarem e de existirem certas relações de poder não lhes dá a complexidade social da sociedade humana. Porém, é possível fazer-se analogias nesse âmbito. Somente analogias.

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Alexandre Araújo Costa 10/09/09 às 17h09

Natureza

Será que esse comentário não supõe uma noção muito forte de natureza humana? Considerando que o homem se constitui como espécie ao longo de um processo evolutivo, como definir o ponto em que a política e o direito são possíveis?
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Rafael de Oliveira Taveira 11/09/09 às 13h09

Boa pergunta!

Sei que é muita pretensão do homem se autodefinir e tentar caracterizar sua natureza como se este fosse uma espécie distinta das outras. Somos fruto de um processo evolutivo como qualquer outro ser, porém tenho uma forte convicção de que há algo que nos difere dos outros animais. É uma questão bastante delicada e complexa. O que me parece mais plaúsivel é que o homem desenvolveu uma compreensão do mundo e da realidade de forma distinta de outros animais. O homem é capaz de analisar fatos, prever resultados e consequências, objetivar fins e extrair conceitos metafísicos como tempo, espaço, verdade e futuro do mundo que o cerca. Acho que essa distinção entre nós e os animais encontra-se na compreensão do mundo e interação com ele, ou pelo menos perto disto. No que tange a Política e Direito, acredito que a situação no tempo não é relevante e sim a compreensão de que são discursos que visam à organização social do homem, sendo inerentes ao ser humano desde o momento em que houve o desenvolvimento da compreensão que acima citei. Não fui claro e nem consigo ser, apenas creio que esta seja a noção que permeia meu pobre e bestializado intelecto humano.
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Alexandre Araújo Costa 14/09/09 às 10h09

resposta

Concordo contigo e imaginei que você tinha pensado algo nesse sentido, embora o modo como tenha escrito desse uma impressão mais "essencialista". 

Afirmar que existem características que nos são próprias não implica afirmar a existência de uma "natureza" fixa nem imutável, embora muitos dos discursos sobre o homem partam dessa premissa, que não considero adequada.

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