O Contexto Histórico

Montesquieu viveu na época do absolutismo francês, nascendo durante o reinado de Luís XIV (o “Rei Sol”), que governou a França de 1643 a 1715. No campo cultural, Montesquieu, na condição de um dos maiores autores do século XVIII, presenciou uma época de grande efervescência cultural, do iluminismo, e da transição do barroco para o rococó, período em que a França era o maior centro cultural da Europa. Esse progresso só se deu por conta da excelente fase que o país estava passando, já que era uma grande potência ultramarina, graças ao comércio com a Índia e Madagascar, e às suas terras na América do norte.

 No final do século XVII, no entanto, a situação começa a piorar devidos aos gastos exagerados da corte e às guerras em que a França começou a se envolver. A primeira delas, a Guerra da Grande Aliança (1688-1697), gerou grande fome e insatisfação popular.

 Pouco tempo depois, em 1702, a França se viu forçada a se envolver na Guerra da Sucessão Espanhola, que trouxe mais gastos e desaprovação por parte da população. Em 1709 a França estava à beira da derrota, mas Luís XIV fez um apelo ao povo para salvar o país. Ganhando um número substancial de recrutas, o exercito do país pôde lutar até 1714, quando ratificou os tratados de Rastatt e Baden com a Áustria, terminando o conflito.

 Um ano depois, em 1715, Luís XIV veio a falecer, e o rei Luís XV assumiu o trono com apenas cinco anos. Durante seu reinado houveram dois regentes: o Duque de Orleans, que liderou o país durante a Guerra da Quádrupla Aliança (1718-1720), falecendo em 1723; e o Duque de Bourbon, que liderou o país durante um grande período de paz e prosperidade que durou até 1733 com as guerras das sucessões polonesa e austríaca, durante a qual o regente morreu.

 Assumindo o governo no meio da Guerra da Sucessão Austríaca, Luís XV se mostrou um péssimo governante, trazendo mais gastos e descontentamento para o povo francês, o que contribuiria, décadas mais tarde, para a revolução francesa. Toda essa problemática no Estado Francês, além do surgimento da Monarquia Constitucional na Inglaterra no final do século XVII, fez com que Montesquieu se interessasse e escrevesse sobre política.

 Devido ao iluminismo, o período em que Montesquieu esteve vivo foi de grande produção científica. O iluminismo não é uma escola de pensamento, mas um grupo de valores seguido por pensadores da época, que tinha como núcleo o questionamento crítico das instituições, costumes e moral tradicionais. Alguns dos principais pensadores contemporâneos do autor de “Cartas Persas” foram Dalembert e Diderot, franceses que escreveram “A Enciclopédia”; François Quesnay, economista francês que liderou a escola do pensamento clássico; Adam Smith, um pensador econômico liberalista escocês; e David Hume, um dos fundadores do empirismo moderno.

 Na literatura, grandes nomes da época foram Daniel Defoe (Robinson Crusoé e Moll Flanders), Jonathan Swift (As Viagens de Gulliver) e Alexander Pope (Ensaio sobre o Homem). Na pintura pode-se citar Jean Baptiste Chardin, Nicolas Lancret e Jean Marc Nattier. Na parte da música têm destaque o alemão Johan Sebastian Bach e o italiano Antonio Vivaldi.

Fontes:

PESSANHA, José Américo M.; e LAMOUNIER, Bolívar. Os Pensadores - Montesquieu - Vida e Obra. São Paulo, Abril Cultural, 1973.

ROUANET, Sergio Paulo. As razões do Iluminismo. São Paulo, Companhia das Letras, 1987.

VICENTINO, Claudio. História Geral. São Paulo, Scipione, 2004.

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