Contexto Cultural-Geográfico

Maquiavel foi um dos maiores pensadores do Renascimento Cultural na Europa dos séculos XV e XVI. Dizer isso significa que o humanismo, o afastamento dos valores até então hegemônicos da Igreja Católica e a busca por explicações racionais são atributos presentes na sua obra. Em “O Príncipe”, ele apresenta uma perspectiva realista da natureza humana, visando a reforma da sociedade italiana e a criação de uma forma segura de vida civil. Os princípios republicanos de Maquiavel radicados numa visão pragmática das relações de poder e a separação entre a moral cristã e a ética política foram sua contribuição mais original para o mundo moderno, no contexto do Renascimento.

Esse período pode ser considerado como anunciador da Idade Moderna, e caracterizado pela ascensão do indivíduo, pelo recrudescimento da pesquisa científica, da exploração geográfica, e dos valores seculares. Cabe reconhecer, então, que os pensamentos maquiavélicos são também motivados pelo contexto cultural da Itália de sua época, que analisaremos a seguir.

Por volta do século XV, o estudo intensivo do grego, bem como de clássicos do latim, da arte antiga, da história clássica e da arqueologia, deu aos estudiosos do Renascimento uma visão mais sofisticada da antiguidade, que os fez romper com a tradição teológica imposta pelo Papado, procurando outras formas e estruturas de pensamento que não fossem somente às vindas das fontes cristãs, passando então a:

1. Buscar a verdade pela experimentação, observação e razão, no intuito de transformar a realidade;

2. Perseguir o progresso material e intelectual;

3.Reconhecer a perfeição da natureza, em destaque seu elemento mais importante: o homem; e

4. Separar a jurisdição da fé (o céu e o espírito) da da razão (a Terra as relações materiais).

Haja vista a nascente iniciativa de perquirir, nenhuma filosofia ou ideologia única dominou a vida intelectual do Renascimento. Os primeiros humanistas sublinharam uma abordagem flexível para os problemas da sociedade na formulação de meios para uma convivência amigável entre os seres humanos. Na segunda metade do século XV, alguns pensadores renascentistas como Marsilio Ficino, da Academia Platônica de Florença, deteram-se também à especulação metafísica. Na filosofia, houve um manifesto esforço no sincretismo, para combinar filosofias aparentemente conflitantes, e encontrar um terreno comum para o acordo sobre a verdade, como apresenta Giovanni Pico della Mirandola em sua Oração sobre a Dignidade do Homem (1486). A ciência renascentista consistiu principalmente do estudo da medicina, da física e da matemática, sob a enorme influência dos antigos mestres, como Galeno, Aristóteles e Euclides. Cabe salientar, também, a ciência experimental em anatomia de Da Vinci, de repercussão inconteste até os dias atuais¹.

Voltando, como Maquiavel, o foco à Itália, vale também ressaltar a interferência geográfica no fato desta península ter sido o berço do movimento renascentista. O que pode justificar tal relação é a sua maior tradição clássica, representada pelos monumentos romanos e gregos (estes últimos da antiga Magna Grécia); a maior influência bizantina na região, devido ao contato comercial direto com Constantinopla, cujos intelectuais emigraram em grande número para a Itália quando os turcos tomaram aquela cidade, em 1453 e, a já citada maior pujança econômica das cidades de Gênova, Veneza, Milão e Florença, que comandavam o comércio no sul da Europa².

É inegável, portanto, que a cultura da Itália dependeu das altamente competitivas e avançadas áreas urbanas “renascentes”. Ao contrário da Inglaterra e da França, a Itália não possuía capital dominante na época de Maquiavel, mas desenvolveu uma série de centros de estados regionais: Milão para a Lombardia, Roma para os Estados Pontifícios, Florença e Siena para a Toscana, e Veneza para a Itália do nordeste (ver mapa). Durante o intervalo de relativa paz em meados do século XV até as invasões francesas de 1494, a Itália experimentou o narrado grande florescimento da cultura, principalmente em Florença e Toscana sob a dinastia dos Médici, tão citados no livro. O período brilhante da realização artística continuou no século XVI - a idade de Leonardo da Vinci, Rafael e Michelangelo - mas como a Itália começou a cair sob a dominação estrangeira, o foco passou gradualmente a ser transferido para outras partes da Europa.

OBS: mapa em anexo.

¹ http://www.jornaldacidade.net/vest_arquivos/24_Renascimento.doc

² http://www.navigo.com/wm/paint/glo/renaissance/

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Referências

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http://www.navigo.com/wm/paint/glo/renaissance/

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2003/11/07/000.htm

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