I - Pico della Mirandola

Diálogos

[+10] 
Larissa Xavier Rocha 27/08/09 às 20h08

Larissa Rocha

O mais interessante da obra de Pico na minha opinião foi sua tentativa de unir teologia e filosofia. Pico entende que Deus criou todas as coisas e criaturas e então resolveu criar um ser capaz de apreciar e contemplar sobre a própria criação e natureza. O homem estaria em algum lugar na cadeia de seres desde os vermes até os anjos, de maneira que quando o homem filosofa ele ascende a uma condição angélica e comunga com a Divindade, entretanto, quando ele falha em utilizar o seu intelecto, pode descer à categoria dos vegetais mais primitivos. Para Pico, o homem foi o auge da criação de Deus.
[+4] 
Igor Santana de Miranda 29/08/09 às 16h08

Questão 1

Não há como falar de Modernidade, ou iniciar um curso sobre autores modernos sem procurar saber o que se passava em suas mentes, ou entender como eles se viam durante a transição entre a Idade Média e a "Moderna".

Durante essa transição, obras de cunho humanista são precípuas para o entendimento do que veio a seguir. Por quê?  O filósofo humanista Kenneth Phife, em seu ensaio "The Faith of a Humanist", declara:

"O Humanismo nos ensina que é imoral esperar que Deus aja por nós. Devemos agir para acabar com as guerras, os crimes e a brutalidade desta e das futuras eras. Temos poderes notáveis. Termos um alto grau de liberdade para escolher o que havemos de fazer.O humanismo nos diz que não importa qual seja a nossa filosofia a respeito do universo, a responsabilidade pelo tipo de mundo em que vivemos, em última análise, cabe a nós mesmos."

Ou seja, o homem, que durante os tempos medievais teve sua capacidade crítica e iniciativa pesquisadora vedada, além de ter sido sempre submetido aos dogmas da Igreja Católica, acuado entre as promessas do céu ou do inferno, passou a se colocar em um estágio diferenciado na natureza. A crença na criação divina, e na própria existência de um ser superior (Deus), remanesceram, mas subordinada à razão.

É daí que emana a importância do texto de Pico: nas inúmeras referências à importância do homem na natureza, como seu intérprete (Cf. p. 1), e mais além, numa contínua caminhada de purificação, rumo a patamares cada vez mais próximos de Deus. Pensavam os homens daquela época que se Deus é o todo poderoso, e detém todo o conhecimento, por que não se aproximar Dele? É essa uma das mais importantes interpretações do texto, clarificada com o excerto:

" ¿Qué otra cosa, si no, quieren significar en los misterios de los griegos los grados habituales de los iniciados, que son admitidos a través de una purificación alcanzada con la moral y la dialéctica, artes que por cierto nosotros consideramos ya artes purificadoras? (...) ¿Quién, desprendiéndose de todo valor terrero y desechando los bienes de la fortuna, prescindiendo del cuerpo, no deseará, cuando aún es un peregrino en la Tierra, llegar a la mesa servida por los dioses y, humedecido por el néctar de la eternidad, recibir, criatura mortal, el don de la inmortalidad? (...). Poseídos por la inspiración y pletóricos de Dios como Serafines ardientes, dejaremos de ser nosotros mismos, para ser Aquel que nos hizo." (Cf. p. 7-8). 

A sôfrega busca pela verdade, em que envidaram esforços os modernos, radica na noção de homem apresentada por Pico em seu texto, e pelos humanistas, que chamam para si a responsabilidadade de interpretar o mundo racional e profundamente, sem restrições. Logo, pode-se ler “O discurso sobre a dignidade do homem”, como um conclame a “ não deixar inativa [como para ele, estava durante a Idade Média] aquela parte racional com a qual a alma mede julga e examina tudo, mas a exercitá-la, conduzí-la e mantè-la pronta com o exercício e a regra da dialética." (Cf. p. 8).

[+3] 
Alexandre Araújo Costa 31/08/09 às 08h08

Humanismo

Igor, você conseguiu encontrar o texto original do Kenneth? É mesmo do humanismo renascentista que ele fala no texto?

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Igor Santana de Miranda 31/08/09 às 18h08

Keneth

Imaginei que esse texto tenha sido escrito num contexto anacrônico ao Humanismo Renascentista. Não obstante, julguei deveras didática a definição, a qual se adequa mimeticamente, ao meu comentário, no fito de elucidar o pensamento do homem moderno.
[+2] 
Amanda Panhol Bayma 04/09/09 às 10h09

Questão 2

Correndo o risco de repetir alguns elementos das respostas anteriores, irei apontar no texto algumas passagens que creio que causam mais estranhamento no texto de Pico della Mirandola. O primeiro elemento estranho do texto é a união de elementos que na modernidade não se misturariam, por estarem em categorias separadas, sem interseções. Unindo argumentos filosóficos com religiosos e buscando a verdade em cada um deles, como se a verdade fosse uma só e pudesse ser encontrada em parte em cada uma dessas categorias é pouco usual em um texto, e essa pode ser considerada uma característica deste discurso que causa estranhamento ao leitor, mesmo que este já esteja familiarizado com a mistura entre racionalismo e religião de São Tomás de Aquino, por exemplo. O fato de usar embasamento religioso para argumentar a favor de uma tese racional é incomum para o modernismo, e não seria aceito como válido para a ciência atualmente, mas também não é exclusivo deste texto: podemos encontrar forte argumentação no Sermão da Sexagésima, por exemplo. Se nos situarmos no contexto histórico do século em que foi escrito este texto, entenderemos que seria improvável que Pico conseguisse romper fortemente com o pensamento medieval e escrever um texto mais próximo do modernismo. Conseguimos aceitar que Pico utilizasse o argumento divino para explicar sua teoria e elevar o homem como a maior criação de Deus, como ser mais admirável que os próprios anjos, já que estes são o que sempre foram e sempre serão, e o homem tem a liberdade para se aproximar do que desejar, seja dos animais ou do divino. Resumindo, podemos nos acostumar à fusão entre racionalidade e religião, como na escolástica, mas o uso de elementos de diversas religiões no texto nos causa um intenso estranhamento, quer estejamos lendo este discurso do ponto de vista modernista, quer estejamos levando em conta o pensamento da época. Quando há elementos religiosos em um determinado texto, isto normalmente se deve à crença do autor em questão, por vezes indissociável de suas idéias em outros campos. A premissa de Pico de que toda religião possui elementos válidos em sua busca por resumir toda a verdade do mundo chega a nos chocar, e não é difícil entender porque algumas de suas 900 teses foram consideradas heréticas pela igreja na época, já que o catolicismo determina que a adoração de outros deuses é um dos dez mandamentos. Se a multiplicidade de referências (incluindo elementos cristãos, judeus, da cabala, de deuses gregos, entre outros) nos causa surpresa e estranhamento hoje, podemos apenas tentar imaginar o escândalo que isso causou em uma mente do século XV.
[0] 
Alexandre Araújo Costa 14/09/09 às 10h09

Comentário

Larissa, você apontou pontos relevantes do texto, mas não respondeu diretamente a nenhum dos exercícios indicados.
[+7] 
Augusto Sticca 27/08/09 às 20h08

Questão 2

                 Contemporaneamente, não é comum o uso de seres de existência sobrenatural, em cuja crença seja subjetiva, para se comprovar uma tese ou se desenvolver uma teoria. Pico della Mirandola faz exatamente isso, ao longo do texto, ele se utiliza de comparações bíblicas e mitológicas para persuadir o leitor.

                 Pico, por exemplo, afirma que, como a escada vista pelo patriarca Jacó em que anjos desciam e subiam (Gêneses 28, 10-17), nós também devemos atingir o céu, e, para o fazermos, precisamos purificar-nos através da “apelação à filosofia moral” (página 6); a dialética, assim, “neutralizaria os distúrbios da razão, mortificada tortuosamente pelas disputas entre as palavras e silogismos insidiosos” (página 6). Desta forma, ele justifica o uso da filosofia e dialética para um fim religioso, como instrumentos para o alcance de Deus.

                 Outro impacto que o texto causa é a constante mescla de elementos judaico-cristãos e mitológicos. São várias as citações de Moisés, Jacó, Enoque (estes, personagens bíblicos), por exemplo, junto a Mercúrio, Baco, Esculápio (no texto, Asclepio) e Apolo (figuras da mitologia greco-romana). O autor os aproxima, os “une” em torno de uma argumentação:

“Entonces Baco, el señor de las Musas, se apersonará ante nosotros, vueltos filósofos, en sus misterios, esto es, en los signos evidentes de la naturaleza, los secretos invisibles de Dios, y él, Baco, nos embriagará con la abundancia de la morada divina en la cual, si como Moisés somos fidelísimos devotos, la sapientísima y santísima teología nos insuflará con doble furor”. (Página 7)

[+4] 
Caio Cesar Paccola Jacon 30/08/09 às 22h08

Questão 1

Ao final da Idade Média e início da Moderna, a Europa achava-se novamente em contato com o resto do mundo. O redescobrimento de diversos textos de antigos filósofos, o encontro com clássicos de outras culturas, o comércio extra-europeu e o enriquecimento das cidades italianas – berço do Humanismo – contribuíram para o surgimento de um sentimento perscrutador que despertaria no homem europeu o prurido de estudar os filósofos clássicos em busca do conhecimento da natureza e da verdade.

Nesse contexto, o confrontamento de idéias dos diversos pensadores fará multiplicarem-se pela Europa os debates e incitará uma série de questionamentos que terminarão por moldar todo o pensamento moderno. O Humanismo, portanto, consistirá nesse retorno ao estudo dos clássicos, na valorização da dialética e da razão como métodos de se conhecer a verdade e, como conseqüência disso, na valorização do homem como juiz de seu destino e condutor do mundo.

Pico della Mirandola se encontrará nessa realidade sintetizando o antagonismo – ou o que mais tarde convencionou-se ver como tal – em que viviam os pensadores dessa época. Inserido na tradição católico-medieval, e sem se desvaler de sua fé, passará a buscar o entendimento do mundo com o uso da razão, baseando-se fortemente nos filósofos da Antigüidade Clássica.

Tendo-se em mente, portanto, os traços do movimento intelectual em que estava o autor, percebemos em seu texto elementos tipicamente humanistas. Sua defesa das artes liberais, da filosofia, as constantes referências aos filósofos clássicos, exaltanto as frenesis que os elevaram a tamanho êxtase que seus próprios intelectos e eles próprios estiveram unidos a Deus (Cf. p. 6), sua apologia à magia, não a operada por “poderes de demônios”, mas aquela que é uma “mais alteada e sagrada filosofia”, que consistiria no entendimento e controle dos fenômenos naturais: “mais elevada realização da filosofia natural” (Cf. p. 12), e sua defesa da dialética, da razão e da busca do conhecimento, como em excertos tais quais: “entre os gregos a Filosofia sempre foi brilhante”, “rica e abundante” e “adquirida com grande reflexão” (Cf. p. 10) ou trechos como “nunca [...], por preguiçosa inação, perder nosso poder de razão, aquela faculdade pela qual a mente examina, julga e mede todas as coisas; mas do contrário incessantemente, pelo uso e exercício da dialética, direcioná-la e mantê-la ágil”, citando Pitágoras (Cf. p. 7).

Ademais, sua defesa do exercício da Filosofia por homens que amem a verdade mais que o lucro e a ambição, que pretendam com ela não angariar vantagens para si, mas antes que queiram filosofar pelo bem da Filosofia e pelos “cultivo da mente e conhecimento da verdade” (Cf. p. 8), também mostrará o quanto Pico della Mirandola estava conectado ao ideário humanista.

Por fim, ainda que sem tirar os pés da Tradição de sua época, Pico della Mirandola apresentará já ao seu tempo o âmago do pensamento moderno, que coloca o homem como juiz último de suas atitudes e opiniões. Esse pensamento está bem explícito quando ele diz, na tradução em inglês: “Philosophy has taught me to rely on my own convictions rather than on the judgements of others and to concern myself less with whether I am well thought of than whether what I do or say is evil” (p. 8).

[0] 
Gilberto-mendes-calasans-gomes'>Gilberto Mendes Calasans Gomes 03/09/09 às 17h09

Pico e os Sofistas

Acredito que, como revelado em seu penúltimo parágrafo ("Ademais... conectado ao ideário humanista"), apesar de não saber se feito com essa intenção, Pico della Mirandola dá uma pista do papel do humanista nessa fase de transformação.

Inserido na classificação apresentada pelo professor de "detentores do saber", vemos que Pico tenta realocar o discurso proferido pelos antigos, o do Filósofo como aquele que busca um conhecimento desinteressado, que "amem a verdade mais que o lucro e a ambição", com o do Humanista. Identifico, nesse trecho, mais um ponto de intercecção, ou de retomada, da "clássica picuinha" entre Filósofo e Sofista.

[+3] 
Mariana Souza da Cruz 31/08/09 às 19h08

Questão 1

O Humanismo é um conjunto de valores e ideais relacionado historicamente ao período renascentista. Hoje a interpretação histórica mais comum vincula o surgimento desses valores às transformações sofridas na Europa nas importantes transições associadas ao Renascimento, como a da Idade Média para a Moderna e a gradual transformação do Feudalismo para o Capitalismo. Porém, segundo a minha visão, esses valores humanistas de racionalismo, antropocentrismo e hedonismo foram também impulsores de transformações vividas pela sociedade européia. Nesse sentido, os escritos de Pico della Mirandola podem ser vistos como contribuição para a consolidação mais profunda do Humanismo ocorrida no fim do século XV.

Traçando paralelos ideológicos entre o texto e o Humanismo, revelou-se uma correspondência de idéias que remete a obra ao contexto histórico da Itália renascentista em que foi produzido. Esse momento histórico é representado na obra pelas seguintes características:

° Antropocentrismo X teocentrismo => No século XV, quando a obra foi escrita, a idéia do antropocentrismo ainda não se encontrava totalmente desenvolvida, havendo um forte senso religioso que ainda não permitia um maior afastamento das coisas divinas. Nesse sentido, o "Discurso" é o retrato dessa fase "embrionária" do antropocentrismo. Ao mesmo tempo em que tem como objetivo central a valorização do homem como indivíduo, o texto mantém uma base de argumentação marcadamente teológica. É o próprio fato de ser uma criação de Deus que justifica a grandiosidade do homem, o que de certa forma se afasta da idéia de indignidade e perversão humana cultivada durante toda a Idade Média pelo mito do Pecado Original. É interessante que nessa fase o homem comece a ganhar poder sobre o seu destino, sob forma de livre arbítrio, como se observa na prescrição moral do texto. Abre-se para o individuo a possibilidade de ascensão em sua natureza. Essa flexibilidade não é atribuída nem mesmo aos anjos, trazendo mais um elemento que confirma a natureza especial do homem como centro da criação.

° Valorização da razão => É um elemento claramente presente durante toda a argumentação de Pico. Porém, o mais interessante talvez seja a defesa da razão durante a prescrição moral do texto. A razão é apresentada como um dos elementos principais para a comunhão com Deus, sendo capaz de gerar a transformação profunda que eleva o homem ao patamar dos anjos, criaturas sempre consideradas inerentemente superiores à humanidade na mitologia hebraica e durante a Idade Média. Entre as três características relacionadas às três classes de anjos que servem como inspiração para a ascensão do indivíduo, a razão encontra um papel de destaque, dando acesso ao amor dos Serafins e à Justiça dos Tronos: "But how can anyone judge or love what he does not know? ... Therefore the Cherub is the intermediary and by his light equally prepares us for the fire of the Seraphim and the judgment of the Thrones.". Assim, a tentativa de interpretar o mundo através de métodos racionais, típica do Humanismo, é encontrada na base argumentativa e no próprio objetivo do “Discurso pela Dignidade do Homem”.

° Otimismo => Talvez por causa do florescimento comercial e do intercâmbio cultural vivenciado pela Europa, sobretudo na Península Itálica, durante o Renascimento surgiram expectativas otimistas por vezes percebidas na produção intelectual da época. A visão que desenvolvi com base no "Espaço e História do Mediterrâneo" de Braudel é a de que a presença dessa postura otimista pode ter contribuído para uma ruptura com o espírito medieval, mais fechado, sombrio, pessimista em relação à natureza humana se comparado à cultura grega clássica, e sobretudo proto-grega, de maior abertura em certos aspectos, como o filosófico. Esse otimismo se expressa no pensamento de Pico através da desconstrução da idéia do homem como ser indigno, expulso do Éden. A valorização otimista que ele faz do ser humano se mostra também na grande flexibilidade que ele apresenta como inerente ao homem, que o permitiria ser tão próximo de Deus quanto os anjos. Dessa forma, a possibilidade da comunhão com Deus se opõe à espiritualidade medieval, criando uma visão quase hedonista e menos pessimista da vida terrena e da futura.

° Interesse pela Antiguidade Clássica e intercâmbio cultural => Primeiramente, a própria valorização da razão, que é a base da argumentação do autor, tem clara influência do pensamento grego. O papel da razão como caminho demonstra o interesse humanista na retomada dos elementos filosóficos clássicos. A citação de textos dessa tradição de pensamento, ao lado de trechos da Bíblia, deixa explícito esse renascimento das idéias clássicas, que tiveram um papel bem mais tímido durante a Era Medieval. Além disso, o aparecimento de figuras da mitologia grega, como já citado acima pelo Augusto, e a importância dada à dialética e a filosofia evidenciam a proximidade da obra com a Grécia Antiga. Isso sem mencionar a constante recorrência a ilustres filósofos da Antiguidade, como Platão, Empédocles, Pitágoras, Demócrito, Aristóteles etc.. Um ponto muito instigante a se destacar da argumentação de Pico, é que as classes de anjos "Querubins", "Serafins" e "Tronos", termos recorrentes na obra, provavelmente decorrem da classificação de Dionísio, o Areopagita, que na época acreditava-se ser um ateniense do século I. Porém essa classificação angelical provavelmente foi escrita por um teólogo bizantino sírio no século V, chegando a Pico devido ao fluxo comercial intenso na Itália renascentista, cujas rotas comerciais ligavam o Oriente e a Europa Ocidental. Como a obra do "Pseudo-Dionísio" teve forte influência na mística cristã da Idade Média, o interessante da presença de suas idéias na obra de Pico é que ela revela a tentativa de resgate do pensamento clássico através da "caçada" pelos originais gregos, que se contrapõe ao simples estudo das obras comentadas, já de "segunda-mão", como acontecia na tradição religiosa medieval.

Tratando-se ainda do intercâmbio cultural tipicamente humanista, podemos ainda percebê-lo no “Discurso” através de conceitos trazidos da cabala hebraica, da mitologia egípcia, do misticismo persa e zoroastrista. É interessante notar que esse sincretismo é hoje condenado por cristãos católicos e protestantes – a simples consideração dessas expressões religiosas é considerada herética. No texto, porém, essas referências têm função argumentativa, vindo reforçar os ensinamentos dos livros bíblicos.

Após essa análise dos elementos isolados da obra de Pico della Mirandola sua pertença aos padrões de pensamento humanista se mostra inegável. Dessa forma se demonstra a correlação entre a obra e o contexto histórico e cultural em que ela é produzida.

                                              xXx

[+3] 
Mariana Bontempo Sidersky 31/08/09 às 21h08

Exercício 1

O humanismo foi um movimento cultural-literário mas acima de tudo um movimento intelectual/filosóficos/científico, uma revolução no modo de pensar da humanidade. As relações socias estavam sofrendo profundas transformações, com o surgimento de uma nova classe, a burquesia mercantilista, as Grandes Navegações que possibilitaram o contato do europeu com outros povos e a invenção da prensa que tornou (um pouco) mais popular o acesso aos livros.

O Homem que até então acreditava ter o seu destino traçado pela mão divina viu a partir do Renascimento a chance de tomar decisões capazes de mudar o seu próprio destino. Para o humanista, o homem continua a ser a obra de Deus mas possui livre-arbítrio e é dono de suas decisões, como é perfeitamente explanado pelo Pico della Mirandola: “It will be in your power to descend to the lower, brutish forms of life; you will be able, through your own decision, to rise again to the superior orders whose life is divine”.

Ainda, o humanista demonstra muita admiração pelos pensamentos dos Clássicos, usando-os para embasar suas teses. “ I have, in addition, introduced a new method of philosophizing on the basis of numbers. This method is, in fact, very old, for it was cultivated by the ancient theologians, by Pythagoras, in the first place, but also by Aglaophamos, Philolaus and Plato, as well as by the earliest Platonists;”.

[+1] 
Caio Cesar Paccola Jacon 01/09/09 às 01h09

Mariana,

Parece-me que você fez uma excelente análise do contexto em que viveu Pico della Mirandola, e parece-me também que você soube com boa ciência apontar os elementos humanistas do texto do autor. Contudo, permita-me fazer umas pequenas observações.

Ao dizer que a mentalidade medieval desvalorizava o homem, devido à doutrina do Pecado Original, negando a grandiosidade do homem como criatura de Deus, você se equivoca. Ainda que a Igreja ensinasse sobre a natureza decaída do homem, essa mesma Igreja ensinava que a Redenção operada por Cristo viera justamente reerguer o homem da queda, restaurando-o a seu estado natural de graça – ainda que persistisse nele a concupiscência. Sendo assim, também é inverídica a sua afirmação de que para a espiritualidade medieval não havia a possibilidade de comunhão com Deus, sendo que toda a doutrina católica visava a orientar o homem a aprofundar essa comunhão.

Uma diferença, entretanto, que se percebe no discurso de Pico della Mirandola em relação ao pensamento medieval é a valorização da razão e do conhecimento na construção dessa comunhão. Para o autor, portanto, a razão seria capaz de elevar o homem à proximidade de Deus, enquanto para o medieval, predominantemente, essa capacidade reduzia-se à prática religiosa.

Outro aspecto que gostaria de apontar é sobre a classificação dos seres angélicos em serafins, querubins e tronos. Você no-la aponta como obra de um teólogo bizantino do século V, contudo, essa classificação – e aqui não sei se era a isso que você se referia – encontra suas raízes na própria Bíblia (Cf. Cl 1, 16; Is 6,2; 2Sm 6, 2).

Por último, gostaria de atentá-la para o perigo de se apontar para o uso de mitos pagãos no texto de Pico della Mirandola como um exemplo de sincretismo. Ao utilizar-se deles, o autor pretendia ilustrar sua argumentação e expor aspectos dessas culturas que valorizavam a razão, sem apelar para seu sentido transcendental, o que torna o termo “sincretismo” inapropriado. Essa prática tornou-se muito comum durante o Renascimento e jamais foi considerada herética pela Igreja Católica.

Cordialmente,

Caio Jacon
[0] 
Caio Cesar Paccola Jacon 01/09/09 às 13h09

Esclarecimento

Apenas gostaria de salientar que o entendimento que tive do termo "sincretismo" utilizado por Mariana Cruz seria o de sincretismo religioso, como se me parece quando na leitura do excerto em que é utilizado:

“É interessante notar que esse sincretismo é hoje condenado por cristãos católicos e protestantes – a simples consideração dessas expressões religiosas é considerada herética.“

Como não vejo no texto um sincretismo das “verdades” religiosas pelo autor, e sim um sincretismo de aspectos culturais ou filosóficos dessas tradições religiosas, critiquei o uso da palavra por Mariana.

Deixando isso claro, apenas reafirmo que não compartilho da crença de que haja sincretismo religioso no texto de Pico della Mirandola, pelo menos não o sincretismo que se costuma condenar como herético.

[0] 
Alexandre Araújo Costa 01/09/09 às 19h09

Sincretismo e Heresia

Aparentemente, 13 das 900 teses foram consideradas heréticas na época. Para analisar a relação entre sincretismo e heresia, uma boa pesquisa seria descobrir quais foram elas e verificar se esse julgamento seguiu essa relação que você propõe entre os dois conceitos.
[0] 
Mariana Souza da Cruz 03/09/09 às 18h09

Caio,

       Primeiramente, gostaria de me desculpar se por acaso ofendi suas ideologias religiosas. Na verdade eu não quis levantar uma discussão em termos de bom e mau, quis apenas tratar do texto em termos históricos e filosóficos. Dessa forma, acho bastante interessante a nova visão que você nos troxe do papel da Igreja na Era Medieval, mas eu realmente não teria outra fonte para analisar as práticas religiosas de seus fiés durante esse período além dos dados que os historiadores coletaram e interpretaram, e foi neles que eu me baseei.

       "...essa mesma Igreja ensinava que a Redenção operada por Cristo viera justamente reerguer o homem da queda, restaurando-o a seu estado natural de graça – ainda que persistisse nele a concupiscência." Desse trecho, o meu entendimento é o de que a crença na redenção dignifica a Jesus, e não ao homem, na medida que é operada por aquele, como você mesmo afirmou, segundo os dogmas católicos.

       "...inverídica a sua afirmação de que para a espiritualidade medieval não havia a possibilidade de comunhão com Deus, sendo que toda a doutrina católica visava a orientar o homem a aprofundar essa comunhão." Quanto a isso, as críticas dos reformistas argumentam bem melhor do que eu poderia.

        Falando agora sobre sincretismo e heresia, é difícil pra mim não entender o "Discurso" como uma obra sincrética. Além disso, eu não consigo imaginar, mesmo hoje, uma compreensão por parte da maioria das religiões no sentido de que a cabala, a mitologia egípcia e os números ptagóricos, por exemplo, sejam todos donos de alguma verdade espiritual ou filosófica. Se a Igreja não considerasse, pelo menos em tempos passados, o sincretismo como heresia, qual seria a explicação da caçada às bruxas, pelos tribunais religiosos, por exemplo? E do Index Librorum Prohibitorum, que proibiu grande parte dos autores que leremos no curso? A bandeira do combate à heresia sempre foi focada em práticas que muitas vezes nem desconsideravam os elementos cristãos totalmente, apenas os mesclavam com uma cultura própria regional e de raízes históricas, como a Stregoneria ou bruxaria italiana, que considera inclusive muitos elementos citados por Pico, a exemplo as Leis Herméticas [de Hermes Trimegisto]. A própria condenação de algumas das 900 Teses como heréticas, como já foi sugerido aqui, exemplifica essa relação que a Igreja estabeleceu entre sincretismo e heresia. Rubem Queiroz Cobra [Filosofia Moderna: Resumos Biográficos] sobre Pico della Mirandolla: "...seu método sincrético de tomar os melhores elementos de outras filosofias e de combiná-los em seu próprio trabalho... Uma comissão papal, entretanto, denunciou 13 das teses como heréticas, e a assembléia foi proibida pelo papa Inocente VIII."

       Por fim, Caio, preciso dizer que não concordo com a visão de que o "Discurso" não trabalha com sincretismo e de que a Igreja nunca condenou o sincretismo como herético. Ao mesmo tempo não vejo a prática religiosa da Modernidade como uma ruptura total em relação à da Idade Média, se foi o que pareceu. Apenas acredito que certos valores, como a valorização do ser humano, se aprofundaram inegavelmente na transição entre esses dois períodos.

                                                                      xXx

[+1] 

Questão 1

Podemos dizer que o Humanismo foi um movimento intelectual influenciado pelo pensamento dos clássicos gregos e latinos e pela presença dos povos do oriente na Europa durante a época do Renascimento. A exaltação do homem como figura mais importante na natureza,isto é, no mundo é uma característica do humanismo. Durante a idade média homem era visto como um ser que foi criado a imagem e semelhança de Deus mas que devido ao pecado original havia perdido a sua posição de obra maior do Criador deixou ,então ,de ser a  mais admirável das criaturas. Pico della Mirandola se opõe a esse pensamento e partindo do pensamento dos classicos busca compreender a grandeza do homem para ele o que faz do homem algo incrível é sua liberdade e a escolha de sua própria natureza.A grandeza do homem está associada a liberdade do indivíduo ele é um ser sem uma natureza fixa e determinada(segundo della mirandola os outros seres possuem sua natureza determinada ). Ele possui a liberdade para existir de forma similar a um animal ou a um ser celestial.(p.2) dependendo de seus atos.Ainda que profundamente influenciado pelo pensamento teológico Pico della Mirandola apresenta uma posição antropocêntrica A utilização de referências aos mitos greco-latinos e a presença de personagens do universo judaico-cristão e do misticismo Persa utilizada durante a argumentação de Pico della Mirandola deixa clara a influência dos clássicos sobre renascentista e a influência da cultura oriental. Sobre a liberdade humana concedida por Deus defende que a utilização da filosofia seria necessária para o seu bom uso. Assim, defende a utilização da razão.A presença de elementos de várias culturas nos permite entender o espirito do período renascentista de intenso contato com outras culturas. Portanto, podemos localizar no texto de Pico della Mirandola diversos elementos do Humanismo renascentista.

[0] 
Danielle Freitas Henderson 31/08/09 às 22h08

QUESTÃO 2

Picco Della Mirandola faz parte de um contexto humanista onde o teocentrismo começa a se dissolver, e as idéias antropocêntricas se introduzem. Questionamentos passaram a ser feitos com mais freqüência e somente explicações da igreja não bastariam para explicar um fato.

 

O texto pode causar estranhamento, pois ao contrário do que ocorre na maioria das mudanças paradigmas, mesmo com a racionalização do pensamento e mudanças nas perspectivas tradicionais os pensadores humanistas, aqui, não deixavam de ser religiosos. Sendo assim, explicações com embasamento mais “científico” possuíam base de cunho religioso, e nem por isso deixavam de ser explicações relevantes.

 

A partir de pensamentos de base religiosa poder-se-ia chegar a interpretação da racionalidade; o uso do pensamento cosmológico religioso paralelamente ao pensamento “racional”: pensar Deus pela razão, a glorificação de Deus sendo dada pelo homem.

 

“Si por otra parte, hay puro contemplador ignorante del cuerpo, compenetrando totalmente em las honduras de la mente, ese no es un animal terreno ni tampoco por cierto celeste: ese es un espíritu más augusto; un espíritu revestido de carne humana.”  (p.3)

 

 

 

 

[+2] 
Sarah Martin Moreira Marques 31/08/09 às 23h08

Questão 1

O Humanismo traz valores e idéias novos à época relacionados à celebração do ser humano e à busca pelo conhecimento e pela verdade pautados na razão. O homem percebe-se capaz e passa a ser visto como o agente de sua própria história. Acredita que a decisão sobre a sua própria vida compete a ele e não mais a Deus. Nesse sentido, os humanistas vão se afastando lentamento do teocentrismo, até então dominante, e vão, aos poucos, assumindo um comportamento antropocêntrico. Essa valorização do homem, entretanto, não elimina a crença em um ser superior (Deus), mas faz com que surjam questionamentos racionais acerca de sua existência.

Pico Della Mirandola trata exatamente disso, que era um tema tão central à época: o confronto entre a Igrela Católica e seus ideiais que, até então, dominavam o pensamento europeu de forma quase inquestionável, e a chegada desse novo modo de se pensar que tinha o homem como centro do universo e a razão como explicação para o mundo.

[+1] 
Tiago-viana'>Pedro Icaro Cochrane SanTiago Viana 31/08/09 às 23h08

Questão 1

Bem, falar de Humanismo nos remete à idéia de valorização de princípios e de idéias que enaltecem a natureza humana. Assim, certos valores ( respeito, justiça, honra e amor) estariam sob responsabilidade da figura do homem. Buscaria, então, desenvolver tudo aquilo que pudesse tornar o homem verdadeiramente humano. Desta forma, contrariaria a idéia de que Deus era o criador e responsável por tais valores.

 

           No texto, observa-se que o autor enfatiza a figura humana através da caracterização deste como elemento apreciador das criações divinas, como sendo o único, entre as criações, capaz de fazer uso da razão. Destaco a relevância que o autor dá para a natureza variável do homem, capaz de, a partir de seu arbítrio, definir a sua própria natureza. Para tal idéia, apresento a seguinte passagem:

 

         "La naturaleza definida de los otros seres está constreñida por las precisas normas que he prescrito. Sin embargo tú, no limitado por carencia alguna, la determinarás según el arbitrio a cuyo poder te he consignado. En el centro del mundo te he colocado para que observes, con comodidad, cuanto en él existe."

 

        

 

[0] 
Erlene Maria Coelho Avelino 01/09/09 às 00h09

DEBATE

Pessoas, as explanações quanto ao Pico Della Mirandola estão muito boas no geral, no entanto, além das respostas de vocês, o espaço está aberto ao debate. Portanto, a atividade consiste também em discutir o autor e a obra conjuntamente. Deixem suas respostas e dialoguem sobre elas se quiserem.

Até mais!

[+4] 
Vitor Eiró Storino 01/09/09 às 00h09

Humanismo-Questão 1

As indagações que perpassavam as mentes dos pensadores da renascença eram inúmeras, sobretudo, pelo caráter transitório dos ideários defendidos pelos diversos estratos populacionais que compunham a sociedade daquele momento.

Novas idéias foram surgindo por entre esse arcabouço frutífero. A supremacia divina perante aos demais seres mundanos já começava a ser questionada, mesmo que de forma parca e espaça. O Logus voltava a ser valorizado da forma como já havia sido nas sociedades clássicas, em contraposição ao ideário mítico que havia ganhado força por entre as sociedades medievais. Essas e demais conjunturas foram de fundamental importância para o advento de uma corrente filosófica denominada ”Humanismo”.

O Humanismo, como conexão lógica, vem por enfatizar o caráter dialético-circular da produção de conhecimento, em que uma tese gera uma antítese que, por sua vez, origina uma síntese que, ainda, pode ser trabalhada como uma nova tese, onde se reinicia o ciclo-virtuoso. Como perspectiva da realidade, o Humanismo trabalha com a valorização do aspecto humano da produção de conhecimento, seus valores, seus questionamentos, a dignidade do saber humano e suas repercussões para com o comportamento desse entre as demais criaturas. Já como referencial comparativo, o Humanismo procura pensar o mundo confrontando-o, com as realidades vividas no passado pelas sociedades clássicas e seus pensadores.

Particularmente, na quase totalidade do texto de Pico della Mirandolla, podemos encontrar traços do pensamento humanista, porém que se manifestam nas mais diversas formas. O autor tenta aproximar os conhecimentos religiosos obtidos ao longo de sua vida a observação que tem da realidade, traçando paralelos e aferindo circunstancias não dispostas nos livros sagrados a existência e comportamento humanos, percebendo na humanidade uma característica latente, a de ser multifacetada, e estar em constante mutação: “man is a living of varied, multiform ande ver-changing nature.”, assim como proposto pelo filósofo Heráclito.

O texto carrega consigo um sincretismo de idéias; ele é composto pelo mais cuidadoso refino poético ao se tratar dos termos e nomes sagrados, postulados religiosos e os conceitos que por eles são trazidos, e ao mesmo tempo tem a intenção de aferir uma atitude mais lógica ao se tratar desses assuntos, atribuindo-os um aspecto mais mundano, mais humanístico, por assim dizer, na tentativa de racionalizar o pensamento do Mithos suscitado por essas temáticas. Tal tentativa pode ser identificada pela passagem em que o autor diferencia a natureza humana das demais criaturas terrestres e a mesma, por sua vez, das celestiais.

Ademais, outras identificações podem ser feitas entre o pensamento Humanista e o texto aqui trabalhado. À exemplo destes podemos identificar a própria linguagem do autor ao produzir sua “oração”, em que o próprio utiliza de termos muito utilizados em manuscritos de ícones do pensamento clássico, como é o caso em que utiliza o conceito de ”arquétipo”, demasiadamente trabalhado por Platão.

Contudo, as convergências entre as idéias tradicionais clássicas e o texto de Pico dellla Mirandola não se limitam a linguagem empregada, essas são constituídas também pela temática abordada, motivo pela qual se enquadra numa produção ligeiramente humanista. Tal temática inclui a dialética grega; o surgimento, natureza e destino da humanidade; a valoração do homem e a atribuição do livre-arbítrio como forma de diferenciação humana, no entanto, inclui características que o diferencia do pensamento clássico, na afirmação de que a filosofia, por si só, não poderia explicar o mundo a ponto de nos deixar satisfeito com a “verdade” que conhecemos: “Natural philosophy, therefore, cannot assure us a true and unshakable peace.”  

[+1] 
Didier Röhe 01/09/09 às 06h09

Questão 1 - Humanismo

O Humanismo é uma corrente de pensamento que irá surgir na Itália no século XIV, ao mesmo tempo em que o surge o Renascentismo, e que irá valorizar o Homem. A frase bíblica (desculpe se eu estiver errado) "Deus criou o Homem a sua imagem e semelhança" poderia resumir a idéia principal do Humanismo ao meu ver. Os pensadores dessa corrente de pensamento valorizavam o Homem em sua racionalidade, pois como o Homem é "semelhante" ao próprio Deus, terá as mesmas capacidades de criação/exploração do universo que o cerca. Outra frase que exemplifica esse mesmo sentido mas que irá aparecer um pouco depois de Galileo Galilei é "Não me sinto obrigado a acreditar que o mesmo Deus que nos dotou de senso, razão e intelecto pretende que abandonemos o seu uso" (I do not feel obliged to believe that the same God who has endowed us with sense, reason, and intellect has intended us to forgo their use.).Porém, vale ressaltar que o Humanismo apesar de valorizar o homem em sua racionalidade, não abandona os credos católicos da época e muito pelo contrário, irá usar a racionalidade para dar bases para a própria fé (ou como nas frases acima, a fé dará liberdade para o uso da razão). Nesse sentido o Humanismo precede o Iluminismo na questão da valorização da racionalidade, mas ainda possui uma visão teológica e não secularizada, como é o caso do Iluminismo. Fazendo um paralelo com as aulas ministradas, o Humanismo seria como o sábio ou o filósofo pois valoriza o interno (a razão) utilizando os próprios conceitos e visões internos (no Humanismo, a visão cristã do mundo). Portanto, não possui a visão externa, a visão do estrangeiro, representada pelo sofista, a visão secular do pensador iluminista.Agora, tirando um trecho do texto de "Discuros sobre la dignidad del hombre" que resume o que já foi dito acima eu cito: "Y si nuestro deber es hacer lo mismo imitando la vida de los ángeles, ¿quién osará, pregunto, tocar las escaleras del Señor con los pies impuros o con las manos sin lavar? Según los Misterios, al impuro le está vedado tocar lo que es puro." Nesse pequeno trecho fica claro que Pico mostra valorizar o homem racional, mas que esse deve procurar imitar os anjos e, portanto, ser "puro" e acreditar em Deus. Dessa forma, o homem deve temer a Deus e reconhecer que mesmo sendo a imagem de Deus na Terra, lhe é inferior e não necessariamente encontrará a Salvação, a não é claro que utilize a razão e imite a vida dos anjos para tornar-se puro.
[0] 
Vivian Suyen da Silva Bastos 01/09/09 às 08h09

Questão 1

 Humanismo se refere ao movimento reafirmado durante a Renascença que inspira idéias nas diferentes fontes de conhecimento, como ciência e religião, e ainda na filosofia, que valorizam o homem, pois a cabe a nós mesmos, em última análise, a responsabilidade pelo mundo em que vivemos.

No texto, podemos perceber, como características do Humanismo, a confiança na habilidade dos homens de determinarem por e para si mesmos o que é verdadeiro e o que é falso e de tomar suas decisões em geral e quem sabe até mesmo de seu destino (no mesmo trecho citado no penúltimo parágrafo – según TU ánimo).

Ainda, àquele século, na época do Renascimento e mais fortemente na específica região que hoje é a Itália, que abrigava os estados papais, se contrapunham a idéia de um ser humano superior às bestas comuns e dotado de razão e ao mesmo tempo a tradição católica na afirmação de um deus único e criador. Dessas antíteses, a conclusão do Humanismo é a reiterada ao longo do texto de Pico della Mirandola, como no trecho de Deus para Adão: “Así no te he creado ni celeste ni terrenal, ni mortal ni imortal” de que o homem é a mais perfeita criação divina, se assemelhando aos anjos, e pode se iluminar através da ciência (“Acaso no vale nada el investigar y el tener siempre ante la mente los problemas de las causas, de los procesos de la naturaleza, de la razón del universo, de las leyes divinas, de los misterios de los cielos y de la Tierra?”).

Terceiro, e agregando as características já citadas, o humanismo apresentado pelo autor descreve a situação em que nós devemos agir por nós mesmos, com base nos princípios cristãos (porque seria inconcebível o diferente), e sem esperar que Deus aja por nós. O seguinte trecho destaca como agir de certa maneira, cristã, leva os homens a se aproximar mais do divino: “Tanto podrás degenerar em esas bestias inferiores como regenerarte, según tu ánimo, em las realidades superiores que, por cierto, son divinas”.

Concluindo, em última instância o humanismo seria a uma maneira diferente de ter a prática religiosa, e não necessariamente um novo tipo de fé.

[0] 
Alexandre Araújo Costa 01/09/09 às 18h09

Comentário

A modernidade tardia me parece uma espécie de neoclacissismo teórico, portadora que é de um ideal apolíneo de equilíbrio e pureza. Contudo, creio que perdemos muito ao desconsiderar a origem barroca da subjetividade moderna, com sua aguda percepção do antagonismo entre o humano e o divino.

Antes de se tornar neoclássica, a modernidade passou pelo seu período barroco, onde tornou-se visível o esgotamento das tentativas humanistas de equilibrar razão e religião, harmonizando as conclusões dos filósofos gregos com a tradição cristã e outros elementos místicos.

Os humanistas eram pensadores sincréticos, que acreditavam que na base das tradições religiosas e filosóficas existia uma espécie de sabedoria comum, pois todos os saberes deveriam ser expressão de uma única e mesma realidade. Esse desejo platônico de unidade se revela claramente no famoso Discurso sobre a dignidade do homem, em que Pico della Mirandola propõe um debate acerca de 900 teses em que estão presentes argumentos que dialogam ao mesmo tempo com a filosofia grega, a Bíblia, os livros herméticos, a magia e a cabala.

Esse sincretismo era sentido como herético pela tradição medieval, tanto que as teses de Pico foram condenadas pelo Papa e o debate que ele buscava realizar foi cancelado. E o Discurso é justamente uma defesa dessa aproximação híbrida, que fala dos anjos com a mesma liberdade com que cita Aristóteles, Avicena e Hermes Trimegisto.

Esse hibridismo nos soa estranho hoje em dia. Vivemos em uma época na qual não faz sentido afirmar, em um texto de filosofia, que nossa vida deve ser modelada a partir da vida dos anjos porque isso nos aproxima do pináculo ocupado pelo deus cristão. Esse discurso religioso ainda permanece, mas confinado ao campo próprio da religiosidade. E o que os humanistas sentiam como uma grande unidade do saber, nós percebemos como uma espécie de filosofia impura, em que se mesclam elementos místicos, éticos, científicos e teológicos cuja mescla ofende nosso senso epistemológico. Daí o nosso profundo estranhamento com textos como o de Pico della Mirandola, quando afirma que:

Também nós, pois, emulando na Terra a vida querubínica, freando com a ciência moral o ímpeto das paixões, dissipando a escuridão mental com a dialética, limpando a alma das manchas da ignorância e do vício, para que as emoções não se enfureçam nem a razão delire. Na alma, então, assim composta e purificada, difundamos a luz da filosofia natural, para depois torná-la perfeita mediante o conhecimento das coisas divinas[1].

Della Mirandola vivia em uma épica na qual o estudo da natureza ainda fazia parte da filosofia (a chamada filosofia natural) e na qual era evidente que mais importante que o conhecimento das coisas terrenas e humanas era o conhecimento das coisas divinas. E a paz que a ciência não nos pode dar, ele sugeria que buscássemos na teologia, mantendo assim a prevalência medieval do divino sobre o humano.

Mas, ao mesmo tempo, é visível em suas idéias o aflorar do individualismo que a modernidade veio a radicalizar. Afirmava ele que “a filosofia me ensinou a depender mais de minha consciência individual (de mi sola consciencia) que do juízo dos outros, e ao mesmo temo a estar atento não ao que se diz contra mim, mas a eu mesmo não fazer ou dizer algo de mau”. Essa grande autoconfiança na capacidade do indivíduo distinguir o verdadeiro do falso e o bem do mal, mediante o exercício de sua própria racionalidade, é um dos elementos fundantes da modernidade.

Mas o sincretismo de Pico della Mirandola não aponta para a sensibilidade moderna, e sim para a tendência medieval de harmonizar filosofia e misticismo, compatibilizando a filosofia grega com o cristianismo (no caso da escolástica) e também com outras tradições místicas (no caso do humanismo). Esse sincretismo não acentuava a existência de uma tensão real entre tais elementos, mas pressupunha uma harmonia profunda entre eles, que superasse as disparidades aparentes. Havia aí um desejo de sistema que era baseado na idéia reguladora que apontava para a existência de uma verdade comum subjacente a todas as tradições.

[1] Tradução composta a partir do cotejo dos textos em inglês, latim e espanhol, indicados na bibliografia.

[-1] 
Luís Otávio Valente Barcellos 01/09/09 às 19h09

Exercício 1- Humanismo

O Humanismo é, em essência, um período de transição entre o medieval e o moderno, o teológico-religioso e o filosófico, entre o tradicional e o moderno-renascentista. O Humanismo precedeu o Renascimento, este sim um grande divisor de águas - declínio da mentalidade medieval-religiosa e ascensão da razão e da ciência. O Humanismo, pois, não pode ser considerado em si uma grande transformação  ou mudança, mas sim um primeiro passo para esta.

Percebe-se claramente no trecho "el racional será hecho hijo o ángel de Diós" a idéia do autor de mesclar razão e fé. Dessa forma, Pico não nega nem afronta o mistério da religião, caracteristicamente não aberto a diálogos ou questionamentos, mas introduz novos elementos até então ausentes. Muito louvada pelo autor é a observação do mundo que nos circunda, mas para fins de apologia a Deus. Se, de acordo com os ensinamentos religiosos, foi Deus o criador do universo e de tudo de bom que há nele, conhecer esse universo é imprescindível na contemplação do Divino e na construção da obra da Fé.

[0] 
Alexandre Araújo Costa 01/09/09 às 20h09

Questionamento

Luis, você considera que o humanismo precedeu o renascimento historicamente?

E não será exagerada essa consideração de que o racionalismo renascentista é anti-religioso?

[+2] 
Diego-gontijo-de-aquino'>Diego Gontijo de Aquino 02/09/09 às 18h09

Questão 1

Acredito que ao contrário do que estava a ocorrer na época, uma separação entre a moral e o religioso, Pico della Mirandola buscou mostrar que se devia uni-los, pois para ele parecia não haver tal separação. Com isso ele busca mostrar que o religioso e o racional deviam andar juntos, sendo um sem o outro incompleto. Tal fato ressalta por constantemente buscar mostrar a importância de ambos para que o ser humano possa se elevar “espiritualmente”, dizendo que o ser humano é o único ser capaz de variar, por sua própria vontade, dentro da escala evolutiva espiritual podendo variar desde o nível dos vegetais até o angelical mais sublime, que talvez seja a dos Tronos. Então para ele não basta apenas possuir o conhecimento de toda a ciência ou apenas ter fé na existência de Deus, só ter um ou o outro parece não bastar, é necessário os dois para que o homem possa ascender a níveis superiores.

Ele desenvolveu a idéia de que o homem foi uma obra última feita por Deus, por ter Ele percebido a necessidade de alguém ou alguma espécie que apreciasse toda a beleza de sua obra. Mas já tendo criado todas as espécies necessárias com suas respectivas funções e particularidades, pareceu não haver sobrado no mundo algum lugar para esse novo ser, só depois ficando latente sua falta. Por tal motivo Deus criou a espécie humana, aquela destinada a apreciar toda a beleza e grandiosidade de Sua obra, uma espécie que se destinou a ser especial também por outro motivo, a ela foi dada o poder de, por sua própria vontade e esforço, atingir qualquer grau na escada evolutiva que leva a Deus. Diante de tal idéia Pico della Mirandola faz sua reverência ao ser humano, típica do humanismo, mas com a diferença de que não é o homem o centro do universo ou o único motivo de existência da mesma, pois há Deus e é a Ele que tudo se volta e se curva. Mas parece ser o homem o centro da atenção do Criador Supremo, por ser a espécie que recebeu do mesmo a dádiva mencionada acima. Novamente falando, Pico faz a exaltação do homem, que é uma característica do humanismo renascentista, sem esquecer a quem este deve se voltar.

Ao mesmo tempo essa idéia central expressa, mostra fazer o papel inverso do período renascentista, onde a religião e a ciência pareciam se distanciar cada vez mais, buscando esclarecer a importância da união das mesmas.

Para que o ser humano possa evoluir é necessário ambas, pois possuir conhecimento sem ter consciência de Deus faz com que ele não deseje se aproximar do Divino e com isso não há ascensão, assim como ter consciência da existência de Deus e querer se aproximar Dele sem ter o conhecimento imprescindível se mostra impossível. Com isso Pico della Mirandola ressalta a importância de se buscar ter ambos e constantemente no “Discurso sobre a Dignidade do Homem” tenta mostrar ser a dialética a forma mais importante e fácil de buscar o auto-conhecimento necessário, o que demonstra seu grande interesse pela filosofia, junto do conhecimento religioso, não apenas restrita à religião católica, devido ao seu interesse e estudo da teosofia, ficando esse como um dos motivos que mais impressionam com relação a sua forma de pensar. Também sendo de extrema importância a busca de inspiração nos anjos querubins, serafins e tronos, nos seus atos e forma de ser, por serem eles o que de mais próximo há de Deus. Um outro traço que acredito ressaltar seu caráter humanista foi sua pregação da moral e bons valores, que também há de comum com os valores cristãos, justamente como uma forma de se voltar a Deus, ante a degradação tão explícita da civilização da época.

"El hombre es una cosa grande, qué duda cabe, pero no tanto como para que

reivindique el lugar de una ilimitada admiración. Por el contrario, ¿no debemos

admirar más a los propios ángeles y a los beatíficos coros celestiales?

Sin embargo, debo coincidir, y a través de esa lectura comprender, que es el hombre el más afortunado de todos los seres vivientes y digno, por cierto, de profunda admiración."
[0] 
Bárbara Layza 03/09/09 às 13h09

Questão 1

O Humanismo nada mais é do que o elemento central do “primeiro grande movimento cultural burguês dos tempos modernos” (VICENTINO, Claudio, 2002): o Renascimento. Esse movimento possuiu como impulso modificações ocorridas na sociedade do fim da Idade Média tais como a expensão comercial, a reforma religiosa e o absolutismo político.

            No texto podemos encontrar diversos exemplos que nos possibilitam constatar  que ele é um escrito renascentista, principalmente por causa do constante retorno à cultura greco-romana, por meio da citação de seus diversos elementos, figuras e valores: os pitagóricos, a dialética, a valorização da razão, da filosofia e da moral. Em vários momentos ele parafraseia as ideias dos grandes filósofos, como na passagem: “ ‘nada con exceso’: estabelece rectamente la norma y la regla de toda cirtud según el criterio de justo medio, del qual trata la moral”; faz-se aí uma alusão ao “homem prudente” de Aristóteles, que deveria possuir o phrônimus, ou a capacidade de discernir  a justa medida em determinada ciscunstância. Mais adiante, ele critica, de forma indignada, os filósofos de seu tempo que queriam filosofar apenas para ganhar recompensas e “no abrazan el conocimento de la verdad por sí misma”, pensamento também herdado de Aristóteles, que cria ser a filosofia um fim em si mesma e não um trampolim para outras áreas da vida.

            A contribuição do Humanismo para esse movimento foi a valorização do homem, que passava a se situar no centro do universo no lugar do divino e do metafísico. Porém, por se situar em uma fase ainda de transição, Pico não abandona completamente os valores extraterrenos; muito pelo contrário, os valoriza enfaticamente. Não obstante, a exaltação do homem é verificada principalmente no início do texto: o homem era considerado o espetáculo mais maravilhoso do mundo, um milagre, digno de profunda admiração, ser animado maravilhoso, obra prima divina, etc.

            Percebe-se também elementos de outras culturas, como a oriental, o que torna o texto assaz sincrético e rico em informações, fator esse que telvez tenha sido motivo de desconfiança por parte da Igreja, principalmente no que tange à valorização de outros deuses. O escrito é então, a meu ver, de suma importância para se compreender a desconstrução dos paradigmas da sociedade de um período e a sua consequente reconstrução e reformulação.

 

[0] 
Gilberto-mendes-calasans-gomes'>Gilberto Mendes Calasans Gomes 03/09/09 às 18h09

Anacronismo e causalidade

Bárbara, gostaria apenas de atentar um provável anacronismo contido na definição que foi por você levantada e o texto em estudo. Tal anacronismo se encontraria no fato de ser listado como impulsor do Humanismo a reforma religiosa e o absolutismo político. Enquanto o texto de Mirandola foi escrito no ano de 1486, temos os principais eventos da reforma religiosa e do absolutismo político no século XVI, ou mesmo no XVII.

 Não descarto aqui, de forma alguma, qualquer relação que esses eventos possam ter tido com o Humanismo. Além disso, também reconheço que não podemos avaliar um processo, um movimento, seja cultura, político ou religioso, em datas e eventos pontuais, mas como um processo que se desdobra ao longo do tempo. Enfim, fica aqui minha observação.

[+1] 
Carlos Adão dos Santos Ribeiro 03/09/09 às 14h09

Questão 2

Sincretismo de acordo com o dicionario Michaellis:sin.cre.tis.mo sm (gr sygkretismós) 1 Filos Sistema que combinava os princípios de diversos sistemas. 2 Amálgama de concepções heterogêneas; ecletismo. 3 Gram Fenômeno de uma forma lingüística ou de uma desinência acumular várias funções. 4 Sociol Fusão de dois ou mais elementos culturais antagônicos num só elemento, continuando, porém, perceptíveis alguns sinais de suas origens diversas.

Creio que a definiçao desta palavra já nos remete ao "espirito do texto", àquilo que encontramos de mais marcante e surpreendente em Pico della Mirandola, em especial se levarmos em consideração o fato de que se trata de um texto que foi escrito durante a Idade Média e alem disso, na Itália que era onde a influencia da Igreja tinha forte apelo.

O texto causa estranhamento por, além de amalgamar diversas culturas, o que não se esperava que fosse ser feito àquela época, ele o faz de modo que todas essas diversas culturas tenham algo a dizer, e essa mensagem é reconhecida por Pico como sendo os diversos meios pelo qual podemos chegar a uma verdade por trás das verdades que existem nas culturas do mundo que vivemos.

Na medida que somos, para Mirandola, a criatura máxima na Criação Divina, detemos o potencial de se aproximar de Deus, não em poder, glória ou algo do tipo, mas aproximarmo-nos em pureza, assim como querubins.

[0] 
Gilberto-mendes-calasans-gomes'>Gilberto Mendes Calasans Gomes 03/09/09 às 17h09

Questão 2

Começarei dissertando sobre as possíveis razões que considero estarem na base do estranhamento em relação ao texto “Oração sobre a dignidade do homem”, do humanista Pico della Mirandola. A maior das razões, por mim considerada, é a da falsa expectativa que gerou um texto escrito por um pré-moderno. Tal falsa expectativa reside no fato de que, no Humanismo, e, pouco depois, no Renascimento, esperamos uma forte ruptura com os valores medievais, o que não aconteceu, e que foi muito bem ilustrado pelo texto. A forma de escrever de Pico della Mirandola, tirando suas peculiaridades, mais se aproxima a um texto do medievo do que um texto moderno. Tal estranhamento, para se resumir em poucas palavras, se dá com a confusão de pré-moderno com protomoderno.

Identificarei, agora, os elementos do texto que nos causa estranhamento, principalmente, mas não apenas, por fugir do estereótipo que temos do moderno, ou, um passo atrás, do antropocêntrico.

O primeiro elemento que identifico é a proximidade de Mirandola com a religião, mesmo que em um texto dedicado a exaltar o homem. A principal aparição desse elemento é a de que o homem é a maior maravilha feita por Deus, ocupando lugar central em sua criação. Dessa forma, não há uma elevação do homem em relação ao divino, mas sim uma elevação do homem em direção ao divino. Outras aparições desse elemento se dão pelos interlocutores, os “padres” (ou Fathers, no texto em inglês) e em considerar a teologia como a maior das ciências, a melhor das filosofias, como o conhecimento purificador da alma. Além disso, verifiquei a deificação do homem, mesmo com o caráter individualizante, caracterizado pelo livre arbítrio que não foi negado. Por último, enxergo, nessa categoria, as categorizações feitas em termos religiosos. Ao invés de tratar por “aquele que busca a inteligência”, Mirandola usa a metáfora dos Querubins (que, na provável intenção do autor, talvez não possa ser considerada uma metáfora).

A segunda classe de elementos que identifica como responsáveis pelo estranhamento à leitura do texto de Mirandola se referem ao tratamento do conhecimento, não levando em conta a sua religiosidade. Há um forte sincretismo, acompanhado de um fortíssimo apelo à multidisciplinaridade, lembrando mais aos antigos do que a especialização da modernidade tardia. A utilização de tradições árabe, cristão, judia, clássica e oriental, além do tratamento de temas como a matemática e a filosofia, bem ilustram o que digo. Também aí se encaixa o “método”de busca pelo conhecimento utilizado por Mirandola, que é o debate público de idéias, ao invés do experimentalismo moderno. Tal debate público das idéias mais nos lembra da tradição democrática contemporânea do que uma tradição cientificista moderna. Concluo o texto apontando um dos prováveis “absurdos” incluídos nos temas de suas 900 teses, e que ainda hoje não apresenta solução satisfatória, que é a união das filosofias de Platão e de Aristóteles.

[0] 
Luis Vasconcelos 15/02/10 às 02h02

Giovanni Pico della Mirandola

Viva , estimado Gil, a sensibilidade quase que de sublimaçao que Mirandola nos Presenteia no Magnifico livro ,  dicurso sobre a dignidade do homem e'  fascinante, por vezes a cria'cao de palcos  feericos para  tentar caraterizar  : aquilo que chamo : os dicifradores do invisivel.  e torna-los  entendiveis.

Ao ler dou comigo num emaranhado de reflexoes ,  penso que foi um um motores ideologicos  do Padre Antonio Vieira.

Visto haver uma diferença de 112 anos entre ambos, estou plenamente convencido  que padre António Vieira nao só o leu como  o absorveu  de forma  delevel alterou o cunho da sua personalidade de Orador.

Infelizmente nao tenho  grande  paciencia  para a hermeneutica   nem  dos seus quadros  Sinopticos .

Proponho-lhe a leitura de um livro  (raro ) , penso que a ultima ediçao foi em 1941.  Do Padre António Borges Vieira  cujo titulo é  - A única coisa necessária,

penso que o redigiu aos 92 anos ..pouco antes de falecer.

Vale apenas ler ...

Giovanni pico della mirandola .. escreveu leve ... viveu leve... e morreu leve...

Apesar do enorme peso qualitativo  que deixou por emprestimo á humanidade

[0] 
Guilherme H. Sena Oliveira 03/09/09 às 17h09

Questão 2

  O texto de Pico, por ter sido redigido há séculos, trará consigo obrigatóriamente diferenças em comparação com textos de cunho científico atuais. Creio que a diferença mais sensível seja o uso de argumentos de fundo religioso, o que de forma alguma seria aceito num trabalho contemporâneo.

  Um exemplo do uso da fé judaico-cristã como embasamento para a argumentação pode ser visto no trecho:

"Moisés amó al Dios que lo

visitó y confesó a su pueblo, como juez, lo que había visto en el monte."

  Outro fato que pode causar estranheza é o uso de figuras mitológicas pagãs no mesmo texto em que se usa os argumentos de fundo religioso cristão, o que é de certa forma contraditório.

  Esse fato pode ser visto na citação de Apolo: " Los nombres del divino Apolo, si alguien escruta a tondo sus significados y los misterios encubiertos, demuestran suficientemente que este dios era filósofo no menos que poeta."

[+3] 
Nuni Vieira Jorgensen 03/09/09 às 20h09

Questão 2

 

 

Pico della Mirandola viveu na Itália no berço do movimento que ficou conhecido por Humanismo. Esse período é caracterizado pela transição da Idade Média para a Moderna e, como tudo que encontra-se entre “eras, possui um caráter sincrético e, de certa forma, confuso aos olhares contemporâneos.

Pico Della Mirandola é hoje considerado por muitos um pré-renascentista, isso porque ao mesmo tempo em que resgata os filósofos gregos, traço marcante do período, ainda se encontra arraigado aos textos bíblicos e à moral cristã. No entanto, essa não é sua característica singular, uma vez que filósofos escolásticos como São Tomás de Aquino já haviam realizado a união entre as Escrituras e os textos aristotélicos. O que distingue o italiano de seus precedentes é a sua capacidade de se remeter também à teologia hebraica, aos pitagóricos e à filosofia oriental como se nenhum desses discursos se contrapusessem e, ao contrário, se complementassem.

Assim, segundo Pico, o homem, que poderia escolher entre ser uma besta e uma realidade superior, deveria utilizar-se do artifício socrático da retórica, da filosofia contemplativa e, acima de tudo, da razão, para se aproximar dos querubins e desfrutar da felicidade teológica. Um bom exemplo desse discurso encontra-se no parágrafo seguinte:

            “¡Oh, padres!, ¡que nos arrebaten los furores socráticos y nos permitan volar fuera de la mente hasta colocarnos, nosotros y nuestra mente, en Dios!” (p.7)

            Creio que para o nosso modo de racionalidade atual e para aquele dos filósofos da modernidade o discurso de Pico causa estranhamento não porque coloca em um mesmo texto idéias da filosofia de Zoroastro e os ensinamentos platônicos e aristotélicos, mas porque mistura esses discursos de forma que um corrobore o outro; como se o entendimento racional e aquele das diversas formas de teologia constituíssem apenas meios diferentes de se chegar a uma mesma unidade de conhecimento.

Como diz Sem Dresden em “O Humanismo no Renascimento”:

“ Existe aí uma curiosa mistura de motivos filosóficos e religiosos que, na nossa forma de pensar, deveriam ter sido separados. Acentua-se enfaticamente a natureza específica do homem que é livre e que pode mudar, mas afirma-se que deve-se usar essa liberdade para aproximar-se de Deus”.  (p.16)

A modernidade viria depois de tudo isso, mostrando que a escolástica e o sincretismo de Pico, ao contrário de compor um texto multifascetado, apenas violentavam o propósito inicial dessas diversas formas de expressão.

Assim, mesmo que respeitemos a validade dos vários modos de conhecimento, a mentalidade atual não permite que misturemos pensamento científico e teológico. Ainda que fora de contexto, o famoso dito aqui faz todo sentido: “Dai a César o que é de César e daí a Deus o que é de Deus”.

[0] 
Pedro Lucas de Jesus Boareto 03/09/09 às 20h09

QUESTAO 1

O pensamento Humanista tem como sua grande característica colocar o homem como agente principal das mudanças mundanas, representou um retorno as origens Clássicas, com a sua teoria antropocentrista.

O texto de Pico Della Mirandola objetiva provar que o homem é a maior criação de Deus e talvez por isso possamos dizer que a Oração Sobre a Dignidade do Homem é um principio de Humanismo, já que é a busca de um antropocentrismo através de uma visão teocêntrica, celebra o homem a partir de uma visão religiosa, que era predominante na época.

Para Pico, o homem tem o livre arbítrio de ser o que quiser desde um verme a um querubim, e por tal fato, seria a maior criação divina, o Homem seria responsável pelo seu destino, essa é a característica marcante do Humanismo em Pico Della Mirandola. É interessante notar que na construção da argumentação, Pico se utiliza de um sincretismo, que para o leitor, pode parecer um pouco forçado, mas que chega a fazer sentido quando analisado o contexto que a obra foi escrita: na Baixa Idade Média, durante um período em que vários escritos, obras de arte vindo do Oriente estavam chegando à Europa e passando por novas análises, um redescobrimento do Oriente aliado ao inicio de uma releitura da Antiguidade Clássica. Com isso, Pico tenta juntar todos esses aspectos orientais, antigos, com outros pré- existentes e dominantes na Europa, buscando provar que, apesar de diferenças gigantescas, todos tinham em comum o fato de mostrar a grandiosidade do Homem.

[0] 
Italo Rodrigues dos Santos 03/09/09 às 23h09

Questão 1

.Acerca desse âmbito cabe ressaltar o período de desenvolvimento capitalista que a Europa vinha passando. Desde relativo impulso das atividades comerciais já nos séculos de XIV e XV, e consequentemente os contatos culturais que daqueles advinham. Assim no bojo dessas transformações que propiciaram análises sobre as próprias tradições, na emergência de uma classe burguesa ansiosa por melhorias que lhes atendessem e de uma igreja muito presente no aspecto político e social, o humanismo pôde ser entendido como como um elemento central na tentativa de elevar o homem de um estado passivo e submisso para um participativo e decisivo. O naturalismo, o hedonismo e o neoplatonismo são caraterística desse movimento. Onde através da busca da razão e do conhecimento científico o homem poderia chegar mais perto de Deus. No texto do Pico della Mirandola é possivel claramente encontrar traços marcantes desse movimento humanista. como no seguinte fragmento “ (...) el hombre, parte de las familias de las criaturas superiores y soberano de las inferiores, es el vínculo entre ellas; que por su sentidos tan agudos, por su razón de agudo poder indagador y por la iluminación de su intelecto, es intérprete de la naturaleza; que, siendo intermediario entre el tiempo y la eternidad es, como solían decir los persas, cópula, y también enlace de todos los seres del mundo y, según los dichos de David, apenas inferior a los ángeles.”  Nesse trecho claramente se percebe a valorização do homem e do ser homem em detrimento de todos os outros seres mundanos, configurando ser a criatura humana o porta-voz entre o divino e o profano, sabendo ser aquele superior aos demais seres. Acrescentando ainda a relevância da razão e do sincretismo do conhecimento bastante evidente em seu texto.

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Questão 1

A teoria Humanista surgiu no início do século XIV quando o italiano Francesco Petrarca (1304-1374) colocou o homem como centro de toda ação e como agente principal no processo de mudanças sociais, essa posição de alguns pensadores causou impactos na Igreja, no entanto o humanismo nunca renegou o catolicismo. Humanistas eram religiosos, porém não aceitavam apenas uma explicação como verdade plena. Na obra “Discurso sobre la dignidade del hombre” do autor Picco Della Miranda as característicsa humanistas se tornam muito evidentes, pois há uma valorização explícita do homem como sendo uma criação superior a todas as outras, mas não havendo assim, uma negação da existência de Deus e da verdade divina. Pelo contrário, em sua obra ele deixa bem claro a existência de duas ordens: uma divina e uma humana, mas podendo o homem fazer uma ponte entre esses dois mundos. Picco trabalha em seu texto uma articulação entre divindade e o homem como tal, colocando o mesmo no centro do mundo, mas ao mesmo tempo valoriza o humano e o natural porque é um modo do ser humano se aproximar mais do divino.   

 

 

 

 

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Yan Cardoso 04/09/09 às 18h09

Questão 2

O texto de Pico della Mirandola apresenta diversos elementos que o tornam estranhos a um leitor moderno caso ele não seja lido à luz do entendimento do contexto em que foi escrito, tanto o histórico quanto o intelectual. Pico nasceu em 1463, dez anos após a queda de Constatntinopla, o que é um fato importante para a compreensão de sua obra, muito marcada pelo resgate da filosofia, mitologia e religião gregas. Os diversos elementos de sua obra que o diferenciam de um texto filosófico/científico atual podem, creio eu, ser agrupados sob a égide do relacionamento deste com deus.

 Pico demonstra claramente a sua disposição de colocar a Teologia acima das outras ciências como, por exemplo, ao chamá-la de "the queen of the sciences" (pág 6). Contudo, a diferença mais marcante é a consideração do autor de que Deus é um fato dado e o modo como ele contrói o seu argumento em torno desse pressuposto. Nenhum texto que se proponha minimamente científico atualmente utilizaria, como Pico, a ideia de que a dignidade humana deriva da possibilidade humana de alcançar a perfeição representada pelos anjos como o autor faz na página 3, além do que o autor pressupõe a perfeição humana como sendo ligada à proximidade do homem com Deus.

Outro aspecto a ser analisado é o uso indiscriminado de tradições religiosas diferentes. A questão aqui é o modo que o autor utiliza essas tradições, lidando com elas como se fossem todas verídicas, e não como se fossem exmplos de como culturas diferentes chegaram às mesmas conclusões por caminhos separados. Ao contrário do que faria um pós-modernista, que iria considerar todas essas tradições incertas e, portanto, com o mesmo valor, della Mirandola considera essas tradições como certeza e, portanto, dá a todas o mesmo valor.

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Cristal Augustus C. Ribeiro 04/09/09 às 20h09

Questão 2

A obra de Pico della Mirandola insere-se em um contexto histórico confuso de transição na tradição dos pensamentos. Contudo, o interessante (e diferente) de seu trabalho reside justamente nisso, já que há um diálogo entre certos valores feudais -- sendo o mais notável o impacto religioso -- e o nascimento do pensamento humanista, que rompe com tal corrente. 

É característico da modernidade o uso da razão a fim de se explicar os fenômenos. Pico compartilha dessa opinião, mas a utiliza sempre de um modo a alcançar a divindade: ''(...) if intellectual, he [the man] will be an angel and the son of God'' (MIRANDOLA, Giovanni Pico della. Oration on the dignity of man). Tal fato causa estranheza ao olhar contemporâneo à modernidade, visto que o período de renascimento agrega consigo o ideal de negação do teocentrismo medieval, trocando os dogmas religiosos por explicações científicas.

Podemos, em sua obra, também encontrar o aspecto antropocêntrico, pela valorização do homem; tal pode ser resumido como o fato de o homem ser ''a obra máxima de Deus''. No texto em questão, encontramos: ''I [God, The Supreme Maker] have placed you at the very center of the world, so that, from that vantage point, you may with greater ease glance round about you on all that the world contains.'' (idem.) Tal excerto revela também a possibilidade de o homem alcançar o conhecimento e, seguindo mais adiante na mesma fala de Deus, ele toca no ponto do livre-arbítrio: ''(...) you [the man] will be able, through your own decision, to rise again to the superior orders whose life is divine.'' (ibidem.) Ou seja, cabe ao homem decidir se ele deseja atingir o plano superior (analogicamente à filosofia platônica, no tocante ao mundo das idéias), ou se prefere permanecer nos limites do mundo sensível.

Por fim, o aspecto místico que tange à obra de Pico também deve ser ressaltado: é uma espécie de valorização da divindade com uma noção de verdade espiritual. Podemos compreender tal inferência como sendo alcançar Deus através de uma experiência direta ou indireta, através de crenças; tal pode ser considerado como um resquício do pensamento teológico e, reforçando, um modo de valorizar a figura divina através do homem.

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Brenda Paola Cardoso de Souza 04/09/09 às 23h09

Questão 1

O Humanismo é uma das características do Renascimento e um dos fatores que contribuiu com o início do fim da Idade Média. No período renascentista, o direcionamento dos estudos voltava-se para o homem. “Os humanistas interessavam-se por tudo o que dizia respeito ao homem, mas particularmente pela natureza humana e por conseguinte por si próprios” (DRESDEN, Sem. O Humanismo no Renascimento, 1968, pp. 231).

Este homem é visto por Pico como uma extensão divina e como uma criação superior, dotada de razão e, por esse motivo, digna de admiração dentre todos os outros seres. Está situado entre o animal, submetido a ser escravo dos sentidos, e o angelical, que com o uso da razão discerne todas as coisas.

O “Discurso sobre a dignidade do homem” de Pico della Mirandola, reunindo uma gama variada de nomes e ensinamentos, tem como principal característica a exaltação do homem, pois este, dentre todas as outras criações divinas, pode determinar que decisões tomar e qual caminho seguir. Só o homem pode decidir o que se tornará, se se aproximará das bestas ou dos querubins: “Nosotros también, remedando en la tierra la vida querubínica, conteniendo con la fuerza moral la impetuosidad de las pasiones, disipando la obnubilación mental con la dialéctica, purifiquemos el alma, quitémosle las manchas de la ignorancia y de la corrupción, para que no se desaten los afectos ni deleite la razón” (MIRANDOLA, Giovanni Pico della. Discurso sobre la dignidad del hombre).

O que impressiona Pico é justamente esse livre-arbítrio, que torna o homem senhor do seu próprio destino, pois, como um camaleão (como o próprio autor metaforiza), poderá decidir sobre que características irá assumir e, portanto, optar em qual espaço agir, diferenciando-se, deste modo, de tudo o que se conhece quanto a noção prévia das consequências dos atos.

Essa liberdade humana, entretanto, não pode aproximar o homem ao que é mundano, mas ela deve sempre ser utilizada para buscar aproximá-lo do celestial. Tal condição estabelecida exemplifica a posição de Pico como um autor entre períodos, pois se empenha em conciliar o retorno ao clássico e características do modelo vigente, afinal, segundo ele, o encanto do homem é apenas possibilitado graças a generosidade de Deus.

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Lucas Lôbo Takahashi 04/09/09 às 23h09

Questão 1

Muitos estudiosos da Renascença olharam para o passado em busca de inspiração. Eles estudaram os clássicos - as obras dos antigos gregos e romanos - nas quais encontraram um espírito semelhante ao deles. Uma pessoa que estudava os clássicos era chamada de humanista. Os humanistas recriaram estilos clássicos nas artes plásticas, escultura, literatura e arquitetura. Os humanistas acreditavam que, ao estudar os clássicos, eles poderiam entender melhor as pessoas e o mundo. Um humanista, escreveu: "Para cada espécie de criatura foi criado um dom peculiar e instintivo. Para cavalos, o galope, para pássaros, o vôo. Para o homem só é dado o desejo de aprender. " O humanismo seria então a enfatização da importância dos valores humanos em vez de crenças religiosas. Renascentistas eram frequentemente devotos cristãos, mas por vezes promoviam valores seculares ou não-religiosos.

Picco Della Mirandola se apresenta de forma semelhante.  No texto "Discurso sobre la dignidad del hombre" por vezes ele utiliza conceitos relativamente religiosos para apresentar a ideia de racionalidade. É muito forte a defesa de que o homem pode atingir um patamar superior, se colocando, através da razão, num lugar de grande destaque. Comprova-se no trecho:

" Si fueron vegetales, serán plantas; si sensibles, serán bestias; si racionales, se elevará a animal celeste; se intelectuales, sera ángel o hijo de Dios y, si no contento con la suerte de niguna criatura, se repliega en el centro de su unidad, transformado en un espíritu a solas con Dios en la solitaria oscuridad del Padre, él, que fue colocado sobre las cosas, las sobrepujará a todas."

Fontes:

Texto "Discurso sobre la dignidad del hombre", de Picco Della Mirandola

Site: http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/humanismo/humanismo1.php

Livro: "Cristianismo, Humanismo e Democracia" de Fabio Regio Bento.

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Érica Marta Ceccatto Kaefer 05/09/09 às 16h09

Questão 1

"Os humanistas, por sua vez, voltavam-se para o aqui e o agora, para o mundo concreto dos seres humanos em luta entre si e com a natureza, a fim de terem um controle maior sobre o próprio destino." (Nicolau Sevcenko- O renascimento. Sao Paulo, Atual, 1994. p 16.17)

Para mim, a idéia do excerto acima, que exemplifica muito bem a minha noção de Humanismo, fica muito clara no texto de Pico della Mirandola, quando ele diz "by your own free will .. trace for yourself the lineaments of your own nature... if vegetative, he will become a plant; if sensual, he will become brutish; if rational, he will reveal himself a heavenly being; if intellectual, he will be an angel and the son of God." (p.2)

A ultima frase, também demostra a idéia de Pico de que é através do intelecto, do uso da razão, que podemos nos aproximar de Deus e fazer uso completo da dignidade humana, que só é possível através Dele. Fica claro também que em Pico o rompimento com os ideiais medivais não era completo ainda. Utilizava- se da razão, como é característico dos modernos, porém sem desfazer-se totalmente das idéias teológicas oriundas do medievalismo. Situava-se claramente no período de transição.  Comparando a figura do homem em relaçao aos anjos, nos situa como dignos justamente pelo fato de ser uma criação de Deus. Dá ao homem um aspecto totalmente diferente da idéia que se tinha na Idade Média, dando margem ao nascimento do Antropocentrismo, também característico do Renacimento.

Ele faz essa fusão do racionalismo, do homem como centro da criação (tipicamente Humanista), porém o homem só é o centro porque foi uma criação divina. É através do uso da razão, que o homem ascende à uma condição angélica e comunga com a Divindade. O homem tem o livre-arbítrio, e pode usar-se desse para mudar a si mesmo e chegar mais perto do divino. Quando se aproxima, torna-se o mais digno na vida terrestre, porém quando falha em utilizar-se da razão, desce a categoria dos seres mais primitivos.

Pico, demonstra assim, a condição de transformação e aprimoramento da filosofia e das instituições, que se dá somente através do homem quando em contato com a razão. (Racionalismo típico do Humanismo)

Essa não exclusão do divino em contraposição ao uso da razão, justifica-se pelo fato de que, para Pico, existem várias fontes de sabedoria de base, existe um pouco de verdade em cada discurso, sendo assim, o conhecimento de um não exclui o conhecimento de outro. Isso fica muito claro  pelas diversas influências que ele teve, em diversos ramos como: misticismo, religioso, zoroastrismo, cabala e mitologia.

No texto, com uma perspectiva neoplatônica, tenta demostrar a importância da busca do homem pelo conhecimento, conciliando o conhecimento mistico-religioso com filosofia. (Aliás, são alguns desses aspectos, como citações de anjos, figuras da mitologia, que causam o aspecto de estranhamento da questão 2). Fica muito explícito o sincretismo, a fusão de doutrinas de várias origens, tanto religiosas como filosóficas. Isso pode ser explicado pelo fato de a Itália, berço do Renascentismo, que na época era a principal rota de ligação, permitir-lhe grande acesso a diversas culturas.

Essa retomada à Platão, também é típica do Renascimento: interesse dos sábios pelos textos da Antiguidade Clássica em detrimento da Escolástica Medieval. Porém, apesar de admirarem o passado clássico grego e romano, o Renacimento não é um simples retorno à Antiguidade, pois nenhuma cultura renasce totalmente fora de seu tempo. Isso permite então, uma volta aos clássicos porém com modificações.

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Bárbara Layza 07/09/09 às 18h09

Resposta a Gilberto

"O Humanismo nada mais é do que o elemento central do “primeiro grande movimento cultural burguês dos tempos modernos” (VICENTINO, Claudio, 2002): o Renascimento. Esse movimento possuiu como impulso modificações ocorridas na sociedade do fim da Idade Média tais como a expensão comercial, a reforma religiosa e o absolutismo político."

Esclarecendo seu comentário, acho que houve uma dubiedade gramatical. O termo acima em negrito refere-se ao Renascimento e não ao Humanismo, o ideal talvez seria trocá-lo por ESTE. Desculpe a confusão causada, mas obrigada pela observação.

Grata,

Bárbara.

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Paulo Yoshimoto 09/09/09 às 21h09

Questão 2

Jacques Le Goff, grande medievalista, elaborou sua extensa e inteligente defesa acerca da duração da Idade Média defendendo que o caráter psicológico dos pretensos indivíduos modernos ainda era, essencialmente, medieval e que, portanto, a Idade Média só teria acabado de fato na época da Dupla Revolução (francesa e industrial).

Ao fazer sua defesa sobre o caráter psicológico dos indivíduos da "Idade das Trevas" menciona claramente que "teocêntrica" não é o termo ideal para se referir à mentalidade medieval, creio que é exatamente a chave da forma de pensar medieval que nos causa tanto estranhamento na obra de Pico Della Mirandola.

Claro que, como todo grande historiador, Le Goff buscou impactar seu argumento contradizendo o que a história clássica afirma, mas isso em nada tira a força das ferramentas que ele nos proporciona para analisar todo o período que ele caracterizou como Idade Média e sua forma de pensar. Da mesma forma Pico Della Mirandola nos fornece instrumentos fundamentais para entender seu tempo e sua forma de pensar, por mais diferente que seja.

Ao analisarmos seu trabalho com olhos contemporâneos nos deparamos com argumentos que nos parecem contraditórios e até podem causar alguma hilaridade (como utilizar Osíris para debater sobre a fé Cristã), bem como a utilização de uma lógica que, aos nossos olhos, está longe de fazer sentido.

No entanto creio que é em primeiro lugar sua linguagem que primeiro nos aparece como diferente, ao usar uma linguagem quase bíblica para tratar de "ciência" vemos como, na época, ambos se misturavam.

Dada essa união entre ciência e teologia, a extensão desse sincretismo se torna quase inevitável, sincretismo esse que vai nos causar a segunda etapa de estranhamento, por exemplo, ao colocar Platão e Aristóteles como complementares. Esse fato novamente tem origem da cultura da época, pois devo lembrar-lhes (como me ensinou o amigo Caio) que não há contradições na Bíblia, mas que as partes opostas se complementam, assim ocorre com todas as religiões para Pico, que cita pagãos como faces da Fé.

Por fim a forma conclusiva da obra e o motivo pela qual foi feita, o que ocorre mesmo nos dias de hoje, mas que ainda assim se destaca aos nossos olhos, que toda esplanação sobre Deus e Seus desejos e faces nada mais é do que uma forma de "propaganda" e "desculpas" pela sua ousada empreitada de escrever suas teses.

Pico, segundo Le Goff, estava longe de encerrar a Idade Média, que muitos acusam de ser a "Longa Noite de Mil Anos", mas, plagiando o autor, afirmo: que céu estrelado teve aquela noite! E Pico Della Mirandola foi uma de suas estrelas.

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Larissa Xavier Rocha 20/09/09 às 00h09

questão 2

"Não te dei, ó Adão, nem rosto, nem um lugar que te seja próprio,

 

nem qualquer dom particular, para que teu rosto, teu lugar e teus

 

dons, os desejes, os conquistes e sejas tu mesmo a possui-los.

 

Encerra a natureza outras espécies em leis por mim estabelecidas.

 

Mas tu, que não conheces qualquer limite, só mercê do teu arbítrio,

 

em cujas mãos te coloquei, te defines a ti próprio. Coloquei-te no

 

centro do mundo, para que melhor possas contemplar o que o mundo

 

contém. Não te fiz nem celeste nem terrestre, nem mortal nem

 

imortal, para que tu, livremente, tal como um bom pintor ou um hábil

 

escultor, dês acabamento à forma que te é própria". (Pico della Mirandola)

 

As idéias de Pico causam estranhamento porque ele mistura ciência e espiritualidade, explicando a realidade social por Deus. E hoje, a grande parte dos leitores de ciências sociais e filosofia estão habituados a obras cientificistas que explicam o homem pelo homem e o objeto do mundo pelo homem também. Pico entende que Deus criou todas as coisas e criaturas e então resolveu criar um ser capaz de apreciar e contemplar sobre a própria criação e natureza. O homem estaria em algum lugar na cadeia de seres desde os vermes até os anjos, de maneira que quando o homem filosofa ele ascende a uma condição angélica e comunga com a Divindade, entretanto, quando ele falha em utilizar o seu intelecto, pode descer à categoria dos vegetais mais primitivos. Para Pico, o homem foi o auge da criação de Deus.

Professor, peço que reconsidere essa nova postagem, pois à época do primeiro comentário não havia nenhum comando de questão a ser seguida nas postagens e eu pensei que seriam comentários abertos acerca das idéias de cada autor.

Agradeço e espero pela sua compreensão.

[0] 
Erlene Maria Coelho Avelino 20/09/09 às 23h09

Comentário Geral

No geral, as notas foram boas, houve excelentes respostas e que realmente aprofundaram o assunto, outras não foram tão boas, porque faltou um pouco dessa profundidade, um cuidado quanto as citações do texto também. Muitos citaram as passagens do Pico, no entanto, explicaram pouco, outros se prenderam muito ao conceito de humanismo e esqueceram de relacionar bem ao texto. Quanto ao estranhamento na obra do Pico, ocorreu o mesmo, faltou mais interpretação da maioria dos que responderam, algumas coisas pareceram superficiais e incertas. O objetivo maior das atividades é realmente a análise crítica dos textos e seus respectivos autores, por isso não tenham receio de serem criativos, de fazerem paralelos com outros autores e obras. Queria destacar o debate entre o Gilberto e a Bárbara, ao que me fez ver vocês realmente pegaram o espírito do trabalho, a intenção é realmente discutir para que se possa aprender e suscitar dúvidas a fim de  serem esclarecidas. Parabéns.
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Manuel Socorro Lopes Gonçalves 04/11/09 às 23h11

manuel gonçalves

  O humanismo pode ser difinida como um conjunto de ideiase principios que valorizom as açoes humanas e os vlores morais.para os humanistas,os seres humanos sao os responsaveis pela criaçao e desenvolvimento desses valores.desta forma,o pensamento humanista entra em contradiçao com o pensamento religioso que afirma que deus e criadores desses valores. A interpretação histórica mais comum vincula o surgimento desses valores às transformações sofridas na Europa nas importantes transições associadas ao Renascimento, como a da Idade Média para a Moderna e a gradual transformação do Feudalismo para o Capitalismo. Porém, segundo a minha visão, esses valores humanistas de racionalismo, antropocentrismo e hedonismo foram também impulsores de transformações vividas pela sociedade européia. Nesse sentido, os escritos de Pico della Mirandola podem ser vistos como contribuição para a consolidação mais profunda do Humanismo ocorrida no fim do século XV.

Traçando paralelos ideológicos entre o texto e o Humanismo, revelou-se uma correspondência de idéias que remete a obra ao contexto histórico da Itália renascentista em que foi produzido. Esse momento histórico é representado na obra pelas seguintes características:

 

 

 

    Valorização da razão É um elemento claramente presente durante toda a argumentação de Pico. Porém, o mais interessante talvez seja a defesa da razão durante a prescrição moral do texto. A razão é apresentada como um dos elementos principais para a comunhão com Deus, sendo capaz de gerar a transformação profunda que eleva o homem ao patamar dos anjos, criaturas sempre consideradas inerentemente superiores à humanidade na mitologia hebraica e durante a Idade Média. Entre as três características relacionadas às três classes de anjos que servem como inspiração para a ascensão do indivíduo, a razão encontra um papel de destaque, dando acesso ao amor dos Serafins e à Justiça dos Tronos. Assim, a tentativa de interpretar o mundo através de métodos racionais, típica do Humanismo, é encontrada na base argumentativa e no próprio objetivo do “Discurso pela Dignidade do Homem”. A visão que desenvolvi com base no "Espaço e História do Mediterrâneo" de Braudel é a de que a presença dessa postura otimista pode ter contribuído para uma ruptura com o espírito medieval, mais fechado, sombrio, pessimista em relação à natureza humana se comparado à cultura grega clássica, e sobretudo proto-grega, de maior abertura em certos aspectos, como o filosófico. Esse otimismo se expressa no pensamento de Pico através da desconstrução da idéia do homem como ser indigno, expulso do Éden. A valorização otimista que ele faz do ser humano se mostra também na grande flexibilidade que ele apresenta como inerente ao homem, que o permitiria ser tão próximo de Deus quanto os anjos. Dessa forma, a possibilidade da comunhão com Deus se opõe à espiritualidade medieval, criando uma visão quase hedonista e menos pessimista da vida terrena e da futura.

     O papel da razão como caminho demonstra o interesse humanista na retomada dos elementos filosóficos clássicos. A citação de textos dessa tradição de pensamento, ao lado de trechos da Bíblia, deixa explícito esse renascimento das idéias clássicas, que tiveram um papel bem mais tímido durante a Era Medieval. Além disso, o aparecimento de figuras da mitologia grega, como já citado acima pelo Augusto, e a importância dada à dialética e a filosofia evidenciam a proximidade da obra com a Grécia Antiga. Isso sem mencionar a constante recorrência a ilustres filósofos da Antiguidade, como Platão, Empédocles, Pitágoras, Demócrito, Aristóteles etc.. Um ponto muito instigante a se destacar da argumentação de Pico, é que as classes de anjos "Querubins", "Serafins" e "Tronos", termos recorrentes na obra, provavelmente decorrem da classificação de Dionísio, o Areopagita, que na época acreditava-se ser um ateniense do século I. Porém essa classificação angelical provavelmente foi escrita por um teólogo bizantino sírio no século V, chegando a Pico devido ao fluxo comercial intenso na Itália renascentista, cujas rotas comerciais ligavam o Oriente e a Europa Ocidental. Como a obra do "Pseudo-Dionísio" teve forte influência na mística cristã da Idade Média, o interessante da presença de suas idéias na obra de Pico é que ela revela a tentativa de resgate do pensamento clássico através da "caçada" pelos originais gregos, que se contrapõe ao simples estudo das obras comentadas, já de "segunda-mão", como acontecia na tradição religiosa medieval.

Tratando-se ainda do intercâmbio cultural tipicamente humanista, podemos ainda retratar o “Discurso” através de conceitos trazidos da cabala hebraica, da mitologia egípcia, do misticismo persa e zoroastrista. É interessante notar que esse sincretismo é hoje condenado por cristãos católicos e protestantes – a simples consideração dessas expressões religiosas é considerada herética. No texto, porém, essas referências têm função argumentativa, vindo reforçar os ensinamentos dos livros bíblicos.o contrário dos pensadores medievais, os humanistas acreditavam principalmente na razão, mais do que na providência divina, defendida pela fé católica. Na religião o humanista encontrava ajuda e conforto, mas não era obcecado pelo julgamento de Deus ou pelo temor do inferno. Eles defendiam que o homem era o centro de todas as coisas e não Deus, mas isso quer dizer que eles não criam em Deus.Ao contrário dos pensadores medievais, os humanistas acreditavam principalmente na razão, mais do que na providência divina, defendida pela fé católica. Na religião o humanista encontrava ajuda e conforto, mas não era obcecado pelo julgamento de Deus ou pelo temor do inferno. Eles defendiam que o homem era o centro de todas as coisas e não Deus, mas isso quer dizer que eles não criam em Deus.Os ideais defendidos pelos humanistas produziram o Renascimento. Acho que a relação entre eles é essa, eles acreditavam e defendiam os mesmos princípios, as mesmas idéias.

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Thiago da Silva Soares 18/11/09 às 20h11

QUESTÃO 01

O pensamento humanista surge com acentuada predominância no período “renascentista”, período situado historicamente entre o fim da idade media e a fase inicial do “mundo moderno” ( sécus. XV e XVI). “Renascimento” porque rompia-se com o pensamento medieval e retornava à valorização do estilo de pensar clássico( idade antiga).

O renascimento fiel a sua valorização dos clássicos, foi buscar o lema do humanismo no filosofo grego da sofistica, Protágoras, em seu célebre fragmento: “o homem é a medida de todas as coisas”. Este lema marca de forma decisiva a ruptura com o período medieval, com sua visão fortemente hierárquica de mundo, com sua arte voltada para o elemento sagrado e com sua filosofia a serviço da teologia e da problemática religiosa.

O humanismo renascentista, da qual Pico della Mirandola foi um dos grandes representantes, baseou sua percepção da dignidade humana na perspectiva de sua autonomia. O ser humano é livre; seu destino não foi divinamente determinado, mas deve ser construído pelo próprio homem. E isso aparecia , no escrito de Pico , como um dom divino.

Tal senso de autonomia fica expresso nas palavras de Pico della Mirandola em “Discurso sobre a Dignidade do Homem”, em que Deus discursa a Adão:

 

“Não te dei face, nem lugar que te seja próprio, nem dom algum que te faça particular, ó Adão, a fim de que tua face, teu lugar e teus dons, tu os desveles, conquistes e possuas por ti mesmo. A natureza encerra outras espécies em leis por mim estabelecidas. Mas tu, a que nenhum confim delimita, por teu próprio arbítrio, nas mãos do qual te coloquei, tu te defines a ti mesmo. Pus-te no mundo a fim de que possas melhor contemplar o que contém o mundo. Não te fiz celeste nem terrestre, mortal ou imortal, a fim de que tu mesmo, livremente, à maneira de um bom pintor ou de um hábil escultor, descubras tua própria forma”.

 

 A época da modernidade e caracterizada por seu senso de autonomia, a percepção de que tanto o homem quanto a vida respondem aos processos que lhes são próprios, que lhes são imanentes, e não a interferências divinas.

 É importante ressaltar ainda o caráter sincrético da obra de Pico, esta transparece o período de transição na qual se insere. Existe na obra de Pico um intenso diálogo entre certos valores feudais, de base religiosa, com valores do nascente humanismo renascentista, calcado na razão.

 

 

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