II - Maquiavel

Diálogos

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Mariana Souza da Cruz 13/09/09 às 22h09

Questão I

Primeiramente, devo dizer que por "diálogo" entendi apenas um confronto de idéias, assim como parecem ter entendido Laura e Didier acima, até porque minhas habilidades artíticas não permitiriam ir mais além escrevendo um diálogo teatral no entendimento concreto da palavra, como fizeram alguns colegas. =p

Para analisar comparativamente "O Príncipe" e "O Discurso sobre a Dignidade do Homem" devemos primeiramente entender as limitações de uma comparação nesse sentido. Apesar de a relativa proximidade das duas obras em relação ao período histórico, há uma evidente diferença em termos ideológicos, que é onde se baseará a maioria da observações comparativas. Porém, os textos tem objetivos diferentes, e por isso mesmo formas diferentes que estão intrisecamente ligadas ao conteúdo das duas obras em si. Essas diferenças não deverão ser ignoradas na análise das idéias que os autores trazem, já que Maquiavel trata especificamente da política, enquanto o "Discurso" de Pico já não se limita a tratar apenas dessas questões, mas se estende a todas as atividades humanas, sobretudo no que toca à vida espiritual.

Começaremos então com aquela que parece ser uma das diferenças mais evidentes entre as obras, além do objetivo específico de cada uma delas como dito acima. Enquanto a moral é essencialmente o que deveria dar sentido a todas as ações no texto de Pico, para Maquiavel ela assume o papel de um instrumento, uma ferramenta para outros objetivos maiores, tal como a glória de um governante ou a manutenção do poder. Segundo Pico, a moral é o que realmente importa para o homem, já que ele parte de um pressuposto religioso, considerando a salvação e engrandecimento da alma humana como objetivo primeiro. Nada escapando à ciência do Deus cristão, ao homem cabe seguir as recomendações morais com sinceridade para chegar a conseqüências positivas na vida futura e também na presente, atraindo para si a plenitude da comunhão com esse mesmo Deus, que seria a edificação do homem segundo os ideiais mesmos do Humanismo. Maquiavel, que define os objetivos dos príncipes em termos políticos, entende que a moral tem a função única de atrair admiração e obediência. Logo, para se formar uma boa imagem e alcançar vantagens a partir disso, não faz diferença se a virtude é real ou "fingida". Na verdade, a prática da virtude real pode mesmo trazer problemas ao governante que recorra sempre a ela, visto que pode trazer inúmeros problemas do ponto e vista político: "...achar-se-ão coisas que parecem virtudes e, se praticadas, lhe provocariam a ruína e outras que parecerão vícios e que, seguidas, trazem bem-estar e tranqüilidade ao governante." [pág 88]

Sendo assim, o pensamento de Pico é alicerçado na espiritualidade, que seria a razão de ser de tudo, e logicamente da existência humana, dando sentido à ela. Já Maquiavel, mais pragmático talvez, considera aspectos mais seculares da vida humana. A partir do estudo da História, 'recente' e antiga, estabelece relações causais na Política, atitudes que atualmente ligam seu nome a um pioneirismo no Realismo Político e no tratamento da Política como ciência, como arte. Dessa forma, Maquiavel separa a esfera política do domínio religioso e trabalha a partir desse paradigma, desenvolvendo novas considerações sobre a relação entre o comportamento dos governantes e o sucesso na conquista e manutenção do poder.

Ao otimismo bastante representativo dos valores humanistas que se faz presente na obra de Pico, podemos opor a visão predominantemente pessimista que Maquiavel expressa do homem: 'pode-se dizer dos homens, de modo geral, que são ingratos, volúveis, dissimulados; procuram se esquivar dos perigos e são gananciosos' [pág. 96]

Apesar das idéias apresentadas, muitas vezes conflitantes, entre os dois autores, podemos encontrar semelhanças talvez não esperadas nas obras referidas. Primeiramente, a intensificação do interesse pelas obras e idéias da Antigüidade, típica do Humanismo, se encontra presente nas duas obras de maneira notável, seja nos exemplos de Maquiavel ou no sincretismo usado como apoio aos argumentos de Pico no "Discurso". Além disso, as formas dos textos coincidem no sentido de que apresentam um "destinatário" a quem fazem exortações e conselhos quanto à melhor maneira de conduzir suas atitudes. Enquanto Pico principia e conclui seu "Discurso" dirigindo-se aos 'padres', Maquiavel tem como objetivo declarado de "O Príncipe" a instrução de Lorenzo de Médici. Por esse motivo, torna-se interessante que as duas obras acabam por aconselhar o leitor, apesar de os "conselhos" em si mesmos diferirem substancialmente.

A partir do método da comparação, percebi entre as duas obras as referidadas diferenças, ligadas à própria visão que os autores talvez tivessem da condição humana e suas implicações, assim como as semelhanças entre elas, provavelmente devido ao contexto histórico e às idéias vinculadas a ele, levando em consideração o período relativamente curto que separou a publicação dos dois textos.

xXx

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Rafael de Oliveira Taveira 14/09/09 às 21h09

Carta ao governante

Excelentíssimo Governador,

Cumprindo meu dever e suas ordens, li a obra "O Príncipe" de Nicolau Maquiavel e tentei dela extrair conhecimentos úteis a manutenção do seu governo. Primeiramente acho necessário dizer que trata-se de um obra de 500 anos atrás. O contexto histórico, a concepção do ser humano como indivíduo e a organização política eram bem diferentes das atuais. Não é possível seguir os conselhos de Maquiavel à risca ou o senhor pode instigar reprovação de seu eleitorado. A diginidade humana e valores que defendemos hoje como igualdade e liberdade não eram presentes ou pouco expressivos naquela época. Estes conceitos seriam introduzidos mais amplamente no Renascimento e posteriormente na Revolução Francesa. Sendo assim, vamos ao que interessa.

Maquiavel destaca a enorme função de estudar exemplos bem sucedidos do passado. Através do estudo da História, o senhor deve espelhar-se e aprender com os acertos e erros de grandes governantes. Também destaca Maquiavel a importância de ser hábil e capacitado de prever resultados e estar atento ao futuro. Precaver é mais barato que remediar. Sendo assim, um olho no passado e outro no futuro.

Outro aspecto importante é ser um mestre da dissimulação. O senhor pode não gostar de determinado indivíduo, mas não o afaste. Nunca se sabe quando irá precisar de algum apoio. Falando em apoio, procure manter suas bases eleitorais firmes e as aparências boas. Demonstrar confiança é bom tanto para a relação com seus governados quanto com seus inimigos.Agrade àqueles que te elegeram e dê continuidade ao seu projeto político se lhe for conveniente. Não se prenda às promessas, elas podem acabar por lhe fazer mal se for muito custoso realiza-las. Atenha-se a manutenção da governabilidade, o seu objetivo máximo. E acredite que é o melhor para o povo que haja certa estabilidade. Maquiavel sofreu muito com a instabilidade política de Florença na época em que viveu, onde projetos políticos eram substituídos e deixados de lado e havia de começar-se tudo do zero.

 Seja amado e temido se possível. Porém, se tiver de escolher, de acordo com Maquiavel, é melhor ser temido. A obediência independe da vontade do povo, o amor é completamente dependente. Porém, creio eu, que nos dias de hoje, este conselho é falho. O senhor sabe muito bem o objetivo das instituições democráticas e da separação dos poderes e não será sábio se o Poder Executivo se fortalecer demais, oprimindo e indo contra os valores máximos de sua sociedade. Seja temido por seus inimigos, isto sim. Seja firme e forte em suas decisões como um leão e sábio como uma raposa para saber a hora certa de cada movimento. Só não seja cruel, povo nenhum aceitará isto e o senhor sabe que o poder emana do povo. (Lembre-se mais uma vez da história, quantos governantes não foram destituídos do poder por não estarem em uníssono com a vontade geral?)

Procure a confiança do povo, apesar de sempre haver conflitos entre os governados e governantes, é possível estabelecer um equilíbrio. Assim, terás apoio quando estiveres em má situação e glória quando estiveres por cima. Glória, palavra tão citada por Maquiavel e de tão pouco valor hoje em dia. Não pense pequeno, busque entrar nos anais da História como um bom governante e assim atingirás a glória, a eternidade.

Sendo assim, espero ter ajudado de forma satisfatória. Lembre-se de minha ajuda. Suas alianças são importantissímas, sozinho nada conseguirás. Quem sabe eu não precise de um emprego para a minha sobrinha futuramente em um de seus ministérios. Foi um prazer senhor Governador. Tenha um bom governo.

 Atenciosamente,

Rafael Taveira 

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Rafael de Oliveira Taveira 16/09/09 às 11h09

Correção

Professor/ Monitores,

Eu fiz a atividade do Maquiavel no dia 14 (segunda-feira) como pode ser visto acima. Logo,  estava dentro do prazo de atraso que é de uma semana como havia sido combinado. Na lista das notas, consta que eu não fiz a atividade. Peço que reavaliem por favor. Obrigado. 

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