Thoreau

Diálogos

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Gabriel Rezende Fialho 10/11/09 às 13h11

Biografia

  • Thoreau nasceu no dia 12 de julho de 1817 na cidade de Concord, no estado de Massachusetts, Estados Unidos.
  • Era o terceiro de uma família de quatro filhos. Filho de John Thoreau, um lojista falido que se tornou fabricante de lápis, e Cynthia Dunbar, filha de um ministro Congregacionista.
  • Apesar das dificuldades financeiras enfrentadas por sua família, Thoreau sempre estudou nos melhores colégios, e em 1833, quando tinha apenas 16 anos, entrou para Harvard College.
  • Formou-se em 1837 no curso de Literatura Clássica.
  • Logo após ter se tornado bacharel começou a dar aulas em uma escola de ensino fundamental, Center School, em Concord. Não concordava com a disciplina adotada por esta escola, a qual julgava necessário açoitar seus estudantes, por isso decidiu sair e, juntamente com seu irmão, John Thoreau, fundou uma escola em Parkman House.
  • Dava aulas ao ar livre, e tentava enriquecer a existência dos estudantes com piqueniques a margem dos rios e passeios pelos campos. A escola prosperou sem a prática do açoitamento.
  • Seu irmão morreu em 1842, morte ocasionada por tétano. Por esse motivo, Thoreau largou o magistério.
  • Em 1837, conheceu Ralph Waldo Emerson, pessoa que exerceu grande influência em sua vida. Emerson era transcendentalista (idéia baseada na eternidade do homem).
  • Thoreau mostrou a Emerson seu diário, que havia começado a escrever em outubro de 1837, incentivado por um de seus professores em Harvard (William Ellery Channing). Emerson, impressionado com o dom de Thoreau para a expressão, convidou-o para participar dos encontros literários, conhecidos como Clube Transcendental, realizados em sua casa em Concord.
  • Em 1845, aos 28 anos, resolveu isolar-se em uma cabana, que construiu com as próprias mãos, à beira do lago Walden Pond. Quem lhe deu essa idéia foi seu amigo e professor Channing. Seu isolamento não foi total, ao contrário do que é amplamente divulgado.
  • Durante o período em que morou em sua cabana, dedicou-se ao seu primeiro livro, um tributo ao seu irmão: “Uma Semana no Concord e nos Rios Merrimack”.
  • Deixou a cabana em 1847 e foi viver na casa de Emerson. Depois de dois anos voltou para a casa de seus pais, indo trabalhar na fábrica de lápis. Exerceu também o ofício de agrimensor.
  • Foi preso por não pagar seus tributos (sua prisão foi uma forma de protesto contra o Estado). Era contra a escravidão, ajudando muitos escravos negros em sua fuga.
  • Durante toda a sua vida adulta, Thoreau sofreu de tuberculose intermitente. Em 1860, teve bronquite, que piorou a tuberculose. Morreu no dia 6 de maio de 1862, com 44 anos. O seu velório, realizado três dias depois, estava lotado.
  • Thoreau deixou para trás milhares de manuscritos incompletos. Sua irmã Sophia, Channing e Emerson trabalharam na edição de vários livros após sua morte.
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Gabriel Rezende Fialho 10/11/09 às 14h11

Desobediência Civil (1848) - apontamentos de leitura

"O melhor governo é o que menos governa (...) No melhor dos entendimentos, o governo nada mais é do que um artifício conveniente. Todavia a maioria dos governos é muitas vezes uma inconveniência, e todo governo acaba sendo inconveniente em alguma época".

  • Henry David Thoreau era um abolicionista e estava em campanha contra a escravidão nos Estados Unidos. Além do mais, este país empregara uma guerra contra o México (1846-1848) resultado da "expansão para o oeste" e que resultou na anexação dos estados do Texas, Novo México e Califórnia. O estado natal do autor, Massachusetts, entrara em uma quimera com o estado da Carolina do Sul, que havia prendido um negro que estava a bordo de um navio daquele estado. No entanto, Massachusetts saiu derrotado na questão e seu enviado diplomático quase foi preso.  Diante deste panorama conjuntural, Thoreau se mostra descontente com o governo dos Estados Unidos e, em especial, com o governo estadual. O fato da Guerra contra o México ter sido empreendida pelos fazendeiros do sul, que desejavam ampliar suas terras, representou para o autor, a instrumentalização do Estado em nome de interesses particulares. Os princípios dos fundadores do Estado norte-americano estariam sendo desvirtuados. Por isso, a sua defesa de um governo, no qual a maior virtude seria não se opôr aos "empreendimentos realizados pelo caráter próprio do povo".

"O governo é um artifício no qual os homens conseguem deixar em paz uns aos outros".

  • O texto é concebido com base nas idéias que fundamentam as teorias individualistas de Kant e Rosseau. Nesta concepção, o direito primário do homem é o direito à vida, pois este é o bem superior na qual ele é portador. De acordo com esta moral, um indivíduo não tem o direito de atrapalhar, interromper, impedir, o desenvolvimento da vida de outro indivíduo, dado este caráter universal da premissa. Para assegurar o cumprimento deste contrato, é forjado um Estado, cujo papel é evitar os efeitos perversos da associação e zelar pelos direitos do ser moral que é o homem. A sociedade tem por objeto o indivíduo, único ente real em que ela pode atuar. Diante disso a idéia para Thoreau de que o governo serve para garantir os direitos elementares dados e formulados pelos indivíduos, devido à sua característica intrínseca. Este ser supremo que é o indivíduo torna-se a entidade que detém a legítima prerrogativa de se auto-governar e, que portanto, pode-se rebelar contra um governo ineficiente e tirano, ou seja, contra as políticas que este governo adota como hábitos e as leis que dela emana. Para Thoreau o respeito às leis não deve ser colocado no mesmo patamar que o respeito ao direito. O autor fica estupefato com a posição de "máquinas" que muitos de seus concidadãos adotaram perante as designações do governo, já que estes concidadãos prestam lealdade a um estado escravista e invasor, mesmo que se oponham a estas políticas.

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Gabriel Rezende Fialho 10/11/09 às 15h11

Desobediência Civil (1848) - apontamentos de leitura

“O motivo prático de se atender a esta maioria não é porque seja mais sábio, ou justo, é porque ela é fisicamente mais forte”.

  • Thoreau se opõe à lógica utilitarista o qual o princípio ético é o da maior felicidade para o maior número de pessoas. Ao contrário, ele postula que quando o indivíduo se dedica a algo, este deve estar atento se não está ferindo os direitos individuais de outros. Nos Estados Unidos os direitos estão consagrados, pois como afirmou Alexis de Tocqueville em "A Democracia na América", como aquela sociedade é igualitária desde a origem, o senso comum possui um interesse bem esclarecido. Mas para Thoreau o país passa por uma época em que faltam homens de coragem e de ação. Estes indivíduos apesar de saberem o que é a virtude e qual o fim a ser perseguido para alcançá-la (teoria individualista), nada fazem antes que a maioria decida consensualmente sobre os rumos do governo, para ele seria "uma moral pessoal sem o interesse pela vitória". Apoderando de um termo de Tocqueville, o de "tirania da maioria", podemos contrapô-lo à visão de Thoreau, que não reconhece o poder execido pelas instituições na socialização dos indivíduos. 

"A ação que modifica as relações baseadas em princípios (percepção e execução do que é certo) é revolucionária, traz o novo".

  • Segundo Thoreau o direito à revolução (ou resistência pacífica - que ele usa como sendo sinônimos) é reconhecido por todos, desde que estes percebam que o governo é tirano e ineficiente. Umm governo nos Estados Unidos é apoiado pelas idéias de soberania popular e de democracia majoritária, aí está a sua legitimidade. Para se retirar esta legitimidade a maioria deve decidir por isso. Para Thoreau a minoria, desde que não esteja conforme a maioria, torna-se uma força irresistível e ofensiva, quando os homens de espírito resolvem agir. E como se deve proceder? O autor defende que a única transgressão que o Estado não prevê é a transgressão deliberada e prática da sua autoridade. "No momento em que o súdito negou lealdade e o funcionário renunciou ao cargo, a revolução pacífica se completou". Nesta visão romântica, Thoreau admite que as relações sociais se dão por uma força humana, na qual se pode resistir com alguma efetividade. Por isso, ele traça um modelo ideal de Estado, em que o governo só atuaria nos limites do direito concedido pelos indivíduos, com uma autoridade consentida pelos governados, reconhecidos pelo Estado como o poder maior e independente do qual a organização política deriva seu poder e autoridade. E por fim, um Estado que respeitasse os cidadãos que quisessem viver à parte dele, como o próprio Thoreau, que viveu isolado em uma mata, durante um tempo de sua vida.
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Manuel Socorro Lopes Gonçalves 12/11/09 às 23h11

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thoreau como sabemos ele e um dos grande tioricos de politica da politica moderna.esse texto dele tem com base nas idéias que fundamentam as teorias individualistas de Rosseau. Nesta anologia, o direito primário do homem é o direito à vida, pois este é o bem superior na qual ele é portador. De facto com esta moral, um indivíduo não tem o direito de atrapalhar, interromper, impedir, o desenvolvimento da vida de outro indivíduo, dado este caráter universal da premissa. Para assegurar o cumprimento deste contrato, é forjado um Estado, cujo papel é evitar os efeitos perversos da associação e zelar pelos direitos do ser moral que é o homem. A sociedade tem por objeto o indivíduo, único ente real em que ela pode atuar. Diante disso a idéia para Thoreau de que o governo serve para garantir os direitos elementares dados e formulados pelos indivíduos, devido à sua característica intrínseca. Este ser supremo que é o indivíduo torna-se a entidade que detém a legítima prerrogativa de se auto-governar e, que portanto, pode-se rebelar contra um governo ineficiente e tirano, ou seja, contra as políticas que este governo adota como hábitos e as leis que dela emana. Para Thoreau o respeito às leis não deve ser colocado no mesmo patamar que o respeito ao direito. O autor fica estupefato com a posição de "máquinas" que muitos de seus concidadãos adotaram perante as designações do governo, já que estes concidadãos prestam lealdade a um estado escravista e invasor, mesmo que se oponham a estas políticas. Além disso, como argumenta o autor, à priori, não se busca simplesmente a abolição do governo, mas um governo melhor. Também entre os alunos as ações de protesto não acabaram simplesmente com a renúncia do reitor, mas com a instituição do voto paritário e, consequentemente, com a promessa de administrações mais justas e legítimas.

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Gabriel Rezende Fialho 08/12/09 às 23h12

Obras

  • 1839 - Uma Semana nos Rios Concord e Merrimack;

  • 1849 - A Desobediência Civil;
  • 1854 - Slavery in Massachusetts;

  • 1854 - Walden, ou andar nas matas;

  • 1860 - A Plea for Captain John Brown;

  • 1863 - Excursions

  • 1864 - The Maine Woods;

  • 1865 - Cape Cod;

  • 1881 - Early Spring in Massachusetts;

  • 1884 - Summer;

  • 1888 - Winter;

  • 1892 - Autumn;

  • 1894 - Miscellanies.

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Gabriel Rezende Fialho 09/12/09 às 00h12

Contexto Hisórico

O contexto histórico cultural em que Henry David Thoreau viveu foi o período entre a independência dos Estados Unidos (1776) e a Guerra de Secessão (1861 – 1865) entre os estados confederados do sul e do norte. No contexto mundial a Europa vivia uma fase de Revoluções, que inicia com a Francesa, que eclodiu em 1789, e vai até o período de 1848 e a Comuna de Paris. Um período de modificações sociais apoiadas nos ideais Iluministas, que influenciarão Thoreau, principalmente em sua obra “A Desobediência Civil”.

 

 

Os Estados Unidos já haviam conquistado a sua independência e já tinham aprovado a primeira Constituição do país, datada de 1787, com grande inspiração nos princípios Iluministas de Montesquieu. Trata-se de uma Carta pioneira na concretização dos ideais liberais e que conformou uma República Constitucional Representativa. Este trecho da Declaração de Independência reflete bem o que nortearia os ideais constitucionais no país:

 

 

“Nós temos por testemunho as seguintes verdades: todos os homens são iguais, foram aquinhoados pelo seu Criador com certos direitos inalienáveis e entre esses direitos se encontram o da vida, da liberdade e da busca da felicidade.

 

 

Os governos são estabelecidos pelos homens para garantir esses direitos e seu justo poder emana do consentimento dos governados.

 

 

Todas as vezes que uma forma de governo torna-se destrutiva desses objetivos, o povo tem o direito de mudá-lo ou de o abolir e estabelecer um novo governo, fundando-o sobre os princípio e sobre a forma que lhe pareça a mais própria para garantir-lhe a segurança e a felicidade”.

 

 

Guerra de Secessão

 

 

Após as eleições de 1860, que definiu o candidato apoiado pelos estados do norte, Abraham Lincoln, como novo presidente dos Estados Unidos, os estados escravistas do sul resolveram se organizar em uma Confederação para defender os seus interesses. A principal causa de divergências era a definição dos regimes de propriedade e de mão-de-obra a ser empregada nos novos territórios, conquistados, comprados ou invadidos com a Marcha para o Oeste.

 

 

Um Tratado conhecido como Compromisso de Missouri havia delimitado em 1820 a divisão entre estados escravistas e os territórios não-escravistas. No entanto, com o crescimento da campanha abolicionista, alguns estados requereram o reconhecimento da passagem de estados escravocratas, para não-escravocratas. Com o reconhecimento destes estados, o Compromisso de Missouri perde o sentido e em 1854 a União declara que os estados possuem autonomia para decidirem sobre a questão.

 

 

Esta crescente tensão irá culminar com o ataque dos estados do sul a seus vizinhos do norte em 1861. Além de possuir superioridade numérica, de recursos e armas, o norte conseguiu bloquear, com a sua marinha, o apoio da Inglaterra aos estados sulistas, dos quais o país europeu importava o algodão para a sua indústria têxtil. O sul conseguiu algumas vitórias, mas após a Batalha de Gettysburg em 1863, o norte tomou a ofensiva e derrotou os 11 Estados Confederados, selando a vitória com a tomada da capital da Virgínia em 1865. Neste mesmo ano Abraham Lincoln decretaria a abolição da escravatura.

 

 

Nesta época Thoreau já não estava vivo, mas ele foi considerado um abolicionista e um pacifista. Em seu livro “Desobediência Civil” ele faz menção, condenando, o trabalho escravo, que contradizia os princípios sobre os quais a nação havia sido fundada. Thoreau também condena a Guerra contra o México (1846 – 1848), conseqüência da expansão dos Estados Unidos para o oeste e que resultou na anexação dos estados do Texas, Novo México e Califórnia, por parte deste. Thoreau afirmava que esta guerra era uma manobra dos senhores de escravos do sul, com o objetivo de ampliar o território o qual a escravidão negra poderia ser considerada legal.

Sumário

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