More viveu o período do Renascimento Cultural, na fase do Cinquecento ou Alta Renascença, inaugurando o pensamento utópico deste movimento. Tão influenciado pela cultura clássica quanto seus contemporâneos, More tirou do grego o termo que intitula sua mais consagrada obra (e, por extensão, à ilha onde se passa a história): utopia deriva do grego "ou-topos", que quer dizer "não-lugar". More e Maquiavel - cada um a seu modo - deram origem ao pensamento político moderno, tal qual os renascentistas criaram um novo padrão artístico que se espalhou pelo continente europeu e também afinado à modernidade. Se a Renascença significou a renovação da arte, abandonando seus traços medievais rumo a um novo paradigma, de caráter humanista, More não menos renovou, juntamente com Maquiavel, a forma de se entender a política - não mais baseada no divino, no sobrenatural, no sagrado, mas em instituições criadas e controladas pelo homem.
Os mesmos ideais filosóficos renascentistas estiveram marcadamente presentes na obra de escritores modernos como More: antropocentrismo, humanismo, neoplatonismo (monismo filosófico: a realidade como um todo, como uma unidade indissociável), racionalismo (a busca da razão como explicação para os fenomênos ao nosso redor, crença menos radical que no Iluminismo), individualismo, entre outros.