II - Maquiavel

Diálogos

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Luís Otávio Valente Barcellos 06/09/09 às 19h09

Exercício 2

Primeiramenté, é válido lembrar que Maquiavel é o pai do chamado Realismo Político, legando à posteridade um discurso em linhagem semelhante à de Hobbes ("O Leviatã").

Em sua obra "O Príncipe", Maquiavel nega o conceito de individualidade inviolável e sagrada, identificando malevolência e maldade na natureza do ser humano. Para evitar que essa natureza humana (individual) destrua o ordenamento de uma sociedade, deve-se reforçar o poder da coletividade - reificada no Estado.

Ressalte-se aqui que a proposta maquiavelista "os fins justificam os meios" não diz respeito a nenhum partido, nenhum grupo, nenhuma agremiação em específico, mas sim ao Estado de forma genérica, geral. "O Príncipe" data de um tempo em que não se cogitavam representativismo político, democracia plena ou semiplena, parlamentarismo nem nada que nos lembre o mundo atual. Empregar métodos violentos - a violência de Estado é uma constante no livro - para alcançar o poder para si seria negar o objetivo principal do autor. Seria tirar proveito individual das decisões coletivas. E o individualismo é onde morre e acaba a ordem - que Maquiavel quer ver preservada - e começa a corrupção - o governo da natureza e do instinto humanos.

portanto, senhor candidato, evite abusar do poder que lhe foi confiado no pleito passado. Como já dito, Maquiavel fez um discurso em prol da coletividade, que ele acreditava ser atacada toda vez que a ordem fosse rompida ou ameaçada. Se destinou o livro a uma pessoa - Lourenço de Médici - , à época era este a única pessoa que poderia manter tal ordem numa Itália tão desorganizada e num contexto tão instável como o de Florença. Hoje em dia, no entanto, a ordem é responsabilidade de toda uma máquina estatal aparelhada - Polícia, Justiça, Exército, programas de assistência social.

Mesmo grupos de bandoleiros, arruaceiros, ou de pessoas que preguem a desordem, nada, ainda assim, pode ser feito contra eles, desde que limitem-se à simples divulgação de suas idéias. Caso passem à esfera prática, agredindo propriedades particulares de qualquer espécie ou até indivíduos, cabe ao senhor, enquanto autoridade constituída, reagir em defesa da ordem. E, dependendo do êxito de sua reação (se ela lograr ou não), o senhor pode arrebanhar mais votos (transmitindo segurança e confiança) ou perder os mesmos (transmitindo hesitação e pulso fraco).

 

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Diego-gontijo-de-aquino'>Diego Gontijo de Aquino 07/09/09 às 17h09

Questão 2

Meritíssimo Senhor,

Já de início informo que devido ao grande distanciamento temporal entre o contexto em que Maquiavel viveu e escreveu a obra e o em que nos encontramos já torna claro que seria extremamente difícil seguir qualquer dos conselhos dados se levados ao pé da letra, sem uma devida adaptação ao nosso contexto político, histórico, social, cultural, econômico.

A primeira lição que de certa forma ressaltaria seria o da função prática da história, que muitos não pensam haver, que foi utilizado para escrever e justificar seus argumentos na obra. Essa função prática se faz através do estudo da história de forma a tirar lições do passado, visando assim aprender com erros cometidos de forma a não mais cometê-los e se inspirar no que se mostrou positivo e eficiente, mas sempre lembrando que muitas vezes o que deu certo no passado poderá não dar certo em um contexto presente de forma que se deve buscar a essência de forma a lhe dar nova roupagem. A partir disso seria sensato também estudar a história dos grandes, mas não necessita que sejam os grandes de séculos passados, podendo ser os de décadas ou de poucos anos atrás, sendo o importante mirar Vossa trajetória nos atos daqueles que marcaram a história por seus grandes valores e atos assim como falou Maquiavel “deve um homem prudente sempre trilhar os caminhos abertos pelos grandes e imitar aqueles que foram os mais excelentes, a fim de que se seu valor não puder ser atingido, que a eles se assemelhe, ao menos, em alguma coisa”.

Um grande ponto tem a seu favor, por já haver sido eleito na última eleição Vossa Excelência tem a vantagem no oposto do que trata Maquiavel no trecho “é preciso considerar que não há coisa mais difícil de ser tratada, de consecução mais duvidosa, de manejo mais perigoso do que fazer-se o líder da introdução de novas regras, pois o introdutor terá como inimigo todos aqueles que tiram proveito das velhas regras, enquanto que em todos aqueles que tiram proveito das novas regras encontrará tíbios defensores”. Assim será necessário que apenas mantenha seu plano de governo, as propostas passadas, para ter um forte apoio, mas vale lembrar que tais informações são em geral defasadas, e essa em especial é limitada no sentido de que não leva em conta mudanças que possam ocorrer e que tornariam inviável a persistência em velhas regras como, por exemplo, um ganho de força por parte dos grupos de pressão que exigem mudanças e também não leva em conta se as antigas regras recebiam ou não um forte apoio por parte de grupos consideráveis e de maior poder.

Por mais que seja quase inevitável um apoio e investimento de outros para se fazer uma boa campanha política, Vossa Excelência deve evitar ao máximo se utilizar deles e se o fizer que seja com aqueles com que já anteriormente se partilhava idéias e objetivos comuns. Quando se chega ao poder através de outros se torna quase inevitável se manter depois sem os mesmos, o que causa uma forte dependência, e ainda acaba por se tornar apenas uma marionete das vontades daqueles, exercendo pouco de seu livre-arbítrio.

Maquiavel menciona que uma das formas de se chegar ao poder é através de crimes e outros meios execráveis, diz que pode ser eficaz em determinados casos, apesar de ser pouco louvável. Não é preciso dizer já de começo que tais meios não são aceitáveis, muito menos os que envolvem a morte de outros, pois Vossa Excelência não pretende ser um príncipe e sim um governador, que ao menos em tese deve servir o povo e não a si próprio, seguindo essa lógica, prejudicar outrem para benefício próprio não faz em tal contexto sentido. Mas onde ele dá tal explicação há uma lição de maior proveito que esta expressa nos trechos “ao conquistar um Estado, o conquistador deve avaliar rapidamente todas as violências que lhe são necessárias cometer e cometê-las todas de um só golpe para não ter que repeti-las todos os dias e poder, não as repetindo, tranqüilizar os homens e conquistá-los beneficiando-os” e “as violências devem ser feitas todas em conjunto para que, dispondo-se de menos tempo para provar seu gosto, pareçam menos amargas; os benefícios devem ser concedidos pouco a pouco para que sejam mais bem saboreados”. Com relação à palavra violência, acredito não ser a mais propícia para o Vosso caso, pois esta deve ser evitada de todos os modos, sendo preferível considerar em seu lugar as decisões que provocam reações adversas na população ou em determinados grupos, mesmo que visando um benefício futuro aos mesmos, pois nestes casos a população ou grupos específicos podem não compreender o que Vossa Excelência pretende ou podem mesmo não aceitar medidas que lhes sejam prejudiciais. Caberá apenas ao Vosso juízo decidir quais medidas serão essas vistas como prejudiciais pela população e então se possível aplicá-las de uma única vez para que depois só sobrem a serem feitas os atos bem vistos e que por isso serão mais bem lembrados.

Provavelmente o capítulo da obra “O Príncipe” que melhor se refira ao modelo em que nos encontramos seja o capítulo IX que trata do principado civil, onde Maquiavel mostra haver um constante conflito de interesses entre o povo e os grandes e é desse ou nesse conflito que nasce tal principado. Tal conflito permanece em muitos pontos bastante atual pois nele há o povo, que quer liberdade e não opressão, e os grandes, que querem dominar e oprimir. Quanto a forma de nascimento de tal príncipe há duas formas diferentes, uma onde o príncipe chega a tal posição devido aos grandes que o colocam lá devido a consciência da incapacidade de dominar o povo e visam utilizar o príncipe como um meio de satisfazer suas vontades. A outra forma é o principado promovido pelo povo diante do sentimento de impotência com relação aos grandes vendo no príncipe uma forma de se defenderem de abusos. De acordo com Maquiavel é preferível ser levado ao poder pelo povo do que pelos grandes, pois coloca que é mais fácil satisfazer o povo, que suas metas são mais honradas, que se pode viver sem os grandes mas não sem o povo, que os grandes podem ser substituídos mas o povo não, que o povo é mais forte e por isso quando hostis de pouco vale a proteção dos grandes. Maquiavel dá muitos outros esclarecimentos do motivo pelo qual se deve preferir estar junto ao povo, mas que não convém mencionar por já estar o texto muito longo. O fato é que por um lado esta certo o que disse a respeito do povo, tirando que hoje esse povo é muito mais difícil de agradar e muito mais exigentes quanto aos seus direitos, não sendo tão ignorantes e tão manipuláveis quanto já o foram. Atualmente se mostra impossível promover um bom governo sem agradar tanto ao povo quanto aos grandes, que seriam aqueles que de uma forma bastante simplificada detêm grande poder de influencia no mercado, por serem uns detentores da quase totalidade dos votos e os outros por serem detentores econômicos, o que torna o trabalho um tanto mais seguro, por não visar o ódio de nenhum dos dois, e mais complicado visto em muitos casos serem os desejos de ambos contrários. Mas isso é algo que Vossa Excelência deve ter sempre em mente e para isso vale o bom caso do presidente Getúlio Vargas que foi, por muitos, considerado “mãe dos ricos e pai dos pobres” e que por isso foi exitoso ao conseguir agradar e obter apoio de ambos os lados.

Termino por aqui por já estar o parecer muito longo, apesar de haver ainda na obra muita coisa que poderia ser explorada, citando eu apenas alguns poucos casos abordados por Maquiavel, mas que acredito já servirem ao propósito pedido . Então fico por aqui.

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Bárbara Layza 07/09/09 às 19h09

Questão 2

Exmo. Sr. Governador,

 

 

Reli a obra O Príncipe, de Maquiavel, como solicitado e gostaria de chamar atenção para alguns pontos que considero relevantes para elaborarmos seu discurso para as próximas eleições. Além disso, há aspectos que devem ficar em oculto, ou seja, não devem ser abertos para a população como um todo, pois dessa forma, Vossa Excelência não seria reeleito. Exporei os pontos em forma de lista e farei um breve comentário dizendo se eles são atuais ou se seria pernicioso segui-los.

 

 

- Antes de tudo, é preciso que Vossa Excelência esteja atento aos feitos dos grandes homens e busque neles inspiração para suas atitudes; o exemplo deles é fundamental para auxiliá-lo nessa grande empreitada. Maquiavel nos ajuda citando casos de homens que obtiveram sucesso e também daqueles que fracassaram.

 

 

- Faz-se necessário a um bom governador estar sempre atento às possíveis dificuldades do futuro e não se concentrar apenas nas do presente; isso é fundamental para que haja tempo de contorná-las de forma bem sucedida: “Assim também ocorre nos assuntos do Estado porque, conhecendo com antecedência os males que o atingem [...], a cura é rápida; mas quando, por não se os ter conhecido logo, vêm eles a crescer de modo a se tornarem do conhecimento de todos, não mais existe remédio.”

 

 

- Maquiavel valorizava bastante o aspecto bélico na constituição de um Estado e inclusive escreveu: “Daí resulta que todos os profetas armados venceram e os desarmados fracassaram.” Penso eu, porém, que isso não tem sido sempre verdade na história da humanidade; é claro que, principalmente no sistema internacional, é de fundamental importância que, caso haja algum Estado armado, o outro também deve estar para sua própria segurança. Mas há um grande exemplo histórico do século passado: Mahatma Gandhi, por meio de uma reivindicação pacífica, lutou pela independência indiana e marcou a história da humanidade. Por isso, creio que, como governador, vossa excelência deva saber manejar a questão bélica de forma equilibrada; e isso está muito relacionado com outra passagem do livro, que, a meu ver, é bastante sintética: “Não se pode, ainda, chamar de virtude o matar seus concidadãos, trair os amigos, ser sem fé, sem piedade, sem religião; tais modos podem fazer conquistar poder, mas não glória.” 

 

 

- Seria fundamental para vossa reeleição a continuidade do processo que vem sendo desenvolvido: a relação de confiança entre o governante e o povo. Tendo o apoio do povo, Vossa Excelência não terá o que temer em momentos de adversidades e terá desenvolvido bons fundamentos em seu governo. Um exemplo bastante atual (e polêmico também) é o de Hugo Chávez na Venezuela, que mesmo colecionando desavenças, colocou a situação do país em uma posição de destaque no que tange não apenas à área econômica, mas também à social; todos esses fatores contribuíram para o aumento do apoio popular a seu governo.

 

 

- “Um príncipe prudente, portanto, sempre tem fugido a essas tropas para voltar-se às suas próprias forças, preferindo perder com as suas a vencer com aquelas, eis que, em verdade, não representaria vitória aquela que fosse conquistada com as armas alheias.” Citei esse fragmento do texto, apenas para ressaltar que hoje, em nosso país, ele não faz tanto sentido, pois de acordo com a Constituição em vigor, é vedada a associação com caráter paramilitar.

 

 

- “Deve, pois, um príncipe não ter outro objetivo nem outro pensamento, nem tomar qualquer outra coisa por fazer, senão a guerra e a sua organização e disciplina, pois que é essa a única arte que compete a quem comanda. [...] quando os príncipes pensam mais nas delicadezas do que nas armas, perdem o seu Estado”.  Eu realmente tenho minhas dúvidas quanto à veracidade desse pensamento do autor nos dias atuais; é, inclusive, um pensamento característico das Teorias Realistas das Relações Internacionais, que focaliza na constante busca pela ampliação do poder pelos Estados, que se daria, em tese, por meios violentos. Eu penso que há várias outras formas dos Municípios, Unidades Federativas e outros elementos da estrutura estatal alcançarem seus objetivos,um deles seria a resolução de conflitos por meio de acordos.

 

 

- Falemos agora de uma das máximas da obra de Maquiavel: deve ser o príncipe (nesse caso, o governador) temido ou amado? Segundo ele, seria necessário ser uma coisa e outra, mas como isso, na prática é difícil acontecer, é preferível ser temido a amado. Ele justifica argumentando que quando se faz bem aos homens, eles “são todos teus, oferecem-te o próprio sangue, os bens, a vida, os filhos, desde que, como se disse acima, a necessidade esteja longe de ti; quando esta se avizinha, porém, revoltam-se.” Porém, se o governante for temido, os homens receariam um possível castigo, em caso de descumprimento da ordem estabelecida. Concordo em parte com esse argumento; em muitas situações isso faria sentido, mas com o ideal democrático vivo em nosso seio pátrio, haveria, possivelmente, muitas resistências a essa forma de governar.

 

 

- Fiquei impressionada com duas passagens do capítulo XIII: “Logo, um senhor prudente não pode nem deve guardar sua palavra, quando isso seja prejudicial aos seus interesses e quando desapareceram as causas que o levaram a empenhá-la.” e “Mas é necessário saber bem disfarçar esta qualidade e ser grande simulador e dissimulador: tão simples são os homens e de tal forma cedem às necessidades presentes, que aquele que engana sempre encontrará quem se deixe enganar.” Essas passagens são atualíssimas; podemos ver isso bem claro na crise do Senado, que envolve uma série de denúncias de atos secretos e dissimulados, da hipocrisia e da falta de palavra que assola grande parte dos nossos parlamentares e governantes. Infelizmente, caso queira se manter no poder, em meio a tanta corrupção, faz-se necessário sujar vossas mãos em meio a essa água suja da politicagem.

 

 

- “Nada faz estimar tanto um príncipe como as grandes empresas e o dar de si raros exemplos”. Na história da humanidade, os governantes que ousaram fazer grandes coisas e dar de si grandes exemplos, foram aqueles que mais obtiveram apoio e gratidão do povo. Parece até irônico eu citar esse exemplo, mas não muito longe daqui, tivemos um governador que, fazendo pontes e mantendo uma política assistencialista, conseguiu alcançar a proeza de se reeleger uma vez, e talvez, num futuro próximo, duas. Acho que seria uma dica interessante para Vossa Excelência seguir.

 

 

- Maquiavel fala também, que um príncipe deve se mostrar amante das artes e das virtudes; deve estimular os cidadãos a exercerem suas atividades, como a agricultura, o comércio. Deve ele também distrair o povo com festas e espetáculos. Achei bastante interessante esse conselho; hoje em dia com o acesso que temos à tecnologia e à informação (expansão dos meios de comunicação), creio que seria fácil alcançar isso; inclusive conheço várias bandas e grupos teatrais que podem auxiliá-lo nesse processo.

 

 

- “Não é de pouca importância para um príncipe a escolha dos ministros, os quais são bons ou não, segundo a prudência daquele. E a primeira conjetura que se faz da inteligência de um senhor resulta da observação dos homens que o cercam...”. A frase já fala por si só; Vossa Excelência deve escolher pessoas capacitadas para auxiliá-lo nessa empreitada rumo à reeleição e a um excelente mandato; modéstia à parte, creio que eu seria uma dessas pessoas indicadas.

 

 

 

 

Esses foram os aspectos que, a meu ver são mais relevantes. É claro que há outros que também o são, mas pela proximidade das eleições e pela pouca disponibilidade de tempo, penso que esses serão de suma importância.

 

 

Atenciosamente,

 

 

Bárbara Layza.

[0] 

Para Diego

  Diego, eu primeiramente tenho que dizer que gostei muito do seu trabalho, porém há alguns pontos que gostaria de destacar, quando você diz que o político não se pode utilizar de meios execráveis, atualmente, creio isso ainda ser possível, porém de outras maneiras, afinal ele ainda poderia se utilizar de algumas vias que vão contra a boa moral, ou seja, fazer propostas que não se pode cumprir, aliar-se a interesses contrarios aos que defende, entre outras situações normalmente frustram o eleitorado brasileiro; além de casos de corrupção que normalmente envolvem jogos de poder. Porém depois, você utiliza semelhante raciocínio acerca da manutenção do poder, se utilizando de uma idéia até comum na política, e que ás vezes passa batido na leitura do Maquiavel, algo muito bom, quando você fala do trecho dos mals serem feitos de uma só vez e o bem aos poucos.

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Gilberto-mendes-calasans-gomes'>Gilberto Mendes Calasans Gomes 07/09/09 às 23h09

Questão 1

Levei a idéia do diálogo além da simples comparação de idéias, e propus um diálogo fictício entre os dois autores. Gostaria apenas de lembrar que esse diálogo não seria de todo absurdo, já que ambos os autores viveram no final do século XV, em Florença. Porém, a impossibilidade reside no anacronismo das obras. Enquanto as 900 teses e a “Oração sobre a Dignidade do Homem” foram escritas na década de 1480, “O Príncipe”, obra maior de Maquiavel, e por nós analisada, foi escrita na década de 1510, quando Pico della Mirandola já havia morrido.

Pico della Mirandola (PdM): Caro Nicolau Maquiavel, burocrata florentino que concordou em debater sobre variados temas, em especial acerca da necessidade de que as autoridades políticas sejam pessoas virtuosas, agradeço a oportunidade de colóquio, já que reconheço o debate público de idéias como uma das mais importantes formas de se alcançar a sabedoria, por meio da qual nos aproximamos da legião de anjos da criação divina, em especial os Querubins, que tanto prezam pela inteligência e racionalidade, que, como nos mostra o Filósofo, Aristóteles, é a causa formal, a essência da existência do homem. É também muito válido lembrar as universidades, pelas quais passei, como importante forma de se agrupar e produzir conhecimento acerca dos antigos, os quais devem nos servir, assim como todas as outras formas de conhecimento humano, de modelo.

Nicolau Maquiavel (NM): Estimado Pico della Mirandola, é com receio que aceito o convite para um debate, por não ter certeza de onde esse colóquio poderá nos levar, e quais as conseqüências dele para meu futuro como burocrata do Estado florentino. Entretanto, rebato, mesmo que parcialmente, suas afirmativas. Conheço pouco sua obra, mas o suficiente para negar o que você considera a natureza do homem. Sua visão religiosa do homem o coloca como centro da criação de Deus, podendo assumir qualquer forma, sendo de anjo, de planta ou de besta. Rejeito esse ponto de vista! Como digo em minha obra em homenagem à Lorenzo de Médicis, “pode-se dizer dos homens, de modo geral, que são ingratos, volúveis, dissimulados; procuram se esquivar dos perigos e são gananciosos” (p. 102). Além disso, rejeito também sua busca, em ressonância com os antigos, dos ideais, seja das virtudes, seja dos melhores tipos de governo, assim como seus governantes. O conhecimento que proponho advém da observação da história, pois a natureza humana é imutável, o que muda é apenas o condicionamento histórico. Dessa forma, todos os exemplos de que precisamos já existe na história da humanidade, principalmente no pragmatismo romano, em contraposição ao seu modelo idealista grego. Apego-me não à modelos irrealizáveis, mas sim à verità effettuale, a verdade efetiva das coisas.

PdM: Em muito me entristece, caro conterrâneo, ouvir tão duras e secas palavras. Porém é apenas sonhando, por meio da filosofia e da teologia, que podemos de fato nos aproximar da divindade da obra de Deus. Sigo Platão, maior filósofo de seu tempo, cujas idéias ainda hoje persistem com força, e que tento alinhar seu pensamento ao do Filósofo, tão citado por São Tomás de Aquino, Aristóteles. No que concerne ao caráter dos governantes, me parece óbvio que Platão de Atenas estava certo ao colocar a figura do Rei Filósofo como governando da polis, a qual, por analogia, transportamos às cidades-Estado italianas. Como o discípulo de Sócrates diz, o filósofo é aquele que “verdadeiramente gosta de saber [e que] tem uma disposição natural para lutar pelo Ser, e não se detém em cada um dos muitos aspectos particulares que existem na aparência” (PLATÃO, p. 185). Assim, só o filósofo tem o conhecimento do eterno. Quanto à obediência às leis pelo governante, me reporto a São Tomás de Aquino, que com bastante sabedoria conseguiu eternizar o pensamento de Aristóteles. Segundo tal pensador “o bem comum do Estado não pode florescer se os cidadãos não forem virtuosos, pelo menos aqueles cuja tarefa é governar” (MORRIS, p. 69). Assim, o governante, iluminado pela razão humana, busca, sob mandato do povo, a felicidade, que, segundo Aristóteles, é a causa final do homem.

NM: Assombra-me sua ingenuidade Mirandola. O governante por ti descrito não conseguiria se sustentar no poder por qualquer período de tempo significante. Ao filósofo, ao amante da virtude que tanto descreve, falta a parte animal que os governantes necessitam. Os governantes devem ser leões e raposas, tendo a força daqueles e a esperteza para não cair em armadilhas deste. Precisam ser astutos, precisam “ter a mente apta a se modificar conforme os ventos que sopram, seguindo as variações da sorte” (MAQUIAVEL, p. 108). O governante necessita apenar aparentar ser virtuoso, a fim de ter o apoio do povo, pois um governante que tem o apoio do povo fica blindado às ações da nobreza. Se quiseres, apresento-te exemplos de governantes que conseguiram se manter no poder mesmo tendo assumido este por meio de atos criminosos. Sobre o cumprimento das leis, elas são importantes, porém, na maioria das vezes, insuficiente para a manutenção do poder. Mais vale a força no comando do que o cumprimento das leis. Finalizo tal diálogo afirmando que muito mais vale ser um governante temido do que um amado, um governante forte a um virtuoso.

Referências

MIRANDOLA, Pico della. Oração sobre a Dignidade Humana.

PLATÃO. A República. São Paulo: Martin Claret, 2005.

MAQUIAVEL. O Príncipe. São Paulo: Martin Claret, 2004.

WEFFORT, Francisco. Os clássicos da política. São Paulo: Ática, 2006.

MORRIS, Clarence. Os grandes filósofos do Direito. São Paulo: Martim Fontes, 2002.

[0] 
Amanda Panhol Bayma 08/09/09 às 00h09

Questão 2

  Brasília, 8 de setembro de 2009

  Exmº Senhor Governador,

  Escrevo-lhe este parecer a respeito dos conselhos relevante atualmente presentes no livro O Príncipe, a fim de auxiliá-lo a candidatar-se à reeleição. Espero que Vossa Excelência possa tirar boas lições desta obra que o próprio autor afirma que é um fruto de seu custo e risco pessoal. Tentarei resumir nesta carta alguns dos vários excelentes conselhos que fazem deste livro uma obra tão atual. Obviamente alguns pontos neste livro não são mais do que interessantes e curiosos historicamente para nossa sociedade, onde não é mais vigente o formato político de um governo hereditário.

  Para manter-se no poder, é preciso ter virtù e também contar com a fortuna, máximas talvez eternas de Maquiavel. Não há uma só forma de se portar que garanta o sucesso com certeza, pois o êxito depende das condições da época. Mais próximo ao final do livro, Maquiavel expõe a opinião de que a fortuna "manifesta o seu poder onde não há forças (virtù) organizadas que lhe resistam" (Capítulo XXV). É preciso utilizar-se de seu talento e mérito para prevenir-se de eventuais tragédias que a má sorte lhe traga.

   No Capítulo III, há uma recomendação que pode ser aplicada nos dias de hoje em um contexto diferente do que seria no século XVI: não é possível agradar a todos quando se sobe ao poder, pois não se poderá recompensar devidamente os que te apoiaram, e os que não te apoiaram serão teus inimigos. Sabendo deste conselho, podemos tirar que em um mandato, deve-se fazer o máximo de esforço possível para corresponder às expectativas e para agradar seus eleitores, e ao mesmo tempo tentar ganhar a confiança da parcela da população que não o elegeu.

   Daí partimos para um dos mais famosos princípios de Maquiavel: o governante temido e amado. A conclusão de Maquiavel é de que, como nem sempre é possível conciliar ambas as qualidades, é preferível ser temido, já que "os homens prezam segundo a sua vontade e temem segundo a vontade do príncipe". Porém ele também afirma que é necessário ter "prudência e benevolência", não ter medo do seu poder, e ser equilibrado. Deve-se evitar ser odioso e desprezível (Capítulo XIX) e também evitar os bajuladores (Capítulo XXIII), buscando conselhos quando se precisar deles, não quando os outros o julgarem necessário.

  Já cita Maquiavel no Capítulo XV que aquele governante que desejar ser sempre bom será levado por este comportamento à sua própria ruína, já que neste ambiente, os companheiros à sua volta não são bons. É necessário possuir características reprováveis em certas medidas que não ameacem seu poder político, uma certa astúcia. Não é possível manter todas as características boas, mas é possível e recomendável tentar aparentá-las. O controverso Maquiavel não hesita em afirmar que aqueles que ludibriam a opinião pública levam vantagem sobre os que tentam sempre ser fiéis às suas promessas. Caso os motivos para se cumprir uma promessa já não existam mais, afirma o autor, a promessa não deve mais ser cumprida. (Capítulo XVIII). É necessário possuir uma certa capacidade de dissimulação, pois motivos para justificar o descumprimento de um acordo são inúmeros. A última máxima de Maquiavel citada neste parecer é a do leão e da raposa: é necessário possuir as duas qualidades de natureza animal, lutando com a força, além da natureza humana, que é a de lutar com as leis. A raposa conhece as armadilhas dos homens e o leão espanta os lobos. Sendo esperto e forte ao mesmo tempo, e seguindo os conselhos deste pensador, tão atual em nosso momento histórico.

  Com os melhores cumprimentos,

  Amanda Panhol

[0] 
Lucas Cortez Rufino Magalhães 08/09/09 às 03h09

Questão 2

Exmo. Governador

Venho, por meio desta, relatar meus conselhos quanto à sua intenção em se reeleger no posto que atualmente ocupa no Executivo do seu estado. Primeiramente, afirmo que V. Exa. não deve nutrir nenhum sentimento de culpa por tentar se reeleger, ou ver tal intento com sentimento de culpa. A leitura de "O Príncipe", de Maquiavel, me fez entender que é natural ao homem a busca e a manutenção no poder, e o seu objetivo é perfeitamente natural.

Creio que, antes de tudo, dever-se-ia realizar uma análise detalhada do resultado da sua última eleição, observando-se os locais onde foi obtida maior aprovação e as regiões nas quais sua candidatura não foi muito bem recebida. Sua atenção deve manter-se, ao mesmo tempo, na manutenção do eleitorado a seu favor e na conquista de novos eleitores. Para isso, deve-se procurar eliminar a influência dos candidatos opositores nas regiões menos propícias; o enfraquecimento dos seus adversários nesses locais é essencial para a sua conquista.

Ao adentrar essas novas localidades, procure aproximar-se dos mais fracos, o povo mais humilde. Coloque-se como seu defensor, proferindo discursos que atendam aos seus anseios e que minimizem seus opositores. Realize atos de caridade, aos poucos, para que todos possam perceber sua bondade e complacência para com os necessitados. Agindo dessa maneira, em pouco tempo terá o apoio do povo do local, e seus adversários sofrerão duras baixas.

Entretanto, procure não espalhar o terror; abstenha-se de meios violentos para conquistar seus intentos. Seus adversários podem, facilmente, realizar denúncias à Justiça Eleitoral, e sua candidatura pode ser revista e, quiçá, proibida. Creio que tal risco não compensa a utilização de tais métodos. Recorra ao discurso e a promessas, fale  aquilo que o povo quer ouvir, dê-lhe o de que mais necessita no momento.

Por último, não se preocupe, em demasia, quanto à real possibilidade de cumprimento das suas promessas. Somente o faça enquanto forem interessantes ao bom andamento de sua gestão. Não se prenda às palavras e lute, arduamente, pela sua manutenção no poder, que constitui o verdadeiro objetivo da sua empreitada.

Creio, sinceramente, na proficuidade dos meus conselhos; peço, de antemão, perdão por alguma eventual não-observância de princípios relevantes de Maquiavel que aqui não foram relatados.

Att.

Lucas Cortez

[0] 

Para Lucas

 Lucas, mas como manter o antigo eleitorado?
[0] 
Alexandre Araújo Costa 14/09/09 às 09h09

Questionamento

Luís,

você não acha que essa leitura do Maquiavel vincula demasiadamente os conselhos dados ao príncipe com a defesa de um interesse comum dos cidadãos?

[+2] 
Augusto Sticca 07/09/09 às 20h09

Questão 2

Sr. Governador

               Devido a suas solicitações em ler o clássico político “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel com o fim de obter informações úteis à sua candidatura a reeleição do estado, procurei salientar quatro aspectos descritos na obra com o fim de auxiliá-lo não somente em sua campanha, como em seu futuro governo:

                1. Maquiavel afirma que as dificuldades são menores para um governador que já estava no poder desde que consiga manter o apoio popular através do respeito a seus costumes, isso, para se evitar o clima de hostilidade contra o governante e se assegurar o poder. Pode-se ver que esse importante raciocínio do florentino permanece muito útil, senhor governador; tome como exemplo as eleições presidenciais no Brasil em que, por duas vezes consecutivas, houve reeleições; vê-se que o povo não troca o “certo” pelo “duvidoso” desde que aquele lhe apraza. O apoio popular permanece como fundamento para um governo estável, é necessário ter o povo como amigo para que, quando “os grandes” (ou seja, Políticos da oposição) tentarem derrubá-lo de sua posição de notabilidade política, não lhe dê crédito.

               2. Ainda assim, o senhor não deve se limitar a fazer somente aquilo que alegrará a população, deve-se saber tomar atitudes que talvez não produzam afetos ao seu governo, contudo sejam necessárias, ou seja, não ser bom quando for preciso. No caso de uma necessidade de aumento de impostos, por exemplo, a população não se fará contentada, contudo, para que o senhor consiga manter a ordem, é necessário que se aja.

               3. Ainda neste raciocínio, não se deve cumprir as promessas feitas em campanha eleitoral se já não seja mais propício executá-las. É necessário entender, governador, que as prioridades mudam com o tempo e que executar promessas pode ser mais prejudicial ao seu governo do que faltar com sua palavra.

               4. Um último detalhe, senhor governador, é que Maquiavel afirma que metade de nossas ações cabe à sorte e a outra metade às nossas virtudes. Portanto, é necessário que o senhor procure mostrar-se como um homem politicamente valoroso, ainda que o senhor creia não ter certas qualidades políticas, é necessário que o senhor mostre tê-las com segurança a fim de ser tão ágil como uma raposa aos anseios da população, quanto temido como um leão aos opositores que lhe desejam destituir do cargo.

Respeitosamente

                             Augusto C. Sticca

[+2] 
Sarah Martin Moreira Marques 07/09/09 às 21h09

Questão 2

Senhor governador,

 

Agradeço desde já a oportunidade que me foi dada para lhe auxiliar nesse caminho rumo à reeleição.

Como me foi solicitado, reeli a obra de Maquiavel “O Príncipe”, a fim de buscar nela alguns conselhos que nos seria útil seguir, assim como aqueles que devemos evitar.

Por se tratar de épocas muitas diferentes no que concerne à política, devemos ter bastante atenção na análise desses conselhos dados por Maquiavel.

O primeiro ponto que gostaria de salientar aqui se refere à utilização de métodos violentos por parte do governante. Para Maquiavel, a utilização desses métodos é condenável se for empregado para interesses individuais. O individualismo, para ele, representa o fim da ordem. Romper com a ordem significa ameaça à coletividade. Acredito que esse é um dos pontos que não se aplica ao contexto individual. Primeiramente, porque o emprego da violência, em geral, não é aceita mesmo quando se trata de defender interesses coletivos. Ou seja, hoje em dia, o emprego de métodos considerados violentos deve ser evitado não só quando se trata de defender interesses individuais, como afirmava Maquiavel, mas em todos os contextos sociais.

Um ponto importante para lhe auxiliar nessa campanha para a reeleição são os apoios e investimentos que receberá. Concordo com Maquiavel que é de suma importância o apoio destes na sua campanha, entretanto, o senhor deve evitar utilizá-los como ferramenta fundamental para chegar ao poder, pois depois torna-se muito difícil manter-se sem o apoio deles. E pode tornar-se perigoso governar com interesses que podem ser tão contraditórios.

Outro conselho de Maquiavel que devemos seguir se refere à relação entre povo e governante. Embora ele admita existir um constante conflito de interesses entre estes, é fundamental que o senhor estabeleça com o povo uma sólida relação de confiança. Pois, dispondo do apoio e confiança deste, o senhor não terá o que temer em momentos de adversidade. “Um príncipe deve dar pouca importância às conspirações se o povo lhe é benévolo; mas quando este lhe seja adverso e o tenha em ódio, deve temer tudo e a todos.”

Uma outra questão à qual o senhor deve se atentar é a escolha de seus companheiros de trabalho. “Não é de pouca importância para um príncipe a escolha dos ministros, os quais são bons ou não, segundo a prudência daquele. E a primeira conjetura que se faz da inteligência de um senhor resulta da observação dos homens que o cercam...”. É de extrema importância que o senhor governador saiba com quem trabalharás, pois serão eles que lhe auxiliarão para que o novo mandato se suceda da melhor maneira possível.

Como Maquiavel já dizia há menos dificuldades para aqueles que exercem o mandato pela segunda vez do que àqueles que acabam de chegar ao poder. Para isso, senhor governador, aconselho que o senhor mantenha o povo ao seu lado e siga os conselhos de Maquiavel que aqui citei.

 

Grata pela atenção,

 

Sarah Martin

[+3] 
Didier Röhe 07/09/09 às 21h09

Questão 1

Primeiramente na visão de Pico, as autoridades políticas devem ser pessoas virtuosas pois, por meio do uso da razão, devem se igualar aos anjos, serem "puros" para que mereçam a Salvação de Deus. Essa explicação embora prime pela razão baseia-se em argumentos teológicos, reflexo da corrente de pensamento Humanista, época em que viveu Pico. Maquiavel, por sua vez, viveu em uma época na qual os argumentos já se encaminhavam para um discurso mais puramente racional-secular. Para tal, escreve "O Príncipe" de uma forma mais "desvinculada" da moral cristã vigente, muito embora o próprio Maquiavel não ouse criticar e/ou escrever sobre os "principados eclesiásticos" se limitando a dizer que "como tais Estados respondem a razões superiores que a mente humana não tem acesso, não discorrerei sobre eles; sendo mantidos e abençoados por Deus, só um tolo, ou um presunçoso, os discutiria."A virtú (ou virtude) seria então para Maquiavel a qualidade que faz com que um príncipe se perpetue no poder, ou utilizando os conceitos maquiavélicos, virtú seria como os instrumentos com os quais o príncipe molda sua fortuna, na medida em que tendo ou não sorte, formula estratégias para perpetuar a sua regência. Dessa forma, o político virtuoso sob a ótica maquiavélica não é aquele que se compara aos querubins - podendo até ser compreendido como um ser ético, não-pecador - como aponta Pico, mas aquele que em sua maestria se mostra eficiente na arte política e portanto, se prova capaz de se tornar um governante legítimo.
[+1] 
Mariana Bontempo Sidersky 07/09/09 às 22h09

Questão 2

Escrevi esse tratado a partir de um pedido do Senhor Governador e espero que lhe seja de muita utilidade. Tento aqui fazer uma análise que nos possibilite perceber o que essa obra de mais de 500 anos tem de atual que ainda pode ser aplicado, e aquilo que pela passagem do tempo se tornou ultrapassado.

-Para um príncipe ser bem estimado ele precisa fazer grandes ações e “acima de tudo, um príncipe deve esmerar-se para oferecer de si, em cada gesto seu, a idéia de um homem com grandeza e excele no pensar” (Maquiavel, pg. 127), “Além disso, nos períodos mais propícios do ano, ele deverá recrear a população com  festas e espetáculos” (Maquiavel, pg. 131). Essas atitudes são especialmente importantes para os políticos atuais pois esses precisam ter uma imagem muito boa para se reelegerem. Mas se precisas fazer, pelo bem do seu estado, algo pelo qual possa ser taxado de ruim, deves seguir o conselho de Maquiavel e fazê-lo mas  tenha muito cuidado pois os prícipes de hoje dependem muito mais de suas reputações que os antigos príncipes. No tempo de Maquiavel os governantes não tinham que se preocupar com a “accountability” (prestação de contas). Nos governos atuais é necessário que o governante regularmente explique às instâncias controladoras e seus representados o que anda fazendo, como faz, por que faz, quanto gasta e o que vai fazer a seguir, e na época de Maquiavel o príncipes não tinham essa preocupação, podiam tomar suas decisões e seu atos sem ter que dizer nada a ninguém. Reitero assim meu alerta: tenha consciência que estás sendo observado bem mais de perto do que os príncipes na época de Maquiavel eram observados.

-Aceite o conselho de Maquiavel quando ele diz que um príncipe deve ter parcimônia e assim será capaz de patrocinar o que for de necessário para seu estado sem “espoliar os seus súditos” (Maquiavel, pg. 92).

- Maquiavel começa o livro definindo o Estado: “todos os governos que tiveram e têm autoridade sobre os homens, foram e são ou repúblicas ou principados”( Maquiavel,pg. 5). Como governador de um estado contemporâneo, não acredito que seja recomendável basear seus atos nessa classificação. Na época de Maquiavel esses dois tipos de governos eram os principais, mas hoje a nossa democracia representativa não entra no conceito maquiavélico de república e os principados são tão comuns e ainda existem aqueles modelos de governo que não se parecem em nada com os dois conceitos, como os regimes comunistas.

 

- Mas deves dar ouvidos a Maquiavel quando ele explica seus conceitos de virtú e fortuna. “Dado que este evento da passagem de homem (no sentido privado) a príncipe pressupõe que este possua méritos (virtú) ou muito sorte (fortuna) ” (Maquiavel, pg. 30). Ao contrário da maioria dos autores que o precederam, Maquiavel acredita que um homem pode moldar o seu destino através da virtude, embora possa também depender da sorte. “Sem esta ocasião, suas virtudes espirituais ter-se-iam perdido, e, sem essas virtudes, a ocasião haveria sido vã.” (Maquiavel, pg. 31).

 

- Ele também acreditava que um governante poderia (ou deveria) confiar a administração civil à outros e concentrar totalmente em suas mão todos os negócios da guerra. “Deve, pois, um príncipe não ter outro objetivo nem outro pensamento, nem tomar qualquer outra coisa por fazer, senão a guerra e a sua organização e disciplina, pois que é essa a única arte que compete a quem comanda.” (Maquiavel, pg. 82). Mas seguir esse conselho não lhe traria benefícios, pois os governadores atuais são os que devem realmente se preocupar com a administração civil. Hoje, a guerra não tem a mesma forma que tinha a mesma forma que tinha na Península Itálica no final do século XV.

 

- Um conceito que é citado continuamente por Maquiavel e não deverias tomar como farol para tuas ações é o modo que ele acredita que seja a natureza humana. “Pode-se dizer isto, em termos gerais, a propósito dos homens, que eles são ingratos, inconstantes, fingidores e impostores, covardes e gananciosos” (Maquiavel, pg. 68). Para Maquiavel a natureza humana é má e também não se alteraria ao longo da história, mas essa visão não é um consenso entre os cientistas sociais contemporâneos. Para o antropólogo Clifford Geertz as ações humanas não são definidas unicamente pela sua natureza estando essas ações ligadas intimamente às instituições sociais. “O homem não pode ser definido nem apenas por suas habilidades inatas, como fazia o iluminismo, nem apenas por seu comportamento real, como o faz grande parte da ciência social contemporânea, mas sim pelo elo entre eles,  pela forma em que o primeiro é transformado no segundo, suas potencialidades genéricas focalizadas em suas atuações específicas. É na carreira do homem, em seu curso característico, que podemos discernir, embora difusamente, sua natureza e apesar de a cultura ser apenas um elemento na determinação desse curso, ela não é o menos importante. Assim como a cultura nos modelou como uma espécie única — e sem dúvida ainda nos está modelando — assim também ela nos modela como indivíduos separados. É isso o que temos realmente em comum — nem um ser subcultural imutável, nem  um consenso de cruzamento cultural estabelecido." (GEERTZ,C. O Impacto do conceito de cultura sobre o conceito de homem, 1989, p. 37-38).

Perdoe-me senhor se deixei algo de fora mas espero que esse tratado lhe seja muito útil.

[0] 
Caio Cesar Paccola Jacon 08/09/09 às 00h09

II

Exmo. Sr. Governador,

 

 

A leitura e entendimento da obra “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel revela-se-nos extremamente pertinente ao exercício e manutenção do poder, e o interesse de V. Ex.ª em conhecer seus postulados demonstram que ao menos em parte já está alinhado ao pensamento trazido pelo texto, pois demonstra seu empenho em, com o exercício da virtù, controlar a ocasionalidade da fortuna.

 

Comecemos, portanto, a avaliar a relação entre fortuna e virtù abordada pelo autor. V. Ex.ª achará interessante a analogia que se faz da fortuna com “um destes rios torrentosos que, em sua fúria, inundam os plainos” e “assolam as árvores e as construções”, e da virtù com a construção preventiva de diques e barragens. Assim, a construção destes visaria a fazer com que as águas de uma cheia escoassem por um canal ou que o seu ímpeto não fosse “nem tão incontrolável, nem tão avassalador” [1]. Trazendo o raciocínio inerente a essa analogia à sua realidade, poderíamos dizer que, como político que intenta permanecer no poder, V. Ex.ª deve construir “diques e barragens” consistentes para manter suas imagem e candidatura protegidas de quaisquer distúrbios trazidos pelo azar. Deverá, então, para manter a fortuna submissa, “batê-la e maltratá-la” [2]. Dessa forma, V. Ex.ª mostrar-se-á aos seus votantes como pessoa virtuosa para o exercício da política.

 

Tamanha destreza, sem embargo, pode gerar tanto amor quanto temor no povo. Maquiavel também abordará essa questão, fazendo uma análise sobre se vale mais ao príncipe (governante) ser amado ou temido. Todavia, os tempos do autor eram outros, e por então ele concluirá que mais valia ser temido a ser amado, visto a dificuldade em se conciliarem ambos. Afirmar-se-á para justificá-lo que “os homens prezam segundo a sua vontade e temem segundo a vontade do príncipe”, e o príncipe prudente deve fundar-se “naquilo que respeita ao seu arbítrio, não no que respeita ao arbítrio de outrem” [3]. Hodiernamente essas últimas frases ainda guardam em si certo sentido, porquanto quando um político amado deixa de agir conforme os caprichos do povo, logo ele perde seu apoio. É, pois, ainda necessário ao político ter sua autoridade temida, para que suas decisões sejam respeitadas pelos que a elas devem estar submetidos. Contudo, hoje esse “temor” mais deveria ser entendido como sentimento respeitoso do que como medo, e é também indispensável que haja juntamente a ele a estima pelo político. O nosso contexto democrático exige dos que pretendam exercer algum poder político que consigam ser estimados pelos seus eleitores para que possam chegar ao poder, e uma vez lá, que consigam mantê-lo para lá permanecerem. Porém é também essencial que o político apresente-se ao povo como uma autoridade venerável e temível para que suas ações sejam sempre respeitadas.

 

O fato de o amor ao político ser hoje algo indispensável também se poderia explicar pelo próprio texto de Maquiavel. Sendo o “príncipe” contemporâneo eleito pelo favor do povo, é essencial que aquele esteja sempre ao lado deste, como se lê em “O Príncipe”: “um homem que eleva-se à condição de príncipe mediante o favor do povo deve a este manter-se aliado” [4]; “a um príncipe é necessário ter o povo a seu lado” [5]. Em vista disso, é mister a V. Ex.ª entender a necessidade de se fazer querido pelo povo e de tê-lo sempre apoiando-o, sem esquecer que é também necessário fazer-se respeitar por ele.

 

Novamente tendo em mente a necessidade de ser estimado pelo povo, e tendo em mente o contexto democrático e, portanto, limitador das ações pessoais dos governantes, em que nos encontramos, ficam evidentes os conselhos de Maquiavel que não devem ser seguidos pelos “príncipes” atuais. Fora os obviamente impossíveis de serem seguidos atualmente, como as atitudes tomadas pelo Duque Francesco Sforza “para o bem do seu nascente principado” citadas por Maquiavel em sua obra [6], também podemos citar aquelas recomendações que hoje feririam gravemente a imagem do político e que, dessa forma, mantê-lo-iam afastados da vida pública, como seria o caso do emprego das “crueldades proveitosas” e das “violências necessárias” [7].

 

Por fim, espero ter podido apresentar a V. Ex.ª os aspectos mais relevantes da obra “O Príncipe” no que concerne ao exercício da política contemporânea, esperando assim poder tê-lo ajudado a estruturar suas estratégias de candidatura. Relembro-o, então, da necessidade do uso da virtù no controle da fortuna, de forma que V. Ex.ª aja sempre a solidificar sua campanha prevenindo-a contra quaisquer imprevistos, e também da obrigação que se lhe impõe de criar com seu povo eleitor uma relação de estima e temor. Seguindo tais indicações, não me restam dúvidas de que V. Ex.ª disporá de diversas vantagens em relação a seus adversários nessa eleição por vir.

 

 

Cordialmente,

 

 

Caio Jacon

 

 

1. MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. L&PM Editores, 2009. p. 120-121.

 

2. Ibidem, p. 124.

 

3. Ibidem, p. 83.

 

4. Ibidem, p. 47.

 

5. Ibidem, p. 47

 

6. Ibidem, p. 37

 

7. Ibidem, p. 43-44

 

 

[0] 
Laura Mourão Santana 08/09/09 às 02h09

Questã 1

 

Após ler as obras de Pico e Maquiavel, fica claro que, na visão de ambos, a virtude é necessária para que qualquer autoridade política possa governar bem; o que acontece, porém, é que eles provavelmente discordariam sobre o que é governar bem e o que é governar mal. Para Maquiavel, um bom governante precisa saber se manter no poder; assim, a virtude ( virtù ) é necessária, como  explicou o Didier, para que o governante consiga manter-se governando; enquanto que, para Pico, esta é necessaria para mantê-lo mais perto de Deus e mais longe das coisas mundanas, ou seja, para Pico, um bom líder tem que ser virtuoso para conseguir que  seu reino fique cada vez mais próximo do reino dos céus.

Partindo daí, podemos pegar aquela ideia de “os fins justificam os meios”, normalmente associada à obra de Maquiavel, e perceber como esta não se aplica às idéias de Pico, pois, para este, o Fim – chegar mais próximo do reino de Deus – está intimamente ligado com o meio – ser uma pessa digna, que governa segundo a moral e a ética; na verdade, para este, os meios são quase tão importantes quanto o fim.

Pode-se também fazer um paralelo com o que Max Weber diz, em “A Política Como Vocação”  ( páginas 114 a 120 ), sobre ética de convicção e ética de responsabilidade; a primeira se refere à pessoas que agem sempre de acordo com a moral e os bons costumes, independente da situação, já a segunda se refere à pessas que agem pensando na consequência final de seus atos e, portanto, podem fugir à moral, contanto que seja para alcançar seu objetivo final. Poderíamos dizer que, para Pico, um político virtuoso agiria segundo a ética de convicção, ao passo que, para Maquiavel, ele agiria segundo a ética de responsabilidade.

[0] 

Para Laura

Laura, muito bom seu paralelo com Max weber, afinal relacionar as obras lidas com outros autores com os quais já se teve contato, demonstra que você realmente fez uma reflexão, apesar que houve alguns pontos que poderiam ser melhorados, como no caso em que você diz que a virtude para Maquiavel teria o fim de se manter no governo, sendo que ela também pode servir para se atingir o poder. É porque às vezes falamos um ponto, mas é que não fazer certas observações parece com que outras faces desse ponto não existissem, além do que não ficou claro para mim o que seria a virtude no seu texto. E em relação ao Pico, diferente do que foi dito é importante também que haja virtude na vida mundana. Dessa maneira, venho a te alertar, porque você fez o mais difícil que era o paralelo com outros autores, algo além, faltou atenção nesses pontos para que ficasse muito bom seu trabalho.
[0] 
Vivian Suyen da Silva Bastos 08/09/09 às 03h09

Questão 2

Excelentíssimo Governador,

entrego-lhe agora meu parecer sobre O Príncipe de Maquiavel. Trata-se de um apanhado dos principais conselhos para um governante que tencione manter seu status quo profissional, como o senhor. Entretanto Vossa Excelência deve concordar que não nos ateremos ao sentido de um chefe de Estado, ou melhor, de um Principado, o que significa que dispenso dicas militares e conselhos sobre possibilidades que desconsideram a existência da democracia (eleições), como a tirania em âmbito estadual.

De início, posso citar o senso comum com palavras de Marilena Chauí no livro Filosofia: “Por ter inaugurado a teoria moderna da lógica do poder como independente da religião, da ética e da ordem natural, Maquiavel só poderia ter sido visto como "maquiavélico". As palavras maquiavélico e maquiavelismo, criadas no século XVI e conservadas até hoje, exprimem o medo que se tem da política quando esta é simplesmente política, isto é, sem as máscaras da religião, da moral, da razão e da Natureza.” Peço que analise esse parecer antes de chegar à mesma conclusão acima. Não trarei muitos floreios nem muitas palavras; se os quisesse, teria lido o original.

Apesar de O Príncipe se referir aos Principados especificamente, como Machiavelli diz no início do Capítulo II, o texto se torna clássico ao, fazendo-se as devidas correlações com as repúblicas, se equivaler aos sistemas políticos contemporâneos. Desse modo, o príncipe não é apenas aquele que governa um Principado Hereditário, mas pode ser interpretado como qualquer político no sentido geral da palavra: alguém que intencione manter e aumentar seu poder. Se o senhor quiser usar os ensinamentos maquiavélicos na sua esfera pessoal, garanto que eles também terão sua função.

Divido o juízo de Nicolau Maquiavel em cinco características que alguém deve possuir, ou ao menos parecer ter, sem hesitar. De fato, não é essencial possuir esse quinteto; basta o já empossado governante não deixar que descubram a ausência desse em sua personalidade. Trata-se da separação da ética e da política, contra a argumentação de Santo Agostinho, ou em outras palavras, da virtù: conjunto flexível de regras morais, que variam de acordo com as circunstâncias.

Tais virtudes são: clemência, benevolência, humanidade, retidão e religiosidade, sendo que especialmente a última deve ser separada da esfera pública, e assim, fingida. Se uma promessa resulta em algo incômodo aos interesses do Estado (no caso, estado), é melhor deixar esquecer o que se jurou cumprir. Explanando mais, Vossa Excelência deve se ater a projetos que irão beneficiar e suavizar a situação do povo. Em democracias como as de hoje, os governantes devem estar atentos, assim como o senhor está, à possibilidade de não se reeleger, ou seja, eles estão sujeitos à sua popularidade. Não é como no caso dos Principados, em que o poder pode ser mantido pela força. Assim escreve Maquiavel: “ deve-se cometer todas as crueldades de uma só vez, para não ter que voltar a elas todos os dias... Os benefícios devem ser oferecidos gradualmente, para que possam ser melhor apreciados.”

Outra faceta na utilização dessas virtudes remete a uma parte específica dos “súditos”, que se envolve diretamente com o governante. O líder dever estar cercado por secretários leais, competentes e confiáveis. Fique atento às promessas dos outros: eles também podem estar mentindo, em favor de seus interesses. Mantenha seu gabinete livre de conspirações.

Assim, crendo ter bem cumprido a tarefa designada, me despeço do senhor,

VSSB.

[-1] 
Danielle Freitas Henderson 09/09/09 às 23h09

II

Excelentíssimo governador,

 

Relendo a obra de Maquiavel, como o solicitado, pude perceber que se tratando de um período renascentista do século XV-XI, de um cenário político conturbado pelo processo de descentralização, e mudanças na maneira de pensar política temos no contexto da obra um gradiente de alteridade muito alto. A história e a cultura são completamente dinâmicas, sendo assim ocorreram até os dias de hoje muitas mudanças nas formas de pensamento e concepções.

Primeiramente é com lembrar que Maquiavel escreveu um manual para que o príncipe se mantenha no poder - O Príncipe - no exílio e para impressionar Lourenço de Médici.

Não é de se manter como viável, e nem de ter em pensamento a possibilidade de cometer violência ou atrocidades como coloca Maquiavel. Mesmo o exemplo de César Borjia (que é diferenciado do exemplo do homem que mata o padrasto) que ao matar o ministro em praça pública sendo tratado por Maquiavel não como atrocidade, e sim como essência de virtú não é viável neste caso. Trabalhar certas violências como normais e certas como estratégicas não funcionam atualmente, pois não condiz com os direitos do homem.

Podemos adaptar a idéia de Maquiavel de diferentes tipos de Estados, diferentes tipos de governo. O governo tem que se adaptar ao tipo de Estado.

O método empírico feito por Maquiavel também é importante para um governante atual. Observar aos mínimos detalhes a população e o Estado a ser governado é fundamental para se definir as práticas mais adequadas. Isso é praticado na atualidade e só nos mostra que era algo pensado há séculos atrás.

Maquiavel separa ética de política e propõe novos princípios como o deslocamento da moral cristã. O que hoje é um tema bastante debatido: a moralidade ou imoralidade na política, a falta de ética etc. Outra prática que defendia Maquiavel e que é adotada até hoje é a defensoria do príncipe aos mais fracos, o que pode levar a prática de governo para diferentes caminhos.

A sugestão aqui não é definir os conselhos de Maquiavel que podem ser viáveis ou não para uma reeleição, e sim propor uma reflexão do governador para pensar as melhores práticas a partir da observação e do entendimento da sociedade assim como Maquiavel.

                                                                                   Respeitosamente,

Danielle Henderson.

[0] 
Italo Rodrigues dos Santos 12/09/09 às 22h09

Questão 1

Questão 1

 

 

 

A respeito do diálogo entre Pico e Maquiavel cabe ressaltar a importância de sua execução, embasado na dialética de Platão que considera que apenas através do diálogo o filósofo pode alcançar o verdadeiro conhecimento, partindo do mundo sensível e indo para o mundo das idéias.

 

 

 

Pico della Mirandola: Caro Maquiavel, é com grande admiração que recebo esta solicitação de um diálogo, com tu, que apesar das diferenças aprecio o teu modo racional de teorizar.

 

   Ansioso de que possa lhe esclarecer minhas argumentações, intento começar logo com o tema proposta. Assim defendo que a virtude de fato está intimamente ligado à capacidade de conciliar a religião e a filosofia. Tendo Deus criado todas as criaturas desde vermes a anjos, foi tomado pelo desejo de criar um outro ser,  porém consciente de seus atos e com liberdade para escolher a que caminho seguir.

 

 

Maquiavel: Mirandola, assim como você também espero ter êxito em minhas explanações sobre o tema proposto e possíveis dúvidas sobre minhas considerações. Desta forma também serei breve e objetivo, aliás características estas que não são difíceis de notar em minha obra máxima “ o príncipe”, e que me distingue como inaugurador do realismo na política. Porém não atribuo totalmente a mim o grande apreço que esta referência poça me trazer. Acredito que o desenvolvimento do Humanismo e da busca da razão, no contexto do final da Idade Média modelaram o rumo que segui. A respeito da necessidade que as autoridades políticas sejam pessoas virtuosas, acrescento que aqueles que se apóiam na virtude e são menos dependentes da sorte acabam por serem assim menos susceptíveis as intempéries da fortuna. Ou seja se o objetivo final é a manutenção do poder ao governante não cabe restringir seu campo de ação e atuação.

 

 

Pico della Mirandola: Lamento muito que tenha esta postura tão desapegada dos valores cristãos, embasando a sua argumentação no simples pragmatismo de se manter no poder, e esquecendo dessa forma de estabelecer a consonância necessária entre valores filosóficos e religiosos. Atribuindo demasiada relevância ao aspecto mundano e não considerando o que vem depois. Meu Caro, se como  diria Aristóteles a virtude está no meio, cabe a nós humanos privilegiados pelo dom da razão não estabelecer uma assimetria entre o racional e o espiritual.

 

 

Maquiavel: Estimado Pico, entendo sua preocupação em manter um sincretismo entre fé e razão, entre o divino e o natural enfocando a necessidade de se alinhar às normas cristãs de comportamento. Porém uma vez que vivemos em um mundo injusto, e você há de concordar comigo, configura-se necessário não se deixar guiar por análises que certamente não serão seguidos por todos. Como exemplo posso fazer referência a uma parte do meu livro em que argumento que o que ascende ao posto de príncipe às custas dos poderosos governa com maior dificuldade pois estar cercado por outros que também anseiam governar. Assim tomando que a natureza do Homem é aproveitadora, dissimulada, ingrata, volúvel e covarde compreende-se ser necessário o consentimento da teoria que propus.

 

 

Pico della Mirandola;  Maquiavel, você está tendo uma visão muito limitada do comportamento humano, Deus deu ao homem o livre arbítrio e assim confiou a este responsabilidade pela execução dos seus atos, se existe injustiça no mundo isto não significa que também devamos ser injustos. Você está caindo no velho erro de mistura um enunciado de ser com um de dever ser. Quero encerrar este diálogo afirmando que o homem não é um ser imutável, capaz de ser generalizado em qualquer espaço e em qualquer tempo, reduzindo seu comportamento a uma teoria que apesar de embasado na história não confere respaldo suficiente para delimitar categoricamente o as futuras ações humanas. Não pretendo com isso dizer que o ser humano não é passível de análise, mas que deva ser feita de modo coerente e com bom senso. Bom espero ter lhe mostrado minha perspectiva sobre o homem em si e sua relação com o meio onde se insere. Agradeço a presença. e a solicitude.

 

 

Maquiavel: Bem, como vejo é difícil lhe dissuadir, não o culpo, vejo que você é um típico fruto do contexto em que vive, esboçando um vôo maior. Espero que possa dedicar especial atenção às palavras que lhe enderecei. Também agradeço pela sua disposição para o diálogo e sinceramente espero que possamos voltar a estabelecer contato logo.

 

[+1] 
Mariana Souza da Cruz 13/09/09 às 22h09

Questão I

Primeiramente, devo dizer que por "diálogo" entendi apenas um confronto de idéias, assim como parecem ter entendido Laura e Didier acima, até porque minhas habilidades artíticas não permitiriam ir mais além escrevendo um diálogo teatral no entendimento concreto da palavra, como fizeram alguns colegas. =p

Para analisar comparativamente "O Príncipe" e "O Discurso sobre a Dignidade do Homem" devemos primeiramente entender as limitações de uma comparação nesse sentido. Apesar de a relativa proximidade das duas obras em relação ao período histórico, há uma evidente diferença em termos ideológicos, que é onde se baseará a maioria da observações comparativas. Porém, os textos tem objetivos diferentes, e por isso mesmo formas diferentes que estão intrisecamente ligadas ao conteúdo das duas obras em si. Essas diferenças não deverão ser ignoradas na análise das idéias que os autores trazem, já que Maquiavel trata especificamente da política, enquanto o "Discurso" de Pico já não se limita a tratar apenas dessas questões, mas se estende a todas as atividades humanas, sobretudo no que toca à vida espiritual.

Começaremos então com aquela que parece ser uma das diferenças mais evidentes entre as obras, além do objetivo específico de cada uma delas como dito acima. Enquanto a moral é essencialmente o que deveria dar sentido a todas as ações no texto de Pico, para Maquiavel ela assume o papel de um instrumento, uma ferramenta para outros objetivos maiores, tal como a glória de um governante ou a manutenção do poder. Segundo Pico, a moral é o que realmente importa para o homem, já que ele parte de um pressuposto religioso, considerando a salvação e engrandecimento da alma humana como objetivo primeiro. Nada escapando à ciência do Deus cristão, ao homem cabe seguir as recomendações morais com sinceridade para chegar a conseqüências positivas na vida futura e também na presente, atraindo para si a plenitude da comunhão com esse mesmo Deus, que seria a edificação do homem segundo os ideiais mesmos do Humanismo. Maquiavel, que define os objetivos dos príncipes em termos políticos, entende que a moral tem a função única de atrair admiração e obediência. Logo, para se formar uma boa imagem e alcançar vantagens a partir disso, não faz diferença se a virtude é real ou "fingida". Na verdade, a prática da virtude real pode mesmo trazer problemas ao governante que recorra sempre a ela, visto que pode trazer inúmeros problemas do ponto e vista político: "...achar-se-ão coisas que parecem virtudes e, se praticadas, lhe provocariam a ruína e outras que parecerão vícios e que, seguidas, trazem bem-estar e tranqüilidade ao governante." [pág 88]

Sendo assim, o pensamento de Pico é alicerçado na espiritualidade, que seria a razão de ser de tudo, e logicamente da existência humana, dando sentido à ela. Já Maquiavel, mais pragmático talvez, considera aspectos mais seculares da vida humana. A partir do estudo da História, 'recente' e antiga, estabelece relações causais na Política, atitudes que atualmente ligam seu nome a um pioneirismo no Realismo Político e no tratamento da Política como ciência, como arte. Dessa forma, Maquiavel separa a esfera política do domínio religioso e trabalha a partir desse paradigma, desenvolvendo novas considerações sobre a relação entre o comportamento dos governantes e o sucesso na conquista e manutenção do poder.

Ao otimismo bastante representativo dos valores humanistas que se faz presente na obra de Pico, podemos opor a visão predominantemente pessimista que Maquiavel expressa do homem: 'pode-se dizer dos homens, de modo geral, que são ingratos, volúveis, dissimulados; procuram se esquivar dos perigos e são gananciosos' [pág. 96]

Apesar das idéias apresentadas, muitas vezes conflitantes, entre os dois autores, podemos encontrar semelhanças talvez não esperadas nas obras referidas. Primeiramente, a intensificação do interesse pelas obras e idéias da Antigüidade, típica do Humanismo, se encontra presente nas duas obras de maneira notável, seja nos exemplos de Maquiavel ou no sincretismo usado como apoio aos argumentos de Pico no "Discurso". Além disso, as formas dos textos coincidem no sentido de que apresentam um "destinatário" a quem fazem exortações e conselhos quanto à melhor maneira de conduzir suas atitudes. Enquanto Pico principia e conclui seu "Discurso" dirigindo-se aos 'padres', Maquiavel tem como objetivo declarado de "O Príncipe" a instrução de Lorenzo de Médici. Por esse motivo, torna-se interessante que as duas obras acabam por aconselhar o leitor, apesar de os "conselhos" em si mesmos diferirem substancialmente.

A partir do método da comparação, percebi entre as duas obras as referidadas diferenças, ligadas à própria visão que os autores talvez tivessem da condição humana e suas implicações, assim como as semelhanças entre elas, provavelmente devido ao contexto histórico e às idéias vinculadas a ele, levando em consideração o período relativamente curto que separou a publicação dos dois textos.

xXx

[0] 
Rafael de Oliveira Taveira 14/09/09 às 21h09

Carta ao governante

Excelentíssimo Governador,

Cumprindo meu dever e suas ordens, li a obra "O Príncipe" de Nicolau Maquiavel e tentei dela extrair conhecimentos úteis a manutenção do seu governo. Primeiramente acho necessário dizer que trata-se de um obra de 500 anos atrás. O contexto histórico, a concepção do ser humano como indivíduo e a organização política eram bem diferentes das atuais. Não é possível seguir os conselhos de Maquiavel à risca ou o senhor pode instigar reprovação de seu eleitorado. A diginidade humana e valores que defendemos hoje como igualdade e liberdade não eram presentes ou pouco expressivos naquela época. Estes conceitos seriam introduzidos mais amplamente no Renascimento e posteriormente na Revolução Francesa. Sendo assim, vamos ao que interessa.

Maquiavel destaca a enorme função de estudar exemplos bem sucedidos do passado. Através do estudo da História, o senhor deve espelhar-se e aprender com os acertos e erros de grandes governantes. Também destaca Maquiavel a importância de ser hábil e capacitado de prever resultados e estar atento ao futuro. Precaver é mais barato que remediar. Sendo assim, um olho no passado e outro no futuro.

Outro aspecto importante é ser um mestre da dissimulação. O senhor pode não gostar de determinado indivíduo, mas não o afaste. Nunca se sabe quando irá precisar de algum apoio. Falando em apoio, procure manter suas bases eleitorais firmes e as aparências boas. Demonstrar confiança é bom tanto para a relação com seus governados quanto com seus inimigos.Agrade àqueles que te elegeram e dê continuidade ao seu projeto político se lhe for conveniente. Não se prenda às promessas, elas podem acabar por lhe fazer mal se for muito custoso realiza-las. Atenha-se a manutenção da governabilidade, o seu objetivo máximo. E acredite que é o melhor para o povo que haja certa estabilidade. Maquiavel sofreu muito com a instabilidade política de Florença na época em que viveu, onde projetos políticos eram substituídos e deixados de lado e havia de começar-se tudo do zero.

 Seja amado e temido se possível. Porém, se tiver de escolher, de acordo com Maquiavel, é melhor ser temido. A obediência independe da vontade do povo, o amor é completamente dependente. Porém, creio eu, que nos dias de hoje, este conselho é falho. O senhor sabe muito bem o objetivo das instituições democráticas e da separação dos poderes e não será sábio se o Poder Executivo se fortalecer demais, oprimindo e indo contra os valores máximos de sua sociedade. Seja temido por seus inimigos, isto sim. Seja firme e forte em suas decisões como um leão e sábio como uma raposa para saber a hora certa de cada movimento. Só não seja cruel, povo nenhum aceitará isto e o senhor sabe que o poder emana do povo. (Lembre-se mais uma vez da história, quantos governantes não foram destituídos do poder por não estarem em uníssono com a vontade geral?)

Procure a confiança do povo, apesar de sempre haver conflitos entre os governados e governantes, é possível estabelecer um equilíbrio. Assim, terás apoio quando estiveres em má situação e glória quando estiveres por cima. Glória, palavra tão citada por Maquiavel e de tão pouco valor hoje em dia. Não pense pequeno, busque entrar nos anais da História como um bom governante e assim atingirás a glória, a eternidade.

Sendo assim, espero ter ajudado de forma satisfatória. Lembre-se de minha ajuda. Suas alianças são importantissímas, sozinho nada conseguirás. Quem sabe eu não precise de um emprego para a minha sobrinha futuramente em um de seus ministérios. Foi um prazer senhor Governador. Tenha um bom governo.

 Atenciosamente,

Rafael Taveira 

[-1] 
Rafael de Oliveira Taveira 16/09/09 às 11h09

Correção

Professor/ Monitores,

Eu fiz a atividade do Maquiavel no dia 14 (segunda-feira) como pode ser visto acima. Logo,  estava dentro do prazo de atraso que é de uma semana como havia sido combinado. Na lista das notas, consta que eu não fiz a atividade. Peço que reavaliem por favor. Obrigado. 

[-88] 
André Moura Gomes 14/09/09 às 22h09

Questão 2

Exmo. Sr. Governador,

Foi-me solicitado que extraísse da obra "O Princípe", de Maquiavel, alguns conselhos políticos que permanecessem atuais, e distingui-los dos que não merecem ser seguidos, por ocasião de sua candidatura à reeleição.

Certamente a preocupação bélica, que permeia grande parte do livro, não subsiste. Segundo Maquiavel, “os príncipes, por conseguinte, não deveriam ter outro objetivo ou pensamento além da guerra, a organização e disciplina das tropas, nem estudar qualquer outro assunto; pois esta é a única arte que se espera de quem comanda (MAQUIAVEL, 2002: 90). Maquiavel vive um momento de fragmentação e instabilidade política da Itália (que perduraria ainda por muito tempo), em que a conquista e manutenção dos territórios deveria ser a principal preocupação de um governante. Este deveria ser admirado por seus soldados, para ter confiança neles. Esta preocupação não é atual. Mesmo as movimentações para a fragmentação dos estados da Federação acontecem dentro das regras vigentes no jogo político, e não pela força. Assim, não é necessário prestigiar demasiadamente as armas – a lealdade às leis vigentes é suficiente para manter a polícia sob controle, sob pena de ser enfrentada (e provavelmente dizimada) por forças nacionais.

Por outro lado, devidamente adaptados, diversos conselhos referentes às virtudes políticas se mantêm. Em primeiro lugar, um governante deve evitar a todo custo ser desprezado ou odiado pelo povo. Em nossa forma de governo, as eleições dão ao povo periodicamente o poder de decidir qual governante querem ter para si – ao menos nesse período, ser desprezado ou odiado é o prenúncio do fracasso político. É a oportunidade que tem os descontentes com o governo para lançar seus próprios candidatos, e derrubar o governante. Para obter a estima do povo, os grandes empreendimentos são muito úteis – obras de infra-estrutura, programas sociais e articulação de projetos em parceria com grandes empresas são alguns exemplos. Como diz Maquiavel, “nada faz com que um príncipe seja mais estimado do que os grandes empreendimentos e os altos exemplos que dá” (MAQUIAVEL, 2002: 124). Aderimos integralmente ao que o autor diz no seguinte trecho:

“Devem [os príncipes], além disso, incentivar os cidadãos a praticar pacificamente sua atividade – no comércio, na agricultura ou em qualquer outro ramo profissional. Assim, que uns não deixem de aumentar seu patrimônio pelo temor de que lhes seja retirado o que possuem, e outros não deixem de iniciar um comércio, com medo dos tributos; devem os príncipes, ao contrário, instituir prêmios para quem é ativo e procurar de um modo ou de outro melhorar sua cidade ou Estado. Além disso, precisam manter o povo entretido com festas e espetáculos, nas épocas convenientes; e como toda cidade se divide em corporações ou em classes, devem dar atenção a todos esses grupos, reunir-se com seus membros de tempos em tempos, dando-lhes um exemplo da sua solidariedade e munificiência – guardando sempre, contudo, sua dignidade majestosa, que não deve faltar em nenhum momento.” (MAQUIAVEL, 2002: 128)

Em período de eleição, não poderia indicar conselhos mais valiosos. Especialmente ao consultar suas bases, a dignidade majestosa pode ser alcançada com o uso de ternos bem compostos, nem chiques nem pobretões demais.

É bem possível que um candidato vença uma eleição ao modo dos antigos coronéis. Entretanto, nos dias de hoje, se o governante precisar escolher, é preferível que seja amado do que temido, ao contrário do que preconizou Maquiavel. O poder legitimador da opinião pública e das massas é tão grande que saber controlar essas duas potências é a receita de sucesso. Não haverá quem se rebele contra ele, com medo de ser rechaçado pela opinião pública. Mesmo que haja conspirações, sua força será diminuta, e terão medo de ser descobertos.

Por fim, é fundamental que tenha em mente as indicações futuras de bons secretários de estado. Maquiavel sugere o seguinte método para escolher bons ministros: “se o ministro preocupa-se consigo mesmo mais do que com o príncipe, e busca em todas as ações o próprio interesse, nunca será um bom ministro, e não deve merecer confiança” (MAQUIAVEL, 2002: 130). O mesmo vale para partidários políticos, antes e após a campanha, o maior antro de aduladores. Para se livrar deles, o governante deverá tomar suas decisões em particular, com seus conselheiros de confiança, de modo que estes falem com liberdade, mas apenas quando solicitados – e devem ser solicitados a todo momento. Fora dessas reuniões, os aduladores com suas astúcias não devem encontrar ouvidos.

São estas, pois, as considerações que tinha a fazer sobre os conselhos sugeridos por Maquiavel, de modo que conduza sua reeleição da maneira mais prudente e virtuosa possível.

Atenciosamente,

André Gomes

Referências

MAQUIAVEL. O Príncipe. São Paulo: Martin Claret, 2002. 156 p.

[-9] 

Pontos Gerais

 Algumas pessoas deram conselhos sobre políticas para serem seguidas enquanto governador, mas não enquanto candidato para alcançar a reeleição, alguns outros pontos que também deveriam receber mais atenção são: vocês estão buscando a ajudar ao candidato, também vale lembrar que alguns se esqueceram ou foram por demais superficiais, principalmente quanto aos pontos a não serem seguidos da obra de Maquiavel. Além disso, outro ponto importante a ser levantado é que alguns transmitiram a idéia de virtù e fortuna em seus textos, porém em alguns casos faltaram o seu reflexo na prática, como ele poderia realmente se concretizar em ações que o ajudasse na reeleição.

 Gostaria também de lembrar-lhes que aqui também é um espaço para que vocês possam debater entre vocês, assim ajudando seus colegas a compreender algo que você possa ter visto, ou transmitindo uma visão diferenciada.

[+1] 
Manuel Socorro Lopes Gonçalves 07/11/09 às 18h11

manuel gonçalves

Exmo. Sr. Governador,

   fiz este parecer a respeito dos conselhos  atualmente presentes no livro O Príncipe, a fim de ajuda-la na sua candidatura  à reeleição e no fortalecimento de sua posiçao.

    no seu livro ele classifica o estado em dois tipos,republica e principiados,principiados podem ser hereditarios,ou fundados recentemente, arespeito do principiado mistos,pode se dizer que e uma continuaçao de estados ja exestentes,estados que conquistado,e sao anexado em um estado antigo, sobre este maquiavel tem por ponto central, aforma de controle, nao altera as leis,impostas, instaladas de colonias e a mudança do novo governo para o local conquistado.um bom exemplo que dele seria onde que ele fala que a maioria de dificuldades se encontra em manter monarquias novas,de evitar a transmssao dos costumes tradicionais e saber adaptar circunstancia imprevista esto seria b0om aplicar na sua reeleicao.para que estabeleça um estado novo, vc deve observar alguns pontos, e necessario o apoio dos abitantes do territorio para popder domina-los,um territorio nunca volta a ser perdida com a mesma facilidade, rebeliao pode trazer fortalecimento positivo, como fortalecimento de sua posiçao, osoberano deve estar presente, desta maneira os disturbios sao rapidamente percebidos e corrigidos.os estados sao solidos, a soliçao e preparar os alicerces do poder antes de alcança-los,pois depois representara grandes esforços e perigo.se a vossa senhora levar essas consederaçoes e concelho desse estimado filosofo,a sua reealeçao saira bem sossedida.

[0] 
Gabriel Silva Elias 26/11/09 às 17h11

Questão 2

Senhor Governador,

É de suma importância, antes de iniciar o esclarecimento de alguns pontos que poderiam ser-lhe de grande proveito ao elaborar seu discurso, que fique claro que “O Príncipe” não pode, de forma alguma, ser considerado um manual de política para os dias atuais. Hodiernamente, na organização política da sociedade em que vivemos, não há figura alguma como o Príncipe, pois as competências do governo estão devidamente repartidas entre seus componentes, de forma que  tal fardo com o de um governante do século XVI não caberá a ninguém, tampouco as medidas drásticas que seriam necessárias em um governo tão centralizado.

Um dos pontos-chave, que merece a sua devida atenção, é o da necessidade de que observe atentamente os atos dos Grandes, aqueles que triunfaram e obtiveram êxito em suas ações, pois neles reside o maior guia para suas ações. Aplicado a nosso contexto, lembre-se sempre dos feitos de sucesso de outros candidatos, de preferência daqueles que estejam mais próximos de seu contexto temporal e geográfico de forma a aumentar suas chances de logro. Além disso, não se esqueça dos seus próprios feitos passados, pois esta grandiosidade também está presente no seu próprio tempo decorrido, seu mandato anterior.

Além disso, cuide sempre da sua imagem: o Príncipe deve possuir virtude. Assim, terá que ser benevolente, clemente, humano e, acima de tudo, religioso. Claro que não é necessário que realmente tenha essas virtudes, mas deverá aparentar tê-las, pois é isso o que importa. Afinal, o que lhes parece aos governados é o que será verdade para eles. Considerando a extrema religiosidade de nosso povo, não poderia ser diferente de que o Senhor tivesse que se ater a esse ponto, pois, se, como bem assinalado por Montesquieu, as leis variam inclusive de acordo com condições geográficas, quanto mais de acordo com o povo governado.

No entanto, em hipótese alguma deverá lançar mão da violência para atingir seus objetivos. É aqui que minha primeira advertência tem seu grande valor, considerando que tal tipo de ação seria terrivelmente abominado pelos governados. A preservação da vida e a não-violência é um dos valores historicamente mais enraizados em nossa sociedade, portanto não há como querer opor-se a isso em hipótese alguma. Deve ser feita uma importante ressalva em relação ao que Maquiavel chamou de “crueldades proveitosas”, ou “violências necessárias”, pois tais conceitos não se aplicam mais a nosso contexto atual. Se quer aproveitar algo dessas ideias, poderíamos simplificá-las em "fazer um mal menor por um bem maior": como indicado por Maquiavel, o povo logo se esquece das primeiras atrocidades cometidas pelo Príncipe ao se instalar no governo, contanto que este passe a trazer bem-estar a seu povo pelas atitudes certas (sem abusos de benevolência, no entanto, para não se desmoralizar). Assim, trate sempre de reparar seu erro pontual com diversos acertos consecutivos. Tenho certeza que, seguindo tais conselhos e traduzindo-os para seu discurso, conseguirá reeleger-se e será louvado por nosso povo. Se fosse possível, não tenho dúvida que até mesmo um terceiro mandato poderia, assim, ser alcançado.

[0] 
Maressa Campos 06/12/09 às 20h12

Questao 2

Senhor governador,

a partir de uma analise da obra O Principe de Maquiavel, como me fora solicitado, deixo abaixo os pontos chaves a serem seguidos por V. Senhoria nesse processo de nova candidatura:

1.O principe deve tomar o cuidado de esquivar-se de tudo aquilo que o faria odioso e desprezivel.

2.Suas acoes devem transparecer a grandeza, a coragem, a austeridade e a firmeza.

3.As forcas com quais um prinipe defende o seu Estado, ou sao as suas proprias forcas ou sao as mrcenarias; que sao inuteis e perigosas:

4.Em o Principe, observa-se que o prinipe jamais devera se desviar as suas atencoes dos exercicios militares, e na paz tera que exercitar mais que na guerra, no entanto, vivemos em um periodo totalmente diferente, no qual a responsabilidade de governador nao esta no exercicio militar direto, mas a as atividades diretamente ligadas ao governo, pois acatando essa caracteristica do principe, ha possibilidade de leva-lo a uma morte prematura.

5.Quanto ao exercicio das suas meditacoes o principe deve ler os relatos da historia e neles considerar as acoes dos grandes homens, como o sr. governador ja o faz aqui.

6.E louvavel que o prinvipe honre a sua palavra e viva de uma forma integra;

7.Nao deve ser seguido a ideologia de que um remédio eficaz é organizar colônias, em um ou dois lugares, as quais serão uma espécie de grilhões postos à província, pois é necessário fazer isso, ou ter lá muita força armada, vivemos em um outro tempo.

8.Para ele, a natureza humana seria essencialmente má e os seres humanos deveriam obter os máximos ganhos a partir do menor esforço, apenas fazendo o bem quando forçados a isso.A natureza humana também não se alteraria ao longo da história. Vivemos em um tempo dieferente sr. governador, 'e preciso flexibilidade diante do povo e da propria historia.

9. A boa razao e uma mistura entre a razao e a etica.

10. 'E preciso saber como fazer o uso da fortuna, visto que não se pode saber a quem ela vai fazer bens ou males e ela pode tanto levar alguém ao poder como tirá-lo de lá, embora não se manifeste apenas na política. Como sua vontade é desconhecida, não se pode afirmar que ela nunca lhe favorecerá.

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