Contexto Histórico

 

O período e o país em que Locke nasceu foram marcados por conflitos políticos, religiosos e sociais intensos e incessantes, tendo como palco duas marcantes tormentas, que almejavam sacudir as bases monárquicas absolutistas inglesas, conseqüência da crise verificada no Antigo Regime: a Revolução Puritana e a Revolução Gloriosa. Ambas fazem parte do mesmo processo revolucionário e serviram de impulso para o desenvolvimento do capitalismo e da Revolução Industrial.

Os principais expoentes da dinastia Tudor foram Henrique XVII, fundador do anglicanismo, e Elizabeth I; essa dinastia se empenhou na unificação do país, domínio da nobreza, afastamento em relação ao Papa, confisco dos bens da Igreja, e a disputa por colônias com os espanhóis. Nesse período, deu-se também a formação de monopólios comerciais, a exemplo da Cia das Índias Orientais; como bem sabemos, monopólios vão contra a noção de livre mercado, o que suscitou a divisão de interesses da burguesia. Com a valorização dos produtos agrícolas e seu conseqüente aumento de preço, as terras tornaram-se mais caras e isso incentivou os grandes proprietários de terras a aumentarem suas propriedades, por meio da privatização de terras coletivas. Com isso, camponeses foram expulsos de suas terras e ovelhas passaram a ser criadas nesses espaços, com vistas à produção de lã.

A Dinastia Stuart teve início após a morte de Elizabeth I, em 1603. De Jaime I, rei da Escócia e que defendia uma monarquia absolutista, a Carlos I, seu filho, houve uma série de atritos entre a monarquia e o parlamento, que resultaram em sucessivos fechamentos e aberturas deste. Esses atritos culminaram com a Revolução Puritana, do lado real e apoiados pelos senhores feudais, estavam os cavaleiros; e do lado do exército do Parlamento, os cabeças-redondas, liderados por Oliver Cromwell. O resultado foi a vitória dos partidários do parlamento, na batalha de Naseby, em junho de 1645, e a captura e decapitação de Carlos I em janeiro de 1649. É interessante notar que Locke, justifica em suas obras posteriores, vários ideais propostos pelos cabeças-redondas, a saber: o livre comércio para os pequenos produtores, a proteção e preservação das pequenas propriedades, fim do pagamento do dízimo à igreja, separação da igreja e do estado (crítica ao absolutismo divino) e fim dos cercamentos (propriedade como direito natural).

Após esse período, Cromwell assume a chefia do Estado, defende os interesses burgueses, “restabelece a ordem política, religiosa, fincanceira e administrativa em um país agitado e dividido” (MICHAUD, 1991); além disso, ele tenta de várias formas sufocar qualquer tipo de reação monarquista e se autodenomina Lorde Protetor inglês, título que lhe dava, na prática, os mesmos poderes de um rei; e acabou impondo a ditadura puritana, reflexo de seu governo rígido e intolerante. Após a morte de Cromwell, em 1658, seu filho Richard assumiu o poder, mas logo foi deposto.

O período posterior se inicia em 1660 com a Restauração, quando Carlos II, da família Stuart, e, posteriormente seu irmão Jaime II, assumem o poder. Em 1688, após a Revolução Gloriosa, Jaime II foge para a França e é substituído por Guilherme de Orange, genro de Jaime II, a convite do Parlamento. Orange ficou no poder sob condição de aceitar a Declaração de Direitos, que limitava o poder do rei e estabelecia uma monarquia constitucional e parlamentar.

 

Bibliografia

 

MICHAUD, Yves. Locke. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor, 1991.

 

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