Aula 6 - O Contrato Social

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Ricardo Poppi 25/09/09 às 14h09

Ordem como valor supremo

Creio que todos os pensadores partem da premissa Aristotélica que o homem é incompleto se não viver em sociedade. Buscaríamos desde os primórdios, tendo em vista a satisfação das diversas necessidades, o relacionamento voluntário com os nossos iguais, dai a idéia de contrato.Em Hobbes o arranjo pensado é o absolutista, onde não há como garantir a paz social sem uma autoridade única e coerente que, pelo meno, forçaria os homens a seguir as leis. Esse soberano é tão absoluto que nem faz parte do contrato: O contrato é entre os homens.Locke ameniza essa história propondo que a bagunça surgiria da obrigação de punir. Assim como Hobbes, acredita em certos direitos tidos como naturais, os quais a sociedade viria a proteger e garantir. Ainda assim há a idéia do voluntarismo.Finalmente, Rousseau, que também concorda com a idéia do contrato, discorda de Hobbes na forma de resolver a questão. Para Rousseau, a ordem social é convenção. O gênero humano deve pertencer aos homens e não o contrário: Criticando Hobbes diz que, o soberano, representando o gênero humano, é que possuiria os homens. Na proposta de Rousseau, somente uma reforma da alma, de acordo com novas convenções, poderia garantir a liberdade na sociedade: À vontade geral é que os homens devem pertencer. Esse seria o mais alto grau de liberdade possível, pois nesse caso cada homem se submeteria à vontade geral ao mesmo tempo que faria parte da constituição dela.Em comum com esses autores está a questão da ordem. Somente processos que possam ser racionalmente conhecidos são capazes de garantir a liberdade e a paz social. Estudos contemporãneos sobre fenômenos de emergência e redes neurais poderiam fazer um contraponto a isso. Mas essa já é outra história.
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Rafael de Oliveira Taveira 25/09/09 às 16h09

Bom ponto.

Bom ponto.

"Somente processos que possam ser racionalmente conhecidos são capazes de garantir a liberdade e a paz social. Estudos contemporâneos sobre fenômenos de emergência e redes neurais poderiam fazer um contraponto a isso. Mas essa já é outra história."

 

Ricardo, o final do seu texto me fez pensar por um bom tempo em círculos. Tentei pensar em meios de garantir princípios tidos como fundamentais (a liberdade no caso do seu texto) e certa ordem social que não fossem racionalmente estruturados pelos homens. Não cheguei a lugar nenhum e ainda me questionei se as formas de estruturação que propomos são assim tão racionais ou simplesmente naturais. Você se propõe a falar mais sobre isso? Propor uma elucidação? Professor, sinta-se convidado também. Acho que é uma boa questão a se pensar em um domingo chuvoso de Faustão. Obrigado.

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