Contexto Histórico-cultural

        Nascido em 1588, na Inglaterra dos Tudor, Thomas Hobbes foi influenciado pela reforma anglicana que ocorrera cinco décadas antes. A cisão com a Igreja Católica fez com que a Espanha interviesse nos assuntos ingleses enviando a Invencível Armada (“Grande y Felicíssima Armada”) fato que mais tarde seria relatado por Hobbes em sua autobiografia e terá grandes influências sobre sua obra. O século XVII foi de grande importância para a Inglaterra pois marca o começo do expansionismo colonialista ultramarino inglês, com a fundação de Jamestown, a primeira colônia inglesa nas Américas, em 1607. É também no século XVII que são lançadas as bases do capitalismo industrial na Inglaterra com a Revolução Gloriosa já na década de 80 do século XVII. É durante esse período que a Marinha Inglesa irá se consolidar como a maior e mais bem equipada marinha do globo, só perdendo a posição para os EUA no pós-2ª Guerra Mundial. A poderosa marinha irá contribuir para o acúmulo de capitais que irá financiar o expansionismo colonial, e mais tarde, industrial inglês.

        O século XVII na Europa continental é o marco do absolutismo monárquico, tendo seu expoente máximo o Luis XIV, o Rei Sol que ficou famoso pela frase “L’État c’est moi” (O Estado sou eu). O Barroco também marcou o período e tinha influência da Contra-reforma (representado na Inglaterra pela revolução anglicana). A filosofia do barroco se baseava no dualismo existente entre o hedonismo e o medo do pecado ou fervor religioso – enquanto que a busca pelo essencialmente humano já havia começado no Renascimento; havia o receio do divino sobrenatural que poderia punir o terreno e transitório.

        Quando Hobbes tinha 30 anos e já havia visitado a Europa continental pela primeira vez, uma revolta na Boêmia daria início à Guerra dos Trinta Anos, fato que irá reforçar para Hobbes a sua própria visão pessimista acerca da natureza humana destrutiva. Apenas 12 anos após o início da guerra no continente europeu, disputas políticas entre o Parlamento e o Rei inglês dão início a uma guerra civil na Inglaterra que perdurará por 10 anos.

A Guerra Civil

Antecedentes

       As causas da Guerra Civil Inglesa podem ser traçadas desde 1625 quando o Rei Carlos I casa-se com uma francesa católica, e isso irá contrariar os puritanos que correspondiam a um terço do Parlamento. Em 1626, Carlos I nomeia o Duque de Buckingham (um parente seu) para ministrar a guerra contra a Escócia, o que contraria o parlamento. O rei então acusa o parlamento de incompetente e o desfaz. Em março de 1628, o rei convoca um novo parlamento que tem como líder Oliver Cromwell e em junho do mesmo ano o parlamento elabora a Petição de Direitos que procura aumentar a importância do Parlamento frente ao rei e em uma das questões da Petição alegava o consentimento do parlamento para o aumento dos impostos, ou mesmo a criação de um novo. Carlos tenta então aprovar um imposto sobre mercadorias importadas, porém o Parlamento veta a criação do novo imposto e é fechado pelo rei. Durante 11 anos Carlos I reina sem um parlamento e esse período fica conhecido como os “Onze anos de Tirania”. 

        Buscando aumentar sua influência religiosa na Escócia, Carlos envia bispos anglicanos para lá, mas eles são rejeitados e isso faz com que o monarca inglês declare guerra à Escócia em 1639 – essa guerra ficou conhecida como Guerra dos Bispos e durará até 1640 com a derrota de Carlos I. Procurando aumentar os impostos para cobrir os custos de guerra, o rei convoca um novo parlamento que recusa aumentar os subsídios e portanto é fechado em poucas semanas; essa convocação fica conhecida como “Curto parlamento” (Short Parliament). Ainda em 1640 um novo Parlamento é convocado (o Longo Parlamento), mas dessa vez os parlamentares bastante insatisfeitos com a conduta do rei já demonstram a vontade de derrubá-lo e de fato declaram guerra a ele quando se sentiram insultados vendo o rei enviar um exército irlandês católico lutar na guerra contra a Escócia.

1ª Guerra Civil (1642 – 1645)

        Em julho de 1642, as forças parlamentares com apoio dos centros urbanos ingleses - e liderados por Oliver Cromwell que elabora o New Model Army (Novo Modelo de Exército) -derrotam o monarca inglês que possuía apoio das áreas rurais do país. O rei então é preso mas foge e fica escondido por 2 anos.

2ª Guerra Civil (1647-1648)

        Prometendo benefícios e terra aos escoceses, Carlos I consegue formar um exército escocês que invade a Inglaterra pelo norte, no entanto, mais uma vez é derrotado pelas forças parlamentares. Pela aliança feita com os escoceses Carlos I é condenado traidor e executado no palácio de Whitehall em 1649.

3ª Guerra Civil (1650-1651)

        Carlos II se vendo insultado com a morte to pai, sai do exílio na França, forma um exército que consegue entrar bastante dentro do território inglês mas ainda assim perde para as forças parlamentares e é obrigado a fugir de volta à França.

Conseqüências

        Vitorioso em praticamente todas as batalhas, Oliver Cromwell instala a Comunidade da Inglaterra (Commonwealth of England) em 1649 que mais tarde converte em O Protetorado ou Comunidade da Inglaterra, Escócia e Irlanda (Commonwealth of England, Scotland and Ireland) até 1660. Durante esse período Oliver Cromwell governou com mão de ferro e muitas vezes esse período é chamado de “Ditadura de Cromwell”. Oliver morre em 1659 e seu filho, Ricardo Cromwell assume como Lorde Protetor. Ricardo convoca um novo Parlamento, mas este o derruba e chama Carlos II para assumir o poder em 1660, contanto que o novo monarca respeitasse as vontades do Parlamento.

Referências:

http://www.british-civil-wars.co.uk/ (acessado em 15/09)

http://www.theteacher99.btinternet.co.uk/ecivil/index.htm (acessado em 15/09)

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