Trabalho extra

Diálogos

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Rafael de Oliveira Taveira 04/12/09 às 13h12

Duvida

 Professor/monitores,

O texto do Weber é o da etica protestante, certo?

[0] 
Mariana Souza da Cruz 04/12/09 às 18h12

Ao professor e monitores

O trabalho extra seria o que exatamente? Um comentário sobre a 'Ética Protestante' ou teríamos a oportunidade de fazer algum dos trabalhos que deixamos de fazer?

Aguardo também esclarecimento quanto aos prazos!

Obrigada!

xXx

[+1] 
Alexandre Araújo Costa 04/12/09 às 21h12

Resposta

Mariana, o trabalho extra tanto pode ser sobre o Weber quanto um dos trabalhos anteriores que deixou de ser feito.

[0] 
Danielle Freitas Henderson 05/12/09 às 13h12

Rafael

O texto é o da Ética Protestante sim, e está disponivel pra download, no tópico do Weber aqui no site.

Att.

[+2] 
Luís Otávio Valente Barcellos 05/12/09 às 22h12

Max Weber: "A Ética protestante e o espírito do capitalismo"

Não foi à toa que o protestantismo mais "capitalista" (o Calvinismo, que forneceu os principais bases da "ética protestante" de que trata o sociólogo) e o "reformador radical" apareceram em Genebra e Zurique respecivamente, redutos da burguesia e do pensamento burguês-capitalista. A maioria das regiões economicamente prósperas e enriquecedoras receberam bem (e aderiram a)o protestantismo - especialmente as seitas derivadas da crença calvinista, o puritanismo, o presbiterianismo, o pietismo, entre outros. É  aproximando análise sociológica e constatações históricas que o ensaio de Weber parece bastante razoável e acertado.

É interessante reparar que a prosperidade na Baixa Idade Média propiciou não só o surgimento de uma nova classe social ascendente (e muitas vezes já dominante) como também deu margem à "independência intelectual" dos homens. Essa "independência intelectual" permitiu que a burguesia se configurasse uma contestação secular-mundana aos princípios apregoados pela Igreja à sociedade de então.

Argumentam alguns que Gênova e Veneza também prosperavam concomitantemente às Reformas Protestantes e não tiveram o mesmo grau de adesão a elas em comparação com Norte da Alemanha, Flandres, Inglaterra, etc. No entanto, o autor deixa nas notas-de-rodapé uma observação: baseado em dados sobre coleta fiscal (pois renda maior paga imposto maior), deduz-se que, se protestantes acumulavam cabedal em média duas vezes maior que o de católicos, os judeus superavam aqueles em mais de dez vezes. E um dos exemplos que Weber coloca são os agiotas das duas referidas cidades italianas: enquanto os mercadores sofriam com a concorrência mútua e tinham de disfarçar seu apego material para terem aceitação da Igreja e, por extensão, da sociedade majoritariamente católica, judeus agiotas, mesmo à margem da sociedade, enriqueciam facilmente e sem maiores esforços. Se o "ethos peculiar" do capitalismo é a chamada "filosofia da avareza", ter o dinheiro como um fim (satisfazer-se com ele), os judeus normalmente conseguiam isso sem passar pelo que é definido como o meio - o trabalho, a que os protestantes, segundo Weber, seriam bastante afeitos. Attali esclarece que, para os judeus, "a riqueza não é um fim, mas um meio de servir a Deus"; já para os protestantes o dinheiro é um fim à medida que prosperar (enriquecer) significa receber uma bênção divina e corresponder ás capacidades que Deus nos deu.

O próprio evento que motivou a primeira das Reformas Protestantes - a venda de indulgências pela Igreja - é um exemplo de como a ética medieval diferia da "ética protestante" apresentada por Weber. No lugar de poupar dinheiro, economizar para dar fertilidade (lucratividade) ao produto do suor de seu rosto, o homem dos séculos XIV e XV prefere desperdiçá-lo em papéis da Igreja. De fato, a "ética protestante" dessacralizou muitos elementos da vida cotidiana do europeu, uma vez que desobrigou sua população fiel de uma instituição tão cegamente respeitada e tão alienadora como o perdão. Aliás, o pecado original e seu perdão foram as instituições mais prolíficas em manter o status quo católico ao longo da Idade Média e em condenar a usura e a acumulação e desenvolvimento capitalistas.

A Reforma Protestante rompeu ainda a sacralidade das entidades coletivas, como a missa, a comunidade, entre outras, fortemente arraigadas à retórica católica. Estas continuaram, obviamente, a existir e a ter importância, mas ressaltou-se o papel da fé individual e do indivíduo em si na salvação da alma. Valoriza-se a individualidade e permite-se a obtenção de riquezas por parte dos filhos de Deus como prova da grandeza deste. Isso ainda está presente no discurso dos atuais líderes e ministros-de-culto evangélicos, opondo à "teologia da pobreza" católica oficial a "teologia da prosperidade" ensinada/pregada em suas igrejas.

A obra de Weber exemplifica bem o contraponto de sua maneira de analisar a sociedade e de fazer sociologia em relação àquela de seu conterrâneo Marx. Weber não se ateve aos meios materiais concretos de existência e de produção (sobre os protestantes, Marx diria que, devido ao "pecado original da economia" - a acumulação primitiva de capital -, eles são detentores dos meios de produção e assim se explica sua proeminência econômica sobre católicos). Ao contrário, falou simplesmente de concepções, filosofias, abstrações, religiões, pensamentos, etc, como norteadoras (que dão sentido, que orientam) das intenções e condutas humanas - é dessa forma que Weber explica seu conceito de ação social, aplicável a todos os fenômenos sociais, segundo ele.

Referências bibliográficas:

-"O nascimento da política moderna - Maquiavel, Utopia, More"; Luis Felipe Miguel; 2007; págs. 92, 93, 94, 95 e 96;

-"O Capital"; Marx;

-"Os judeus, o mundo e o dinheiro"; Attali, Jacques;

-"A ética protestante e o espírito do capitalismo"; Weber, Max;

 

 

[+1] 
Rafael de Oliveira Taveira 06/12/09 às 13h12

Weber e sua importância

Max Weber propõe-se nesta obra a esclarecer os motivos pelos quais o capitalismo desenvolveu-se inicialmente em países como a Alemanha e a Inglaterra. Para isso, o sociólogo alemão analisa os hábitos, ideais e condutas que favorecem o modo de produção capitalista e todo o ordenamento político-econômico resultante deste sistema. Assim, Weber percebe que a ética protestante, comum a ambos os países em graus distintos, acaba por influenciar estes hábitos.

A partir da análise de diversas correntes protestantes, principalmente a calvinista, o autor conclui que a valorização positiva da vida mundana e do comportamento econômico racional acaba por instigar o trabalho, os prazeres e atividades mundanas e o comércio. Diferentemente, a ideologia católica pregava uma cultura de sobriedade e de detrimento da vida mundana humana em relação a Deus, valorizando hábitos como altruísmo e desapego aos bens materiais. Além disso, os protestantes acreditavam que o destino era predestinado e que as habilidades individuais são dádivas para alcance destes objetivos enquanto que a salvação na doutrina católica vem por meio de muita dedicação e adequação às idéias católicas.

Sua obra é de extrema importância, pois apresenta uma análise vanguardista do sistema capitalista e de suas particularidades além de buscar esclarecer a relação entre o ordenamento moral (religião) e o ordenamento político-econômico nas sociedades capitalistas ocidentais. Mostrando que a forma como a sociedade se organiza advém de uma ordem moral, Weber abriu caminho para estudos mais completos e profundos sobre as sociedades, contribuindo bastante para a sociologia e as outras ciências no geral.

[0] 
Maressa Campos 06/12/09 às 21h12

Thomas Hobbes - uma analise geral

 O Leviatã, obra que Hobbes faz contraponto com o título de seu livro histórico, foi publicado em 1651, em pleno clima de guerra civil, marcando seu histórico de apoio ao poder monárquico, já que em 1640, retornando à Inglaterra,no início da Revolução Inglesa, colora-se abertamente a favor de Carlos I. A publicação do Leviatã marca, portanto, de certa forma, o desfecho de suas posições e explicita uma visão mais bem acabada do homem e do Estado.

Hobbes, considerado um contratualista, entre os seculos XVI e XVII, afirmou que a origem do Estado ou da sociedade esta em um contrato, que os homens viveriam naturalmente, sem poder e sem organizacao, que somente surgiriam depois de um pacto firmado por eles, estabelecendo as regras de convivio social e de subordinacao politica.

Hobbes busca analisar a natureza humana, pode-se observa isso na pagina 74 de o leviata:

"A natureza fez os homens tao iguais quanto as faculdades do corpo e do espirito, que, embora, por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espirito mais vivo do que outro, mesmo assim quando se considera tudo isso em conjunto, a diferenca entre um e outro homem nao e suficientemente consideravel para que qualquer um possa com base nela reclamar qualquer beneficio a que outro nao possa tambem aspirar, tal como ele. Porque quanto a forca corporal o mais fraco tem forca suficiente para matar o mais forte, que por secreta maquinacao, quer aliando-se com outros que se encontrem ameacaod pelo mesmo perigo."

Hobbes considera o homem opaco aos olhos do seu semelhante, o qual nao sabe o que ele quer tambem nao sabera o que ele fara. Hobbes pede em sua obra um exame de consciencia, de conhecer-te a ti mesmo, mencionando que estamos carregados de preconceitos, trazendo caracteristicas da filosofia de Aristoteles.

E importante mencionar aqui quanto ao direito de natureza, no qual Hobbes alegora que todo homem tem direito a tudo:

"O direito de natureza, a que os autores chamam jus naturale, e a liberdade que cada homem possui de usar seu proprio poder, da maneira que quiser, para a perservacao de sua propria natureza, ou seja, de sua vida;e consequentemente de fazre tudo aquilo que seu proprio julgamento e razao lhe indiquem como meios adequados a esse fim."

Para Hobbes o homem e o individuo, porem o individuo que nao almeja tanto os bens, mas sim a honra. Sendo a honra, o valor atribuido a alguem em funcao das aparencias externas. Portanto, o homem hobbesiano nao esta vinculado as riquezas, o mais importante pra ele e a propria honra na qual se inclui a propria riqueza. O homem vive basicamente de imaginacao, imagina ter poder, ser respeitado ou ofendido pelos semelhantes, assim acabar por decorrer perigos, pois o homem se sujeita a fantasiar o irreal. Portanto o estado de natureza e uma ocndicao de guerra, porque cada um se imagina (com razao ou sem).

OUtro ponto importante desenvolvido por Hobbes e a questao da igualdade e da liberdade, onde a igualdade e o fator que leva a guerra de todos, dizendo que os homens sao iguais: "Todos os homens nascem livres e iguais", mencionando que dois homens podem querer a mesma coisa, por isso vivemos em uma tensa competicao. Definindo liberdade como"ausencia de oposicao".

Observa-se tambem que o Estado hobbesiano e marcado pelo medo, a propria capa do livro na primeira edicao faz uma analogia ao colocar a imagem do monstro marinho. Embora o Leviata nao atemorize, o terror existe no estado de natureza, quando vive-se no pavor de que seu proprio amigo o mate. Esse Estado tambem nao se limita a deter a morte violenta.

Por fim, compreende-se que Hobbes pode ser classificado como um pensador maldito, visto que e bastante ofensivo, apresentando o estado como monstruoso e o homem como belicoso, possuindo assim uma caracteristica de um pensador moderno no que diz respeito  essa monstruosidade.

 

Bibliografia

Leviata

Os classicos da politica, v. 1

(obs.: falta de acentuacao devido desconfiguracao do pc)

 

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Carlos Adão dos Santos Ribeiro 07/12/09 às 10h12

Pico Della Mirandola - resposta à questão 1 - O Humanismo em sua obra

A grande questão que se apresenta com relação à obra de Pico, é o espírito universalista de sincretismo com o qual ele tenta compor seu texto. Fica evidente o ideário de sua época na medida em que se discute em termos da Criação Divina e do homem como expressão máxima de Deus, e ao mesmo tempo, a tentativa ainda medieval de se afastar da natureza e aproximar-se do Divino.

O mérito de Pico é, como já dito, o sincretismo, pois ele é um membro de uma sociedade extremamente cristã, ou para ser mais preciso, de uma sociedade predominantemente católica, visto que ele nasceu na Itália do século XV, e foi direcionado à vida eclesiástica. Em seu texto é patente o espírito divergente de sua época sem, no entanto, romper com a tradição à qual pertencia. Essa aparente contradição em termos é a característica principal dos autores até que se chegue efetivamente a Modernidade, que é quando se faz um corte na tradição anterior e passa-se a uma nova, apesar de ainda assim, esta nova tradição não ser independente da anterior, havendo ainda muitos elemento de conexão entre ambas.

Este é o valor de Pico Della Mirandola em sua "Oração pela dignidade do homem", uma amostra do que é o Humanismo, uma tentativa de se alcançar a racionalidade através da fé, que ainda é bastante marcante na vida cotidiana e científica. Uma escala na mudança de pensamento humano, ou pelo da sociedade ocidental. Havendo portanto uma mescla de diferentes visões e pensamentos, com Pico levando isto ao extremo de tentar reunir todo o conhecimento a partir de uma base comum, uma mescla do Enciclopedismo do ideal de uma racionalidade que engloba e explica tudo, típicos da Modernidade, com o espírito religioso de um medievo. Sendo esta uma característica marcante do Humanismo, a ppassagem para a Modernidade sem romper com a "Medievalidade".

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Didier Röhe 07/12/09 às 10h12

Análise da obra de Weber

        Em “A ética protestante e o espírito do capitalismo” Max Weber propõe uma nova visão sobre o estudo da sociedade. Diferentemente do que faziam os escritores anteriores, que optavam basear suas análises no campo do Direito, Weber vai basear seus estudos na Economia assim como Karl Marx havia feito em suas obras. “A ética protestante e o espírito do capitalismo” também se diferencia de outros textos tidos como de filosofia política por não tratar do devir, do construir político; simplesmente relata uma análise profunda de como a semente do capitalismo já estava presente na Reforma Protestante. Pouco, se não nada, da análise da obra procura tratar da esfera puramente estatal e governamental nos processos de desenvolvimento do capitalismo, restringindo-se puramente às questões filosóficas e religiosas – excetuando a pequena parte em que Weber cita como a busca pelo lucro leva a uma racionalidade e padronização e, portanto, a um Estado burocrático racional-legal. É por estes e outros motivos que Max Weber é geralmente mais enquadrado como um sociólogo e não um cientista político.

        Em sua obra Weber procura explicar por que mesmo havendo a semente do capitalismo nas civilizações babilônica, romana, chinesa somente a civilização ocidental moderna conseguiu se desenvolver a tal ponto de obter a dominação cultural e econômico do globo. Weber procura responder citando que as novas práticas de valorização do trabalho (como a vocação) como forma de salvação, o uso racional do tempo na forma de acumulação de capital e mesmo o investimento desse capital na produção fez com que a civilização ocidental disparasse em produção e o espírito do capitalismo se completasse.

        Weber faz uma outra análise da visão materialista do capitalismo de Karl Marx e expõe que o capitalismo não é puramente materialista, mas também possui bases religiosas. Voltando a questão do Estado burocrático racional-legal, Weber o vê como a evolução de outros sistemas políticos (patriarcal, feudalismo, teocrático) que se baseavam nas outras duas formas de dominação, carismática e tradicional. A burocracia, por ser racional e se basear nas leis, seria o melhor para o Estado segundo as idéias de Weber pois seria previsível, estável e facilitaria toda uma questão de maximização dos lucros. Isto se assemelha com o ideal de político para Weber – que se aproxima da visão maquiavélica-, de que o político não deve ser o ético cristão, mas deve ser racional e ter responsabilidade, visando ser objetivo e maximizar os fins (e não os meios).

        Se Karl Marx é associado com os ideais de esquerda e a crítica robusta ao capitalismo, Weber, em contrapartida, por de certa forma apoiar o capitalismo é visto como de direita. Essa divergência aparente de visões políticas também se expressa no correto devir do Estado ideal. Se para Marx, o Estado deveria desaparecer após a ditadura do proletariado e a vitória do comunismo; Weber acreditava que o Estado ideal seria o burocrático presente, que regulasse a vida do indivíduo de forma racional, sempre buscando o melhor aproveitamento de recursos. 

Referências:

Weber, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.São Paulo: Pioneira, 1999.

Weber, Max. “Política como vocação”. In: Ciência e Política – Duas vocações. São Paulo: Martin Claret, 2001. 

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Larissa Xavier Rocha 07/12/09 às 10h12

Weber- Ética Protestante e o desenvolvimento do Capitalismo

Max Weber faz uma relação entre o desenvolvimento do capitalismo moderno e o elemento religioso. O autor inova ao fazer a relação entre o capitalismo e um elemento alheio à economia. O capitalismo se desenvolveu concomitantemente ao processo da Reforma Protestante na Europa no século XVI, período em que surge a idéia de profissão enquanto vocação, a extrema valorização do trabalho e a busca pela salvação individual. Weber faz, então uma relação entre o fato de que  a maioria dos homens de negócios e bem sucedidos professam fé protestante.

Foi durante o período renascentista que a igreja católica começou a perder força e a ser contestada por parte da população.Um dos principais cabeças do movimento foi Lutero que queimou a bula Papal em praça pública e fez publicar 95 teses reformadoras da igreja católica. Em suas teses, Lutero argumentava em favor da livre interpretação da Bíblia, que até então praticamente só era acessível ao corpo eclesiastico, pois era escrita somente em latim. Lutero começou, então, o trabalho de tradução e disseminação do Livro sagrado. Ele também afirmou que a graça de Deus alcançaria todos aqueles que vivessem segundo os princípios de Deus, dentre os quais o trabalho segundo a ética profissional. Segundo a igreja católica a salvação é segundo o merecimento, e não apenas pela fé, e poderia ser concedida pela igreja por meio de suas indulgências e representante. A Igreja protestantante, em contrapartida, afirmava que a salvação somente se dá pela fé em Deus, e só Ele a podia conceder. Portanto, qualquer um poderia alcançar a salvação desde que tenha fé.

Weber inicia a discussão sobre vocação no começo do capítulo 3 de sua obra “A ética protestante e o ‘espírito’ do capitalismo”:

“Não dá para não notar que já na palavra alemã Beruf 10, e talvez de forma mais nítida no termo inglês, calling11, pelo menos ressoa uma conotação religiosa – a de uma missão dada por Deus –, e quanto mais enfaticamente acentuamos a palavra num caso concreto, mais ela se faz sentir[...]”

Segundo Lutero aquele que desempenha seu trabalho de cordo com sua vocação agrada a Deus, pois Ele manda para que cada um exerça o seu dom que é por Ele dado. Segundo Lutero cada homem, sendo feito por Deus é capaz de fazer grandes obras, desde que siga a vocação que lhe é dada por Deus. Segundo a Igreja católica, o meio de se alcançar a Deus seria abstendo-se da vida secular e vivendo em um “ócio” religioso, caracterizado por meditação e isolamento. O trabalho secular, entretanto, era tratado pela Igreja Protestante como um meio de se alcançar a Deus, pois faria parte da criação de Deus o exercício dos dons dados por Ele aos seres humanos.

Porém, segundo as palavras do próprio Weber “... em Lutero o conceito de vocação profissional permaneceu com amarras tradicionalistas”. Weber considera o conceito de “vocação” de Lutero ainda tradicionalista, pois para ele, a vocação, tal como é proposta por Lutero, direciona a conduta do indivíduo “ à idéia de “destinação”: o indivíduo deve permanecer fundamentalmente na profissão e no estamento em que Deus o colocou e manter sua ambição terrena dentro dos limites dessa posição na vida que lhe foi dada.”

Mas, a questão da vocação em Lutero não é totalmente descartável. Essa vocação profissional, presente no luteranismo, também se apresenta e fornece elementos necessários e centrais à religião protestante.

O “espírito” do capitalismo é um tipo ideal que tem por base os conceitos de ética social do dever profissional e o trabalho como vocação.

Segundo Weber a vivência espiritual da doutrina protestante e a conduta religiosa exigida pelo protestantismo teriam propiciado um ambiente apropriado ao desenvolvimento de  uma maneira de agir econômica necessária para a ocorrência de um lucro sistemático. O trabalho seria entendido como um fim em si mesmo, quando analisado como chamamento a um trabalho definido – vocação.

A ética protestante deriva das idéias da Bíblia Sagrada. Um de seus principais princípios seria o amor, que se refere tanto ao amor de Deus para com seus filhos, como ao amor entre os irmãos. Dessa maneira, a ética e a moralidade se justificam pelo dever que o ser humano tem de fazer o bem aos seus irmãos, que seria, assim, uma demonstração de fé e amor.

 

 

 

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Vitor Eiró Storino 07/12/09 às 12h12

Campanha eleitoral: uma abordagem atual da perspectiva de Maquiavel

Exmo. Sr. Governador,

 

Grato por sua confiabilidade em meu trabalho, venho demonstrar-lhe as características e práticas fundamentais que um político deve ter e exercer na visão de Nicolau Maquiavel explicitado por sua polêmica obra “O Príncipe”.

 

Primeiramente, diferentemente do que muitos analistas propõe acerca da interpretação que deve ser dada a esta obra como uma espécie de “manual” aos políticos da época de manutenção do poder, acredito nela mais como uma obra que explicita quais eram os mecanismos já empregados à época por estes políticos de sucesso que foram compilados por Maquiavel. Afinal, não é por coincidência que posteriormente este autor foi considerado o pai do Realismo Político, pela sua ênfase clara no aspecto do “ser” por parte da política muito maior do que desempenhava ao “dever ser”. (Martins, pp.26 & 27)

 

Adiante, como um dos aspectos que ressalta a análise feita no parágrafo anterior, Maquiavel procura, através de suas interpretações dos fatos históricos, estabelecer paralelos entre as ações de políticos memoráveis e as que desempenhadas à sua época geravam resultados similares e alcançavam seu objetivo máximo de política, que na visão deste autor sempre será o alcance do poder e a permanência no mesmo. Desta forma, na visão de Maquiavel, o Sr. já adquiriu uma vantagem com relação a seus candidatos, o Sr. detém o poder na atualidade e, portanto, cabe o Sr. na sua atual campanha buscar ligar a sua imagem a políticos bem quistos pela população, procure conhecer as grandes personalidades políticas de sua região, pois estas seriam de mais fácil conhecimento de seu povo.

 

Outro ponto fundamental a ser levantado na leitura desta obra seria a perspectiva maquiavélica da natureza humana. O autor tem convicção do aspecto individualista da natureza do homem baseado na observação dos comportamentos egoístas e mesquinhos desempenhados pela população. Nesta característica que Maquiavel embasa a necessidade de se estabelecer um Estado forte e, sobretudo, associado a um chefe de respeito que possa amenizar os problemas causados pelos litígios entre os indivíduos.

 

Neste intuito, o Sr. deve, primeiramente, ser uma pessoa respeitada por seus eleitores, de preferência pelo aspecto da admiração, porém isto se dá de maneira mais dificultosa pois depende da própria vontade do povo, caso contrário o Sr. deve ser temido, não no sentido de causar medo, mas temer no sentido de respeitá-lo por sua prerrogativa de julgar determinadas controvérsias, tendo em vista que isto só depende de suas próprias atitudes e como proposto por Maquiavel: “o príncipe prudente deve fundar-se naquilo que respeita ao seu arbítrio, não no que respeita ao arbítrio de outrem” (Maquiavel, p. 83). Ademais, para adquirir este respeito o Sr. deve se mostrar rígido na aplicação dos pleitos que lhe couberem.

 

A perspectiva de Maquiavel acerca do poder político é essencialmente mundana e não diz respeito a características religiosas, portanto, não há necessidade do Sr. se apegar a autoridades extra-terrenas para alcançar seus objetivos, apenas apele,em sua campanha, a paixão que as massas tem para com estas divindades, caso isto se mostre necessário.

 

Ainda nesta perspectiva do poder por Maquiavel, podemos estabelecer a dois aspectos o sucesso político: a virtú e a fortuna. A virtú é o conjunto de atitudes que o político exerce no intuito de se manter no poder, basicamente a compilação das atitudes que proponho ao Sr., se o Sr. assim as fizer. Por sua vez, a fortuna é a sorte que cada indivíduo pode adquirir nas suas intenções, porém apesar da fortuna poder dar o ar de sua graça de maneira indeterminada, Maquiavel propõe que esta pode ser conquistada pela virtú de cada político, o que faria com que esta corroborasse com sua campanha.

 

A fim de entender melhor o que se caracteriza pela virtú, acima de tudo, o que se caracteriza como comportamento virtuoso, Maquiavel propõe que este comportamento deveria constituir-se de atitudes que visassem não só a conservação do poder do Estado assim como a sua manutenção no controle do mesmo. O Governante deve agir sabiamente, de acordo com as circunstâncias para a manutenção do poder como um todo, isto constitui de maneira resumida um comportamento virtuoso.

 

O comportamento do político desta maneira se enquadra, numa perspectiva de Weber, a ética da responsabilidade que representa o conjunto de normas e valores que orientam o político na sua tomada de decisões, principalmente as que dizem respeito a sua perpetração no poder, em contraposição a ética da convicção que orienta suas atitudes numa escala privada. (Weber, p. 168)

 

Desta forma, o Sr. Governador deveria se orientar tanto em sua campanha como no exercício de seu mandato pela ética da responsabilidade, por vezes até mesmo desempenhando atividades que não são corretas do ponto de vista de sua ética da convicção porém que seriam bem razoáveis levando em consideração a ética da responsabilidade. Por fim, Acredito que se o Sr. levar a cabo os conselhos dados ao Sr. por este parecer creio que o Sr. terá sucesso na campanha eleitoral e conseqüentemente em sua reeleição.

 

Atenciosamente,

 

Vitor Eiró Storino

 

 

 

Bibliografia:

 

MARTINS, Carlos Estevam. In.:” Os Pensadores – Maquiavel”. Editora Nova Cultura, 2000, São Paulo

 

MAQUIAVEL, Nicolau. In.: “O Príncipe”. L&PM Editores, 2009, São Paulo

 

WEBER, Max. in.: “Economy and society: an outline of interpretive sociology”. Bedminster Press, 1968, Nova York

 

 

 

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Maressa Campos 07/12/09 às 15h12

Questão 2 - Maquiavel

II - Você foi contratad(o/a) para ser consultor(a) de um governador de estado que pretende candidatar-se à reeleição. Para realizar essa função, solicitou que você relesse o Príncipe de Maquiavel e identificasse nele os principais conselhos que se mantêm atuais e aqueles que seria pernicioso seguir. Redija um parecer para o candidato.

Ex. Sr. Governador,

a partir de uma analise da obra O Principe de Maquiavel, como me fora solicitado, deixo abaixo os pontos chaves a serem seguidos por V. Senhoria nesse processo para reeleição, ressaltando que há o que vem de positivo e aquilo que presume-se destrutivo, exponho deforma que o deixe vigilante quanto a isso:

1.O principe deve tomar o cuidado de esquivar-se de tudo aquilo que o faria odioso e desprezivel.

2.Suas acoes devem transparecer a grandeza, a coragem, a austeridade e a firmeza.

3.As forcas com quais um prinipe defende o seu Estado, ou sao as suas proprias forcas ou sao as mrcenarias; que sao inuteis e perigosas:

4.Em o Principe, observa-se que o prinipe jamais devera se desviar as suas atencoes dos exercicios militares, e na paz tera que exercitar mais que na guerra, no entanto, vivemos em um periodo totalmente diferente, no qual a responsabilidade de governador nao esta no exercicio militar direto, mas a as atividades diretamente ligadas ao governo, pois acatando essa caracteristica do principe, ha possibilidade de leva-lo a uma morte prematura.

5.Quanto ao exercicio das suas meditacoes o principe deve ler os relatos da historia e neles considerar as acoes dos grandes homens, como o sr. governador ja o faz aqui.

6.E louvavel que o prinvipe honre a sua palavra e viva de uma forma integra;

7.Nao deve ser seguido a ideologia de que um remédio eficaz é organizar colônias, em um ou dois lugares, as quais serão uma espécie de grilhões postos à província, pois é necessário fazer isso, ou ter lá muita força armada, vivemos em um outro tempo.

8.Para ele, a natureza humana seria essencialmente má e os seres humanos deveriam obter os máximos ganhos a partir do menor esforço, apenas fazendo o bem quando forçados a isso.A natureza humana também não se alteraria ao longo da história. Vivemos em um tempo dieferente sr. governador, 'e preciso flexibilidade diante do povo e da propria historia.

9. A boa razao e uma mistura entre a razao e a etica.

10. 'E preciso saber como fazer o uso da fortuna, visto que não se pode saber a quem ela vai fazer bens ou males e ela pode tanto levar alguém ao poder como tirá-lo de lá, embora não se manifeste apenas na política. Como sua vontade é desconhecida, não se pode afirmar que ela nunca lhe favorecerá.

   Diante dos pontos cima relatos, acredito que se seguidos, presume-se vossa reeleição, visto que Maquiavel é o exemplo desde da composição de O Principe ate o presente século de um governo de sucesso, de uma liderança de sucesso, fazendo é claro as adaptações e retiradas necessárias diante do arcabouço temporal em que vivemos.

Desde já agradeço,

Maressa Tainá de Paula S Campos

Bibliografia

MAQUIAVEL, Nicolau. In.: “O Príncipe”. L&PM Editores, 2009, São Paulo

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André Moura Gomes 07/12/09 às 15h12

Comentário sobre o texto de Weber

“Porém já nos convencemos de este não é absolutamente o solo em que a relação do homem com sua vocação como obrigação, que é necessária ao capitalismo, tenha preeminentemente se desenvolvido. De fato, podemos – e esta simples proposição muitas vezes esquecida poderia ser posta no início de qualquer estudo que tente lidar com o racionalismo – racionalizar a vida a partir de pontos de vista fundamentalmente diferentes e em direções muito diferentes. O racionalismo é um conceito histórico que envolve todo um mundo de coisas diferentes. Será nossa tarefa descobrir a filiação intelectual particular do pensamento racional da forma concreta, de que surgiu da idéia de devoção ao trabalho e de vocação, que é, como vimos, tão irracional do ponto de vista do auto-interesse puramente eudemonista, mas que foi e ainda é um dos elementos mais característicos de nossa cultura capitalista. Estamos aqui particularmente interessados precisamente na origem do elemento irracional subjacente nesta como em qualquer concepção de vocação.”

Neste trecho, Weber aponta a irracionalidade da vocação moderna de progresso individual e ambição pela acumulação de capital. O uso da razão não produz em si resultados morais. Ou seja, outros resultados de natureza moral são possíveis e, mais do que isso, pode-se argumentar que esse resultado (vocação para a acumulação) é mesmo contrário ao interesse individual (e, portanto, irracional para o indivíduo e, assim, para a humanidade da mesma razão). Se a vocação capitalista moralizante não é um resultado necessário da aplicação de uma cadeia de raciocínios a que se atribui o caráter de racional, então ela perde sua força argumentativa. Isto não impede essa moralidade se reproduza, uma vez que o sistema exclui aqueles que não se adaptam a ele, e se reforça naqueles que se apropriam de suas regras, e passam isso à sua prole. Como diz o próprio Weber:

“A economia capitalista moderna é um imenso cosmos no qual o indivíduo nasce, e que se lhe afigura, ao menos como indivíduo, como uma ordem de coisas inalterável, na qual ele tem de viver. Ela força o indivíduo, a medida que esse esteja envolvido no sistema de relações de mercado, a se conformar às regras de comportamento capitalistas. O fabricante que se opuser por longo tempo a essas normas será inevitavelmente eliminado do cenário econômico, tanto quanto um trabalhador que não possa ou não queira se adaptar às regras, que será jogado na rua, sem emprego.”

Hoje em dia, cresce o reconhecimento de formas de vida que se sustentam dentro das regras do jogo, mas criando redomas de isolamento e crítica condensada em relação aos valores que compõem a vocação capitalista de acumulação. A manifestação política dessas formas de vida se expressa em movimentos em torno da economia solidária (http://www.fbes.org.br/) e do Fórum Social Mundial (http://www.forumsocialmundial.org.br/), por exemplo. As chamadas comunidades tradicionais não são vistas como atraso. Levar a sério a tolerância, própria da sociedade moderna (especialmente pós 2ª Guerra Mundial) e assumida pelo corpo social, provoca essa mudança, de maneira incipiente. Embora se queira compatibilizar a preservação dessas formas de vida com o desejo de desenvolvimento, que passa por melhorias de indicadores sócio-econômicos mas que requer a acumulação de capital (por meio de pesquisa com biotecnologia e povos indígenas, exportação de produtos culturais de quilombolas, turismo a vilas de ribeirinhos etc.), essa compatibilização me parece mais uma reformulação do capitalismo que a sua contestação de maneira incisiva. Por fim, vale ressaltar que se identifica que a internet tem sido utilizada fortemente como meio de articulação política dessas formas de vida, carentes de meios de comunicação e expressão de sua singularidade.

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Brenda Paola Cardoso de Souza 07/12/09 às 19h12

Atividade 3: Tomás Morus. Questão 1

“O governo é instituído pelo povo ou pela aristocracia, conforme haja oportunidade para um ou para outra. Quando os ricos percebem que não podem resistir à pressão da massa, unem-se, prestigiando um dos seus e fazendo-o príncipe, de modo a poder perseguir seus propósitos à sombra da autoridade soberana. O povo, por outro lado, quando não pode resistir aos ricos, procura exaltar e criar um príncipe dentre os seus que o proteja com sua autoridade. Quem chega ao poder com a ajuda dos ricos tem maior dificuldade em manter-se no governo do que quem é apoiado pelo povo, pois está rodeado de indivíduos que a ele se igualam, e não pode assim dirigi-lo ou ordenar tudo o que lhe apraz.” (MAQUIAVEL, 2003, p. 70-71)

Caro Nicolau Maquiavel,

Como gostaria que tivesses conhecido comigo a ilha de Utopia, donde vivi por mais de cinco anos. Perceberia que tuas considerações sobre o povo e a aristocracia mudariam consideravelmente, assim que se deparasse com as instituições e costumes adotados por lá.

Considero tuas percepções sobre o tema demasiado pessimistas, pois não é necessário que haja uma oposição entre pobres e ricos, como tu a ressaltas. Na verdade, tal divisão nem mesmo é devida, bem como é indevida a “criação” de um príncipe, nos termos em que tu se referes.

Em Utopia, o povo é responsável por propor, respeitando-se o número de bairros em que estão divididos, uma lista com os candidatos para assumir o principado, escolhido pelo magistrado previamente eleito por certas famílias do próprio povo. Digo que não há fraudes por preferências na eleição por não haver tal discrepância entre os membros da sociedade civil, como tu sugeres.

Como haveria aristocracia, se não há propriedade privada? Os campos são bem repartidos e as residências mudam de moradores, por sorteio, a cada dez anos. Sob tais condições, não se pensa em nenhum momento em ampliar territórios, pois os habitantes se consideram antes como capatazes do que como proprietários. Há também revezamento entre os moradores da cidade e do campo, com o objetivo de não designar a ninguém uma vida demasiado dura. Poderias então ver que conciliam-se perfeitamente o proveito e a alegria dos cidadãos.

Como poderia, então, haver uma divisão entre um representante que se iguale aos ricos e outro que se iguale aos pobres? Não. Haverá antes disso um representante que se iguale a todos, com principado vitalício, deste que esse, devidamente eleito, não conduza seu mandato à tirania, coisa que duvido que o faça, uma vez que teria como principal objetivo amar, ser amado por seus súditos e garantir a todos a almejada paz, considerando que seus súditos relevam sua vontade particular e a submetem à vontade da coletividade em que se inserem.

Atenciosamente, Rafael Hitlodeu.

Referências:

Excerto: MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Tradução: Pietro Nasseti. São Paulo: Editora Martin Claret, 2003, p. 70-71

Compilação de exposições de Hitlodeu: MORUS, Tomás. A Utopia ou O Tratado da Melhor Forma de Governo. Tradução: Paulo Neves. Porto Alegre: L&PM Editores, 1997

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Pedro Lucas de Jesus Boareto 07/12/09 às 20h12

Atividade II- Questão 2

Excelentíssimo Senhor Governador,

 

Conforme requisitado por Vossa Excelência apresento aqui uma breve síntese das analises contidas na obra “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel que poderá ser útil na campanha da reeleição.

 

Nessa obra temos uma espécie de guia sobre como chegar ao poder ou se perpetuar nele, claro que não poderemos seguir a rigor este guia visto que o contexto atual difere do período que a obra foi escrita, um período de transição da Idade Media para a Modernidade, onde o pensamento humano também passava por um período de transição saindo de um teocentrismo marcante para o principio de um pensamento humanista, e Maquiavel representa esse primeiro esboço de modernidade.

 

No texto, a maior lição que podemos tirar é olhar para eventos ocorridos no passado e tirar lições deles para que não se cometa os mesmo erros de outros governantes. Acredito, senhor Governador, que não precisamos olhar para um passado muito distante, basta ver os exemplos de governadores dos estados que fazem parte da nossa nação analisando os erros e acertos deles e trazer para a nossa realidade. E é preciso olhar para a gestão que se encerra e fazer o balanço final, ver quais foram os pontos positivos e quais foram os negativos.

 

Outro conselho que podemos ajustar aos dias de hoje se refere aos aliados que o senhor cultiva. Maquiavel alerta para a dependência que se pode ter dos que contribuíram para chegar ao poder. No atual contexto democrático conseguir se manter no poder sem nenhum auxilio é inviável, mas é necessário ter em mente que um aliado hoje com interesses em comum pode se tornar um opositor caso não seja atendida sua vontade, ou seja, ao firmar alianças faça prevalecer sua posição de governador.

 

Para se reeleger também é necessário ter apoio da população. Para conquistar a população podemos associar o conceito de Virtu e Fortuna usados por Maquiavel, é necessária muita cautela e muita inteligência para conquistar os eleitores, para isso temos que ter a Virtu que creio ser, nos dias atuais, o apoio da mídia. Somente com o apoio da mídia, devido ao seu papel formador de opinião e fiscalizador, é possível conquistar os eleitores, que são a nossa Fortuna.

 

Senhor Governador creio que da leitura de “O Príncipe” é possível extrair esses conselhos como sendo os mais aplicáveis na atual conjuntura e em período eleitoral.

 

Espero sucesso em sua campanha,

 

Pedro Lucas de Jesus Boareto

 

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Italo Rodrigues dos Santos 07/12/09 às 21h12

Atividade II, questão I

Continuação da atividade II, sobre Maquiavel

 

Pico: Estimado Maquiavel, é com grande apreço e admiração que endereço minhas palavras a ti, retomando a pertinente conversa que tivemos, desejo que dessa vez possa lhe convencer, ou pelo menos que considere o que venho a dizer. Pois bem, a respeito das autoridades políticas serem pessoas virtuosas, é primeiramente imprescindível, se quisermos fazer uma boa análise, que definamos o que devemos esperar de virtude. Eu, Pico, verdadeiramente acredito que a virtude humana se dignifica quando aproximamos dos ensinamentos de Deus, sendo o homem uma criatura que racionalmente, o que o distingue dos demais animais, opta por considerar mais relevantes cada um dos dois extremos, a saber: o celeste, e o mundano. Virtude, portanto, é a qualidade de se manter observante aos ensinamentos divinos e utilizá-los em sua prática quotidiana através do exercício do pensar racionalmente. Deste modo considero que o homem, na tentativa de aperfeiçoar sua natureza, não pode se relacionar com outros com o único e/ou maior intuito de obter poder, através de sua natureza egoísta.

Maquiavel: Querido Pico, agradeço sua solicitude em participar de um novo debate, também espero ser exitoso em minhas explanações, desta forma pretendo ser claro e objetivo no que quero dizer. Bem, notando sua argumentação vejo uma clara tendência para o apego espiritual face o material, você tenta demonstrar que o homem pode fugir de sua natureza individual ,cruel, sedenta por poder, e atingir um estado de perfeição e de simetria entre fé e razão. Noto que sua tentativa de querer encaixar duas coisas, que por não raras vezes se distanciam, representa um distorção das questões de nossa vida. Apelo para o pragmatismo, como já me havia ocorrido no diálogo anterior, Pretendo com isso analisar as questões em termos de sucesso ou insucesso, e não no que deveria ou poderia ter ocorrido. Assim reitero que a natureza humana continua sendo má e egoísta, o que você defende é apenas um controle destes instintos, colocando algo como superior pelo qual tais esforços poderiam valer a pena. Desta forma, a virtude que o governante necessita é a capacidade de lidar e resolver as questões que estão sobre sua alçada de modo a contornar futuros imprevistos, como escrevi em minha obra " tem-se observado, aquele que menos se apoiou na sorte reteve o poder mais seguramente"¹ e " os que por suas virtudes, semelhantes às que aqueles( Moisés,Ciro,Rômulo e Teseu) tiveram, tornam-se príncipes, conquistam o principado com dificuldade, mas com facilidade o conservam".²

Pico: Como já esperava, sabia que você não iria se convencer facilmente. Admiro sua persistência, porém condeno sua intransigência. Não defendo que o homem naturalmente seja bom ou isento de defeitos, o que defendo é que o homem tem o livre arbítrio para discernir qual caminho seguir. Observe "Não te fizemos celeste nem terreno, nem mortal nem imortal, a fim de que tu, árbitro e soberano artífice de ti mesmo, te plasmasses e te informasses, na forma que tivesses seguramente escolhido. Poderás degenerar até aos seres que são as bestas, poderás regenerar-te até às realidades superiores que são divinas, por decisão do teu ânimo"³, tal trecho correspondente de minha obra já demonstra o grau de liberdade que conferi, em minhas anotações, aos homens. Reconhecendo a importância do movimento humanista na influência que me levou a escrever este documento.

 

Maquiavel: Percebo que tua inicial disposição em dialogar aos poucos cede lugar à imposição, não o culpo, afinal, aproveitando o que disseste, noto que tu és fruto do contexto onde vive esboçando vôos mais longos. Mais uma vez, farei menção do que escrevi em meu livro, afirmando que "um homem que queira em todas suas palavras, fazer profissão de bondade perder-se-á em meio a tantos que não são bons." peço que leve em consideração o que te alego. Assim para um governante que ascende ao poder com o apoio dos poderosos, atesto que governa com mais dificuldades pois está cercado por seus iguais, que podem tomar o poder assim que julgar necessário.

Pico: Maquiavel, insisto para que atente que sua demasiada teimosia apenas o leva a argumentar seu lado, esquecendo de perceber outros argumentos. Seu erro é insistir que um enunciado de ser deva superar a um de dever ser, fazendo com que cada homem estabeleça os limites de seu agir. Quero alertá-lo que se assim as sociedades se pautassem pouco de ordem haveria, pois seria uma luta constante por obtenção de poder, honra e glória. Para fundamentar melhor isso recorro a teu próprio livro, onde afirma que Agátocles de Siracusa ao matar o povo e os senadores opositores em um suposto encontro, conquistou o poder, muito embora não conquistasse a glória.

Maquiavel; É importante notar que nesta situação Agátocles também não conquistou a virtude pois traiu a confiança de amigos e irmãos. No mais reconheço sua insistência em defender suas análises com tanta dedicação. Infelizmente não avançamos nas nossas posições iniciais, o que de certo modo não pode ser visto como ruim, pois ambos de nós empenhamos na defesa de nossas argumentações, fazendo com que reavaliássemos nossos esclarecimentos frente ao outro.

 

 

Notas

¹ O Príncipe, Maquiavel, Pag. 32 Edição Ridendo Castig Morais, versão eletrônica

² O Príncipe, Maquiavel, Pag. 36 Edição Ridendo Castig Morais, versão eletrônica.

³ Extrato "de Discurso sobre a dignidade do Homem" Pico della Mirandola.

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Amanda Panhol Bayma 07/12/09 às 23h12

Análise de Hobbes e o Leviatã, comparado com Maquiavel (atividade IV)

Hobbes, um pensador contratualista como Rousseau e Locke, discorre sobre a natureza do homem previamente à existência da sociedade e da natureza do contrato social que gera esta sociedade. Seu livro é nomeado em referência a um monstro marinho bíblico. Apesar desta importante referência, a argumentação do texto de Hobbes é impressionantemente dissociado da religião, no sentido em que sua teoria é embasada em argumentos racionais bem desenvolvidos e explicados claramente, ao invés de suportados pelo argumento divino. Esse passo em direção à modernidade é um dos elementos que nos fazem notar Hobbes como um dos escritores mais importantes para o pensamento atual.

Sobre o contrato social, independentemente do estado de natureza ser de fato um estado real que existiu na história, uma hipótese que pode ser testada empiricamente ou uma abstração, o fato é que as teorias contratualistas demonstram a essência da sociedade e em que pontos a sociedade civil é melhor que o estado de natureza ou a escolha que deve ser tomada pelo homem racional.

Em 'O Leviatã', Hobbes discorre sobre o Estado, que existe a partir do momento em que cada cidadão abre mão de seu direito de tomar decisões para que o Estado o faça por ele, ou seja, de sua autonomia, de certa forma. Dessa maneira, o Estado asseguraria o direito individual da melhor forma, e o indivíduo não teria direito de questioná-lo, e nem mesmo motivo, já que supostamente a vontade do Estado é a representação da própria vontade do indivíduo. O único caso em que Hobbes considera que pode haver insurreição contra o governante é em um cenário em que o  vida do indivíduo esteja em perigo: se o Estado não pode garantir a segurança do cidadão, este tem o direito de defender-se.

Do estado de natureza, Hobbes afirma que não há garantias, já que é da natureza do homem ser egoísta, inseguro, ambicioso e egocêntrico, os pactos feitos no estado de natureza não são confiáveis, e há um estado de guerra permanente, de todos contra todos, ideia eternizada na máxima: "o homem é o lobo do homem". Neste estado de medo e desconfiança, onde a morte violenta pode ocorrer a qualquer momento, a saída supostamente óbvia do homem é, racionalmente, estabelecer o dito contrato, para que o Estado possa regular as relações entre os homens, e os pactos sejam honrados. A racionalidade faz o homem buscar segurança e paz, em detrimento do estado de guerra. Da segurança da sociedade e da confiança no próximo, nasce a possibilidade de comércio, de investimento em construções e navegações, nas artes e cultura, na plantação, entre inúmeras atividades de interdependência essenciais para a sociedade como existe atualmente.

Para Hobbes, os homens são iguais desde o nascimento: embora não idênticos em todas as suas características, cada uma destas balanceia as outras, e cada indivíduo possui as mesmas oportunidades. É possível notar, no já exposto acima, que Hobbes defende que abrir mão do direito de liberdade para alcançar a segurança e a paz é algo positivo. A liberdade consiste na possibilidade de fazer aquilo que o Estado não proíbe, o que é similar ao direito atual. A principal diferença, e o principal perigo na teoria hobbesiana que pode facilmente levar a um governo despótico, é que a liberdade do soberano é praticamente ilimitada, já que a definição de bom ou mau vem da própria decisão ou ação do soberano.

Visto as ideias de Hobbes, podemos compará-las com a teoria de Maquiavel. Maquiavel discorre em O Príncipe sobre o Estado, e como o governante deve se manter no poder. Apesar da proposta das obras ser diferente, podemnos notar um ponto crucial em comum: a natureza do homem. Para Maquiavel, o homem também é mesquinho, egoísta por natureza, indignos de confiança, ingratos e ambiciosos. Hobbes comenta também em sua obra que a ambição do homem, de maneira generalizada, só cessa com a morte.

Quanto ao Estado, a abordagem de ambos é de fato diferenciada. Hobbes vê o Estado como um bem, o único modo do homem escapar do estado de natureza e de guerra, enquanto Maquiavel o analisa como um instrumento de poder para um indivíduo, que reina sobre os outros, e o soberano pode e deve enganar seus súditos, de certa maneira. Maquiavel tem uma visão mais sombria de toda a natureza humana e da sociedade em geral, incluindo o esquema político, enquanto Hobbes vê com otimismo a sociedade, como uma luz no fim do túnel da natureza humana. O governo é uma espécie de salvação para o homem que vivia no estado de natureza.

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Cristal Augustus C. Ribeiro 07/12/09 às 23h12

Atividade VII [questão II - Rousseau x Hobbes]

Enquanto Hobbes acredita que a natureza humana é vil e competitiva, Rousseau defende que o homem, no estado natural, é livre e convive em harmonia com os demais. Ressalta-se que ambas as visões foram amplamente criticadas posteriormente; uma por ser muito pessimista e, a outra, deveras inocente.

Hobbes foca seu raciocínio numa perspectiva de um individualismo intrínseco aos homens: estes são egoístas, e sua prioridade é a própria segurança, mesmo que isso custe o malefício de um terceiro -- o que, portanto, levaria a um conflito (o que Hobbes chamará de "estado de guerra"). Rousseau discorda, alegando que é o contrato social, estabelecido pela estrutura da sociedade em que o homem se insere, o responsável por macular o indivíduo, fazendo nascer os vícios e obsessões. Rousseau concorda que há um estado de natureza, como Hobbes, embora discorde das premissas deste; para aquele, o estado de natureza é mais que apenas a anarquia governamental, é a remoção das influências culturais que a sociedade nos impõe. Assim, Rousseau acredita que, neste estado, os sentimentos remanescentes são o amor próprio e a piedade, o que não levaria ninguém a ambicionar poder, pelo simples fato de que as pessoas são solitárias e não haveria ninguém que quisesse se destacar.

A teoria hobbesiana não leva o aspecto da influência da sociedade sobre o indivíduo tal como Rousseau, portanto, já que, para ela, há uma visão pré-determinada acerca do caráter humano. E, da mesma forma, a perspectiva rousseauneana também nos parece incompleta, já que ela prevê que o homem seja destituído das influências externas do meio -- mas, ora, mesmo sem precisar evocar argumentos antropológicos, como seria um homem assim? Seria ele possível? E, mais, se o homem é tão bom e a sociedade, tão má, como os componentes desta (os próprios homens) seriam capazes de corromper terceiros, sendo que são intrinsecamente bondosos?

Sobre a questão da criação do Estado, Hobbes vê tal medida como sendo essencial à manutenção da ordem das relações entre os homens, em busca de justiça. Alega, ainda, que os interesses do soberano são o reflexo puro dos interesses da população (o que Rousseau chamaria de "vontade geral"). Deste modo, um soberano nunca pode ter ações ditas ilegítimas, visto que elas são sempre realizadas a partir da concessão dos direitos dos cidadãos ao máximo Leviatã. Rousseau acredita que a soberania é inalienável e distinta do soberano; ou seja, destituir um soberano do poder não faz com que a soberania do Estado seja perdida junto com ele. Assim como Hobbes, Rousseau acredita que os indivíduos transmitem sua liberdade individual (para ele, encontrada no estado de natureza), e a trocam por uma liberdade civil, garantida pelos mecanismos estatais. A soberania é tida como o exercício da vontade geral, ligada a um interesse comum, e não à soma de interesses particulares.

Outro ponto de divergência entre os autores reside no fato da questão da guerra. Conforme já dito, para Hobbes, o estado natural dos homens é um estado de guerra, exemplificado pela máxima ''guerra de todos contra todos''. Já para Rousseau, isto se faz impossível, visto que, para ele, quem faz a guerra são os Estados -- não os homens. Os homens que vão para a batalha não vão por ideais individuais, mas vão como parte de um Estado, e defendem a ideologia deste.

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Vivian Suyen da Silva Bastos 07/12/09 às 23h12

Weber.

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber,  é um estudo da relação entre a ética do protestantismo e o surgimento do espírito do capitalismo moderno. Weber afirma que as idéias religiosas de grupos como os calvinistas desempenharam um papel relevante na criação do espírito capitalista. Primeiramente, Weber observa uma correlação entre ser protestante e estar envolvido no mercado, e declara sua intenção de explorar a religião como uma possível causa das condições econômicas modernas. Ele argumenta que o espírito do capitalismo moderno vê o lucro como um fim em si mesmo, e os seus lucros como virtuoso, e o objetivo de Weber é compreender a origem deste espírito.

Então, ele se vira para o protestantismo como uma explicação potencial, porque essas religiões oferecem a noção dos "escolhidos", do "chamado" de Deus , e dá um caráter religioso ao aspecto mundano da atividade do trabalho e do lucro. Embora isso seja importante, por si só não pode explicar a necessidade de acumular o lucro. Um ramo do protestantismo, o calvinismo, oferece esta explicação. Calvinistas acreditam na predestinação - que Deus já determinou que é salvo e condenado. Como o calvinismo desenvolveu, uma profunda necessidade psicológica de pistas sobre se a pessoa era realmente salva se levantou, e os calvinistas olharam para o seu sucesso em atividades mundanas (do mercado) como os indícios da salvação. Assim, eles viram o valor do lucro e do sucesso material como sinais da graça de Deus. Em contrapartida, otros grupos religiosos, como os pietistas, metodistas, e os batistas tinham atitudes semelhantes a um menor grau. Weber afirma que essa nova atitude da Ética Protestante quebrou o sistema econômico tradicional, abrindo o caminho para o capitalismo moderno.

Porém, uma vez surgido o capitalismo, os valores protestantes não eram mais necessários, e sua ética voltou a ter sentido apenas em si mesma. A conclusão é que agora nos encontramos trancados pelo espírito do capitalismo, que é tão útil para a atividade econômica moderna. Ao longo do livro, Weber enfatiza que seu argumento está incompleto. Ele não está argumentando que o protestantismo provocou o espírito do capitalismo, mas sim que era um fator contribuinte; ele também reconhece que o próprio capitalismo teve um impacto sobre o desenvolvimento das idéias religiosas. A história completa é muito mais complexa que a noção parcial de Weber, quem constantemente lembra seus leitores de suas próprias limitações. 

Portanto, um dos principais legados de Weber acaba sendo a sua descrição das características do capitalismo moderno. Weber considera o capitalismo como um sistema em evolução, de modo que o capitalismo atual tem algumas características bastante diferentes das do início do capitalismo moderno. Porém, ele não leva em conta a atividade comercial e capitalista, como algo  novo da era moderna, uma vez que tal comportamento tinha existido na maioria das sociedades em tempos anteriores, bem como em outras sociedades consideradas não-capitalistas, na contemporaneidade. Sob o capitalismo moderno, entretanto, o padrão e a natureza das atividades são um pouco diferentes daquelas de outras formas de capitalismo.

O livro teve um impacto duradouro sobre o campo da história econômica. Ironicamente, Joseph Schumpeter argumentou que apesar da carreira acadêmica de Weber ter começado com cadeiras em economia, "ele realmente não era  um economista", mas um sociólogo. Schumpeter  distingue entre a análise econômica, que "lida com a questões de como as pessoas se comportam em qualquer época e quais são os efeitos econômicos que elas produzem ao se comportar de tal forma", e sociologia econômica, que "trata da questão de como as pessoas vieram a se comportar de tal maneira". A preocupação com essa última questão, refletido no trabalho de Weber, continua ainda hoje a ser importante para o desenvolvimento do capitalismo.

SCHUMPETER, Joseph A. 1954. History of Economic Analysis. New York:Oxford University Press.SCHUMPETER, Joseph A. 1991. "Max Weber's Work," Princeton: Princeton University Press.

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Danielle Freitas Henderson 08/12/09 às 00h12

VI - Montesquieu

Considerado iluminista, mesmo sendo católico, caracterizando também por um certo realismo (baseado na observação e não na metafísica de uma abordagem sociológica). Montesquieu utiliza a história como ferramenta. A obra de Montesquieu tem certa influencia da obra de Newton. Há, assim, uma quebra da visão aristotélica: os objetos e as justificativas são menos complexos, a natureza responde igualmente. Os governos teriam uma natureza e um princípio que os rege. Montesquieu reintroduz a idéia de complexidade, o governo não tem forma única, existem três naturezas e quatro formas.

A lei seria um empreendimento racional. Assim, Montesquieu não formulou a separação atual dos poderes e sim contribuiu para esta. Cada forma de governo teria a sua complexidade própria – suas leis próprias. As leis seriam relações necessárias que derivariam da natureza das coisas.

“a lei em geral é a razão humana, uma vez que ela governa todos os povos da Terra, e as leis políticas e civis de cada nação devem representar apenas os casos particulares em que se aplica a razão humana”. (MONTESQUIEU)

“A imagem de Montesquieu está intimamente rotulada com a questão da divisão dos poderes, onde é lembrado assim como a filosofia lembra Sócrates e Platão, mesmo que desde os gregos e os romanos já existisse essa divisão, o que Montesquieu trabalha não é puro e simplesmente a divisão de poderes, mas sua estrutura e seu o funcionamento. Entende o Estado como tendo características ou despóticas, republicanas ou monárquicas, não fugindo dessas e permanentemente pensando no seu ideal que a existência de um Estado depende de seu funcionamento físico, estudando a questão da influência do clima e do solo sobre uma sociedade, sendo dessa forma quase um pensador determinista que julga ter às vezes nas influências climáticas a formação dos governos. Também, “Porque antes dele, nunca ninguém teve a audácia de reflectir sobre todos os usos e leis de todos os povos do mundo” (ALTHUSSER, 1977, p. 21 apud http://www.consciencia.org/montesquieujeferson.shtml).

“As leis devem ser adequadas ao clima do país, gênero, religião, inclinações, riquezas, numero, comércio, costumes e maneiras (...) se relacionam com a ordem das coisas, com o objetivo do legislador”.

Montesquieu trabalha com a noção das leis mais perto da visão de Hannah Arent, onde essas se seguem e não se impõe. Ele busca entendera engenharia constitucional para que as coisas fluam. Alinhando-se ao pensamento de Platão, aonde o entendimento viria antes da ação física ou da força bruta impulsional (um exemplo seria a construção de um homem ideal da polis ou da contestação do “conceito da Paidéia grega feita por Homero e Hesíodo, onde estes iniciavam primeiro pela ginástica e depois a música Platão iria dizer ao contrario” (http://www.artigonal.com/educacao-artigos/discussao-sobre-o-conceito-de-educacao-1076336.html).

A busca de um aperfeiçoamento pode ser uma característica fundamental de pensamento que nos possibilita fazer uma ponte entre os dois autores (Montesquieu e Platão).

Um outro tema de pesquisa que pôde ser comparado foi o da educação:

“Montesquieu, igualmente como Platão e Aristóteles vão defender a idéia é de suma importância da educação para a formação dos seus cidadãos, e como esses são educados, vão ter maior zelo, ou não pela sua cidade, e na escolha de seus governantes” (http://www.artigonal.com/educacao-artigos/discussao-sobre-o-conceito-de-educacao-1076336.html).

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Mariana Cintra Rabelo 08/12/09 às 01h12

MAX WEBER – A ética protestante e o espírito do capitalismo

Procurando estabelecer um paralelo de raciocínio político entre Max Weber e alguns outros autores estudados na disciplina TPM, temos em sua obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, observei uma busca do autor por racionalizar as condutas econômicas “do homem” no capitalismo partindo de uma perspectiva de moralidade protestante, cujo ascetismo invoca a teorização da “virtude” propícia para a ascensão das novas formas de relações econômicas advindas da organização do surgimento da classe burguesa.

O caminho para a proposição e análises de organizações políticas baseada numa estrutura racional natural “do homem” é uma característica central dos teóricos da política moderna. Uns usufruindo de um caráter teológico, outros considerando como fator constitutivo da conduta “do homem”, frente à sociedade, as religiões e suas moralidades respectivas.

Neste aspecto, a virtude protagoniza em suas teorias uma relação intrínseca com uma condição racional natural que permite o estabelecimento de uma organização política da sociedade.

Porém, Weber trilha uma análise menos ingênua sobre o papel das moralidades religiosas sobre a conduta e organização social “do homem”. Para ele, o ascetismo protestante permeia a conduta social e individual “dos homens” propiciando uma nova forma de sociedade que circunda a estrutura econômica da mesma.

As sociedades trabalhadas por Weber que se aplicam, segundo ele, nesta lógica de construção econômica, a capitalista, são a Europa Ocidental e a América do Norte. O ascetismo protestante liga diretamente o ganho de dinheiro à expressão de uma virtude da concepção de eficiência e utilidade.

Por mais que Weber considere que esta lógica moral é totalmente irracional visto que a prática econômica não permite a realização plena de uma falta de gozo material, já que o acúmulo é o vislumbramento principal e objetivo do sistema capitalista, por outro lado, é a partir desta relação religião e economia que o autor procura racionalizar a organização política capitalista.

A obrigação, o dever religioso se fundamenta cada vez mais, pelas teorias calvinistas, na atividade profissional. O trabalho árduo, o não relaxamento pelas coisas mundanas e materiais está no cerne da virtude protestante e, por conseguinte, o acúmulo de capital é sua conseqüência e prova de sua eficiência.

Em uma passagem de seu livro, Weber diz que: “o capitalismo atual, que veio para dominar a vida econômica, educa e seleciona os sujeitos de quem precisa, mediante o processo de sobrevivência econômica do mais apto.” De acordo com essa frase, a doutrina religiosa serve como moralidade norteadora das práticas econômicas e sua legitimidade. À exemplo disso, a princípio, o resultado de acúmulo de capital é visto como uma predestinação ao sucesso, expressão da virtude de dedicação ao trabalho e, portanto, um sinal de cumprimento às vontades de Deus.

Com o desenvolvimento das condições capitalistas de trabalho, principalmente as relacionadas à diminuição do salário dxs trabalhadorxs e fortalecimento desproporcional dxs empresárixs com o acúmulo de capital, a concepção de virtude se desloca, dividindo-se no ascetismo protestante entre o valor de salvação divina do trabalho árduo e o valor de predestinação à salvação divina àquelxs que detém maior poderio econômico. A exemplo: “Obviamente o desejo de poder e de reconhecimento pela própria riqueza desempenha seu papel.”

Weber considera que a teologia protestante teve um papel importantíssimo na re-organização dos valores morais frente à ascensão da economia capitalista, porém tal economia seleciona como já dito as condutas e permeia a educação dxs indivíduxs de tal forma que não se faz com o tempo necessária uma coerência com o ascetismo religioso: “De fato, não é mais necessário o suporte de qualquer força religiosa, e percebe se que as tentativas da religião de influenciar a vida econômica, o tanto que ainda pode ser sentida, é uma interferência injustificada, tanto quanto uma regulamentação por parte do Estado. Sob tais circunstâncias, o interesse social e comercial dos homens tende a determinar suas opiniões e atitudes. Quem quer que não adapte seu modo de vida às condições do sucesso capitalista é sobrepujado, ou pelo menos é impedido de subir.”

A ênfase do ascetismo protestante à vocação ao trabalho serviu de legitimidade racional para as novas formas de divisão do trabalho, para o fortalecimento da cultura do lucro e da conduta dxs empresárixs capitalistas: “Seu significado para o desenvolvimento do capitalismo é óbvio.” Porém, após permear a moralidade laica, as lógicas de funcionamento do capitalismo não precisam mais se apoiar numa racionalidade estritamente religiosa.

Assim, Weber liga uma racionalidade religiosa aos desdobramentos das organizações políticas das sociedades capitalistas.

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Caio Cesar Paccola Jacon 08/12/09 às 02h12

Comentário sobre Weber.

"A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", de Max Weber, traz-nos uma análise histórica da evolução da ética capitalista nas sociedades européia e norte-americana. Nos capítulos indicados, apresentando-nos o autor primeiramente exortações de Benjamin Franklin que defendiam, fortemente, o engajamento do homem no seu trabalho e o conseqüente acúmulo de riquezas, necessários para o crescimento da dignidade humana. Tais ações garantiriam ao indivíduo uma vida moralmente correta e útil, que, justamente por isso, deveriam ser buscadas. Com base nisso, o autor vai buscar na História, especialmente em alguns novos pensamentos trazidos pela Reforma Protestante que, ainda que não tenham forjado diretamente esse "espírito do capitalismo" que o autor constatava fazer parte da vida de diversas pessoas, tenham aberto espaço para que ele pudesse surgir. Analisando, então, o significado que o termo vocação assume com Lutero e sua tradução da Bíblia: o homem deve trabalhar segundo o papel que Deus lhe atribui no mundo, ele vai construindo sua argumentação de como essa idéia adaptou-se a ponto de formar esse "espírito". Ainda que o Luteranismo viesse a condenar as idéias expressas por aquelas frases de Franklin, elas inspiraram uma ética que passaria a ver nessa vocação a razão pela qual o homem deveria dedicar-se ao seu trabalho, procurando sempre produzir mais, evitando assim o ócio. É então numa ética ascética secular que se vai construindo o Espírito do Capitalismo, pois que os homens que dele comungavam partiam do pressuposto que deveriam viver vidas simples, sem esbanjamentos, em prol somente da realização de sua função no mundo: fazer o trabalho o qual a Providência incumbiu-lhes de fazer. No entanto, a busca da riqueza como um fim em si continuava sendo vista como imoral. O trabalho enobrece e honra o homem enquanto meio para ele realizar sua "vocação" e não para acumular riquezas, que desvirtuam e tentam o homem, dessa forma se abrem as portas para a formação de todo um grupo de pessoas que se dispõem a trabalhar em vista desses objetivos e que, recusando a ostentação, acumulam e guardam suas riquezas. O Calvinismo, assumindo e espalhando essa ética, faria então desenvolver-se todo uma ética que, para Weber, tornar-se-ia característica do Capitalismo, por não só retirar do lucro e da riqueza as sombras que antigas interpretações lhes atribuíam, mas também por estimular o trabalho de tal forma e entusiasmo que a acumulação de riquezas tornou-se compulsória. Assim, tem-se formado o Espírito do Capitalismo.
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Lucas Lôbo Takahashi 08/12/09 às 08h12

2. Escreva um texto analisando se Montesquieu se enquadra mais numa tradição platônica ou aristotélica do pensamento político.

             Os pontos de vista que Platão e Aristóteles têm sobre a cidade (Estado) são muito diferentes. Platão enfatiza seu grau de unidade interna, como a família, enquanto Aristóteles critica esta exigência de unidade e diferencia a família da cidade, esta última caracterizada justamente por sua pluralidade interna. Esta oposição sobre a consistência interna da cidade (Estado) é encontrada em termos do que se poderia chamar a epistemologia política.

           Dessa forma, pode-se dizer que Montesquieu não só pertence a uma tradição Aristotélica do pensamento político, como também, nos tempos modernos, se opõe a abordagem de Rousseau. A déia básica de “O Contrato Social” é a de uma busca de legitimidade viável no modelo de Platão. Para Rousseau política é, fundamentalmente, uma antropologia moral aplicada à cidade onde o legislador age, de acordo com seu conhecimento da propriedade; enquanto que Montesquieu reconhece uma certa indeterminação sobre o que é uma boa política, e proíbe, conseqüentemente, qualquer padrão único de legislação que pretenda atender a universalidade da condição humana.       

         Aristóteles considera que a questão do melhor regime não pode ser resolvida por uma única descrição, e há sempre uma dimensão de incerteza. Há, portanto, uma diversidade de excelências presentes na sabedoria prática do legislador. Observamos que esse tema, o pluralismo, junto com o universalismo, recebe uma posição de destaque no texto de Montesquieu. O Capítulo XXIX do livro “O Espírito das Leis” defende o espírito de coerência presente no Legislativo. O autor é definido como mantenedor do equilíbrio institucional e limitador dos poderes. Com a homogeneização e integração de forças sociais coletivas, Montesquieu defende que o que é benéfico para alguns pode ser um conflito social incontornável. Este pluralismo interno na sociedade prescinde de moderação, o que dá sentido à legislatura.

       Poderíamos perguntar se, para Montesquieu, o pluralismo e a moderação não são capazes de assegurar uma unidade política. Deve-se entender que "O Espírito das Leis" não pretende de forma alguma criar um sistema de leis para resolver definitivamente o equilíbrio entre pluralismo e universalidade. Montesquieu disse que, embora as leis garantam a segurança dos cidadãos desde que garanta a estabilidade do estado, elas não são menos sujeitos a alteração do que o conflito entre o velho e o novo pela liberdade humana.. É essa estabilidade relativa que “O Espírito das Leis” procura: que as leis sempre garantam o pluralismo e a resolução do litígio, ao mesmo tempo em que se renovam.

       Há uma diversidade inquestionável na própria realidade política. Montesquieu parece buscar, através da moderação, o equilíbrio de sua fórmula -- fórmula, por assim dizer, no sentido de uma "idéia reguladora" no assuntos políticos -- a busca de um ponto de consenso. Como pensador do pluralismo político, para Montesquieu a melhor garantia contra o moralismo (de Rousseau), acaba sendo a tradição aristotélica de autonomia política

 

Fontes:

O Espírito das Leis - Montesquieu

A República - Platão

A Política  - Aristóteles

O Contrato Social - Rousseau

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Manuel Socorro Lopes Gonçalves 08/12/09 às 19h12

Max Weber: A etica protestante e o espirito do capitalismo.

        A ética protestante, surgida no contexto da Reforma como críticado Catolicismo, propunha uma forma de religiosidade diferente, mais espiritualizada. O ponto principal de divergência entre a ética protestante e a católica está em sua concepção de salvação: ao contrário das doutrinas católicas, o protestantismo não considera que as boas ações do sujeito possam influir em sua salvação. Ao contrário, esta salvação está garantida ou não por Deus, independentemente do comportamento do sujeito. O sujeito não tem como garantir sua salvação, mesmo que aja moralmente e que pratique o bem. Se este sujeito possui esse comportamente irreprovável, o protestantismo considera que ele deve ser um escolhido, mas não pode, de modo algum, garantir isso. Os desígnios divinos estão absolutamente fora do alcance de qualquer ser humano. Entre Deus e os homens, não há qualquer mediação - mesmo a Igreja não possui qualquer contato especial com Ele. Daí porque também, no protestantismo, toda vida religiosa que antes era coletiva (na Idade Média católica) torna-se essencialmente individual.Nesse sentido, o protestantismo: separa radicalmente o homem de Deus, já que os desígnios dele não podem ser conhecidos pela limitada mente humana;  desenvolve a teoria da Predestinação (já que não podemos agir moralmente e assim garantir a salvação, só podemos imaginar que alguns são predestinados à salvação, embora não possamos nos certificar de quais são os escolhidos);  como substituto à idéia católica das boas ações que garantem a salvação, cria-se a idéia de que o sucesso na vida mundana é um sinal de que se é predestinado. Com isso, o protestantismo cria uma ética inteiramente nova: a ética do trabalho. Se Deus quer a Glória, se todo o Universo é criado para a Glória de Deus, e se os homens são escolhidos ou não nesse Universo por Deus, sem que nós possamos garantir nenhuma salvação, então apenas podemos nos contentar (e procurar nos tranquilizar) com a idéia de que, se somos prósperos, se engrandecemos a glória divina, então devemos ter sido escolhidos. Daí porque a riqueza é o sinal de nossa salvação, e consequentemente, a ética é a da produção da glória divina, a produção da prosperidade, da riqueza. No entanto, esta riqueza deve ser produzida para a Glória de Deus e não para a glória humana mundana. O sinal da salvação é dado pela prosperidade do homem que acumula, e não pelo homem que gasta - pois este último não trabalha pela glória de Deus, portanto não deve ser um escolhido.A ética protestante, como ética do trabalho feito para a acumulação (e não para os gastos, as despesas, o consumo da riqueza) é o fator cultural determinante para o desenvolvimento do capitalismo, segundo Weber. Assim, contrapondo-se à interpretação marxista clássica, Weber propõe uma inversão no materialismo - propõe que um valor ético foi capaz de criar as condições para um desenvolvimento econômico - e torna-se, desse modo, um outro clássico fundamental na literatura sociológica. Para Weber, o espírito do capitalismo se desenvolveu a partir de dois aspectos: primeiro, era necessário  homens de negócio e grandes capitalitas; em segundo, operários qualificados e de alto nível, e pessoal especializado (tecnologicamente e comercialmente). Esses componentes sociais coincidem no fato de serem majoritariamente protestantes. O protestantismo, principalmente o calvinismo, foi a força espiritual, o fator cultural que impulsionou o espírito capitalista no  Ocidente. A doutrina Calvinista fundou uma moral individual e econômica favorável ao capitalismo e foi esta teologia que segundo Weber, deu ao capitalismo ocidental força e originalidade.Dessa forma a ética protestante calvinista incentivava os seus fiéis a terem uma vida de trabalho que os fazia enriquecer. Não acreditavam em pensamentos mágicos e pregavam o auto domínio e valorizavamo conhecimento que impulsionou a organização racional da vida, do trabalho e das atividades econômicas. 

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Manuel Socorro Lopes Gonçalves 08/12/09 às 19h12

esclarecimento

professor o senhor mandou-me fazer os trabalhos e eu fiz todas elas so que o senhor nao me atribuio notas para elas,espero que o senhor de uma olhadela e me informa como fica a setuaçao,queria saber tambem se vai haver alguma prova para aumentar a nota. esta dois trabalho ai so um serve o segundo, e que postei eles duas vezes.espero a sua resposta o meu email e osleccv89@hotmail.com. ate mais

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Karla Barros Teixeira 08/12/09 às 21h12

Stuart Mill - "On Liberty" - Questão I

A concepção de direito de liberdade tratada por Stuart Mill nos permite fazer uma observação da situação vigente na União Européia que analisa não somente os pontos nos quais tal proibição fere os direitos do indivíduo quanto a sua lierdade, mas principalmente, como a complexidade dos pontos relevantes que concernem á sociedade tornam a própria concepção de um direito de liberdade algo relativo. Não há necessariamente uma incompatibilidade entre as decisões da UE para com os direitos de liberdade, mas sim a contradição que um direito como tal desperta diante de uma realidade social que engloba questões que seriam capazes de reformular um significado tanto de direito quanto de liberdade cada vez que fossem apresentadas. As decisões da UE e da corte européia ganharam legitimidade ao se basearem em argumentos que realmente vigoram na atual realidade social e que são plausíveis de serem analisados sobre a ótica da liberdade, não esquecendo é claro o quão delicado é o terreno quando o tema é religião.  

Mill propôs em sua obra sobre a liberdade a premissa de que o único objetivo  pelo qual se pode exercer pressão sobre qualquer indivíduo membro de uma comunidade civilizada, contra a vontade dele, consiste em prevenir danos a terceiros. Foi nessa linha de raciocínio que a corte européia baseou sua decisão, não no sentido de que o uso de símbolos religiosos ostensivos possam impor esta ou aquela religião e limitar a liberdade religiosa de outrem, mas que causariam risco a partir do momento que o usuário poderia ser excluído socialmente ou mesmo agredido física e verbalmente por seguir determinada religião. De acordo com a teoria do autor, o uso de símbolos religiosos deve ser permitido, uma vez que, dado o atual nível de desenvolvimento da inteligência humana, somente através da diversidade de opiniões seria possível fazer justiça a todos os lados da verdade, concebendo novas idéias como fontes de novas descobertas. Porém, ao propor que se deve estabelecer limites quanto à interferência da opinião coletiva em relação à independência individual, Mill trás à tona toda a complexidade da análise. Primeiro há que se considerar que, por se tratar de uma religião, que segue doutrinas, regras de condutas, padrões valorativos e que acima de tudo é concebida enquanto grupo, pois se constitui não apenas de um membro em sua individualidade, mas sim de inúmeros membros, com variadas individualidades e uma principal comum, a religião, então eis que se deveria estabelecer limites para o quão influente uma religião pode se fazer sobre todos os indivíduos, o que legitima a decisão tomada na França pelo ponto de vista de que, a expressão ostensiva da seita religiosa a que pertence torna o próprio indivíduo vulnerável à influência das outras seitas, essa podendo se dar através da violência, e portanto trazendo risco a si e à terceiros . Porém, e em segundo ponto, justamente pelo direito de preservação da tomada de decisões que concebem intimamente ao próprio indivíduo, visto que a religião á qual sua conduta se refere só se torna grupo na presença de um ou mais membros e que o indivíduo único não faz a coletividade, então a legitimidade pode ser contestada, pois fere o direito de preservar sua decisão individual de seguir uma seita religiosa em todos os aspectos que esta se propõe a suprir, inclusive os objetivos que permeiam o uso dos símbolos.

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Gabriel Rezende Fialho 08/12/09 às 23h12

Max Weber “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”

O texto de Max Weber “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” é considerado como um estudo de caso da teoria formulada a partir de outros ensaios como a “Psicologia Social das Religiões Mundiais” e “Rejeições Religiosas do Mundo”. A concepção weberiana é a de que cinco grandes religiões, denominadas religiões éticas-transcendentes, foram capazes de promover uma unificação interna da conduta dos indivíduos, a saber, o cristianismo, o judaísmo, o islamismo, o hinduísmo e o budismo.

Para explicar o que significa esta unificação interna da conduta, devemos nos remeter à tese de Weber sobre a religiosidade mágica. Esta religiosidade seria uma idéia da existência de outra realidade, que seria a causadora da realidade física. No entanto, os homens são capazes de interferir nessa outra realidade causal, manipulando-a. Nisto se encontra o sentido de rituais, magias, oferendas e outras manifestações que buscam, ou chantagear e coagir os deuses, ou a agradá-los.

Acreditando ser o homem um animal a ser inscrito pela cultura, Weber defende que os símbolos causam efeitos a partir do seu próprio ser, neste sentido, a iguinição das culturas e o seu enraizamento são invenções arbitrárias, já que se baseiam em afirmações que conseguiram, por diversos fatores, sobreviver. Apesar das invenções serem arbitrárias estas não são ilimitadas e devem mesmo possuir conexões com a realidade, ou seja, verossimilhança.

As afirmações fundantes são as que conseguem se enraizar e que irão condicionar uma direção para muitas outras afirmações possíveis. Esta direção traz consigo um espectro limitado de sentidos lógicos para o que é possível. As diferentes afirmações fundantes (as cinco religiões éticas citadas) é que irão constituir as diferentes culturas, que atuam no marco zero do homem, pois antes disso ele está na condição primitiva. Estas afirmações necessitam de um aparato simbólico como carisma e apoio institucional para que sejam férteis, isto é, para que haja a coragem de se afirmar arbitrariamente e que isto sirva de gênese para novas coisas.

As religiões éticas partem de afirmações deste tipo, geralmente formuladas por um indivíduo possuidor de carisma, que conseguiu um terreno propício para o enraizamento de tais idéias. Estas religiões irão promover uma internalização de abstrações, classificadas como regras internalizadas que presidem a dimensão racional da psique, que geram padrões comportamentais. È este mecanismo, denominado por Weber de unificação interna da conduta, que fornece os princípios que constituem um conjunto de formulações que orientam os indivíduos e os tornam responsáveis pelas soluções dos impasses morais.

As religiões transcendentes vão ter como fim a ascese para alcançar a salvação. Este é o princípio normativo para que os homens controlem os seus desejos e instintos. Com isso, os dispositivos comportamentais de ação no mundo, gerados no ocidente a partir desta internalização, se encaixam melhor na institucionalidade capitalista que as religiões da China e da Índia.

A oposição fundamental é a de que as religiões orientais tomam o indivíduo como um receptáculo de um divino impessoal, enquanto no ocidente os indivíduos são ferramentas de um divino pessoal. Além disso, naquelas, qualquer transformação no mundo é mera aparência, o que induz ao comportamento contemplativo, enquanto nestas, cada existência é única e irrepetível, o que por sua vez, induz à ação no mundo. Como o capitalismo racional depende de fatores como contabilidade, divisão entre empresa e vida privada, economia monetária, redes de comunicação, mas também depende de elementos subjetivos para a sua ascensão, Weber vai encontrar no protestantismo os significados, as afinidades culturais, que melhor se encaixam com este sistema.

O protestantismo possui uma ética que é capaz de deixar o indivíduo focado na produção material e técnico-científica, já que esta religião desonera os homens da preocupação de explicar o mundo metafísico. Além do que afere maior responsabilidade aos indivíduos por suas ações, pois estes são autônomos, como designado por Deus, livres em suas escolhas e, portanto, a salvação destes indivíduos depende de sua conduta nesta realidade física. Sendo que o trabalho é um meio para atingir esta salvação, a ideação nas sociedades protestantes vai produzir normas comportamentais mais afins às características capitalistas.

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Gilberto-mendes-calasans-gomes'>Gilberto Mendes Calasans Gomes 10/12/09 às 11h12

Montesquieu

1. Para tornar a tripartição proposta por Montesquieu adaptada aos dias de hoje, que alteração você sugeriria que fizéssemos nela?

A tripartição sugerida por Montesquieu peca em uma das suas principais características: separar com rigidez as competências dos poderes. Tal partição já se mostrou, no contexto histórico do próprio Montesquieu, inadequado para resolver os problemas da limitação do Estado pelo próprio Estado, fim maior de qualquer partição de poderes.

Esta questão, a do Estado se auto-limitando, foi muito bem tratada pelos pós-revolucionário norte-americanos que redigiram a Constituição estadunidense de 1786, que perdura até hoje. Os escritos que justificam a adoção de tal Constituição, com seus mecanismos de auto-limitação do poder Estatal, foram compilados em obra conhecida por “Os Artigos Federalistas”. Tal texto consiste na compilação de 85 artigos escritos em Nova Iorque para tentar convencer a Assembléia daquele Estado a aceitar o então projeto de Constituição.

No texto norte-americano, do final do século XVIII, já está incluso alteração vital à teoria da separação dos poderes. É a separação dos poderes “impura”, ou seja, as funções de cada poder não são exclusivas, ou seja, não é apenas o legislativo que legisla, o executivo que executa e o judiciário que julga. A inserção de competências tidas como legislativas ao executivo central, na forma da sanção presidencial (instituto que já existia na monarquia inglesa), e a limitação do poder de legislar das assembléias, na forma do controle de constitucionalidade do judiciário, são algumas das modificações possíveis para a adaptação da teoria da separação dos poderes para os dias atuais.

Outra adaptação, que já ocorreu, é a criação de instituições que fogem ao modelo clássico de separação de poderes. Os exemplos clássicos desse tipo de instituições são os Ministérios Públicos e os Tribunais de Contas. Este, apesar de ser subordinado ao legislativo, guarda certa autonomia. O trunfo dessas instituições é de se compor como corpos burocráticos, de certa forma, independentes do governo, e que tem como única função fiscalizar a atividade estatal.

Como já explícito aqui anteriormente, é preciso também, para melhor adequar a teoria de Montesquieu aos dias de hoje, abdicar da noção de que o judiciário é um poder “neutro”. Como vemos hoje, o controle de constitucionalidade é uma atividade que leva às Supremas Cortes a tomarem uma posição de ativismo judicial. Aliás, algumas grandes decisões que alteraram estados de coisas que necessitavam de ser alteradas foram tomadas por tribunais constitucionais ativos. O principal exemplo disse é o fim da política de “separados, mas iguais” dos Estados Unidos.

Finalizando, creio que seria realmente um exagero institucionalizar este como um “quarto poder”, mas temos que considerar com bastante cuidado o papel da imprensa na limitação do poder (apesar de, nesse caso, não ser um caso de auto-limitação, de freios e contrapesos). Já no século XVIII, num exemplo a que aqui já me referi, vimos o poder da imprensa em poder limitar o Estado; “Os Artigos Federalistas” foram publicados primeiro em forma de artigos de jornal, para depois serem compilados em livros. Tem-se, nos dias de hoje, de se pensar a forma como é conduzida a imprensa, e, além disso, nas formas de como limitar o acesso de políticos ao controle dos meios de comunicação e de como blindar estes à influência daqueles.

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