III - Thomas More

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Vitor Eiró Storino 15/09/09 às 00h09

Critica maquiavélica à "Utopia" proposta por Morus

"Finalmente, suponha que eu dissesse aos conselheiros do monarca da França que todas essas aventuras guerreiras, pelas quais tantas nações são levadas à convulsão social como resultado da conveniência de um só homem, só serviriam para exaurir o tesouro e desmoralizar seu povo para, no fim, não trazer, de uma forma ou de outra, qualquer resultado. Assim, aconselharia ao rei da França cuidar apenas de seu reino ancestral, melhorá-lo tanto quanto fosse possível e cultivá-lo de todas as maneiras. Dessa forma, ele amaria seu povo e seu povo o amaria; aconselharia ao rei viver entre os seus, a governar com brandura e a deixar em paz outros povos, uma vez que seu reino é grande o bastante para ele. Meu caro More, como imaginais que os conselheiros do rei reagiriam a esse discurso?"

"Não de maneira muito favorável, com certeza - respondi." (MORE, p.33)

Os domínios de um príncipe são, e devem ser, as únicas preocupações que este carece, sejam estes territoriais ou sociais. O príncipe não deve medir esforços para mantê-los e não o fará se não for pelo meio da força. Portanto, o modo mais contundente de fazê-lo é por meio da guerra, pois, dessa forma, o príncipe não só se protegerá contra possíveis ameaças vizinhas como majorará suas conquistas expansionistas maximizando suas riquezas, assim como através do comando e da voz de liderança, conquistará o devido respeito de seus súditos. O poder de um príncipe deve estar alicerçado na sua capacidade de exercê-lo e instrumentos não lhe faltam quando a guerra é sempre uma alternativa.

“Um outro aconselha fingir a iminência de uma guerra, o que permitiria estabelecer uma taxa com esse pretexto; logo que os recursos fossem coletados, o príncipe concluiria um tratado de paz com grandes cerimônias religiosas, cuja pompa deslumbraria o povo, que atribuiria ao monarca as virtudes da piedade e da compaixão para com a vida de seus súditos." (MORE, p.33)

O príncipe deverá associar-se a uma imagem que o traga beneficio, se este puder fazê-lo a algo venerado que o faça, porém é preferível que o príncipe seja percebido como alguém cruel, porém que defenda os interesses nacionais - entenda-se por isso como preferências nobilitais - com punho cerrado do que se resuma a não fazê-lo em nome do bem-estar da humanidade.

“Deve o príncipe, portanto, não ter outra finalidade nem outro pensamento, nem qualquer outra atividade como prática, senão a guerra, seu regulamento e disciplina, pois essa é a única arte que se atribui a quem comanda. Ela é de tal poder que não só mantém os que nasceram príncipes, porém muitas vezes eleva àquela qualidade cidadãos de condição particular.” (MAQUIAVEL, cap.XIV)

 

¹MORUS, Thomas – Utopia, Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais,  Editora Universidade de Brasília, Brasília, 2004

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Danielle Freitas Henderson 15/09/09 às 00h09

QUESTAO II

“(...) Segui o caminhos oblíquio – ele vos conduzirá mais seguramente à meta. Aprendei a dizer a verdade com propriedade e a propósito; e, se vossos esforços não puderem servir para efetuar o bem, que sirvam ao menos para diminuir a intensidade do mau; porque tudo só será bom e perfeito; quando os próprios homens forem bons e perfeitos; e até lá, os seculos passarão.” (p. 71)

     Como Maquiavel escreve um discurso sobre a manutenção do poder e não para um cidadão qualquer, podemos nos situar distinções entre ele e Tomas More. Maquiavel era um realista político enquanto Tomas More funda a escola idealista. Maquiavel comentaria esta passagem com algumas objeções, pois ele declara a subordinação da moral, o uso dela a favor do príncipe – o que não seria necessariamente um esforço para efetuar o bem ou diminuir a intensidade do mau -.

     A definição de bem e mau poderia ser um tema relativo para Maquiavel, pois algumas coisas tidas como ruins poderiam ser definidas como boas para o estabelecimento do príncipe no poder. O príncipe para Maquiavel pode usar meios violentos ou autoritários para chegar a sua glória, o que de maneira alguma poderia ser um caminho onde “tudo seria bom e perfeito”.

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