II - Maquiavel

Diálogos

< Voltar ao diálogo principal
[0] 
Vivian Suyen da Silva Bastos 08/09/09 às 03h09

Questão 2

Excelentíssimo Governador,

entrego-lhe agora meu parecer sobre O Príncipe de Maquiavel. Trata-se de um apanhado dos principais conselhos para um governante que tencione manter seu status quo profissional, como o senhor. Entretanto Vossa Excelência deve concordar que não nos ateremos ao sentido de um chefe de Estado, ou melhor, de um Principado, o que significa que dispenso dicas militares e conselhos sobre possibilidades que desconsideram a existência da democracia (eleições), como a tirania em âmbito estadual.

De início, posso citar o senso comum com palavras de Marilena Chauí no livro Filosofia: “Por ter inaugurado a teoria moderna da lógica do poder como independente da religião, da ética e da ordem natural, Maquiavel só poderia ter sido visto como "maquiavélico". As palavras maquiavélico e maquiavelismo, criadas no século XVI e conservadas até hoje, exprimem o medo que se tem da política quando esta é simplesmente política, isto é, sem as máscaras da religião, da moral, da razão e da Natureza.” Peço que analise esse parecer antes de chegar à mesma conclusão acima. Não trarei muitos floreios nem muitas palavras; se os quisesse, teria lido o original.

Apesar de O Príncipe se referir aos Principados especificamente, como Machiavelli diz no início do Capítulo II, o texto se torna clássico ao, fazendo-se as devidas correlações com as repúblicas, se equivaler aos sistemas políticos contemporâneos. Desse modo, o príncipe não é apenas aquele que governa um Principado Hereditário, mas pode ser interpretado como qualquer político no sentido geral da palavra: alguém que intencione manter e aumentar seu poder. Se o senhor quiser usar os ensinamentos maquiavélicos na sua esfera pessoal, garanto que eles também terão sua função.

Divido o juízo de Nicolau Maquiavel em cinco características que alguém deve possuir, ou ao menos parecer ter, sem hesitar. De fato, não é essencial possuir esse quinteto; basta o já empossado governante não deixar que descubram a ausência desse em sua personalidade. Trata-se da separação da ética e da política, contra a argumentação de Santo Agostinho, ou em outras palavras, da virtù: conjunto flexível de regras morais, que variam de acordo com as circunstâncias.

Tais virtudes são: clemência, benevolência, humanidade, retidão e religiosidade, sendo que especialmente a última deve ser separada da esfera pública, e assim, fingida. Se uma promessa resulta em algo incômodo aos interesses do Estado (no caso, estado), é melhor deixar esquecer o que se jurou cumprir. Explanando mais, Vossa Excelência deve se ater a projetos que irão beneficiar e suavizar a situação do povo. Em democracias como as de hoje, os governantes devem estar atentos, assim como o senhor está, à possibilidade de não se reeleger, ou seja, eles estão sujeitos à sua popularidade. Não é como no caso dos Principados, em que o poder pode ser mantido pela força. Assim escreve Maquiavel: “ deve-se cometer todas as crueldades de uma só vez, para não ter que voltar a elas todos os dias... Os benefícios devem ser oferecidos gradualmente, para que possam ser melhor apreciados.”

Outra faceta na utilização dessas virtudes remete a uma parte específica dos “súditos”, que se envolve diretamente com o governante. O líder dever estar cercado por secretários leais, competentes e confiáveis. Fique atento às promessas dos outros: eles também podem estar mentindo, em favor de seus interesses. Mantenha seu gabinete livre de conspirações.

Assim, crendo ter bem cumprido a tarefa designada, me despeço do senhor,

VSSB.

[-1] 
Danielle Freitas Henderson 09/09/09 às 23h09

II

Excelentíssimo governador,

 

Relendo a obra de Maquiavel, como o solicitado, pude perceber que se tratando de um período renascentista do século XV-XI, de um cenário político conturbado pelo processo de descentralização, e mudanças na maneira de pensar política temos no contexto da obra um gradiente de alteridade muito alto. A história e a cultura são completamente dinâmicas, sendo assim ocorreram até os dias de hoje muitas mudanças nas formas de pensamento e concepções.

Primeiramente é com lembrar que Maquiavel escreveu um manual para que o príncipe se mantenha no poder - O Príncipe - no exílio e para impressionar Lourenço de Médici.

Não é de se manter como viável, e nem de ter em pensamento a possibilidade de cometer violência ou atrocidades como coloca Maquiavel. Mesmo o exemplo de César Borjia (que é diferenciado do exemplo do homem que mata o padrasto) que ao matar o ministro em praça pública sendo tratado por Maquiavel não como atrocidade, e sim como essência de virtú não é viável neste caso. Trabalhar certas violências como normais e certas como estratégicas não funcionam atualmente, pois não condiz com os direitos do homem.

Podemos adaptar a idéia de Maquiavel de diferentes tipos de Estados, diferentes tipos de governo. O governo tem que se adaptar ao tipo de Estado.

O método empírico feito por Maquiavel também é importante para um governante atual. Observar aos mínimos detalhes a população e o Estado a ser governado é fundamental para se definir as práticas mais adequadas. Isso é praticado na atualidade e só nos mostra que era algo pensado há séculos atrás.

Maquiavel separa ética de política e propõe novos princípios como o deslocamento da moral cristã. O que hoje é um tema bastante debatido: a moralidade ou imoralidade na política, a falta de ética etc. Outra prática que defendia Maquiavel e que é adotada até hoje é a defensoria do príncipe aos mais fracos, o que pode levar a prática de governo para diferentes caminhos.

A sugestão aqui não é definir os conselhos de Maquiavel que podem ser viáveis ou não para uma reeleição, e sim propor uma reflexão do governador para pensar as melhores práticas a partir da observação e do entendimento da sociedade assim como Maquiavel.

                                                                                   Respeitosamente,

Danielle Henderson.

Licença Creative Commons | Atribuição | Uso Não-Comercial | Vedada a Criação de Obras Derivadas
Alguns direitos reservados
Exceto quando assinalado, todo o conteúdo deste site é distribuído com uma licença de uso Creative Commons
Creative Commons: Atribuição | Uso Não-Comercial | Vedada a Criação de Obras Derivadas

Como seria o Vade Mecum dos seus sonhos?

Estamos trabalhando em um Vade Mecum digital, inteligente, acessível e gratuito.
Cadastre-se e tenha acesso antecipado e gratuito à nossa versão beta.