Hermenêutica Jurídica

Capítulo VIII - Da teoria da interpretação à teoria da argumentação

Alexandre Araújo Costa

Este capítulo narra a passagem das teorias da interpretação (que buscavam definir métodos interpretativos) para as teorias da argumentação (que buscam estabelecer padrões para a identificação de argumentos consistentes), que ocorreu na esteira da virada pragmática do giro lingüístico.

Jogo

Como não haviam definido as regras, a coisa não estava clara:

– Precisamos de definir as regras para saber quem ganhou, se eu, se o senhor... – disse o senhor Duchamp a Calvino, recolhidas que estavam já todas as peças e o jogo concluído.

– Mas agora, depois de termos jogado?

– Têm de existir regras... – insistiu o senhor Duchamp – para sabermos quem venceu.

– Mas agora quem define as regras? – questionou Calvino.

– Você ou... eu.

– Então... eu ou você?

– Você começa – propôs o senhor Duchamp –, depois eu termino.

– Não – ripostou Calvino. – Você começa; cada um formula alternadamente uma regra, e eu... defino a última.

– Aceito. Dez?

– Dez regras.

Começaram então, em alternância, a formular regras para o jogo que já haviam jogado, cada um tentando definir o jogo capaz de o fazer, embora a posteriori, vencedor.

Gonçalo Tavares, O Senhor Calvino

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