Barroco

Com relação ao contexto cultural em que viveu John Locke temos em destaque e característico desse período, século XVII, o Barroco. Nascendo aproximadamente no século XVII e seguindo, ainda em destaque, até as primeiras décadas do século seguinte, séc. XVIII, o Barroco nasce em contraposição ao Renascimento e sua valorização da razão, que tendia para uma difusão constante, uma popularização, do raciocínio lógico, para uma liberdade de crítica e expressão.  O fato de ir o Renascimento e ao que ele estava ligado contra os objetivos da então Igreja Católica Apostólica Romana estava no fato de que não tencionava esta que houvesse um desenvolvimento da capacidade crítica, o hábito do pensar e questionar, da população de modo que assim poderiam continuar a manter o monopólio do pensamento, claro que esta é apenas uma interpretação como muitas outras. A Igreja, no século XVI, havia sofrido grandes perdas, tanto de seu poder temporal quando de seu poder “eterno”, que durante o decorrer da Idade Média cresceu até chegar ao ponto de ser dona de grandes extensões de terra no território europeu e “dona”, se é que assim se pode falar, do conhecimento existente na época, que difundia e propagava da forma que conviesse, de modo a fortalecer e manter seu próprio poder. Tais perdas forma devidas, em parte, à cisma Protestante, tendo como figuras de destaque Lutero e João Calvino, que retirou da instituição a hegemonia sobre o poder dito eterno, que era o poder religioso, divino, que passou, em algumas regiões, às mãos dos protestantes e em outras ficou dividida entre ambos. A adoção das chamadas monarquias absolutistas, ocorrendo grande concentração do poder secular nas mãos dos monarcas e passando tal a ser considerado o único detentor legítimo do poder, representando, inclusive, a palavra de Deus na Terra, ficou impossível a partilha de tal poder coma Igreja, que se viu de tal modo limitada tanto em suas posses quanto em seu poder de influência. Não devendo ser deixado de lado que tanto na Reforma Protestante quanto na formação dos Estados Absolutistas houve grande participação e apoio da burguesia crescente que, condenada pela Igreja devido sua busca pelo enriquecimento e dedicação ao terreno viu na Reforma a possibilidade de existência de uma religião que não lhes condenasse por sua forma de vida e tendo na possibilidade de um Estado unificado e assim uma única tributação, uma maior previsibilidade da mesma, maior facilidade nas relações comerciais, sendo tais motivos pelos quais deram apoio tanto à um movimento quanto ao outro.

No século XVII se mostrou necessário adotar uma nova estratégia de modo a atrair novamente os fiéis, quanto a isso não me refiro a Contra-Reforma, e para isso o desenvolvimento de uma arte própria capaz de representar fielmente o pensamento e visão católica se mostrou uma excelente opção, assim, no séc.XVII em Roma, se desenvolveu o Barroco. Essa forma de arte, de expressão, aproveita o desenvolvimento artístico promovido pelo Classicismo e dando a ele uma nova estética que passava a valorizar os sentimentos, a religiosidade, a capacidade de provocar comoção, chegando em muitos casos a se mostrar de forma exagerada, sendo inclusive esta uma de suas características mais notável. Esse espírito religioso e místico tomado da Idade Média contrapôs, como já foi dito acima, o Renascimento e sua busca pelo equilíbrio, pela razão, pela lógica tomado do período Clássico e nisso também se contrapôs ao pensamento empirista, científico que vinha ganhando popularidade nas cidades e principalmente dentro da classe burguesa.

O Barroco não foi o estilo que predominou no período única e exclusivamente por ter sido uma inovação, uma novidade, foi o estilo que predominou por ter retratado o pensamento da população que viveu em tal período. A dualidade barroca do claro e escuro, do certo e errado, do bem e do mau, do terreno e do divino, o exagero das emoções e pensamentos, o retratação de um povo perdido entre uma antiga cultura, ligada à fé e a busca pela salvação da alma herdada do período medieval, e uma nova cultura que vinha se desenvolvendo, ligada à um maior materialismo e cientificismo tomando impulso com o desenvolvimento industrial.

 

Escultura barroca: caracterizada pelo dramatismo, pela atenção, por um detalhamento de expressões, de movimentos tanto de indumentárias quanto do próprio corpo da personagem representada.

Alguns escultores de destaque foram Gian Lorenzo Bernini, Joaquin Machado de Castro, António Ferreira. No Brasil tivemos o Aleijadinho.

 

Arquitetura barroca: nas construções barrocas percebe-se uma clara distinção desta das construções classicistas, tendo nestas a valorização das formas retas, do equilíbrio e harmonia enquanto naquelas se busca uma libertação acrescentando formas curvas, convexas, côncavas e fazendo-as interagir entre si e entre elas e as formas retas, dando a impressão de movimento, há a tentativa de quebrar com o equilíbrio tão valorizado anteriormente.

 

Pintura barroca: as pinturas, além das características mencionadas anteriormente, que também podem ser aplicadas a ela, se utilizam muito da noção de profundidade, fruto da tentativa de um maior detalhamento, a cena pintada, ao contrário das pinturas renascentistas, havia o hábito de adotar formas abertas dando a impressão de a cena ultrapassar a própria pintura. Com relação a isso tem também a técnica chamada de Trompe-l’oeil, que fazendo uso de perspectiva, faz passar a impressão da pintura, elementos dela, com uma continuação da própria estrutura onde foi pintada. Outro técnica bastante usada é a chamada de chiaroscuro definida pelo jogo de sombra e luz, pelo contraste.

                                                                                                                                                                                          

                                                                                                                                                     

Sumário

Boletim Arcos

Cadastre-se para receber nosso boletim informativo
E-mail:

ok


Acompanhe o Arcos nas redes sociais


Licença Creative Commons | Atribuição | Uso Não-Comercial | Vedada a Criação de Obras Derivadas
Alguns direitos reservados
Exceto quando assinalado, todo o conteúdo deste site é distribuído com uma licença de uso Creative Commons
Creative Commons: Atribuição | Uso Não-Comercial | Vedada a Criação de Obras Derivadas

Como seria o Vade Mecum dos seus sonhos?

Estamos trabalhando em um Vade Mecum digital, inteligente, acessível e gratuito.
Cadastre-se e tenha acesso antecipado e gratuito à nossa versão beta.