XI - Marx

Diálogos

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Didier Röhe 25/11/09 às 10h11

Emancipação política e humana

Irei tratar neste comentário sobre a emancipação política e humana que aparecem nos primeiros trechos de “Os Clássicos da Política” de Weffort, por sua vez retirados de várias obras de Karl Marx. Primeiramente, Marx estabelecia uma dicotomia na vida do indivíduo: a vida política e a puramente humana. Essa separação do meramente político e do humano, que de certa forma engloba o político, uma vez que não há política entre animais somente entre homens (como diria Aristóteles, o homem é o [único] animal político). Nesse ponto Marx se assemelha com pensadores modernos como John Locke e René Descartes – este último fala em um dualismo entre mente (res cogitans ou coisa do pensar, abstrata) e corpo (res extensa ou coisa material, concreta)- e isso se figura com a dicotomia entre político e humano exposto por Marx no trecho: “onde o Estado político já atingiu seu verdadeiro desenvolvimento, o homem leva [...] uma dupla existência: uma celestial e outra terrena, a existência na comunidade política, na qual ele se considera como um ser geral, e a existência na sociedade civil, onde atua como particular”.

Para Marx, no século XIX a parte política da vida de um indivíduo havia ganhado extrema importância em detrimento da parte humana essencial, como reflexo das revoluções burguesas que haviam começado no século anterior e que priorizavam a participação política na tomada de decisões. Apesar de alegar que a emancipação política per se já era um progresso, Marx afirma que esta não era a última forma da emancipação humana mesmo que, num contexto intra e pós-revolucionário, esta fosse a única forma possível de libertação.

A Revolução Francesa, comumente vista como uma revolução humanamente positiva e tão apreciada por Hegel como um dos estágios finais da História Universal e da Liberdade do homem, vai ser criticada por Marx como um processo puramente político e não humano, de acordo com seus próprios termos já anteriormente esclarecidos. Os direitos humanos expressos na Constituição da França Revolucionária (1791) bem como na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) tratava basicamente da busca pela estabilidade burguesa na sociedade civil. Seguindo a ótica de Marx, esses direitos haviam degenerado em direitos puramente políticos pois eram direitos que podiam apenas ser exercidos em comunidade, e ainda, “o seu conteúdo consiste na participação na essência geral, na vida política da comunidade, na vida do Estado”.

Segundo a lógica marxista, a liberdade dos revolucionários franceses era transposta na liberdade individual de propriedade privada – característica fundamental de todo burguês, diferente do proletário que nada possui – e, portanto, era um direito que dava base para a exploração burguesa do homem pelo homem. Esse certo desgosto de Marx pela Revolução Francesa pode ser expressa em: “quando verificamos que os emancipadores políticos rebaixam até mesmo a cidadania, a comunidade política ao papel de simples meio para a conservação dos chamados direitos humanos; por conseguinte, o citoyen [homem político] é declarado servo do homme [“homem humano”] egoísta”. Ainda sobre as revoluções burguesas, que chama de revoluções parciais por não emanciparem o homem completamente (política e humanamente), Marx afirma necessário uma classe verdadeiramente revolucionária, capaz de levar as revoluções a sua plenitude e esta classe é a proletária, pois, nas palavras do filósofo alemão “para que uma classe seja par excellence a classe da emancipação, é necessário, que todos os defeitos da sociedade se condensem numa classe, que uma determinada classe resuma em sai a repulsa geral, que seja a incorporação do obstáculo geral, [...] que seja evidentemente a classe da sujeição”. A emancipação total do indivíduo só viria com a criação do socialismo, num primeiro estágio, e do comunismo, estágio final.

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Danielle Freitas Henderson 25/11/09 às 20h11

DúVIDAS

Professor,

Gostaria que o senhor explicasse mais especificamente sobre a maneira de postagem do trabalho aqui no site.

Não teremos aula expositiva sobre o Marx?

Att.

 

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Alexandre Araújo Costa 04/12/09 às 21h12

Resposta

Danielle, de fato, a greve impediu a existência de aula específica sobre o Marx, depois da apresentação do grupo.

E de que trabalho você está falando? Do trabalho em grupo? Este deve ser postado na forma de página, e não de comentário, utilizando-se a ferramenta de publicação contida na central do usuário.

Devem ser criadas páginas específicas para cada uma das partes do trabalho, que estão descritas no plano de curso contido na página principal da disciplina.

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Danielle Freitas Henderson 25/11/09 às 21h11

O Manifesto Comunista

 

O manifesto comunista foi um texto encomendado com estratégias de ação para o proletariado e esclarecimento da realidade da época. O manifesto foi um objeto panfletado e com incitação para o proletariado.

O contexto era de unificação da Europa, a França sofria uma grave crise da agricultura. A crise do capitalismo estava na origem das revoluções liberais.

Em 1848 o manifesto é publicado.

“Um fantasma ronda a Europa”. Mostra a força e as criticas ao movimento comunista. O comunismo já era reconhecido como força por toda Europa. A história aqui era a do proletariado e da luta de classes.

Quem era a burguesia?

Tão produtiva exploratória e simplificadora do antagonismo de classes (burguesia x proletariado). A contradição seria a das forças produtivas com as relações sociais de produção. A soberania política era da burguesia, o Estado representativo moderno representava interesses burgueses. A época burguesa viveria a mesma contradição de antes: as relações sociais de produção não suportam as forças produtivas.

Os operários começam a formar coalizões contra os burgueses. Os triunfos operários (efêmeros) e o que estava por trás era a quebra da propriedade privada. Só o proletariado era uma verdadeira classe revolucionária:

“Não se iludam com promessas da pequena burguesia ou com os reformistas”. A classe média não queria ser proletariado, então o proletário deveria se alinhar a burguesia.

O que caracterizaria o comunismo não era a abolição da propriedade, e sim da propriedade burguesa.

No processo de transição revolucionária o Estado participaria ativamente, para Marx, a favor do comunismo.

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Rafael de Oliveira Taveira 25/11/09 às 22h11

Marx e o manifesto

O Manifesto Comunista foi primeiramente publicado em 1848 e é um dos maiores tratados políticos da história. Escrito por Marx e Engels, o manifesto traça um caminho de ação para a tomada do poder pelo proletariado.

Partindo de uma análise histórica, o manifesto afirma que a construção da sociedade deu-se por lutas de classes no qual uma classe oprimia e outras eram oprimidas. A classe opressora da contemporaneidade seria então a burguesia. Não descartando seu papel importante no processo revolucionário de derrubada do Absolutismo, o tratado pretende demonstrar que a burguesia tornou as relações humanas mais competitivas e mecanizadas, adequando todo o ordenamento jurídico-social de acordo com seus fins.

Dessa forma, no momento que o proletariado tomasse consciência de sua condição e do processo que culminou na sua sociedade, este se organizaria  e tomaria o poder. Este seria um movimento internacional, pois a luta entre burguesia e proletariado havia em todos os cantos no qual o capitalismo era dominante ou exercesse influencia (sistema ao qual este faz inúmeras críticas). O que legitimaria a ação do proletariado era que este defenderia o interesse da maioria, a abolição da propriedade privada. Termina por incentivar a união do proletariado e chamá-los para a luta.

Ao meu ver, este documento possui enorme importância histórica principalmente pela repercussão que este causou posteriormente, no século 21. Diversas interpretações foram feitas deste tratado, originando movimentos que influenciaram de forma relevante o curso deste século como a revolução de 1917 na Rússia e a criação da URSS. Porém, creio que o projeto proposto no tratado nunca foi implementado. Acredito que este foi distorcido por homens com interesses em chegar ao poder tal como Lênin e posteriormente Stalin. As conseqüências foram desastrosas e o mundo viu duas grandes guerras e uma Guerra Fria no qual estes regimes foram agentes relevantes e diversas atrocidades foram cometidas com a bandeira socialista. O povo realmente nunca deteve o poder, passando de proletariado para "filhos do regime", somente mudando a forma de opressão que agora era estatal. A idéia de Marx foi deturpada de forma que os regimes instalados e as idéias defendidas em seu nome nunca foram fieis ao conteúdo marxista.

No que diz a idéia marxista de tomada de poder pelo proletariado, julgo-a falha. A fim de que a diferença de poder econômico fosse suprimida, seria necessário concentrar o poder político em uma das partes, no caso o proletariado. Assim, para nivelar o poder econômico seria necessário maiores desníveis de poder político. Esse poder concentrado demandaria recursos financeiros, ou seja, quem detiver o cargo político mais alto, possuirá mais dinheiro. Seria, assim, criada uma unidade e relação inseparável entre o poder político e o econômico. Uma unidade indissolúvel e que não condizia com a proposta socialista. Essa opinião é do filosofo Olavo de Carvalho e possuo bastante afinidade com sua argumentação.  Segue abaixo o texto original do Olavo de Carvalho postado no site www.endireitar.com.br :

"O ideal socialista é, em essência, a atenuação ou eliminação das diferenças de poder econômico por meio do poder político. Mas ninguém pode arbitrar eficazmente diferenças entre o mais poderoso e o menos poderoso sem ser mais poderoso que ambos: o socialismo tem de concentrar um poder capaz não apenas de se impor aos pobres, mas de enfrentar vitoriosamente o conjunto dos ricos. Não lhe é possível, portanto, nivelar as diferenças de poder econômico sem criar desníveis ainda maiores de poder político. E como a estrutura de poder político não se sustenta no ar mas custa dinheiro, não se vê como o poder político poderia subjugar o poder econômico sem absorvê-lo em si, tomando as riquezas dos ricos e administrando-as diretamente. Daí que no socialismo, exatamente ao contrário do que se passa no capitalismo, não haja diferença entre o poder político e o domínio sobre as riquezas: quanto mais alta a posição de um indivíduo e de um grupo na hierarquia política, mais riqueza estará à sua inteira e direta mercê: não haverá classe mais rica do que os governantes. Logo, os desníveis econômicos não apenas terão aumentado necessariamente, mas, consolidados pela unidade de poder político e econômico, terão se tornado impossíveis de eliminar exceto pela destruição completa do sistema socialista. E mesmo esta destruição já não resolverá o problema, porque, não havendo classe rica fora da nomenklatura , esta última conservará o poder econômico em suas mãos, simplesmente trocando de legitimação jurídica e autodenominando-se, agora, classe burguesa. A experiência socialista, quando não se congela na oligarquia burocrática, dissolve-se em capitalismo selvagem. Tertium non datur . O socialismo consiste na promessa de obter um resultado pelos meios que produzem necessariamente o resultado inverso."

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Igor Santana de Miranda 25/11/09 às 23h11

Ditadura do Proletariado

É fácil peceber que o que motivava Marx era a busca pela justiça social, e pelo fim da desigualdade socio-econômica e injustiças entre os hommes (WEFFORT, 1996:255). Com esse objetivo em mente, ele idealiza o plano socialista, após “(1º) demonstrar que a existência das classes está indissoluvelmente ligada a determinadas fases históricas de desenvolvimento da produção; (2º) que a luta de classes conduz, necessariamente, à ditadura do proletariado; e (3º) que esta mesma ditadura não é, em si mesma, mais do que o trânsito para a abolição de todas as classes e para uma sociedade sem classes” (WEFFORT, 1996: 270). Para o alcance dessa sociedade, ele preconiza: “O proletariado fará uso de seu domínio político para retirar gradualmente todo o capital da burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado, ou seja, do proletariado organizado como classe dominante, e para aumentar com a maior rapidez possível a soma das forças produtivas. Naturalmente isto não poderá se realizar de início, a não ser por uma violação despótica do direito de propriedade e das relações burguesas de produção, isto é, pela adoção de medidas que, do ponto de vista econômico, parecerão insuficientes e insustentáveis, mas que, no curso do movimento, sobrepujarão a si mesmas e serão indispensáveis como meio para transformar radicalmente todo o modo de produção” (WEFFORT, 1996:269). E é sobre essa proposta de findar com o Estado que gostaria de me manifestar contra, e defender medidas substitutivas.

 

Sempre existiu, e dificilmente deixará de existir a dicotomia entre ricos e pobres. Os ricos, por sua vez, sempre tiveram, e dificilmente deixarão de ter mais fácil acesso ao poder político (entenda por isso o Estado, promotor de políticas capazes tanto de acentuar diferenças e ratificar desigualdades e injustiças, como também de distribuir renda, proteger o trabalhador, fomentar o crédito, enfim - a mesma mão capaz de bater, é igualmente capaz de afagar). Logo, se para Marx os interesses do proletariado só se materializariam com sua ditadura transitória, para mim, a percepção de desigualdade, quando adquirida por quem compartilha o campo privilegiado da força, em vez de provocar a sensação de agradecimento, e cristalização do status quo, deve provocar compaixão e solidadriedade tais que motivem ações voltadas à redução das injustiças, e que promovam maior igualdade. Essa consciência, ainda que os maquiavélicos jamais esperem se fazer valer na arena política, está presente em muitos homens, que ainda encontram-se fora do maquinário estatal. É a inclusão dos mesmos naquela arena, na minha opinião, um meio muito mais factível no sentido de atendimento das demandas populares (hoje e daqui a alguns anos) do que qualquer um que dependa de um proletariado que exista “na escala da história universal” (WEFFORT, 1996:261).

 

Não são poucos aqueles capazes de unir num mesmo plano de governo desenvolvimento econômico e justiça social: Zapatero na Espanha, Angela Merkel na Alemanha, Cavaco Silva em Portugal, enfim, talvez só no Brasil a social-democacia defendida por alguns partidos tenha prática diversa daquela posta em prática em países como os citados. Práticas como as daqueles mitigam contrariedades ao capitalismo, afinal é fácil gostar dele quando se tem condições de mobilidade social e retribuição pelos impostos pagos. Diante de tão simples receita, é difícil entender porque a burguesia de alguns países, com o Estado-ferramenta em mãos oferece motivos para as reinvindicações marxistas, mantendo o discurso de Marx tão atual.

 Referência:

WEFFORT, Francisco. Claśsicos da Política. v. 2. São Paulo, Ática, 1996

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Érica Marta Ceccatto Kaefer 26/11/09 às 00h11

A emancipação política e a emancipação humana

Marx critica as revoluções burguesas e o idealismo hegeliano ao apontar as insuficiências da “emancipação política”. Marx considera que “a emancipação política representa um grande progresso (...) ela se caracteriza como a derradeira etapa da emancipação humana dentro do contexto do mundo atual”, pois para ele esse é o estágio mais avançado que se pode alcançar em uma sociedade de exploração e desigualdade. Porém, para ele é necessário uma “emancipação social”, mais ampla, que é constituída inclusive da “emancipação política”, pois somente a primeira é capaz de emancipar, além do proletariado, a sociedade como um todo.

Quando Marx diz,

"(...) a revolução meramente política, a revolução que deixa de pé os pilares do edifício. Sobre o que repousa uma revolução parcial, uma revolução meramente política? No fato de emancipar uma parte da sociedade burguesa e de instaurar sua dominação geral, no fato de uma determinada classe empreender a emancipação geral da sociedade a partir de sua situação especial."

deixa claro a sua idéia de que a “emancipação política”  é apenas uma idéia abstrata da universalidade dos direitos, ao passo que l´égalite, la liberté, la sûreté, la proprieté  garantidas  e prometidas a todos os homens na constituição de 1793 são na verdade uma ilusão, pois representam apenas ideais da burguesia, que para alcançar sua finalidade, dão as suas idéias um caráter universal, como se fossem as únicas razoáveis e  universalmente válidas. É o que João Ricardo W. Dornelles[1] caracteriza como a primeira geração de direitos: os direitos individuais, que apesar de coincidir com as aspirações das massas populares em relação aos privilégios da aristocracia, eram na verdade direitos que satisfaziam às necessidades da burguesia já que criavam condições para consolidação do modo de produção capitalista. Enfim, são direitos que geralmente denominamos “negativos” no sentido de que tem como objetivo a abstenção do Estado para seu pleno exercício.

Entretanto, o que Marx considera fundamental é os direitos que exigem a ação positiva  do Estado, criando condições para seu efetivo exercício. Esses seriam os direitos coletivos, que foram frutos da segunda geração dos direitos humanos, após a reivindicação dos sindicatos e partidos operários em vista das opressivas condições de vida impostas aos trabalhadores durante o século XIX.

Além disso, Marx em sua crítica à Teoria Hegeliana, vai contra a prioridade que Hegel dá ao Estado sobre a sociedade civil. Esse, de uma maneira à lá Aristóteles (a sociedade é anterior ao todo), deduz que o Estado é anterior ao todo. Marx, de forma contrária defende que não há subordinação da sociedade civil ao Estado, mas sim, que o Estado é absorvido por parte da sociedade civil. Na sua crítica, Marx defende que

"A associação até agora conhecida não era, de forma alguma, uma união voluntária (tal como é apresentada, por exemplo, em O contrato social) mas uma união necessária baseada em condições nas quais os indivíduos contavam com a causalidade."

ou seja,  que o indivíduo encara como uma condição natural o que na verdade são criações dos homens que o precedem.

Essa idéia fica ainda mais clara no seguinte trecho:

"Assim como a religião não cria o homem, mas é o homem quem cria a religião, não é também a Constituição que cria o povo, mas o povo que cria a Constituição. "

É então baseado nessas idéias de que é o Estado que é subordinado ao sistema social, ou seja, que o Estado é uma superestrutura em relação à sociedade pré-estatal, que Marx desenvolve sua teoria baseado propondo que o mesmo deve desaparecer na futura sociedade sem classes. Essa idéia vai ser desenvolvida em outros trechos, que necessitaria de análise de outros trechos.

 

[1] Dorneles, João Ricardo W. O que são direitos humanos. São Paulo: Brasiliense, 2007.

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Mariana Souza da Cruz 02/12/09 às 01h12

Revolução, Marx e Fukuyama

Quando Marx analisa a conjuntura social dos países industrializados da Europa uma grande revolução parece um desdobramento inevitável, argumento que é muito bem defendido por ele em suas obras. Porém a revolução dos trabalhadores prevista por ele não foi observada historicamente da maneira por ele concebida. Quais foram os fatores que conduziram a História por um caminho diferente do que parecia óbvio e inevitável?

Hoje muitas diferenças nos afastam da conjuntura socio-economica da Europa industrial do século XVIII e XIX. A intensificação do processo de participação política, o rápido desenvolvimento do setor de serviços, as mudanças tecnologicas - esses e outros fatores transformaram de tal forma os processos produtivos e a sociedade que a Revolução prevista por Marx foi perdendo a urgência e a 'obviedade' observadas por ele em sua época. Hoje, a massa que Marx chamou de ploretariado encontra condições sociais, economicas e politicas muito diversas daquelas.

Enquanto alguns teoricos ainda aguardam a Revolução dos trabalhadores, outros tentam explicar os motivos da sua não-realização. Francis Fukuyama, como exemplo do segundo grupo, cria um sistema político-econômico, onde a democracia e o liberalismo se balanceam. Enquanto Marx vê a insustentabilidade do sistema de produção capitalista, que, por tanto agravar as condições sociais do trabalhador, acaba por conduzir a História a uma Ditadura do ploretário e consequentemente a uma extinção das classes e ao comunismo, Fukuyama vê no agravamento dos processos de democratização da sociedade uma forma de amenizar as desigualdades geradas pelo capitalismo. Para Fukuyama o 'fim da história' seria justamente esse, o desenvolvimento do sistema europeu atual da democracia liberal. Em outras palavras, ele acredita que enquanto o capitalismo gera riqueza no campo economico, a democracia, no campo politico, se encarrega de distribui-las de uma forma minimamante justa.

Dessa forma, enquanto Marx representa os ideais revolucionarios, Fukuyama, como representante de um argumento atual, defende que a participação politica seria uma maneira de amenizar as desigualdades que seriam a causa central da Revolução marxista.

Logo, uma linha muito difundida do pensamento político atual entende que a grande Revolução prevista por Marx teria sido substituida por um grande numero de pequenas reformas, conquistas da classe trabalhadora, que tiveram origem nos fatores acima discutidos.

                                                                    xXx

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Mariana Bontempo Sidersky 26/11/09 às 01h11

Marx e o Historicismo

Marx, no primeiro capítulo do seu Manifesto Comunista, desenvolve argumentos muito diferentes do que foram lidos anteriormente nos outros autores modernos. Primeiro ele define a luta de classe como motor da história. “A história de toda sociedade até nossos dias é a história da luta de classes”. Dizendo isso Marx se alia ao pensamento historicista: o ser humano e a sociedade interpretados pela perspectiva histórica. Benedetto Croce diz no seu História com história da liberdade: “Somos produtos do passado e vivemos imersos no passado, que nos abrange”. Assim como para Marx, Croce acredita no poder transformado da consciência histórica, talvez sendo esse um dos motivos para a escrita do Manifesto. “Não há outro caminho, exceto por meio do pensamento, que não rompe relações com o passado, mas se ergue idealmente acima dele e o converte em conhecimento” diz Croce. A partir da consciência do motor da história, o operário teria então a oportunidade de, a partir da consciência dessa força que move a história, poderia se mobilizar. Para Marx a historiografia poderia servir então como ferramenta de mudança. “É assim que diariamente nos comportamos quando, em vez de sermos prostrados pelas aflições que nos afligem, de lamentarmos os erros que cometemos e ficarmos envergonhados por eles, examinamos o que aconteceu, analisamos sua origem, acompanhamos sua história e, com uma consciência informada e sob inspiração íntima, delineamos o que deve ser empreendido e, com disposição, nos preparamos para empreendê-lo.[...] Escrever história [...] é um modo de se livrar do peso do passado. [...], e a escrita da história liberta-nos da história.”.
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André Moura Gomes 26/11/09 às 01h11

Marx e a autenticidade

Marx:

“(...) Mas este fato se torna ainda mais estranho quando verificamos que os emancipadores políticos rebaixam até mesmo a cidadania, a comunidade política ao papel de simples meio para a conservação dos chamados direitos humanos; que, por conseguinte, o citoyen é declarado servo do homme egoísta; degrada-se a esfera comunitária em que atua o homem em detrimento da esfera em que o homem atua como ser parcial; que, finalmente, não se considera como homem verdadeiro e autêntico o homem enquanto cidadão, senão enquanto burguês. (...)”

A autenticidade é o ponto que chama a atenção no texto. Para Marx, a autenticidade do ser humano é política, realiza-se na esfera pública, na relação com o outro. Esta relação com o outro é que permite a emancipação (que entendemos como o processo de tornar-se autêntico). A ideia é de que o homem precisa encontrar a si mesmo. Mais precisamente, reencontrar a si mesmo, já que a alienação acontece em um momento histórico determinado. Essa ideia é recuperada por movimentos contemporâneos que afirmam a necessidade de crença na política, como o lugar em que são tomadas as decisões sobre como vamos viver em sociedade. Porque fora dela não há salvação. É nela que são construídas e agravadas as misérias sociais – e é por isso mesmo que a política contém em si a possibilidade das soluções sociais. É nela que podemos nos tornar autênticos.

A questão do esquecimento do ser também está presente em Heidegger (NAVES, 2009: 64). Assim como em Marx, a autenticidade é uma volta ao ser e, na maioria das situações da vida, o ser humano teria uma existência inautêntica. Entretanto, não é a preocupação com questões práticas ou a convivência social que torna a existência autêntica. Na interpretação de NAVES:

“Contudo, existindo desta maneira, movido pela preocupação, o homem se mantém sempre mais distante de suas reais possibilidades, mergulhado conseqüentemente na cotidianidade, envolto por tudo aquilo que o mundo lhe oferece como opção. O Dasein encontra-se impedido de construir-se em sua verdadeira identidade, naquilo que o singulariza como ser único, o que impossibilita sua estruturação autêntica. (...) Sendo assim, podemos concluir que a dimensão sociável do Dasein também o expõe ao aniquilamento de seu ser mais possível, de sua possibilidade mais verídica – a existência autêntica. Ao tomar para si uma maneira de existir que não lhe corresponde, corre o risco de não se realizar verdadeiramente enquanto existente.” (NAVES, 2009: 68).

Em Heidegger, o caminho para a autenticidade é a angústia. Heidegger diria que Marx sentiu uma angústia profunda, mas errou feio ao decidir o que fazer com ela, já que voltou suas atenções às preocupações práticas, relacionadas à vida cotidiana. Perdeu sua chance de viver autenticamente.

Angústia profunda também é sentida em nossos dias, e continuamos sem saber o que fazer com ela. Até onde se sabe, Heidegger não apresenta algo que substitua o projeto revolucionário de Marx e sua angústia. Se ele estiver certo, talvez o melhor seja sentir angústia, e mais nada.

Referência da bibliografia complementar:

NAVES, Gilzane Silva. Liberdade e autenticidade em martin heidegger: uma análise fenomenológica do homem. In: Poros - Revista do Curso de Filosofia. Vol. 1, n. 1. Uberlândia: Faculdade Católica de Uberlândia, 2009. p. 63-77.

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Nuni Vieira Jorgensen 26/11/09 às 01h11

A Liberdade para quem?

Apesar de revolucionário, Marx é um homem de seu tempo e, como tal, não rompe completamente com o ideário de sua época.

Em primeiro lugar, possuía uma visão linear de história, baseada na noção de que existiriam certas leis gerais de tendência que, cedo ou tarde, nos levariam ao fim da história- ao socialismo. Essa noção já se encontrava em Hegel, que afirmava que as formas sociais iam sendo constantemente substituídas por aquelas que apresentassem menos contradições internas. É possível ver que se continua buscando aqui, como na historiografia grega desde Heródoto, um ponto fixo sobre o qual apoiar a sucessão dos acontecimentos.

Em segundo lugar, Marx se baseava no conceito de progresso, tão comum em autores dos séculos XVIII e XIX, como Smith ou August Comte. Como eles, não havia ainda uma preocupação em se pensar que o que nós vemos como uma gradação universal das formas sociais é condicionada por nossa própria condição histórica e geográfica. Segundo Josep Fontana:

            “A investigação histórica de seu tempo era descaradamente eurocêntrica – entre outras razões, porque necessitava justificar a submissão forçada dos ‘povos sem história’ aos que obrigava a passar da ‘barbárie’ à ‘civilização’ – e isso tendia a favorecer uma visão do passado como a da escola escocesa, que conduzia à evolução histórica para a culminância representada pelo capitalismo, pela industrialização e pela ciência moderna.” (FONTANA,1999, p. 153)

Gostaria de comentar aqui, entretanto, uma passagem que acredito representar uma das muitas rupturas que a teoria marxista trouxe em relação ao debate moderno:

            “Em que consiste la liberté? [...] A liberdade é, portanto, o direito de fazer tudo aquilo que não prejudique os outros.[...]O direito à propriedade é, pois, o direito de desfrutar de sua fortuna e dela dispor à son gré, sem se importar com os outros homens e independentemente da sociedade: é o direito do interesse pessoal. É esta liberdade individual e sua aplicação que constituem a base da sociedade burguesa. (MARX, p.254)

Vemos explicitamente nesse ponto a crítica a todos os autores modernos, desde Locke à Stuart Mill. Esses, que representavam a expressão máxima do ideário liberal e burguês em formação, pregavam a liberdade dos indivíduos como o fim último do Estado-nação, sendo esta absolutamente compatível com o bem estar da sociedade. Adam Smith foi aquele que melhor soube expressar esse sentimento, uma vez que via no egoísmo não algo que deveria ser coibido, mas como o fator mais importante de enriquecimento nacional – cada um buscando o seu próprio bem, levaria, inevitavelmente, ao bem geral da sociedade:

            “Assim o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta, é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do seu interesse: o bem-estar da sociedade”. (SMITH, 1983, p. 53)

Marx, ao contrário de todos os outros, mostrará como a liberdade burguesa, essencialmente egoísta, levaria à busca incessante pelo aumento dos lucros e, conseqüentemente, à redução do salário dos trabalhadores ao nível da simples reprodução da força de trabalho. O exército industrial de reserva, ao mesmo tempo, mantinha baixo o poder de barganha da classe operária, que permanecia, portanto, aprisionada, e não livre, sob essa forma de exploração.

A sua economia política norteada pela noção de “mais-valia” e a sua concepção histórica baseada na luta de classes põe por terra o conservadorismo das noções de harmonia de interesses e também a hipocrisia dos valores burgueses, que, ao pregarem liberdade e propriedade,  privavam a grande parcela da população de participar dessas mesmas instituições.

Denuncia também a natureza do Estado democrático que se baseia na igualdade política, relegando as distinções que tem origem no nascimento, na educação e no nível social a um segundo plano. É como se todos fossem igualmente soberanos e estivessem em pé de igualdade ainda que suas condições materiais sejam radicalmente desiguais:

            “À sua maneira, o Estado suprime as distinções oriundas do nascimento, do nível social, da educação e da ocupação, declarando que o nascimento, o nível social, a educação, a ocupação específica são diferenças não políticas, quando, sem levar em conta as suas distinções, proclama que todo membro do povo participa da soberania popular em pé de igualdade...” (MARX, 2000, p. 252)

            Para mim, é aqui que se encontra uma das críticas mais atuais da teoria marxista. Ao contrário do que se postula por diversas vezes, uma democracia que não esteja acompanhada por uma mínima igualdade econômica não pode ser verdadeira. Enquanto haja pessoas marginalizadas do debate político devido à sua condição desprivilegiada, o voto não será mais do que uma formalidade e essa forma de governo não passará de mais uma dentre as tantas hipocrisias da sociedade liberal tal como a entendia Marx.

 

 

Bibliografia:

 

MARX, Karl. Textos de Marx. In: WEFFORT, Francisco. Os Grandes Clássicos da Política. Editora Ática: 2000

FONTANA, Josep. História: Análise do Passado e Projeto Social. EDUSC: Bauru, 1999.

SMITH, Adam. A Riqueza das Nações. Editora Abril: São Paulo, 1983.

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Caio Cesar Paccola Jacon 26/11/09 às 01h11

A emancipação humana e a revolução

Marx aborda a questão de como chegar a uma prática política e humana que garanta a    verdadeira emancipação do homem, distinguindo-a da mera emancipação política, aquela garantida pelos “direitos humanos” de origem francesa e norte-americana que, à visão de Marx, seriam apenas direitos políticos, os quais visariam, em última instância, a garantir o direito à propriedade da classe burguesa. Para tal tarefa, Marx defenderá uma revolução completa, e não uma parcial “meramente política, a revolução que deixa de pé os pilares do edifício”.

O autor assim o pensa por entender essa revolução parcial como algo que permita a emancipação de apenas uma classe da sociedade – no caso: a burguesa –, concedendo-lhe a supremacia geral sobre ela. Para ele, essa emancipação parcial consiste em uma classe social, alegando representar a universalidade da sociedade, pretender reunir em si “os direitos e as pretensões da própria sociedade”, ser “o cérebro e o coração” dela. Todavia, ela só consegue fazer isso contanto que toda a sociedade se encontre na mesma situação dessa classe social.

Então, explica-se-nos que para coincidirem-se revolução e emancipação de uma classe da sociedade é preciso que haja uma outra classe social à qual sejam atribuídos todos os defeitos e crimes da própria sociedade. Tendo-se em vista esse raciocínio, ele procura na sociedade – ou fora dela, como ele porá – uma “classe” que possua um caráter universal, “por seus sofrimentos universais”, que não reivindique “nenhum direito especial”, mas os direitos devidos, puros e simples, “uma esfera, finalmente, que não pode se emancipar sem se emancipar de todas as demais esperas da sociedade e, com isso, emancipar todas elas; que é, numa palavra, a perda total do homem e que, por conseguinte, só pode atingir seu objetivo mediante a recuperação total do homem”.

Apresenta-nos, pois, o proletariado, que ao negar a propriedade privada, ao negar os direitos políticos burgueses que visavam apenas a garantir seus interesses egoístas, deveria ser a classe a conduzir tal revolução a fim de se garantir à sociedade o que ela própria erigiu para si como seu princípio: a coletividade.

Para Marx, abolir a propriedade privada faz-se imperioso para construir-se uma verdadeira emancipação do homem, atribuindo ao proletariado a tarefa de iniciar uma revolução que acabe com a sociedade de classes, declarando o “homem essência suprema do homem”. É a esse propósito que Marx dedica esses escritos.

WEFFORT, Francisco. Claśsicos da Política. v. 2. São Paulo, Ática, 1996

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Lucas Lôbo Takahashi 26/11/09 às 02h11

Resposta

            Para analisar a sociedade, deve-se partir do contexto material e das ações dos homens reais (tanto das condições naturais, que o homem já encontrou prontas, como daquelas que ele mesmo criou com sua ação), elementos estes verificáveis de maneira empírica. A condição primeira de um estudo histórico é a existência de seres humanos, sendo que deve se partir justamente de suas bases materiais naturais e daquelas que eles mesmos transformam por sua ação. Homens se diferenciando dos animais por sua capacidade de “produzir” seus próprios meios de existência – por meio desta produção, produzem também sua própria vida material. Assim, o que os homens são, seu modo de vida, decorre diretamente do que eles produzem e de que forma o produzem.

           O grau de desenvolvimento das forças produtivas pode ser comprendido a partir da própria divisão do trabalho. Divisão do trabalho incorrendo na separação entre agricultura, comércio e indústria, assim como nas diferenças entre campo e cidade. Cada tipo, estágio de divisão do trabalho gera relações diferentes entre os homens e o meio material, a produção e seus instrumentos.

          Indivíduos desenvolvem certas atividades de produção em relações de trabalho determinadas e em relações sociais e políticas. Ou seja, a estrutura social e o Estado nascem diretamente do indivíduo, mas não de suas concepções mentais de si mesmo, e sim de seus meios materiais de produção específicos – forma pela qual trabalham em contextos independentes de sua vontade. Assim, a produção de idéias e pensamentos está diretamente relacionada e ligada às condições reais/materiais dos homens.

            Pelo discutido, Marx afirma não partir do que os homens dizem, imaginam ou representam, mas sim de seu processo de vida real. “Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência”. Nota-se também uma função importante da filosofia – não apenas abstrações fora da realidade, mas necessidade de interpretação e classificação para guiar o fazer histórico. 

Fonte: MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã. Martins Fontes.'São Paulo, 2007.

[+1] 
Vitor Eiró Storino 26/11/09 às 02h11

Karl Marx: o expoente revolucionário das ciências humanas

Karl Heinrich Marx, sem sombra de dúvida, é um marco na historicidade mundial, um observador perspicaz da realidade e, sobretudo, um revolucionário na produção em qualquer campo de estudo das ciências sociais. Desta forma, limitar uma reflexão sobre o mesmo à apenas uma obra seria insuficiente para compreender sua importância. Portanto, um aparato geral de suas idéias será o mais recomendável para se tratar de tão importante colaborador na reflexão das ciências humanas.

A começar, é de bom tom discorrer acerca do método empregado por Marx em suas análises. Marx tem preferência pelo uso da abstração, pelo método abstrato-dedutivo ou método das “aproximações sucessivas”, nele o analista deve estabelecer um objeto a ser estudado, verificar os aspectos que considera essencial para fazê-lo e, a partir disto, desenvolver hipóteses para confrontá-los para com a realidade.

Logo, ao fazê-lo, Marx identificou na luta de classes e nas leis que governam as modificações no modo de produção de uma sociedade o cerne de sua produção, a fonte de sua argumentação. Contudo, diferenciando-se de Hegel de forma clara, Karl Marx remontou os mais variados contextos históricos que provavam a associação feita por ele entre a luta de classes e a trajetória percorrida pela humanidade, o que posteriormente ficou conhecido como dialética marxista pelos estudiosos de Marx.

Destarte, a dialética na visão de Marx em conjunto a sua teorização de modificação dos modos de produção de maneira gradual permitiu a associação de uma conotação de previsibilidade dos rumos sociais a sua teorização. Este caráter da obra de Marx fica evidente na sua premissa de que o estado de produção capitalista ser uma etapa necessária ao advento do socialismo.

“Para o marxista, o caráter específico (isto é, transitório) do capitalismo é uma premissa fundamental” (Sweezy,p. 30)

“A sociedade não pode mais existir sob sua dominação, o que quer dizer que a existência da burguesia é, doravante, incompatível com a da sociedade [...] A burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros. Sua queda e a vitoria do proletariado são igualmente inevitáveis” (Marx & Engels, 1999, p.27)

O caráter de vanguarda que Marx conferiu as suas produções, aspectos de acerto lógico do porvir, permitiu que, posteriormente, os estudiosos de Marx atribuíssem a ele outro conceito denominado materialismo histórico, que se refere exatamente a configuração dos atos futuros ao se analisar a conjuntura anterior.

Portanto, o arcabouço deixado por Karl Marx é a concepção de que a opressão das parcelas da sociedade entre elas, que independem do tempo histórico, dotada de suas teses e antíteses, configura a evolução do aspecto civil das aglomerações de humanas rumando ao estado máximo, ao qual almejava ele: A Comuna.

Bibliografia:

MARX & ENGELS, Karl & Friederich in.: “ O Manifesto Comunista”, Versão para eBook, 1999, disponível em www.jahr.org

SWEEZY, Paul M, in: “Teoria do Desenvolvimento Capitalista – Princípios de Economia Política Marxista”, 6ª edição, Zahar Editores, Rio de Janeiro.

WEFFORT, Francisco. Claśsicos da Política. v. 2. São Paulo, Ática, 1996
[0] 
Brenda Paola Cardoso de Souza 26/11/09 às 03h11

A comunidade e os indivíduos

Neste trecho selecionado por Weffort, o enfoque está nas concepções de Karl Marx quanto à associação da classe proletária e de como esta deve reagir no que diz respeito às condições determinadas pela burguesia quanto à sua personalidade, liberdade, condições de trabalho e outros aspectos a que são submetidos.

Inicialmente, é considerado o fato de o comunismo trazer uma visão totalmente nova sobre as relações de produção e troca, revolucionárias se comparadas às noções que se tinham sobre o assunto até então. Ao contrário do que defendiam seus contemporâneos, Marx desconsidera que as relações mencionadas fossem algo natural, pois refletiam criações de indivíduos precedentes e deveriam, por meio do comunismo, ser submetidas ao poder dos indivíduos unidos.

Defende-se que cada indivíduo tem plena condição de desenvolver-se, em todos os sentidos, em meio à comunidade. Mais profundamente, Marx acredita que somente em comunidade com outros indivíduos todos possam desenvolver a chamada liberdade pessoal, à medida em que esta se dá simultaneamente à sua associação. Até então, as comunidades construídas não eram reais, mas ilusórias e falsas, onde a liberdade apenas era garantida a quem pertencesse a uma certa classe e enquanto pertencesse à referida classe, e esta seria a dominante, logicamente. Todavia, podemos inferir que, segundo os preceitos defendidos por Karl Marx, a comunidade real seria aquela que reunisse a todos, e não opusesse duas classes e privilegiasse apenas algumas parcelas.

Na comunidade constituída por proletários revolucionários, não haveriam classes com pseudo indivíduos defensores apenas de seus interesses, mas ao submeter suas condições próprias de existência ao seu comando e de todos na sociedade, seria um movimento de verdadeiros indivíduos. Discorrendo sobre a associação dos indivíduos, Marx discorda de Rousseau, divergindo deste no que se refere às motivações da união dos mesmos. Segundo Rousseau, tal união seria voluntária e natural, como algo inevitável. Sobre o pacto social, em “Do Contrato Social”, o autor afirma:

“Contemplo os homens chegados ao ponto em que os obstáculos danificadores de sua conservação no estado natural superam, resistindo, as forças que o indivíduo pode empregar, para nele se manter; o primitivo estado cessa então de poder existir, e o gênero humano, se não mudasse de vida, certamente pereceria. (...) A natureza do ato determina de tal sorte as cláusulas do contrato, que a menor modificação as tornaria vãs e nulas; de modo que não tendo sido talvez nunca em forma anunciadas, são por toda a parte as mesmas, por toda parte admitidas e tacitamente reconhecidas (...)” (ROUSSEAU, 2003, p. 31)

Para Marx, todavia, as associações, até o momento em que estavam, não tinham sido nada mais do que uma união necessária em que os indivíduos contavam com a eventualidade, o que não consistia na acepção que ele dava ao termo e na verdadeira liberdade pessoal. O autor via nas constituições e sucessões de classes uma fase do desenvolvimento humano e subdivisões do gênero humano, mas nunca como a conclusão deste.

Finalmente, Marx trata da diferença considerada inevitável, diante da divisão do trabalho, entre a vida pessoal do indivíduo e a vida deste inserido em seu trabalho. O indivíduo pertencente à classe dominada não possui uma qualidade inseparável de sua individualidade, como possuem os membros da classe dominante, mas sempre estarão submetidos às condições de vida que lhe são impostas, desde sua “primeira juventude”, o que impossibilita uma formação da personalidade do proletário e futura mobilidade. Desta maneira, Karl Marx conclui com a solução para esta contradição, que seria abolir o trabalho e derrubar o Estado, com o fim de concretizar a personalidade do indivíduo pertencente à classe proletária.

Referências:

MARX, Karl. Textos de Marx. In: WEFFORT, Francisco. Os Grandes Clássicos da Política. Editora Ática: 2000

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social. Tradução: Pietro Nasseti. São Paulo: Editora: Martin Claret, 2003

[0] 
Vivian Suyen da Silva Bastos 26/11/09 às 04h11

Comentário sobre Marx

Marx, no Manifesto Comunista, fala sobre a teoria de luta de classes,

primeiramente, que diz que toda civilização conhecida a partir da invenção da

escrita (Nota de Engels de 1888) era representada por um conflito entre

opressores e oprimidos, até que os oprimidos se revoltassem ou as estruturas

mudassem completamente de modo a formar outro modo de produção, no qual

outras duas classes seriam os opressores e oprimidos. Por exemplo, eles dizem

que o servo oprimido do sistema feudal virou o burguês opressor do sistema

capitalista. Do modo de produção primitivo ao antigo ao feudal ao capitalista

(pulando alguns outros), o destino do mundo, ou o que  a história contava era o

colapso do capitalismo que faria surgir o socialismo. O socialismo passaria por

processos como a extinção dos Estados e o desenvolvimento exaustivo da

tecnologia, e enfim surgiria o comunismo, e a História pararia nesse estágio,

considerado grau mais avançado de evolução.Contra esse ponto, contemporaneamente, temos Francis Fukuyama que

determina o fim da história de outra maneira. Para o autor, a evolução das

sociedades havia acabado pelo triunfo da democracia liberal no início da década

de 90, acabando com as campanhas alternativas surgidas desde o século XVIII,

como o marxismo e o autoristarismo. A razão do triunfo seria que a democracia

preenchia os três requisitos que moviam a ação humana (e dariam continuidade

à História), de acordo com Hegel, o desejo, a razão e o reconhecimento.

Entretanto, não cabe aqui discutir as críticas à sua obra, apenas apresentá-lo

como a alternativa ao "fim da História" de Marx no comunismo.De acordo com os autores do Manifesto, à época deles, o capitalismo já havia

chegado ao momento do colapso, pois era o modo de produção que mais

antagonizava duas classes sociais, a burguesia e o proletariado, sendo a primeiro

o opressor, e o segundo, oprimido e consciente de sua classe e da exploração que

sofria. Vale reiterar que para eles o capitalismo precisa de estar plenamente

desenvolvido para haver a revolução do operariado, e é justamente nesse ponto

que eles estiveram mais errados em tentar a revolução àquela época, pois o

modo de produção capitalista ainda iria exaurir muito mais recursos e

trabalhadores.Pode-se também discutir a influência da teoria marxista do materialismo

histórico no texto. O materialismo histórico diz que as relações econômicas, a

economia em geral e todos seus aspectos são a infra-estrutura da sociedade,

enquanto que a religião, a moral e inclusive a polítcia são parte da super-

estrutura, estando assim diretamente baseadas/influenciadas pelo modo de

produção. Desse modo, era óbvio que para o capitalismo a política seria

configurada pelas repúblicas, pois eram o governo que atendia aos interesses da

burguesia, e a ética se referiria à liberdade, porque esta seria a legitimação da

burguesia para explorar o proletariado.Ainda, no Manifesto do Partido Comunista e seus inúmeros prefácios, Marx

critica (e praticamente despreza) o que batizaram de "socialismo utópico", por

dizer pouco respeito à realidade, e congratula algumas das conquistas do

proletariado, como a Comuna de Paris. O socialismo dele seria baseado na

ditadura do proletariado que, sendo distributivo em relação às riquezas, criaria

condições para a transição para o comunismo.

Fontes:

Manifesto Comunista

O último homem e o fim da história, Francis Fukuyama, 1992

[+3] 
Cristal Augustus C. Ribeiro 26/11/09 às 05h11

A produção da consciência e a produção do Estado

Na produção da ideologia, Marx critica a visão de Feuerbach e da filosofia hegeliana, tidas como conservadoras, que levavam em consideração a consciência como fruto de abstrações provenientes da essência humana. Para Marx e sua concepção materialista, no entanto, eram as condições concretas -- ligadas, predominantemente, às relações de trabalho e produção -- as responsáveis pela formulação dessa ideologia. Ressalta-se que os interesses dominantes, ou seja, os interesses da classe detentora dos meios de produção, compunhamtal nível hieráquico superior.

Diferentemente da concepção usual de ideologia, Marx a vê como um instrumento de dominação da classe repressora à classe reprimida. Isso se faz em função da criação material de ambientes favoráveis a uma em detrimento da outra, sendo o aspecto econômico determinante nessa diferenciação.

Sendo assim, o Estado surge como uma necessidade burguesa de se regulamentar os interesses, principalmente no que se refere à promoção de um ambiente favorável à manutenção da propriedade privada (neste ponto, deve-se destacar que Marx atacava a propriedade privada, mas não a propriedade de uma forma geral -- esta, na verdade, deveria passar a ser pública, no seu ideal de sociedade comunista). A máquina estatal dispõe de artifícios burocráticos capazes de restringir uma classe e favorecer outra, pela reprodução da ideologia dominante. Assim, Marx vê o direito à propriedade privada, positivada pelo Estado, como sendo uma das divergências de interesses, um dos sustentáculos à luta de classes -- esta, para ele, tida como o "motor da história".

Deve-se destacar a diferença entre a visão de formação de Estado e noções de propriedade para Marx e de diversos outros pensadores estudados nesse curso; Hobbes via o pacto social que levaria a um Leviatã como surgido a partir da urgência por segurança e ordem. Para Rousseau, o contrato social era o responsável por macular o homem, tornando-o, então, desperto e ávido aos interesses de propriedade. Locke se pautava na doutrina jusnaturalista, afirmando que a propriedade era um direito natural do homem, e que, sendo assim, cabia a eletranformar o mundo externo, com suas próprias aptidões.

Nesse gancho, Marx afirma que os cidadãos estão em um estado de alienação, alimentado pelos mecanismos estatais; faz-se, aqui, uma ponte com os conceitos decorrentes dos estudos de Durkheim sobre a divisão do trabalho social. Este propunha que, nas sociedades modernas, as pessoas estavam unidas por laços orgânicos, em que o direito restitutivo era o dominante, quando das punições. Ele afirmava, também, que, neste tipo de sociedade, é fácil de se encontrar um sentimento anômico, caracterizado por certa indiferença da sociedade perante os rumos velozes de transformação que o capitalismo em consolidação fazia gerar.

Deste modo, para Marx, o meio de a sociedade se ver livre de tal estado alienante seria, unicamente, por vias revolucionárias. Como líderes deste movimento, os únicos possíveis seriam os trabalhadores -- o proletariado; para tal, porém, fazia-se necessária uma conscientização de classe. E, no momento em que ela existisse, não necessitaria mais a divisão entre nação ou Estado; o que a teoria marxista propõe agrega um caráter universal, que remete à desconstrução da individualização estatal.

Infere-se, portanto, que a ideologia, responsável por formular os interesses dominantes na construção da consciência individual, e o Estado, responsável por reproduzir essa ideologia, possuem caráter recíproco; a demolição de um acarretaria a demolição do outro, e vice-versa.

______________________________________________

[fontes]

DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social.

HOBBES, Thomas. O Leviatã.

LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo civil.

MARX, Karl. A ideologia alemã.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. O contrato social.

WEFFORT, Francisco. Clássicos da Política 1.

[0] 
Diego-gontijo-de-aquino'>Diego Gontijo de Aquino 26/11/09 às 07h11

O ser humano materialista

“A produção de ideais, das concepções e da consciência a principio se encontra direta e intimamente ligada à atividade material e ao intercâmbio material dos homens, e como tal é a linguagem da vida real. Os conceitos, o pensamento, a troca intelectual dos homens aí surgem ainda como emanação direta do seu comportamento material”.

“Não tem história nem evolução; são os homens, ao contrário, que, ao desenvolverem sua produção material e suas relações materiais, transformam com esta realidade que lhes é própria o seu pensamento e os produtos desse pensamento. Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência”.

A meu ver o que torna as idéias de Marx e Engels tão interessantes e tão polêmicas está em parte no fato de que ele promove uma quebra com o passado ao condenar o uso e o desenvolvimento do pensamento e da análise por elas mesmas, pregando o uso das mesmas para a ação, tendo o pensamento valor quando leva a ação, outro motivo, que é o mais característico da dupla e, a meu ver, inovador é o enfoque e importância dada a influência da matéria no desenvolvimento e na definição do que é o ser humano, sendo, para eles, a principal diferença entre o homem e os demais animais, sendo por mim colocada de uma forma bastante simplificada e possivelmente errônea, a capacidade do primeiro de desenvolver seus meios de produção e relações de produção e sua capacidade de desenvolvê-las, o ser humano como um ser essencialmente econômico. Eles confrontam a idéia, tão popular, daqueles que colocam o pensamento em um mundo a parte do mundo físico, como o mundo superior das idéias de Platão, e colocam um em relação intima e direta com o outro, ficando o pensamento não como algo que surge de um plano a parte e superior e que assim influência o mundo material, determinado os rumos tomados na mesma, mas o pensamento como algo que não só é diretamente influenciado pelo o que acontece no plano material, mas como também é criado por ela. Desenvolvendo, a meu ver, uma relação cíclica entre matéria e o pensamento, tendo cada o poder factual de criação e influencia sobre o outro. Assim o homem fica não mais como aquele que tem sempre o poder de definir a si mesmo e os rumos que toma, mas também não sendo ele completamente submisso e impotente frente ao seu desenvolvimento, fica como aquele que cria algo mas também que é criado por esse mesmo algo. Por uma interpretação o homem parece ser o produto da sociedade que por sua vez é definida pelas relações de divisão do trabalho, produção e troca na qual esta inserida. O problema, para Marx e Engels, não parece estar na relação e proximidade da matéria e do ser humano, visto ser essa relação um fato, mas parece estar na anormalidade dessa relação, provocada pelo espírito capitalista difundido e implantado pela burguesia que aliena o homem de seu produto de trabalho e assim de si próprio, o homem trabalhador passa a não trabalhar mais para si mesmo, por necessidade ou prazer, mas por ser obrigado a dar lucro ao burguês que lhe comprou a força de trabalho e assim o produto produzido, ficando assim impedido de viver através de seu próprio trabalho e passando a depender daquele que usurpou sua liberdade a autonomia. O que apresentei acima, como já foi dito, resulta de uma compreensão bastante limitada e falha das idéias de Karl Marx e Engels, mas foi o que consegui neste momento, e acredito ser a teoria desenvolvida por eles bastante extremista, no sentido de ao criar uma visão própria da realidade parecem excluir qualquer outra forma de visão e interpretação de divirja da mesma, que não esteja contida nesta, mas o que é algo bastante comum quando se leva em conta que ambos estão mortos e por isso impossibilitados de completar e aperfeiçoar suas obras e também quando se leva em conta o período histórico no qual estavam inseridos, pois se hoje parece tudo muito exagerado e pontuado de falhas parece ao mesmo tempo refletir bem o período em que viveram onde a acumulação de capital parece ter se sobrepujado aos valores sociais, morais e éticos que pudesse ter existido, sendo o dinheiro colocado em um pedestal e por sua vez sustentado pelo trabalho constante do proletariado, em um período em que nem as mulheres e crianças estiveram livres do trabalho pesado e devemos levar em conta também a parcela de atualidade do pensamento marxista, sendo ao que consta mais compreendido e valorizado nos períodos atuais do que parece ter sido no período em que foi escrito, visto que se não houvesse essa identificação com o pensamento desenvolvido por eles não teriam adquirido a importância que hoje mostram ter conquistado. Resumindo, apesar de todas as falhas, problemas e extremismo ainda há neles algo com o qual o homem atual ainda se identifica.

“A segurança é o mais elevado conceito social da sociedade burguesa, o conceito de polícia, segundo o qual toda a sociedade somente existe para garantir a cada um de seus membros a conservação de sua pessoa, de seus direitos e de sua propriedade”

Esta ai algo que afasta Marx e Engels dos demais pensadores modernos, pois muitos pensadores anteriores defendiam a propriedade e chegavam a colocá-la até mesmo como o fim último do Estado, o motivo de existência deste, a preservação da propriedade, usando-a como justificativa para suas concepções diferentes de Estado e para a defesa da mesma, e outros, que não estavam tão ligados à defesa da propriedade mas que também defendiam uma concepção de Estado que estivesse de acordo com o seus ideais,com sua visão do que o Estado deveria ser ou qual sua função a exercer, mas de fato defendiam visões reais ou ideais de Estado. Talvez só saindo um pouco desta concepção e se aproximando das idéias marxistas o filósofo e santo Thomas Morus na sua “Utopia”, no relativo à propriedade privada, mas não ao Estado, mas que lembra ainda sim vagamente um Estado socialista. A dupla não só quebrou com o Estado como defensor da propriedade individual ao dizer que “a segurança é a preservação do egoísmo”, como também quebrou com a propriedade privada ao molde burguês como também defendeu o fim do Estado, que seria alcançado após um breve período de socialismo, sendo destruído nela também o capitalismo e com ele a diferenciação por classes, permitindo assim a entrada no comunismo, onde não havendo classes não haveria mais quem oprimir quem, que seria para Marx e Engels o ideal a ser alcançado, mas não de Estado visto que este não existiria mais.

Obs.: eu ia ter postado ontem a tarde mas, por preguiça naquele momento deixei para depois e acabei esquecendo, então postei na quinta de manhã.

[+1] 
Augusto Sticca 26/11/09 às 10h11

A produção da consciência

            Ao contrário da filosofia alemã (de caráter platônico, segundo Marx, pois “desce do céu para a terra”), a perspectiva marxista da formação da consciência do homem se faz subir da terra para o céu, ou seja, parte do material para o concebido nas acepções imateriais humanas.

            Sendo assim, as ideologias, religiões, concepções de consciência seriam historicamente condicionadas pelas relações materiais humanas. O homem, nesse caso, é que criou Deus e todas as atribuições morais estabelecidas pelas mais diversas religiões existentes na sociedade, e, ainda, todas essas concepções são mutáveis mediante as transformações que ocorrem nas sociedades.

            No desenvolvimento de sua teoria econômica nos volumes de “O Capital”, Marx deixa claro, por exemplo, que até mesmo o caráter da troca entre os indivíduos é um fato historicamente condicionado, o estudo da economia, portanto independeria desse ponto e o capitalismo (que possui como essência o trabalho como uma mercadoria, e, logo, passível de troca) em si não seria eterno como muitos creem, mas somente um estado momentâneo de relações econômicas.

            Baseado, inclusive, nessa perspectiva da troca, Marx afirma um caráter fetichista das mercadorias que é concebido pela ideia de que as relações sociais exercidas por este meio aparentariam ser, na verdade, relações entre coisas intermediadas pelo mercado. Afirma ainda em outro de seus textos que  “a produção de ideias, das concepções e da consciência  a princípio se encontra direta e intimamente ligada à atividade material e ao intercâmbio material dos homens”.

            Sendo assim, vê-se que Marx não acreditava ser fonte para a fundamentação de uma teoria tudo aquilo que não poderia ser visto na sociedade de forma material. Daí o modo em que Marx se expressa a respeito da consciência como "produzida", criada, construída, formada mediante o que os homens criam e vivem enquanto sociedade.

                           

 

Bibliografia

 

 

SWEEZY, Paul. Teoria do Desenvolvimento Capitalista. Sexta edição, Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1985.

WEFFORT, Francisco. Os clássicos da política 2, São Paulo: Editora Ática, 2006.

           

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Danielle Freitas Henderson 26/11/09 às 12h11

AMANDA

Favor entrar em contato com o grupo do Weber.

[0] 
Paulo Yoshimoto 26/11/09 às 14h11

Dos motivos da Revolução

Hoje é muito comum ver esquerdistas andando com o Manifesto do Partido Comunista debaixo do braço e recitando seus paragráfos como se fossem versículos e interpretando cada palavra de Marx como se fosse inspiração divina, mal antigo da humanidade que Lênin combate em parte de suas obras. Essa doença tão comum nos leva a erros de interpretação comuns, afinal não há um cromossomo de diferente entre os grandes gênios e nós.  Sendo assim temos Marx como um grande pensador e dedicado Hegeliano que através de sua filosofia buscou cientificar a história nos moldes Newtonianos de sua época.

Através do Método cientifico classico Marx julga ser capaz de prever os acontecimentos históricos auxiliado por um afiado pensamento hegeliano (e, convenhamos, o simples fato de alguém julgar entender Hegel já quer dizer algo sobre a pessoa) acreditando na tese e antítese ele coloca como principal fator o sistema de produção (infraestrutura) que o "sistema carrega em si os germes de sua própria destruição".

Desse forma, através da concorrência, as empresas acabariam comprando umas as outras e tenderiam assim ao monopólio, quando o sistema que defende a propriedade privada acabaria por expropriar a maioria, sobrando-lhes apenas sua força e seu tempo para serem vendidos e, dessa forma, a classe proletária seria obrigada a vender seu próprio tempo (não tangível) ao preço que os capitalistas determinassem.

Dessa forma a classe proletária perde sua liberdade e se ve acuada e roubada do fruto de seu próprio trabalho, enquanto o capitalista tudo ganha. Dessa forma a classe trabalhado se tornaria a detentora dos meios de produção e, por uma escolha supostamente racional, baseado em uma Vontade Geral, os trabalhadores se uniriam para tomar o poder daqueles que os oprimem.

Sendo assim seria contituido um "principado" baseado na racionalidade, cujo todo o povo seria o Príncipe que deveria se manter no poder, sendo, talvez, uma Utopia em que todos seriam iguais com um governo forte, como um Leviatã que se ergue para devorar aqueles que corrompem o governo que o povo legitimou pois tinha seus "direitos naturais" ameaçados pelo estado capitalista. Separando dessa forma seus direitos naturais e positivos o novo estado socialista entenderia o Espírito das Leis e estabeleceria um novo Contrato Social, garantindo a liberdade ao indivíduo desde que essa não fosse conflitante com a liberdade da sociedade. (peço perdões pelo lirismo).

Dessa forma Marx no Manifesto do Partido Comunista mostra como a nova sociedade romperia com a antiga, e explicita por que os proletarios devem tomar o poder defendendo os ideais comunistas.

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Gilberto-mendes-calasans-gomes'>Gilberto Mendes Calasans Gomes 26/11/09 às 16h11

Questão única

O trecho escolhido para comentário é “A emancipação política e a emancipação humana”. Escolho esse trecho por ter como tema o Estado e as relações de liberdade. Buscarei contrastar as idéias de Marx com outro teórico estudado no curso que trata de temas semelhantes, porém com uma outra abordagem, J. S. Mill.

Marx vê o Estado como uma estrutura que “suprime as distinções oriundas do nascimento, do nível social, da educação e da ocupação, declarando que o nascimento, o nível social, a educação, a ocupação específica são diferenças não políticas”. Com isso, traz de volta o pressuposto iluminista de igualdade frente à soberania popular. Entretanto, o que Marx traz de original é que o exercício da liberdade não é restringido pela igualdade política, a qual é garantida nos discursos revolucionários do século XVIII, mas sim pela igualdade “humana”. Assim, enquanto nas referidas revoluções houve uma emancipação política do homem (ou melhor, como mesmo coloca o autor, do cidadão), não houve até então a emancipação humana. Um trecho que bem ilustra esse fato está inserido mais adiante na coletânea de excertos de Weffort: “surge como um fruto inevitável da divisão do trabalho o fato de haver uma diferença entre a vida de cada indivíduo enquanto vida pessoal e a sua vida enquanto subordinada a um ramo qualquer do trabalho e às suas respectivas condições inerentes” .

Dessa forma, o autor alemão tenta provar que apenas por meio de uma revolução proletária que levasse ao comunismo haveria a dita emancipação humana, que seria o fim das diferenças materiais entre os homens, que provocaria o que ele chama de fim do trabalho. Tal revolução se daria, como exposto em outro trecho do livro, por meio de uma ditadura do proletariado, tendo este como a classe que, de porte do aparato estatal, concentraria toda a propriedade, a fim de, quando chegasse essa concentração em um nível máximo, puder instaurar o comunismo.

Insiro agora a contraposição dos pensamentos de Karl Marx com o de Stuart Mill. Ambos autores partem de uma concepção bastante semelhante de liberdade. Marx define “liberdade é, portanto, o direito de fazer tudo aquilo que não prejudique os outros” enquanto em Mill, a liberdade é regida por dois preceitos: “O primeiro de tais preceitos é que o individuo não responde perante a sociedade pelas ações que não digam respeito aos interesses de ninguém a não ser ele. [...] O segundo preceito consiste em que, por aquelas ações prejudiciais aos interesses alheios, o individuo é responsável, e pode ser sujeito à punição, tanto social como legal, se a sociedade julga que a sua defesa requer uma ou outra”.

Vemos que os dois partem de uma definição bastante semelhante de liberdade para alcançarem conclusões bastante diferentes. Para Marx, é incoerente uma sociedade fundada num valor de liberdade como esse ser de tal forma egoísta, em suas palavras: “É bastante estranho que um povo que começa precisamente a se libertar, a derrubar todas as barreiras que separam os seus distintos membros, a fundar uma comunidade política, proclame solenemente o direito do homem egoísta, dissociado de seu semelhante e da comunidade”. Assim, a liberdade em Marx, seria coerente apenas à medida que levasse aos princípios do comunismo. Em Mill, vemos o oposto. A liberdade em Mill fundamenta o liberalismo e a lógica do Estado mínimo, indo contra qualquer idéia de comunismo, mas, sim, de uma forma de justificar a ordem das coisas como “naturalmente meritocrática”.

[+1] 
Amanda Panhol Bayma 26/11/09 às 23h11

Grupo do Weber!

desculpem, tive problemas sérios com a internet, aqui está meu email:

 

mandy_bayma@hotmail.com

 

tenho disponibilidade para me reunir a qualquer momento entre hoje e terça feira para organizar a apresentação, mais uma vez, desculpem.

[0] 
Kauê Darzi Alves 27/11/09 às 00h11

Marx e a mais-valia

Karl Marx foi um teórico político, filósofo, sociólogo e economista importantíssimo da história mundial. Suas idéias revolucionaram o modo de se ver as ciências humanas ao inverter a perspectiva de análise. Pela primeira vez tem-se como perspectiva a realidade dos governados, ou como Marx gostava de se referir, dos oprimidos e explorados. Marx também foi inovador ao tentar criar uma teoria universal e atemporal, que seria válida para todas as sociedades em todos os tempos. Segundo tal teoria a história da humanidade seria movida por uma luta de classes, na qual os opressores tentariam oprimir cada vez mais e os oprimidos tentariam não ser oprimidos. É a partir dessa idéia que Marx lança sua teoria básica que procura propor uma ruptura nessa forma de sociedade: A Revolução Social.

Como tópico de abordagem da teoria de Marx, selecionei o conceito de mais-valia e todas as implicações que este leva, que seria o motivo da necessidade de uma revolução e que poria o trabalhador em sua condição de explorado e alienado. Marx descreve a situação da sociedade fazendo uma divisão desta entre burgueses e proletários. Os burgueses seriam os detentores dos meios de produção e os proletários aqueles que não os detêm. O proletário, desnudo de tudo, teria como única opção a venda de sua força de trabalho na forma de salário. Segundo Marx, os salários seriam uma quantia suficiente para apenas garantir a subsistência destes. O proletário faria apenas uma parte da produção, o que o levaria a um estado de alienação em relação ao produto final. Desta forma, os proletários ficariam mais dependentes ainda do seu patrão burguês, pois além de não possuir os meios de produção, são incapazes de chegar ao produto final sozinhos. É nesse contexto que Marx introduz o conceito de mais-valia. Marx definia como mais-valia a diferença entre o salário do operário e o valor dos produtos produzidos por este. Ou seja, os operários receberiam muito menos do que realmente produziam e na maioria dos casos o salário seria insuficiente para que este tivesse acesso aos produtos que eles mesmos haviam produzido. Assim sendo, os burgueses viveriam dessa mais-valia, ou seja, o lucro burguês nada seria além do valor da exploração burguesa ao proletariado, o burguês não trabalha, explora. Essa teoria é a chamada teoria do salário de Marx. Dessa forma nada mais justo do que uma revolução proletária para que estes se apropriassem do que eles mesmos produziam, ou seja, do que era seu por direito.

Atualmente, ainda é possível observar essa exploração. Contudo, ela é cada vez mais amena, pois diversas empresas propiciam aos seus funcionários parte de seu lucro. Além disso com a difusão do trabalhismo surgiu o Wellfare State, que busca diminuir tais conflitos e garantir uma vida cada vez melhor aos proletários, evitando assim possíveis revoluções. Por fim, vale ressaltar que com a evolução da sociedade, esta não se encontra mais dividida entre proletários e burgueses. Ao mesmo tempo em que um indíduo é patrão de outro, também pode ser empregado de um terceiro. Não se deve esquecer também, do surgimento de serviços tercerizados e do setor terciário da economia, que geralmente não entram na categoria de burgueses ou proletários. Assim sendo, a teoria de Marx continua sendo observada, porém com alguns pontos divergentes daqueles apresentados inicialmente.

Bibliografia:

MARX & ENGELS, Karl e Friedrich. O Manifesto Comunista. Editora Paz e Terra.

MARX, Karl. O Capital. Editora Martin-Claret

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O manifesto e a luta de classes

A Liga dos Comunistas encomendou aos dois grandes pensadores da época e criadores do comunismo, Marx e a Engels, a preparação de um escrito que tornasse claros os objetivos do mesmo, e sua maneira de ver o mundo. Portanto, o Manifesto Comunista é um conjunto afirmativo de idéias, de “verdades" em que os revolucionários da época acreditavam, por conterem elementos científicos. Marx realizava suas teses em cima do chamado materialismo histórico, ou seja, explicava a história das sociedades humanas, em todas as épocas, através dos fatos materiais, essencialmente econômicos e técnicos. Ele caracteriza não apenas uma visão econômica da história, mas também uma visão histórica da economia, a teoria marxista também procura explicar a evolução das relações econômicas nas sociedades humanas ao longo do processo histórico. Haveria, segundo o ponto de vista marxista, uma constante dialética das forças entre poderosos e fracos, opressores e oprimidos, a história da humanidade seria estabelecida por uma permanente luta de classes, como deixa bem evidente a primeira frase do primeiro capítulo d’O Manifesto Comunista:

    A história de toda sociedade passado é a história da luta de classes.

Classes essas que, para Engels são "os produtos das relações econômicas de sua época". Assim apesar das dessemelhanças aparentes, escravidão, servidão e capitalismo seriam fundamentalmente fases contínuas de um processo único. O alicerce da sociedade é a produção econômica. Sobre esta base econômica se arquiteta uma superestrutura, um estado e as idéias econômicas, sociais, políticas, morais, filosóficas e artísticas. Marx almejava a inversão da pirâmide social, ou seja, pondo no poder a maioria, os proletários, que seria a exclusiva força capaz de aniquilar a sociedade capitalista e edificar uma nova sociedade, socialista.

Todas essas teses apresentadas por Marx são percebidas por mim como feitas por um grande sonhador que conseguiu tocar o coração de outros grandes sonhadores, pois a sociedade a meu ver só se dá devido essa hierarquização e pela sua própria divisão de classe e acredito, seguindo o pensamento elitista, na impossibilidade de organização das massas e da incapacidade de governabilidade. E ainda creio que o capitalismo é um grande presente para a sociedade vigente, pois apresenta oportunidades a todos que tem força de vontade, mais infelizmente o prédio para se sustentar necessita de uma base sólida e ampla.

MARX & ENGELS, Karl & Friedrich in.: “ O Manifesto Comunista”, Versão para e-book, 1999,

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Amanda Panhol Bayma 27/11/09 às 19h11

Marx e o Manifesto

Marx enxerga a sociedade como a divisão entre opressores e oprimidos, independentemente da nação de tais indivíduos.

Seu texto de caráter panfletário busca unir as massas dispersas do proletariado para lutar contra a opressão da burguesia. Seu texto clássico afirma que o capitalismo e suas contradições estão fadados à ruína, e não faz essa previsão apenas em tom de possibilidade, e sim afirma com toda a certeza que tal revolução é inevitável, considerando que a expansão da burguesia não pode mais ser estendida e visto que o proletariado não possui nem mínimas condições de existência no sistema como os escravos, Marx afirma que a classe burguesa forjou as armas com que será destruída e também os homens que empunharão essas armas, os proletários.

O Manifesto Comunista expõe suas ideias em tons quase poéticos, por vezes, usando de figuras de linguagem para exemplificar como a burguesia transformou as relações sociais sagradas em uma busca desagradável pelo capital, vista claramente no seguinte trecho:

“A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades até então reputadas veneráveis e encaradas com piedoso respeito. Do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus servidores assalariados.

A burguesia rasgou o véu de sentimentalismo que envolvia as relações de família e reduziu-as a simples relações monetárias.

[...]

Tudo que era sólido e estável se esfuma, tudo o que era sagrado é profanado, e os homens são obrigados finalmente a encarar com serenidade suas condições de existência e suas relações recíprocas.”

A crítica da burguesia de Marx tem um quê de nostalgia, como se antes da burguesia as relações sociais fossem menos brutais, pois a opressão existia, mas não era escancarada como a da burguesia. A pureza da existência humana deve ser restaurada, e os homens devem escapar dessa serenidade e defender a revolução proletária.

A intenção de Marx não é afirmar que o proletariado irá assumir a posição de liderança no lugar da burguesia, e sim declarar que o mundo só será estável quando escapar da história cíclica da luta de classes. Seu objetivo é influenciar as ideias de ambas as classes, demonstrando que os ideais burgueses não são os ideais dominantes, apenas os ideais da classe dominante (pensamento exposto em ‘A Ideologia Alemã’).

O trabalho não é negativo, apenas nas condições em que é tratado na sociedade liderada pela burguesia. No comunismo, afirma Marx, o trabalho é um “meio de ampliar, de enriquecer, de promover a existência do trabalhador”. Essa ideia do trabalho ser bom à medida em que não é exagerado e busca a subsistência do trabalhador, e não a acumulação de riquezas, está presente também na Utopia de More, em que os homens trabalham pouco e, ainda assim, mais do que o suficiente. Marx defende ainda que a ideia de abolir a propriedade não é radical como afirmam seus críticos. O comunismo não pretende diminuir a individualidade do cidadão, apenas impede que haja subjugação de forças na sociedade. O individualismo e a propriedade ameaçados são apenas aqueles pertencentes aos burgueses.

Seu texto relativamente exaltado em determinados trechos tem seus motivos de ser dessa maneira: a situação da época em que os proletários eram vistos mais como instrumentos de trabalho e menos como seres humanos influenciou fortemente a escrita do Manifesto. As ideias marxistas ainda influenciam fortemente a sociedade, sendo oficial como ideologia russa e chinesa, por exemplo. Apesar da inegável influência de Marx e do comunismo, a dita inevitável revolução que derrubará a burguesia não ocorreu, e a história da humanidade continua sendo a da luta de classes.

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Luís Otávio Valente Barcellos 30/11/09 às 22h11

Manifesto Comunista

Como uma de suas teses centrais, Marx propõe a abolição da propriedade privada (argumentando que "os proletários nada têm de seu para poupar") e sua total substituição pela propriedade coletiva (estatizada) e posteriormente a supressão desta sagrada instituição capitalista.

Essa seria (e foi) uma das piores atitudes - talvez a pior de todas - que um governo revolucionário poderia tomar. Em primeiro lugar, a propriedade privada faz parte de um sistema de estímulos (lucro e renda) à produção de bens (necessários à vida humana) que garantem o equilíbrio oferta-demanda. A propriedade privada, além de incentivo à produção de bens requeridos pelo homem, também marca a posse total ou parcial de um bem por seu titular - proprietário - , dando-lhe segurança de que não será alienada por arbitrariedades do Estado nem (pelo menos de acordo com a lei) por assaltos ou furtos. Exemplificando: um agricultor só produz alimentos que sustentam certa população porque tem a certeza de que incorporará ao seu patrimônio, às suas propriedades o que de seu trabalho frutificar - a renda. Não tendo a garantia de que sua terra de fato é sua, não tendo a segurança de que ela não será confiscada, certamente ele não produziria o que mantém muitas pessoas de pé. Digam o que quiserem os esquerdistas, mas o capitalismo implantou a mais racional organização da produção material.

O erro maior do socialismo/comunismo proposto por Marx reside aí: rompe-se abrupta e radicalmente uma das instituições mais cristalizadas e bem-sucedidas até então existentes - a propriedade é condenada pela retórica marxista. Se não há propriedade, cai por terra concomitantemente o sistema de estímulos (lucro e renda) anteriormente citados. O efeito imediato que se percebeu nos países onde a proposição marxista foi levada a cabo foi a redução drástica da produção agrícola e industrial. Como não era do interesse dos governantes comunistas haver escassez (o rastro que o socialismo deixou onde passou) para se evitar rebeliões populares, o governo central desses países avançou sobre as liberdades e garantias individuais. À custa da opressão do Estado sobre seus cidadãos, que os obrigava a trabalhar onde e no que ele (Estado) quisesse, sem a menor perspectiva de se verem recompensados (o sistema de estímulos é aniquilado após a revolução) e em condições de trabalho piores que as de países capitalistas, os governos comunistas conseguiram se manter fortes, até o momento em que a asfixia do racionamento conduziu a população de volta ao capitalismo. Ou seja, as palavras de ordem no socialismo real, passado o furor da vitória revolucionária, são repressão/opressão do Estado e racionamento/escassez - bem concluiu Churchill ao dizer que "o vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual das benesses e riquezas; já o do socialismo é a distribuição por igual das misérias"

O que Marx fez não foi uma obra de valor prático. Era sabido antes mesmo de seu nascimento* que liberdade de ação (liberalismo) e igualdade (social) são inversamente proporcionais e constituem uma antinomia mais antigas de que se tem notícia. A revolução pregada por Marx não teve mérito prático nenhum, simplesmente foi a escolha de se abrir mão da individualidade em nome da coletividade. Em outros termos, Marx optou pela homogeneização da sociedade para vencer os problemas decorrentes do desenvovimento assimétrico das classes sociais - trocou liberdade por igualdade. Mérito teriam (como já tiveram) iniciativas que de alguma forma conciliassem liberdade e igualdade.

*Alexis de Tocqueville foi dos primeiros a detectar essa antinomia, em seu "A democracia na América"(1832)

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Laura Mourão Santana 01/12/09 às 09h12

Associação Partidária

O trecho escolhido foi: “Posição dos Comunistas frente aos partidos de oposição”.  Nesse trecho, Marx coloca que os comunistas apóiam diferentes partidos em diferentes países. Na França apóiam o partido democrata-socialista, na Suíça apóiam os radicais, na Polônia apóiam um partido que visa a revolução agrária... O que justifica essa diversidade de partidos é o fato de que os comunistas, ao buscarem uma revolução, têm de pensar no futuro do movimento. Dessa forma, em cada país os proletários imaginam uma forma diferente de guiar o partido uma vez que a revolução acontecer, uma forma que se adéqüe mais às peculiaridades de cada povo; levando em conta sua cultura, sua base de produção material, sua situação econômica... é claro porém, que existe um ponto sobre o qual, para Marx, todos os partidos proletários devem concordar: a necessidade de se fazer uma revolução contra a burguesia. Uma vez feita a revolução, os proletários podem divergir em outros assuntos; mas, devem estar todos unidos na hora de lutar contra a burguesia, pois a supremacia dos proletários, graças à sua superioridade em números, só se garante se estes estiverem agindo em união. Daí a célebre frase: “Proletários de todos os países, uni-vos!”

 

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Lucas Cortez Rufino Magalhães 01/12/09 às 21h12

Marx e os dias atuais

Marx nos afirma, em seu Manifesto Comunista, que “a classe operária não pode simplesmente tomar posse da máquina estatal existente e colocá-la em marcha para seus próprios fins”, tem de destruí-la.

Observa-se, hodiernamente, a liderança do governo por segmentos denominados de esquerda nos países componentes do chamado Terceiro Mundo. Tal acontecimento mostra-se mais notório quando se restringe o recorte para a América Latina, com especial atenção ao Brasil. Observa-se, nessas localidades, a ascensão de tais grupos, os quais, ao menos quando da sua formação, advogavam a causa socialista com inspiração nos ideais defendidos por Marx.

A tomada do Estado pela esquerda nos é mostrada, então, como revolucionária e inauguradora de uma nova era, especialmente pelas propagandas governamentais e partidárias. Creio que, no momento atual, seria válido questionar-nos quais os verdadeiros propósitos a nortearem a atuação dos partidos de esquerda que governam boa parte do mundo de hoje. Acredito não ser possível afirmar se confiam, verdadeiramente, na causa de Marx, segundo a qual deveriam tomar posse da máquina estatal não apenas para a consecução dos seus fins, mas para destruí-la. Existe a possibilidade real de a tomada do poder por tais grupos haver adulterado as intenções iniciais dos partidos de inspiração socialista da era atual.

Ademais, a futura avaliação do decorrer dos fatos mostra-se como a única medida capaz de nos dizer, realmente, o que aconteceu com as idéias marxistas as quais compunham o cerne da criação dos partidos de esquerda. A destruição do Estado ou a corrupção total dos que o controlam não requererá grandes esforços para ser constatada.

Bibliografia:

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do partido comunista. 2. ed. São Paulo: Martin Claret, 2008.

WEFFORT, Francisco. Os clássicos da política 2, São Paulo: Editora Ática, 2006.

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Gabriel Rezende Fialho 02/12/09 às 01h12

A Teoria da Consciência de Marx

Em seu escrito "Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel", Karl Marx expõe a sua teoria sobre a formação da consciência e a teoria da crítica à religião e à alienação religiosa. A partir da premissa de que os símbolos são representações ideacionais da vida material do homem, Marx tenta juntar a inexorabilidade do determinismo biológico da teoria darwinista, com a filosofia de Hegel. Com isso, o autor compõe um tipo humano que seria dotado de uma pauta comportamental determinada, como os animais, porém, o conteúdo desta pauta genética está em aberto, sendo preenchida pela própria atividade humana. O animal humano vai criar para si as características comportamentais a partir de seu trabalho e da consequente modificação da natureza. A vida material é, portanto, geradora da consciência. Fora desta condição de gerar significados e modificar a natureza através de instrumentos, o homem nada mais seria do que outro animal qualquer.

A produção da vida material torna-se uma questão de sobrevivência da espécie. Marx diria que os homens são animais que produzem ferramentas, não apenas no sentido de instrumentos capazes de incindir na realidade material e deixar suas marcas físicas, mas também, como idéias que constituem o espírito e que garantirá a sobrevivência subjetiva do indivíduo. Desta divisão infere-se os conceitos de infra-estrutura e super-estrutura. A super-estrutura somente pode ser entendida ao deternos em como a vida material está organizada, pois é do produto entre as relações de produção e as forças produtivas que a consciência será forjada. 

 O que Marx irá chamar de falsa consciência é justamente a ingenuidade de pensamento gerada pela divisão do trabalho - entre trabalho manual e trabalho intelectual - que se dá pela tentativa dos intelectuais ao negar que as idéias sejam produtos da realidade, quando da cisão das próprias relações de produção. A ideologia será a ferramenta para a manutenção deste status quo. A partir da crítica desta concepção idealista, Marx vai propor o materialismo histórico, em que postula que a transformações da realidade em sua forma e conteúdo, somente podem ser lidas através do processo de transformação das mesmas, ou seja, o processo de constituição da vida material é a dimensão histórica da realidade.

O conjunto de técnicas, saberes e ferramentas,  constituintes das forças produtivas, enseja um conjunto de práticas que resultam em modificações das relações sociais. São os movimentos compostos pela dinâmica entre estas forças produtivas e as relações de produção que Marx chamará de história. As relações de produção tardam mais a sentirem o impacto das invenções, mas estas atingem prontamente as forças produtivas que logo deixarão de estar em condição de estabilidade com as relações de produção.

É deste desequilíbrio que surge o espaço para a revolução social, quando a ideologia não consegue mais falsear a realidade a ponto de se tornar absurda a tentativa de ocultar tal descompasso. Como sendo mais uma forma de expressão ideológica, Marx defende que a religião seja desvelada, pois as idéias fundadoras da religião estão na base das culturas e para se fazer alguma crítica, primeiro deve-se criticar a religião. Não se trata de nagá-la, pois a partir do momento em que o homem deixa de ser parte da natureza, pois não interage com ela como os animais, mas se expressa sobre ela, o homem rompe a estabilidade da natureza. Por isso, se torna necessario para a espécie humana encontrar explicações fundacionais que gerem uma unificação de sua subjetividade no sentido de dar-lhe possibilidade de agir, sentir e pensar com vistas a sua sobrevivência como um ser a ser realizado.   

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Guilherme H. Sena Oliveira 02/12/09 às 21h12

Divisão de trabalho

O trecho escolhido foi:

"A divisão de trabalho implica a contradição entre o interesse do indivíduo isolado ou da família isolada e o interesse coletivo de todos os indivíduos que estão em relação entre si;"

Para Marx, a existência da divisão de trabalho causa um condicionamento na sociedade, fazendo com que cada indivíduo se especialize em uma atividade sem aprender nenhuma outra, tendo todas as suas necessidades satisfeitas graças ao comércio. Isso causa uma dependência do indivíduo e cria uma classe dominante para o autor. Assim, na sociedade comunista idealizada por Marx, um indivíduo não se ateria a uma única atividade, mas variaria entre as atividades em diversos dias.

Essas idéias de Marx iriam contra as idéias do economista clássico Adam Smith, para o qual a divisão de trabalho garante à economia uma maior produtividade devido à especialização dos trabalhadores. Para ele, com cada indivíduo produzindo mais, esse indivíduo estaria colocando mais produtos no mercado, o que beneficiaria a todos mesmo que esse indivíduo tenha apenas o seu interesse individual em mente. Para ilustrar essa opinião, o autor criou a célebre frase:

"não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu"auto-interesse"

SMITH, Adam. A Riqueza das Nações. Martins Fontes, 1a ed. 2003.
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Larissa Xavier Rocha 03/12/09 às 11h12

Marx e o materialismo histórico

Na perspectiva do materialismo histórico, as mudanças tecnológicas e do modo de produção são os dois fatores principais de mudança social, política e jurídica.Segundo a doutrina do materialismo histórico de Marx, os interesses que movem a sociedade são materiais, traduzidos pelas necessidades de sobrevivência. A história, que tem por motor a luta de classes, é formada pelo conjunto dos modos de produção já existentes ou que podem existir. Seria a situação concreta que condiciona o homem. O modo de produção que condiciona o modo de vida social, político e intelectual. Nessa análise, as condições miseráveis de vida seria a razão pela qual o homem não se realiza plenamente como homem.

Marx se propõe a estudar a apropriação da força do trabalho, a dinâmica das relações de produção versus benefícios reais adquiridos pela classe proletaria. Nessa análise, Marx situa o ser humano como ser social, marcado profundamente pela classe social a qual ele pertence.

Segundo o materialismo histórico de Marx, a luta de classes é o motor da história. O triunfo do proletariado e o surgimento de uma sociedade sem classes seriam alcançados mediante a união da classe trabalhadora organizada em torno de um partido revolucionário.  

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Pedro Lucas de Jesus Boareto 03/12/09 às 15h12

Questão Única

A presença mais marcante nos textos de Marx não há duvidas que é a questão da luta de classes. O problema é que muitas vezes Marx limita a explicação de qualquer fenômeno social à essa luta. É inegável a carga teórica contida nos excertos, Marx constrói a argumentação de maneira clara.

                Ao afirmar que a expansão e a evolução tecnológica do capitalismo significam enriquecimento da burguesia, mas ao mesmo tempo significa dar meios para o fim desse sistema, Marx diz que ao evoluir a tecnologia necessariamente se evolui quem opera ela, a classe operaria, e evolução dessa classe trará problemas ao sistema vigente visto que essa classe é oprimida pela superestrutura e sendo fruto dessa opressão, a classe operaria é a única classe realmente revolucionaria e a burguesia estaria fortalecendo justamente essa classe.

Apesar de concordar com essa linha de raciocínio de Marx, eu acredito que Marx foi um tanto quanto utópico ao afirmar que a tendência é que os proletários do mundo inteiro se uniriam para a realização de uma revolução. No mundo hoje temos uma integração dos meios de comunicação nunca vista antes, o fenômeno da globalização trouxe a integração mundial, mas o proletariado do mundo não foi capaz de se integrar. A meu ver foi pela incapacidade de achar um ponto comum de interesse entre eles e também pela falta de articulação regional que a utópica união de Marx não ocorreu.

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